A Cor Que Vejo Em Você.
26 A cor que vejo em você.
Notas iniciais
Boa leitura.
Obs.: Eu não falo em inglês. As falas em tal idioma foram usadas a partir de um Tradutor.
A neve caia do lado de fora com enorme leveza. Seus olhos acompanhavam os flocos que desciam e dançavam mediante ao vento frio. Próximo a porta, o empregado olhava impaciente para o relógio. Já estava na hora de ir.
De sobretudo, meias grossas, cachecol, luvas e boina, estava pronta para sair na rua fria, mas algo ainda a prendia: o medo de retornar ao passado. Os ponteiros no relógio corriam e o empregado temia perder o horário.
– Miss Akazawa, we can already leave? – Questionou o motorista à porta.
– Maybe it's better... – Iria recuar, mas decidiu não fazê-lo. – Well, we can go. – E pegou sua bolsa de mão saindo do apartamento.
Durante todo o vôo pensou no que deixou para trás e no que encontraria a frente. Um único homem foi capaz de fazê-la tomar as decisões mais difíceis de sua vida e agora, ela não sabia o que a esperava naquela terra que há tempos não visitava. Dormiu com os pensamentos agitando sua mente e também seu coração.
– Senhorita Akazawa? – Indagou a aeromoça já falando em japonês. A ruiva despertou e a olhou. – Nós já iremos aterrissar. Por favor, coloque o cinto.
A menina apenas concordou e obedeceu. Colocou seu cinto e olhou pela janela. Aquela paisagem que lhe era tão familiar e vivia em suas lembranças agora estava ali a metros abaixo de si.
Não haveria mais como recuar, agora a realidade que tanto queria se distanciar estava bem próximo. Mas ela devia isso a Sakakibara. Ele pediu para que ela estivesse no aniversário de um ano de sua filha e ela tinha de fazê-lo.
Saiu do avião e caminhou em direção ao desembarque. Um de seus empregados já estava lá a sua espera e ela mantinha uma expressão séria no rosto. Não porque era esnobe, mas sim porque se sentia estranha e em dúvida consigo mesma.
– Seja bem vinda de volta, senhorita Akazawa. – Disse o empregado.
– Obrigada Ichiro. – Disse simplesmente e caminharam em direção a limousine que os esperava.
Quando chegou ao lado de fora olhou para todos os lados e observou todas as coisas. A cidade ainda parecia à mesma, as pessoas ainda pareciam às mesmas e ela em nada se sentia a mesma. Respirou profundamente e fechou os olhos, quando os abriu, havia um brilho diferente.
– Yomiyama... – Balbuciou a ruiva. – Você continua a mesma, mas... É bom estar de volta.
E depois da declaração entrou no carro, indo diretamente a sua casa. Ela precisava descansar para a festa que aconteceria durante a noite.
*
– Ai... Ai... Sakaki! Sua festa nem começou e eu já estou acabado! – Espreguiçou-se Teshigawara enquanto entrava em uma loja com seu amigo.
Um ano já havia se passado e a pequena Misaki completava um ano aquele dia. Kouichi e Mei decidiram que fariam uma festa para sua filha tão amada que a cada dia crescia com mais força e saúde.
– Lembre-se que é uma festa de criança Teshigawara. Não se embebede tanto. Não vai querer que a Misaki tenha em suas recordações um tio bêbado caindo pelos lados. – Disse o amigo sorrindo e pegando um refrigerante e indo até o balcão para pagar.
– Ah! Você sabe que isso só aconteceu uma vez e por um bom motivo! Nós dois passamos para a faculdade! – Justificou-se o loiro.
– E no dia seguinte não conseguiu levantar para trabalhar! – Gargalhou Sakakibara.
– Você foi trabalhar e vomitou o tempo todo! – Implicou Teshigawara.
– Mas pelo menos eu não liguei para o trabalho bêbado! Mayumi quase te matou! – Riu Kouichi.
– Nem me lembre disso, ela é um doce, mas quando quer ser brava... Acho que ela só não consegue ser pior que... – De repente ele parou de falar.
– Pior que quem? – Olhou-o Sakakibara.
– Você sabe. Eu não preciso dizer. – Disse de forma séria.
– Teshigawara, mesmo estando longe, você ainda parece estar bem ligado a ela. Ainda tem esperanças de que ela volte?
– Eu não sei... Mas algo dentro de mim ainda nutre essa esperança, mesmo tendo quase certeza de que ela não voltará.
– Por que ela não voltaria?
– Você voltaria para o lugar em que tanto sofreu? Eu nunca faria isso!
– E se ela voltasse? – Questionou Kouichi. – O que você faria?
Naoya pareceu refletir por algum tempo. Ficou em silêncio imaginando como reagiria ao encontrá-la. Era difícil pensar no que faria, mas com certeza sabia o que diria.
– Eu ia dizer: Hey! Akazawa! Agora que você já me esqueceu eu quero dizer que senti sua falta. Lembrei de você todos os dias da minha vida e não queria mais que você fosse embora. – O loiro falava em tom divertido, mas o amigo percebia a dor na voz do outro.
– Naoya, quando vocês se encontrarem, vão ficar juntos. Pode ter certeza. – Kouichi pegou a sacola e ambos caminharam em direção ao carro do moreno que os esperava.
– Eu não sei. Acho que eu nunca mais ficarei com ela. – Concluiu tristemente o loiro entrando no carro.
Chegando em casa, Kouichi achou estranho o fato de tudo estar na mais perfeita ordem e em silêncio. Colocou as sacolas em cima do balcão da cozinha e caminhou até o quarto de sua filha.
Mei estava parada frente ao berço, observando sua preciosa filha dormir tranquilamente. Kouichi abraçou-a por trás e ela retribuiu o abraço. Ele beijou seu ombro e cheirou seu pescoço.
– Agora já sei o porquê do silêncio.
– Demorou muito para que ela dormisse. Sabe o quanto gosta de brincar durante o dia. – Disse a mãe observando ainda a filha.
Eles ficaram mais algum tempo assim e depois saíram do quarto de Misaki. Caminharam em direção ao seu e Mei sentou-se na cama suspirando cansada.
– O que foi amor?
– Eu estou preocupada com a festa. Só quero que tudo dê certo. – Disse sinceramente. Kouichi sentou-se atrás dela e começou a massagear-lhe as costas.
– Fique tranqüila, meu amor. Tudo nessa festa vai dar certo e muito além do que você pode imaginar.
Mei se virou para trás já certa de que seu marido planejava algo. Com a sobrancelha erguida tentava imaginar o que ele faria, mas não fazia idéia, então decidiu perguntar.
– O que quer dizer? – Ele pegou o celular e lhe mostrou a mensagem que havia recebido. – Isto é mesmo verdade? Então será que eles irão...?
– Ainda não sei, mas pelo que consegui perceber hoje Naoya ainda a ama.
Eles continuaram naquela mesma posição se fitando e o rapaz acariciou o rosto de sua esposa. Percebendo que ela não temia usar o tapa-olho em casa, ele ficou intrigado.
– Amor, se pudesse ver alguma cor em mim, qual seria?
Mei ficou um pouco perdida com a pergunta. Kouichi sabia que ela só via a cor da morte, então não haveria necessidade de perguntá-la, mas tão logo pensou isso, entendeu o sentido da coisa.
Ali estava o homem que deu lhe deu o primeiro beijo, que tirou sua virgindade, que a pediu em casamento, o pai de sua filha, o sustentador de sua casa, o homem que trabalhava e estudava para que eles tivessem sempre o melhor.
Aquele que mesmo cansado, dedicava seus momentos a sua família, o homem que mesmo aborrecido nunca trazia seus problemas para casa. O homem que detestava brigas, o homem que sempre a defendia, o homem perfeito aos seus olhos, o homem que ela amava.
– A cor do amor. – Ele abriu um enorme sorriso. – Essa é a cor que eu vejo em você.
– Eu te amo Mei. – Ele acariciou seu rosto mais uma vez.
– Eu te amo Kouichi. – E eles se beijaram amorosamente.
A cada dia que se passava amavam-se ainda mais e sentiam que nada seriam um sem o outro. Eram as peças que se encaixavam, metades perfeitas. O destino havia os unido e havia acertado.
Continuaram se beijando e deitaram-se na cama. Kouichi por cima de Mei aprofundava o beijo deixando claro o quanto desejava sua mulher. Ela o envolveu em um abraço e lhe mostrou também o quanto o amava.
Aprofundaram as carícias e sentiram a necessidade de tirar a roupa. O rapaz, como sempre, foi calmo e cuidadoso abrindo a blusa de Mei. Ela apenas o olhava sentindo a excitação ser estimulada em seu corpo.
Após retirar a blusa de sua mulher, o próprio Sakakibara retirou a sua e tomou os lábios de Mei em um beijo ardente. Logo a envolveu em seus braços e depois distribuiu beijos em seu pescoço e seio.
Tomado pelo desejo, quis ir além. Beijou ainda a barriga de sua esposa e numa tortura excitante, abriu devagar seu short. Voltou a beijar seus lábios enquanto retirava as peças que o impediam de vislumbrar o corpo quente que tanto ansiava para tocar.
Mei o atraía de maneira avassaladora e ele nunca conseguia se controlar. Suas mãos percorriam o corpo da jovem mãe enquanto provocavam arrepios em sua pele branca. Envolvida pelo momento, a morena envolveu Kouichi pelo pescoço e uma de suas mãos ficou presa ao seu cabelo. Ele gostava daquilo e gostava de provocar também.
Beijou ainda mais ardentemente sua esposa e esta, por sua vez, queria ser beijada. Nem se deu conta de que ele abriu seu sutiã, até sentir as mãos grandes e firmes segurarem seus seios. Agora eles estavam maiores e para Kouichi, isso era muito bom.
O corpo de Mei havia mudado, embora ela ainda fosse bem magra. Aparentemente não se via isso, mas aquele que conhecia cada parte de seu corpo notou imediatamente as diferenças assim como notou o que ela gostava ou não na cama. Por isso, sua mão desceu até seu sexo, onde acariciou levemente fazendo sua esposa arfar.
Um sorriso safado se formou nos lábios do rapaz. Ele adorava aquilo, adorava vê-la se derreter em suas mãos. Sentindo seu membro já rijo, retirou sua bermuda e como veio ao mundo atirou-se aos braços de sua mulher.
Inverteram as posições e foi a vez de Mei provocar. Ela ainda era um pouco tímida quando o assunto era sexo, mas também tinha desejos e procurava saciá-los. Debruçou-se sobre o marido e o beijou. Depois, beijou seu pescoço e peito deslizando seu corpo sobre o dele.
O membro de rapaz já doía pela vontade de invadi-la e acompanhado pelas carícias dela, ele se sentou na cama e a deitou retirando a ultima peça que os impedia de sentir-se inteiramente. Devagar e olhando nos olhos de sua amada ele retirou a peça e segurou seu pé.
Beijou-o delicadamente e foi subindo, enquanto Mei sentia-se arrepiar completamente tomada por inúmeras sensações em seu corpo. Quando chegou ao interior de sua coxa, os beijos de Kouichi tornaram-se ainda mais sensuais.
Tortura. Ele amava esses jogos. Amava ver até onde ela iria e ela sempre ia pelo caminho do prazer. Cansada de tudo aquilo, ela o olhou profundamente nos olhos e ele entendeu o recado. Sem mais cerimônias ou jogos, a penetrou com força, fazendo com que seu corpo arqueasse e um gemido surgisse em sua própria garganta.
Segurando firmemente em sua coxa, Kouichi intensificava cada vez mais os movimentos enquanto Mei descontava tudo na pressão que suas mãos faziam sobre o lençol. Isso não era suficiente para ele, queria que ela fosse além.
Debruçou-se sobre ela e beijou seu pescoço, depois desceu para seus seios enquanto uma de suas mãos acariciou o sexo da jovem, sem deixar de penetrá-la vigorosamente. Eram muitas as sensações e provocações no corpo de Mei, sem perceber gemeu baixo e Kouichi abriu um enorme sorriso. Satisfazê-la era sua missão.
Depois de alguns minutos, o sorriso safado em seu rosto se desfez. Ele mordeu o lábio inferior para conter a vontade de gemer, mas não adiantou. Vendo que o clímax estava próximo, ele a segurou pela cintura e a colocou sentada em seu colo.
Abraçaram-se instantaneamente e ela iniciou os movimentos de subida e descida sobre o membro rijo de seu marido. Os seios da moça esfregavam-se no peito e rosto do rapaz e ele foi a sua fonte, afogando-se no calor das mamas de bico rosado sentindo delirar.
Mei jogou a cabeça para trás e seus cabelos negros e curtos balançavam à medida que se movimentava. Kouichi aproveitava cada milímetro de pele livre exposta ao alcance de seus lábios e sugava, beijava e lambia saciando-se e provocando-a como gostava de fazer.
Jogando a cabeça para frente e com os braços ao redor do pescoço do marido, Mei encontrou seus lábios e o beijou ainda movimentando-se, até que o sentiu algo dentro de si tomar seu corpo e a fazer tremer. Kouichi sentiu o interior de sua esposa se contrair cada vez mais e não conseguiu se segurar. A sensação maravilhosa e indescritível de gozo lhe tomou e juntos eles chegaram ao orgasmo.
Quando normalizaram suas respirações se olharam outra vez. Beijaram-se lentamente e sentiram amor um no outro. Depois disso abraçaram-se e deitaram na cama, exaustos pelo que haviam acabado de fazer.
Kouichi puxou Mei para um abraço apertado e esta apoiou sua cabeça em seu peito. Ficaram por bastante tempo assim, desfrutando de um silêncio gostoso. O rapaz acariciava os cabelos negros de sua adorada esposa enquanto ela, de olhos fechados pensava em quanto o amava.
– Acho que consegui fazer com que você se acalmasse, não é mesmo?! – Disse ele enquanto olhava um ponto fixo e sorria. Ela apenas apertou o abraço e sorriu.
Ficaram assim por mais algum tempo, até que ouviram o resmungar de sua filha no outro quarto. Os dois se entreolharam e ao perceberem que ela começou a chorar. Logo, se movimentaram na cama.
– Deixe comigo. – Disse o rapaz e rapidamente colocou uma calça. A morena ficou enrolada no lençol.
Quando chegou ao quarto, Misaki chorava sentada em seu berço. Ao avistar o pai, imediatamente levantou-se e estendeu os braços em sua direção. O rapaz a pegou no colo e a abraçou apertado. Imediatamente a menina parou de chorar.
– Hum... Parece que você só queria ver alguém, não é?! – A pequenina Misaki de cabelos castanhos como os do pai e olhos vermelhos como os da mãe logo parou de chorar ao ser acarinhada pelo pai.
Mei vestiu um robe e foi em direção ao quarto da pequena para ver o que acontecia. Ao chegar lá e ver o pai ninando a filha, recostou-se a porta e ficou os observando. Era uma linda cena a ser admirada.
Sem perceber que estava sendo observado, Kouichi virou-se para trás e viu Mei o olhar. A atenção de Misaki foi despertada ao notar o pai olhar em outra direção. No mesmo instante recomeçou a chorar e Kouichi virou-se para ela novamente.
– Acalme-se minha princesa. Eu só estava olhando para a mamãe. Não precisa chorar. – Ele a ninava e logo ela se acalmou.
Depois que a menina fechou os olhos e voltou a dormir Kouichi tentou colocá-la no berço, mas ela acordou e recomeçou a chorar então ele a pegou no colo e acalentou novamente. Fez isso por várias vezes, até que a própria Misaki se rendeu ao cansaço e dormiu outra vez.
Vendo que ela dormira, Kouichi aproximou-se de Mei com uma expressão de alívio no rosto. Falou baixo para que a menina não acordasse.
– Ufa! Pensei que ela não fosse dormir outra vez.
– Ela sempre demora a dormir quando você deve colocá-la para fazer isto. – Revelou Mei e ele arqueou a sobrancelha.
– Por que está dizendo isto?
– Porque ela adora ficar com você e não gosta nada quando eu roubo sua atenção. – Sakakibara abriu um enorme sorriso e abraçou Mei por trás, podendo assim ver sua filha dormir tranquilamente no berço.
– Às vezes eu me pergunto quando foi que isso tudo começou. – Confessou ele.
– Eu sei quando. – Disse ela.
– Sabe?! Então me diga. – Ele ficou de frente para ela, esperando a resposta.
– Quando nós estávamos no elevador do hospital e você disse: “Erm... Você é da escola Yomiyama Norte...?
Kouichi sorriu largamente e beijou mais uma vez sua esposa. Depois a abraçou e voltou a observar sua filha. Os dois podiam sentir que realmente se amam e todos sabiam o quanto eram felizes.
*
A música tocava animada enquanto os convidados conversam e se divertiam com as atrações. O salão foi todo decorado em tons de rosa e branco. Brincadeiras com as crianças, brincadeiras com os adultos, risos e gargalhadas, fotografia, filmagem, comida, bebida e muita animação.
A festa de Misaki estava linda e mesmo ela divertia-se nas atividades próprias para as crianças da sua idade. Mei estava com um vestido de alças largas rosa acima do joelho e um cinto bege, combinando com o seu sapato. Kouichi estava de calça jeans, blusa branca e blazer preto, o que lhe deixava muito charmoso.
Os pais da aniversariante interagiam uns com os outros e procuravam dar atenção a todos, mas Kouichi estava preocupado e Mei percebeu isso. Assim que pôde aproximou-se dele para saber o que se passava.
– O que foi amor? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou ela.
– Será que ela vem? – Indagou preocupado.
Mei procurou por Teshigawara e logo o encontrou. Ele estava com Mayumi e tiravam fotos naquele momento. O rapaz estava de calça branca, camisa azul clara e blazer preto. Os cabelos desgrenhados davam a ele um ar sexy e que Mayumi adorava. No mesmo instante Mei entendeu a preocupação de Sakakibara.
– Fique calmo. Tudo vai dar certo, com certeza ela vai... – Nem precisou terminar. No exato momento, ela viu Izumi entrar no salão e procurar por eles.
Ainda um pouco insegura com tudo o que estava acontecendo, a ruiva procurou pelos donos da festa e caminhou em sua direção. Ela estava com um vestido branco curto e blazer assim como o sapato laranja.
Não demorou muito para que as pessoas começassem a notá-la e comentarem seu retorno. Muitos que ali estava também eram conhecidos dela. A ruiva atravessou o local e chegou até eles. Imediatamente Mei e Kouichi sorriram.
– Achei que você não viria mais! – Disse Kouichi sorrindo e abrindo os braços para cumprimentá-la.
– Eu prometi que viria. Não perderia a oportunidade de apertar sua filha. – Respondeu sorrindo e abraçando o rapaz.
– Bem vinda de volta Izumi, nós sentimos saudades. – Cumprimentou Mei sorrindo.
– Obrigada. Eu também senti. – Respondeu sinceramente.
– Eu sei que você já sabe, mas a minha filha é ainda mais linda pessoalmente. Por que, claro, puxou ao pai! – Gabou-se Sakakibara e as duas gargalharam. – Vou pegá-la para que você veja.
Não precisou. Caminhando de costas com a pequena Misaki no colo, Teshigawara veio em direção aos pais da menina. Enquanto conversava com alguns amigos e brincava com Misaki se distraiu e como sempre era bem afoito, não percebeu o que se passava ali.
– Kouichi! Eu acho que você perdeu sua filha... – Não terminou de falar, porque no mesmo instante virou-se e seu olhar encontrou-se com o de Izumi.
Assim como o coração dela, o dele também parou de bater. Naoya ficou estático, sem sequer saber o que fazer. Mei e Kouichi abriram um enorme sorriso e a mãe tratou de pegar a filha no colo.
Alguns segundos se passaram até que ele recuperasse a fala e a consciência, mesmo assim ainda era difícil acreditar.
– Izumi... – Disse mais para si do que para ela. Quando enfim recobrou a razão tomou a iniciativa. – Izumi eu te a...
– Naoya! – Chamou um rapaz correndo nervoso. – A Mayumi! Ela caiu e nós achamos que quebrou o pé. Temos que levá-la a um hospital, mas ela não quer. Você precisa convencê-la ou mesmo levá-la.
O loiro olhou para onde Mayumi estava e via que ela chorava. Depois voltou seu olhar para a ruiva a sua frente. Tinha tantas coisas a lhe dizer, tinha tanto a lhe pedir e mesmo assim outra vez pareciam estar sendo afastados pelo destino. Ou talvez nada daquilo fosse o destino. Talvez Naoya estivesse preocupado demais com Mayumi e esquecesse que o grande amor de sua vida era Izumi.
Sem ter muito que fazer, ele se virou e caminhou em direção a morena. No entanto, sem mais nem menos ele refez o caminho e segurou Izumi pelos ombros.
– Você vai ficar aqui e esperar até que eu volte, entendeu? Nós temos muito que conversar. – Ela apenas balançou a cabeça pela forma decidida com que ele falara e o loiro correu em direção a Mayumi.
Vendo que era ele, a morena permitiu que se aproximasse e a tocasse. Izumi havia cansado de ver aquela cena outras vezes e parecia-lhe que havia voltado para revê-la. Mesmo tendo escutado as palavras de Naoya, seu coração doía pelo que estava vendo.
Ele a pegou nos braços e ela colocou seus braços ao redor dele e ambos saíram do salão em direção ao carro. Todos podiam ouvir as palavras de Teshigawara a Mayumi garantindo-lhe que tudo ficaria bem e que ele estaria ao seu lado.
Quando desaparecem pelo portão, Izumi sentia seu coração sangrar cada vez mais. Questionava-se o porquê de ter voltado quando sua razão sempre lhe avisou: Teshigawara estava feliz. Feliz sem ela. Feliz com Mayumi.
Iria chorar, mas percebeu o olhar de Kouichi e Mei sobre si. Resolveu respirar fundo e olhar novamente para a linda Misaki, que estava curiosa pelos longos cabelos da ruiva. Pegou a menina no colo e ficou com ela por longos momentos, até que tivesse de ir embora.
Naoya dirigia extremamente apressado. Aquele encontro, em sua concepção havia demorado demais. Ele precisava encontrá-la novamente para olhar em seus olhos e dizer tudo o que havia guardado aquele tempo.
Estacionou o carro de qualquer jeito na rua, entrou na festa e procurou por Izumi. Ao notar que ela não estava em lugar algum, algo apertou seu coração. Correu em direção a Mei.
– Onde ela está Mei?! Para onde foi? – Questionou aflito.
– Ela quem? – Indagou a morena sem saber.
– Izumi, ela não está em lugar algum. – Completou ele.
– Mas como...
– Ela foi embora. – Disse Kouichi se aproximando dos dois. – Disse-me que precisava partir e pediu desculpas por não despedir-se pessoalmente.
Naoya sentiu-se tremer.
– Embora para onde? – Questionou com medo.
– Eu não sei, mas pediu que eu lhe dissesse adeus, assim como para Mei.
O loiro deu dois passos para trás desorientado. Não acreditava naquilo que estava acontecendo. Baixou a cabeça e sentiu os olhos arderem. Aquilo não estava certo.
– Não... – Começou ele. – Não. NÃO! – Gritou decidido. – Ela não vai embora outra vez! Não vou permitir que fique longe de mim outra vez! – No mesmo instante começou a caminhar em direção a saída do salão, Kouichi e Mei o seguiram.
– Naoya o que vai fazer? – Questionou Mei.
– Vou atrás de Izumi e nós voltaremos a tempo de cantar parabéns. – Em seguida entrou no carro e bateu a porta vorazmente.
No banco traseiro do carro, a ruiva sentia deixar mais um enorme pedaço de si para trás. Olhava pela janela e nada via além das luzes da cidade que a seus olhos apagavam-se quando seu coração lhe lembrava a dor da realidade.
Para Izumi, aquele havia sido o ponto final. Em sua concepção o fato de deixá-la para socorrer Mayumi lhe mostrou que ela sempre seria superior a qualquer coisa que Naoya pudesse sentir por outro.
Ele havia a negado antes. Por que aceitaria agora? Estava na hora de aceitar a realidade. Eles nunca ficariam juntos.
– Senhorita Akazawa? – Chamou o motorista já com a porta aberta.
– Desculpe-me. – Ela secou as lágrimas que ousaram cair. – Pode pegar minhas coisas, por favor. Estamos atrasados. O vôo já deve estar saindo. – E levantou-se indo em direção ao aeroporto.
Enquanto pisava fundo no acelerador, Naoya pedia aos céus para que tudo desse certo. Correu o máximo que pôde. Quando chegou ao aeroporto, estacionou o carro de qualquer jeito, o trancou e ativou o alarme. Depois disso correu.
Correu porque precisava correr. Correu porque precisava chegar a tempo. Correu porque precisava impedi-la. Correu porque precisava parar o amor de sua vida.
Quando entrou no aeroporto, olhou o painel. Desesperado, verificou os vôos. A esperança ainda vivia, quando recebeu o golpe fatal. Um letreiro mudou de Embarque Imediato para Encerrado.
O loiro caiu de joelhos no chão desolado. Havia perdido sua ultima chance de ser feliz. Estava tão abalado que não havia lágrimas para chorar. Seu coração bateu acelerado, sua mente girou com força. A visão ficou turva.
E de repente ele enxergou algo que não havia percebido. Longos cabelos vermelhos movendo-se enquanto a possuidora dos mesmos falava em um balcão. Levantou-se e foi até ela. Mas quando se aproximou, decepcionou-se. Era outra mulher.
Cabisbaixo ele suspirou e virou-se para trás. Dessa vez ele viu a mulher que queria ver. Com um papel na mão e olhando para as enormes instruções distribuídas pelo local, Izumi caminhava em direção a porta aonde iria para o avião.
Naoya usou todo o seu talento atleta e correu em meio a várias pessoas que vinham na contra mão. Cada vez que chegava mais perto, sentia-se mais longe e correu ainda mais rápido. Vendo que não conseguiria, apelou para o som. Esse com certeza chegaria mais rápido que ele.
Ela estava levantando a mão para estender seu passaporte ao guarda, quando ouviu alguém chamá-la.
– Izumi! Izumi! – Gritava ele e a loira virou-se para trás.
Naoya veio correndo em sua direção e parou ofegante, mas não perdeu tempo. Olhou-a profundamente nos olhos e libertou-se das palavras que guardava.
– Você realmente irá partir? – Questionou ele.
– Vou Naoya. – Ela disse.
– É isso o que você quer? – Um longo silêncio se instaurou entre eles.
– O que importa a minha vontade? – Ela questionou magoada. – Por que eu ficaria aqui?
– Porque eu não quero te perder outra vez. Porque desde que você foi embora um vazio enorme se instaurou dentro de mim. Porque eu esperei durante todos os dias em que você esteve longe, o momento em que eu pudesse olhar nos seus olhos para dizer que te amo e que não quero viver outra vez sem você. Esperei para dizer que eu te fiz uma promessa e vou cumprir. – Ele se aproximou dela com a voz firme, embora os olhos estivessem cheios de lágrimas. – Não vou deixar que vá embora. Não vou deixar que a minha felicidade e a mulher da minha vida partam nesse avião. Não vou ficar sem você. E eu sei que você sabe que mesmo depois de todo esse tempo, eu ainda sou seu e você ainda é minha.
Izumi baixou a cabeça e lágrimas tomaram seus olhos. Ela chorava porque tudo o que ele lhe disse era o que seu coração desejava ouvir. Amava aquele homem com toda sua força. Completamente envolvida pelos sentimentos, deferiu um tapa sobre o ombro do loiro.
– Ai! – Disse ele esfregando o braço que ardia pelo tapa.
– Naoya seu idiota! – Gritou assim como costumava fazer durante o colégio. – Por que esperou tanto tempo para me dizer essas coisas?! E se eu já tivesse partido?! Você nunca pensou que... – Não terminou de falar porque seus lábios foram tomados pelos dele.
Teshigawara beijou sua ruiva como a muito queria. Havia sonhado com aquele momento durante muito tempo e nunca perderia a oportunidade de realizá-lo. Ela cedeu aos seus encantos e beijou-o como se fosse o primeiro beijo.
E aquele era realmente o primeiro beijo do resto de suas vidas.
Quando separaram seus lábios, ele abriu um enorme sorriso para a menina. Ela também sorria para ele e o mesmo não podia acreditar que tudo aquilo era verdade.
– Minha! Minha! Minha! Minha! Eu te amo Izumi! – Ele gritava e a abraçou rodando em meio ao aeroporto.
– Naoya, pare com isso agora! – Exigia Izumi, mas ele não lhe dava ouvidos. Estava feliz demais. Realizado demais.
De repente colocou-a no chão parecendo lembrar-se de algo. Começou a puxar Izumi pelo grande local até a saída. Atordoada, ela não sabia o que ele pretendia.
– Espere! O que vai fazer? Para onde vamos?
– Eu prometi a Mei e Kouichi que estaríamos de volta até os parabéns. Não podemos perder tempo. – Ele continuou andando rapidamente e ela tentava segui-lo.
– Será que não dá para ir mais devagar?
– Não podemos! Vamos perder os parabéns e o bolo é maravilhoso!
– Mas assim não chegarei lá inteira, você está quase arrancando meu braço!
– Ah! Não seja reclamona!
– Eu não sou reclamona você é que é um desastrado!
– Não sou desastrado e se quer saber a culpa de tudo isso é sua!
– E como nós chegamos a essa conclusão, pode me dizer?
– Ora, você foi quem veio embora! Agora não reclame e entre no carro!
– Quem você pensa que é para me dar ordens?!
– Ah! Izumi! Chega de blá blá blá!
– Está querendo dizer que eu só falo besteiras... – A discussão deles como sempre demoraria a parar, mas é de perfeito entendimento. O relacionamento de Izumi e Naoya sempre foi entre tapas e beijos.
*
– Um para a esquerda e o outro a direita. Misaki tem que estar no meio. –Pedia o fotógrafo a Mei e Kouichi.
Os dois se arrumaram enquanto ele segurava à pequena Misaki. Estavam preocupados com Teshigawara, ele não havia dado sequer uma notícia.
– Vamos! Sorriam! É o primeiro aninho da filha de vocês! – Animava o profissional e não foi preciso pedir mais.
Naquele mesmo instante, entraram no salão Naoya e Izumi. Os dois estavam de mãos dadas e sorriam largamente. Mei e Kouichi sentiram imensamente felizes pelo que acontecia. Mei podia ver que a cor do amor que estava em Kouichi, também estava neles. Os pais da aniversariante olharam-se e sorriam ainda mais.
Agora sim tinham a sensação de que tudo estava completo. Ao repensar tudo o que viveram e em como estavam naquele momento, não puderam deixar de acreditar que foram abençoados.
Aproximaram seus rostos contentes e beijaram-se. Por incrível que pareça, era a foto perfeita de uma família feliz. Do outro lado do salão Naoya e Izumi repetiram o gesto. Não havia nada fora do lugar. Tudo estava perfeito. Tudo estava completo.
Fim.
Notas finais
Beijo e até a próxima Fanfic.
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