A Contadora de Histórias

4 Capítulo Três – Invencíveis


Notas iniciais
Voltei! Como já notaram a maioria dos capítulos serão nomes de livros imaginários citados por mim na fic. Eu peço que não abandonem a história, por favor. Já estou me readaptando na agenda das fics e não demorarei tanto a atualizar, prometo... #não me deixem Então... é isso... espero vocês lá embaixo... :(

Como dizia sei lá quem, a vida, é uma caixinha de surpresas. A vida te encurrala de jeito e te prende contra a parede e lhe obriga a se ajoelhar perante sua inteligência e eficiência.

Minha amada vida, neste humilde poeminha, quero avisar-te algo.

“Você pode ser minha vida, mas jamais o meu caminho,

esse muito bem, irei trilhar sozinho.

Posso até precisar de ajuda,

mas querida, não é a sua.”

Pequeno, mas expressa exatamente o que eu sinto em relação a minha vida. Como se ela quisesse que eu fizesse algo que eu não queira. Você não manda em mim, e eu vou ser feliz, seja eu seguindo o caminho mais difícil para isso ou não.

Pronto, desabafei. O motivo de tudo isso, é porque eu não aguentava mais. Voltei pra casa logo após conversar com a moça da biblioteca. Não a questionei sobre o que ela comentou nem nada do tipo. Francamente, não entendo o que aconteceu naquele momento. Eu simplesmente saí, não me despedi, só caminhei para fora da biblioteca.

Eu cheguei em casa, jantei em silêncio e fui dormir. Nada a mais nada a menos. Como algo robotizado. Sem expressão alguma, eu acordei confusa. Meu pai disse alguma coisa a respeito de eu estar estranha ontem à noite. Não respondi, eu ainda estava confusa demais para falar sobre isso.

Resolvi ir à escola a pé, para não ter que ver aquela velha maldita respirando de novo. Ao chegar nos portões da escola que eu voltei ao meu normal. Por algum motivo, eu estava feliz. Radiante, não estava chovendo e meu sorriso simpatizava com o sol. Eu era um vaga-lume aceso novamente, e não deixaria que os temores da vida o apagassem jamais.

Fico refletindo nisso até agora, enquanto eu desenho uma linda e alegre borboleta numa flor lilás. O sinal para o recreio bate as 9h00. Aguardo ansiosamente esse momento para que possa me deliciar na culinária de minha mãe. O pão quentinho recém feito com ovos.

O sinal para o intervalo é ouvido por todos que se levantam rapidamente para brincar. Permaneço na sala para comer meu lanche, quando termino, me levanto lentamente para caminhar pelo pátio da escola.

Três garotinhas, da minha classe porém alguns centímetros maiores que eu, fecham o corredor que dava para a escada. O local por onde eu iria passar para explorar a natureza que me olhava graciosamente pela janela.

– Bom dia Allen – a morena do centro diz sorrindo maliciosa.

– Pelo visto nossa amiguinha dormiu bem não é Olive? – a loira da esquerda pergunta à morena do meio.

– Certamente – Olive confirma. – Seria uma pena se seu dia não prosseguisse bem...

– O que vocês querem? – pergunto temendo uma resposta agressiva.

– Acontece ô novata, – a ruiva da direita fala – que você acaba de chegar com essa sua cara lavada na escola, com esse seu nojento ar de campo, com seu lacinho rosa nos seus perfeitos cabelos lourinhos de anjo e acha que pode tudo né? Ontem mesmo, no primeiro dia de aula você vem com cara de velório e hoje a borboletinha reencontra sua flor? Quem você pensa que é?

– Qual é o problema nisso? – questiono confusa.

– O problema Allen, – Olive começa – que você recebeu todo o carinho da professora hoje. Justamente porque você fez tudo que ela pediu com esse sorrisinho besta na cara.

– Escuta aqui, – a ruivinha interrompe – você acha que só vai puxar saco da professora e ganhar a atenção de todos os meninos porque você deu uma de coitadinha no primeiro dia? E que tal amanhã você voltar com um olho roxo?

– Calma Raven, ela não tem culpa disso – a loira continua. – Ninguém pede pra nascer trouxa.

– Trouxa ou não, o dever de cada cidadão e agir com educação – a minha intenção não foi rimar mas aconteceu. E eu gostei.

– Zombou da nossa cara! – gritou a loira batendo os pés.

– Katie, Raven, temos que dar uma lição de respeito a esse verme.

Olive ficou observando as outras meninas partirem pra cima de mim. Se eu agi certo? Eu não sei, eu poderia não estar aqui para contar isso. Mas quando elas chegam perto de mim, eu abro meus braços e prendo as duas num abraço carinhoso.

– Olha meninas, – eu solto elas – vocês precisam de atenção. Por que não vão procurar mais alguém pra brincar? Não temos idade para discutir coisas sem valor. Aproveitem a infância inocente de vocês e sejam felizes – elas não reagem e eu caminho até o fim do corredor e começo a descer as escadas. Me viro uma última vez para me despedir delas – Aliás, tenham um bom dia! – sorrio gentilmente e vou até o andar de baixo.

O que se passou pela cabeça delas de virem me afrontar por motivos tão insignificantes eu não sei. Mas isso pra mim tem nome. Criança com falta de atenção.

Sento na grama úmida do pátio e sorrio satisfeita para o sol. Bom dia luz do dia. A intenção era refletir sobre meu destino num ambiente calmo e iluminado. Mas nada acontece, eu fico somente vegetando mesmo. Acho que me tranquilizei demais e acabei perdendo a noção do tempo.

Aquilo me lembra o campo. A grama desparelha e o sol quente de um verão abafado. As chuvas que estragam o dia e os livros que o completam. Volto para a sala de aula assim que o sinal me avisa que meu momento de paz e amor acabou.

As meninas que me enfrentaram no início do intervalo desviam o olhar de mim estranhamente. Como se me analisassem e questionassem a si mesmas. Quem é essa garota?

Ah meu bem, enquanto vocês se apoiam na intimidação, em suas riquezas, em suas mesmices de mimadas, eu me apoio no conhecimento e nos mais simples gestos de carinho e afetividade.

Vocês tem a força.

Eu tenho as palavras.

E qual é a diferença?

A maneira que as usamos.

Não vejo o tempo passar e já estou no caminho para a casa. Almoço com meus pais, eles estão mais alegres, o sol deixa o dia mais bonito e feliz, presumo.

– Eles vão me dar um aumento! – meu pai berra de tanta alegria.

– De fato querido. É uma grande recompensa de somente dois dias de trabalho!

– Devem ter gostado bastante do seu ensino, papai – desconfio da notícia que ele dera, então não faço mais perguntas e nem comentários. Deixo o almoço seguir na quietude e vou até meu quarto ao terminar de secar a louça.

Me vejo no espelho. Não sou eu. O uniforme cinza apaga o brilho dos meus cachos louros. Minha fita rosa claro parece sem vida. Meu rosto cansado demonstra minha insatisfação.

– Você não está feliz, Cristal – digo ao meu reflexo no espelho. – Disfarçar um sorriso por baixo de uma máscara morta não adianta.

Caio de joelhos e encontro alívio ao lembrar dela. Hei de me encontrar com ela e a perguntarei sobre tudo. Agora é pra valer.

Uma fria brisa leve passa por mim levando meu vestido a balançar. Isso me alegra um pouco, as coisas mais simples e comuns me fazem lembrar de casa. Da minha casa.

Abro com cuidado a porta da biblioteca pública que range desgraçadamente ferindo meus frágeis ouvidos. Me contorço em agonia e a fecho rapidamente para que o barulho não se repita. A bibliotecária me analisa confusa e retorna a ler o jornal.

Me esgueiro pelas estantes de livros e a acho no mesmo local. Sentada no mesmo banquinho. Na mesma posição. Com uma pilha de livros diferentes.

– Como foi seu dia borboletinha? – ela me pergunta sem tirar os olhos de sua leitura.

– Sinceramente, – me sento no banco ao seu lado e apoio meus cotovelos nos joelhos – confuso até demais.

– Conte me – ela abaixa o livro e me olha. Eu respiro fundo e descrevo meu dia sem muitos detalhes. Após passarmos alguns segundos em silêncio ela retoma a conversa. – Então, como se sente após ter fingido sua alegria e ter abraçado aquelas meninas?

– Não sei – suspiro. – Eu nem percebi que estava fingindo minha felicidade, e abraçar as meninas foi algo muito inesperado. Eu achei que era o certo a se fazer, por exemplo, demonstrar que eu não estava lá para brigar e eu só queria que...

– Queria que...?

– Eu não sei! – grito angustiada. – Eu não sei – repito agora mais calma.

– É normal não sabermos. É normal ficarmos angustiados e desorientados. Me diga agora, com honestidade. Você está feliz?

Penso e reflito, refaço tal processo inúmeras vezes em questão de milésimos e deduzo então.

– Eu estou feliz – digo com um sorriso estampado em minha face. – Estou muito feliz! – reafirmo entusiasmada. – Pra ser mais do que sincera, eu estou transbordando de felicidade!

– Sua alegria satisfaz a minha, pequenina – ela me olha carinhosa. – Sabe o porquê de estar feliz? – ela nota minha expressão confusa e esclarece a questão. – Você foi sincera. Admitiu estar triste, feliz, confusa, admitiu fingir um sorriso por cima de um fardo tão sofrido. Minha cara amiguinha, passara por águas amargas e mesmo assim você está reencontrando o caminho para sua flor. Você pode voltar a ser uma borboleta alegre que voa radiante e otimista entre os rumos da vida. Cristal, você precisa em primeiro lugar, ser sincera consigo mesma. Quer ser feliz? Então seja, não há limites no mundo que impeçam alguém de alcançar a felicidade. Muito menos você, – ela acaricia minhas bochechas – que tem tanto carinho pela vida.

– Isso foi, – eu analiso sua expressão maternal – profundo. Obrigada – eu a abraço satisfeita.

– Não há de que borboletinha.

– Pelo jeito você gosta mesmo de borboletas.

– Das mais cinzas e sem vida até as mais coloridas e exuberantes. Cada ser vivo tem seu lugar no mundo, um lugar a ser guardado com dignidade. Todos eles tem seu valor, é preciso apreciar o valor de todos cada segundo que nos resta. Nunca se sabe quando nosso tempo aqui pode acabar.

– Você sempre diz sábias palavras – comento. – Se me permite a audácia, poderia perguntar mais sobre você?

– Claro pequena, – ela confirma – quer começar pelo o que aconteceu ontem?

– Isso foi... repentino. Mas sim, eu quero – ela adivinhou rapidamente o principal motivo de meu incomodo. – Você conseguiu ler aquele livro?

– Qual livro? Aquele do “Egoísmo das duas ondas”? – eu confirmo com a cabeça. – Ah, claro! Era só mais um livro infantil bobo sobre egoísmo. Nada a ver.

Nós rimos por um momento e ela me estende o livro que antes estava lendo.

– Que livro é esse?

– Se chama “Invencíveis”. Já ouviu falar?

– Não, – eu o seguro e os analiso te todos os cantos – sobre o que fala?

– São várias histórias de superação – ela pega o livro de minhas mãos e começa a folhear suas páginas. – Quando estamos tristes podemos ler esse livro. Ele nos mostrará maneiras de reencontrar nossos caminhos. Basicamente, ele fala sobre força de vontade, persistência e coragem. Tecnicamente, o que você precisa.

– Como assim o que eu preciso?

– Tome, – ela coloca o livro entre minhas duas mãos – caminhos para a felicidade.

Eu agradeço com um sorriso radiante, mas a questiono sobre mais um fator.

– Então por que o nome do livro é Invencíveis?

– Força de vontade, persistência e coragem – ela repete. – Ninguém pode obriga-la a nada. Os problemas são nada mais nada menos que meros fatores na vida. Com a ajuda deles, você se torna invencível.

Notas finais
O que acharam??? Mereço seus comentários??? Leitores...?