— E então? — Gina disse apreensiva após contar o ocorrido para sua terapeuta.

— Gina, você teve outro ataque de pânico. Vou precisar que você venha regularmente em suas consultas, caso contrário, eu não poderei te ajudar! — a médica exclamou.

— Desculpe, Julia. As vezes eu sinto vontade de vir, afinal isso é para o meu bem. Mas por outro lado, ter que vir aqui me faz lembrar que não sou uma pessoa normal. Eu tenho problemas.

— Gina, todo mundo têm problemas, acredite. Mas isso não significa que você não seja normal, isso não te define e é isso o que você precisa entender. Você passou por um trauma, e é completamente normal que pessoas que tenham passado pelo mesmo que você fiquem fragilizadas, e por isso você precisa deixar que eu te ajude.

— Tudo bem, Julia, e eu te agradeço muito por não desistir de mim. Te dou a minha palavra de que a partir de agora vou levar a terapia a sério. Eu preciso melhorar. — Gina disse em um tom cansado.

— E você vai melhorar, Gina! Te espero aqui no consultório próxima terça-feira às 15h.

— Nos vemos terça-feira! — Gina confirmou e saiu do consultório de sua terapeuta.

Agora você deve estar se perguntando: "Mas o que aconteceu com a Gina, afinal?"

Gina Solano era uma jovem sonhadora de 23 anos que queria muito se tornar uma atriz de sucesso e tinha perdido seu marido Nathan há 5 meses.

Nathan trabalhava como detetive no Departamento de Polícia de Miami e estava investigando uma chefe do tráfico de drogas internacional chamada Rose. Em um dos inúmeros interrogatórios que Nathan conduzia todos os dias, ele acabou pegando um homem chamado Michael que ocasionalmente trabalhava para Rose e a devia um favor.

Era uma tarde de sexta-feira, Nathan estava indo para casa quando percebeu que estava sendo seguido por alguém. Quando tentou identificar seu perseguidor, reconheceu Michael, que sem exitar deu um tiro no peito de Nathan. O jovem detetive passou semanas lutando por sua vida no hospital, mas infelizmente não conseguiu resistir e acabou falecendo. Gina ficou arrasada.

— Ele não morreu! Não pode ser! — Gina disse ao médico desesperada.

— Eu sinto muito, senhorita. Não há mais nada que possamos fazer — disse o médico.

Gina revivia o pesadelo da morte de Nathan várias vezes por dia, aquilo a assombrava e por isso ela começou a desenvolver ataques de pânico.

Além de sua rotina de testes, Gina tinha um trabalho fixo no bar do hotel Oceans. Seu chefe e dono do hotel, Justin, era muito compreensível com o sonho da jovem de se tornar uma atriz e a deixava se ausentar de seus turnos sempre que ela precisasse fazer algum teste. Apesar da posição de chefe, Justin sempre foi um bom amigo para Gina, inclusive, foi uma das pessoas que mais a ajudaram e estiveram presentes nesse período de luto que ela estava vivendo.

Era sábado de manhã e Gina estava se preparando para sair de casa e ir para o hotel quando ouviu seu celular tocar.

— Oi, Justin! Não se preocupe, já estou saindo de casa, não vou chegar atrasada hoje. — ela disse rapidamente em tom de brincadeira.

— Eu não te liguei para te apressar, Gina. — Justin riu e continuou — Na verdade, eu tive que resolver um assunto logo cedo e acaba que estou por perto da sua casa, então liguei para perguntar se você gostaria de uma carona.

— Eu adoraria! Se não for muito incômodo, claro.

— Incomodo nenhum, estou perto. Chego em 5 minutos, no máximo.

— Já estou na porta te esperando. Muito obrigada, Justin. Até logo! — ela desligou.

Menos de 5 minutos depois Justin já tinha chegado a casa de Gina e os dois seguiram juntos para o hotel.

— Bom dia, Justin! — Gina disse enquanto entrava no carro. — Muito obrigada pela carona.

— Bom dia! Não precisa agradecer, eu realmente estava bem perto, não me custava nada. Mas agora me diz, como você está? — Ele perguntou e deu uma olhada rápida para sua amiga que estava do seu lado.

— Sabe... Até que me sinto bem hoje. Cada dia é diferente, mas confesso que estou bem cansada de viver nessa montanha-russa de sentimentos. Eu não quero esquecer o Nathan de jeito nenhum, mas ao mesmo tempo eu sinto que preciso seguir em frente com a vida. O único problema é que eu não consigo fazer isso. Isso não estava no plano!

— Eu imagino que isso seja difícil, mas pense que primeiro passo você já está dando, que é reconhecer que você precisa seguir em frente e você não precisa esquecer o Nathan para fazer isso, Gina! Ele sempre será uma parte de você, mas você não pode viver de luto para sempre. Ele não iria quer isso. Você é jovem e ainda tem muita coisa para vivenciar. — Justin aconselhou a amiga.

Gina deu um suspiro e olhou para Justin e disse — Você tem razão. E depois dessas palavras, os dois continuaram seguindo para o hotel em silêncio.

— Mais uma belo dia para se trabalhar no magnífico Oceans. Tudo aqui é tão lindo, Justin! — Gina disse enquanto descia do carro.

— Fico feliz que goste do seu emprego — Justin deu um sorriso: — Eu também acho esse hotel lindo, é minha vida. E hoje eu tive uma reunião muito importante que definiu o próximo passo do hotel.

— Uau! E será que eu posso saber qual é? — Gina estava super curiosa.

— Não sei se eu devo te contar ainda, você é muito fofoqueira!

— Ei! — Gina disse em tom de indignação. — Agora eu fiquei ofendida!

— Estou brincando com você! — Justin deu uma risada e disse: — Nós vamos expandir, Gina! Vamos abrir uma franquia do Oceans em Nova York!

— O QUE? — Gina ficou super animada e deu um abraço em Justin. — Ai meu Deus, isso é simplesmente perfeito, Justin. Estou tão orgulhosa de você!

— Obrigado, Gina! Sabe, pelo nosso planejamento, devemos inaugurar em 18 meses e apesar de amar Miami, os acionistas acham que eu seria a melhor pessoa para dirigir o novo hotel porque eu conheço toda a essência do Oceans.

— Então você vai se mudar para Nova York?

— É... eu estou considerando isso.

— O que foi, Justin? Está tudo bem?

— Está sim. Eu queria conversar um pouco mais sobre isso com você em um lugar que não fosse a calçada do hotel.

Gina olhou em volta e percebeu que eles ainda não haviam entrado no hotel.

— Nossa, eu tem me toquei nisso.

— Vamos para minha sala. — disse Justin.

Os dois finalmente entraram no hotel e pegaram o elevador. 12 andares depois, chegaram na cobertura onde ficava o escritório de Justin.

— Entre, Gina. Fique a vontade. — disse Justin.

— E então, o que está acontecendo? — disse Gina enquanto se sentava.

— Queria te fazer um pedido.

— Claro, Justin. Qualquer coisa!

— Eu queria que você fosse trabalhar em Nova York comigo. Mas eu não quero que você continue trabalhando no bar, queria que você me ajudasse a gerenciar. É verdade que eu conheço a essência do Oceans, mas muito disso aqui também tem muito de você que sempre fez além do seu trabalho. Você conhece esse hotel como mais ninguém, além de mim, claro. E você pode ficar tranquila, você faria isso pelo tempo que você quisesse e pudesse, porque eu sei que em Nova York você terá muito mais oportunidades para realizar seu sonho!

Gina estava tentando encontrar as palavras certas para tudo o que Justin havia dito, mas não encontrou nada.

— Gina? — Justin a olhava. — Você odiou, né? Foi só uma proposta, você não precisa aceitar.

— Você acha mesmo que eu sou qualificada para te ajudar a gerenciar um novo Oceans?

— Gina, eu amo o Oceans e jamais colocaria uma pessoa que eu não achasse que fosse qualificada para me ajudar a gerenciar. Isso é sério.

— Sendo assim... Eu aceito!

Nesse momento, Justin explodiu de felicidade. — Isso é maravilhoso! Obrigado, Gina!

— Eu nem sei o que dizer, Justin. Te agradeço pela confiança, mas sobretudo, por todo seu apoio e amizade. Esse será o recomeço que eu tanto preciso e fico feliz por fazer isso com você.

— Você não imagina como é bom ouvir você dizer isso. Eu não gostaria de fazer isso com mais ninguém, Gina. Nós vamos conquistar Nova York!

— Eu só quero ver a cara da Júlia quando eu contar tudo isso pra ela já terapia.

— Eu acho que ela vai ficar feliz. Você está se dando uma nova chance, é um progresso e tanto!

— Finalmente! — Gina deu um suspiro.

Assim que deixou o escritório de Justin, Gina começou a sonhar acordada pelos corredores do hotel. Ela começou a imaginar todas as incontáveis oportunidades que poderia ter em Nova York e ficou realmente animada por, além de tudo, ter a confiança de Justin para gerenciar um novo hotel com ele.

Por um breve momento, Gina sentiu uma sensação de culpa tomar conta de seu corpo por estar tão animada, considerando o que tinha acontecido com Nathan, mas logo ela respirou fundo e lembrou que precisava seguir em frente com sua vida e recomeçar.

— Nova vida. Nova Gina.

Notas finais
Queridos leitores, estou criando esta história com muito carinho. Espero melhorar a cada capítulo, se vocês quiserem deixar comentários, eles serão muito bem-vindos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.