A Corça

2 A Revolta


Aquela era a aula mais chata de toda a eternidade. Ninguém estava prestando atenção. Somente uma garota olhava entediada para o professor fantasma enquanto ele citava nomes de rebeliões. O Prof. Binns havia um dia levantado para dar aula e deixado seu corpo na sala dos professores. Um menino magricela com os cabelos bagunçados de quinze anos não parava de observá-la. Ao virar para o lado viu seu amigo com a cara na mesa, os olhos fechados e a respiração devagar. Era muito comum os alunos dormirem em meio a uma aula de História da Magia, sem contar na personalidade de Sirius. Remo rabiscava em um pergaminho e alguns outros conversavam entre si. Tiago cutucou Sirius, que levantou a cabeça sobressaltado.

– O que perdi?

– Nada. Mesmo. – Respondeu.

– Caramba, acho que vou ter uma síncope se ficar aqui mais tempo.

– Acho que está exagerando, cara – Disse Remo, sem olhar para eles — Estamos aqui há duas horas e você ainda tá vivo.

– Na boa Aluado, você tá ficando muito distante. Não viu que foi irônico?

O garoto não respondeu, só voltou a rabiscar o pergaminho. Nesse instante, a sineta tocou, e todos correram para a porta, e o Prof. Binns parou de repente de falar, virou de costas e atravessou o quadro de giz. Lílian pegara seus livros e saíra andando, mas antes de sair da sala, Tiago a chamou. Momentaneamente, a garota se virou, mas assim que viu quem era, saiu bruscamente pela sala.

– É sério! Espera!

Correndo para alcançá-la, o menino segurou seu ombro no meio do corredor.

– Não quero falar com você, Potter, sai!

– Calma, por favor! Me deixa explicar!

– Está bem – Ela cruzou os braços e olhou fria para Tiago — Explique.

Ele se desconcertou.

– Ouça... Ele me desafiou! Disse... Disse que...

– Lily! Potter!

Eles se viraram. Snape vinha até eles. A longa capa cobria seus sapatos, os longos cabelos escuros recém cortados. A mochila às costas. Tiago sentiu a raiva subir e o rosto corar um segundo.

– Não precisamos de você aqui, Ranhoso. Afaste-se.

– Ora, Severo, o Potter estava me contando sobre a discussão de vocês ontem. Me diga se os fatos são verdadeiros! – Disse calmamente a garota.

– Lily, não acredite em uma palavra do Potter!

– Cale a boca! Estou falando com a Lily, não se intrometa! – Gritou Tiago.

– Não me chame de Lily!

– Ora, vamos... – Falou o garoto, ficando mais vermelho — Acredite em mim!

– Não acredite nele! Vamos embora!

– Quero saber, Severo. Pode ir indo, se quiser. Já vou.

– Ótimo! – Disse, parando e cruzando os braços, como Lílian – Conte Potter, conte a ela como aconteceu. Mas se falar uma mentirinha verá só.

– O que vai fazer, Ranhoso? Chamar o Slughorn? – Provocou, e fazendo uma imitação de voz lamentosa e chorosa – “Professor, Potter está mentindo!” “Professor, Potter quer me azarar!” “Professor, amo a Lily, o que faço?”

TUM.

Tiago bateu com força na parede e escorregou até o chão. Todos os poucos alunos que ainda atravessavam o corredor pararam para olhar, abismados. Lílian havia deixado cair os livros e soltado um gritinho. Snape ainda continuava com a varinha erguida, o rosto escarlate.

– Severo! – Exclamou a menina.

Ele guardou a varinha no bolso das vestes e correu para a direção oposta. Lílian se apressou para onde Tiago tinha caído, os olhos fechados. Envergonhada, chamou:

– Po-potter?

O menino abriu os olhos devagar.

– Se afastem, rápido! O que aconteceu aqui? Srtª Evans?
A Profª Marrythought havia chegado. Seus cabelos castanhos estavam amarrados em um rabo de cavalo curto e as pequenas rugas em seu rosto estavam contraídas. Sua capa longa e azul marinho rastejava no chão, e ela estava bastante irritadiça.

– Potter? Evans? Expliquem-se!

Tiago não ousou se mexer, virou a cabeça de um lado para o outro. O lugar onde o feitiço o havia atingido doía. Ele abriu a boca para falar o nome de Snape, mas Lílian disse primeiro.

– Professora... O Potter foi atingido por um feitiço. – Ela se levantou.

– Acho que eu percebi isso, Srtª Evans. Mas quem o fez?

– Ah... – A menina estava pensando a mil – Fui eu. O Potter veio me perturbar de novo e eu lancei um feitiço nele. Desculpe...

– O quê? Mas... Não posso acreditar, Srtª Evans! Creio que devo tirar vinte pontos da Grifinória por isso. Estou envergonhada com sua atitude e vamos ter uma conversa depois.

Dito isso, a professora se retirou. Lílian deu um gemido de culpa.

– Por que não disse simplesmente o nome do Ranhoso? Ficou com peninha? – Caçoou, zangado, Tiago. Com certa dificuldade, ele levantara, e olhava para Lílian com muita raiva. A garota, porém, nem mesmo respondeu, pegou seus livros no chão, ajeitou o cabelo e saiu apressada pelo corredor, deixando Tiago no ar, com todos os olhares voltados para ele.

Notas finais
Desculpem por esse capítulo ter ficado pequeno, vou preparar outros maiores (: