A Coffee Tale

2 Capítulo 2


― Cara, eu sou seu fã.

Quem disse isto, contra todas as chances, foi Blaine. A entrevista terminara e Kurt tinha certeza total que o entrevistador tentaria de tudo para o ferrar na revista da Páginas. Não era segredo para ninguém que o homem não gostou dos foras e da grosseria de Kurt. O escritor estava mais do que irritado, mas tentaria se acalmar. Tentaria.

Jacob tinha ido apresentar Kurt a Blaine, que parecia encantado com o escritor. O facto é que Kurt não sabia o que sentir acerca de Blaine. Ele lhe parecia bastante humilde e divertido, e era certo que sua música era ótima e ele era, sim, um jovem charmoso, muito charmoso. De facto, Kurt perdia-se em seus olhos amendoados e em seus corpo delineado marcado pelas calças e blusas justas, assim como os seus cabelos que caiam em seus olhos e os sorrisos safados que Kurt o pegava soltando em diversos momentos. Blaine era lindo e gostoso, e isso endoidecia Kurt. Ainda assim, Kurt não conseguia ignorar todas as notícias problemáticas que saíram sobre Blaine, todas elas ainda pairavam em sua mente constantemente, como um aviso piscante e brilhante de perigo.

― Er… Obrigada ― Kurt sorriu ― De verdade. E eu amo suas músicas.

― Sério? ― Blaine estava acostumado àquele tipo de elogios, mas saber que alguém com a aparente cultura de Kurt gostava de sua música, e não somente os adolescentes desesperados por um exemplo, inspiração e amor. ― Obrigada, cara.

― Enfim ― Jacob colocou a sua mão no ombro de Kurt ― Agora que vocês já se conhecem, vamos aos assuntos sérios.

― Você está muito animado agora ― Blaine pôde ouvir Kurt resmungar ― Espere só até surgirem cinquenta papéis para você assinar.

― Você sabe que eu odeio assinar papéis, mas isso não era para se dizer ― Jacob brincou. Então, puxou uma cadeira e se sentou, novamente; Tess fez o mesmo, enquanto que Blaine se sentou numa poltrona, colocando os pé em cima da mesa de centro. Kurt, por sua vez, ficou de pé ― Kurt, amor da minha vida, o que você está fazendo de pé?

Kurt ponderou, pensou em mostrar-lhe o seu dedo do meio e mandá-lo tomar no reto. Porém, conteve-se; não queria dar a cara de mal-humorado na frente de seu futuro possível cliente.

Aquela seria apenas uma conversa informal de reconhecimento, fora assim que Jacob dissera. Uma reunião para a discussão dos possíveis acordos de um possível futuro contrato. Blaine diria exatamente o que esperava que Kurt fizesse e como ele esperava que Kurt que fizesse – e eles discutiriam as condições de ambas as partes.

― Então ― Tess introduziu, porém, ficou sem saber o que dizer e acabou soltando uma risadinha frustrada. Kurt, por sua vez, resolveu começar:

― Digamos que eu aceito escrever seu livro ― disse, para Blaine ― O que exatamente você tem em mente?

Blaine ponderou. Ele já havia sido interrogado acerca daquilo, mas ainda não chegara à conclusão ideal acerca de qual deveria ser sua resposta. Ainda assim, disse: ― Eu não quero uma biografia… Quer dizer, é lógico que eu quero dar a mostrar a minha vida a meus fãs, para além do que eles conhecem das entrevistas que eu fiz, dos pedaços soltos de passado que eu deixei escapar. É como um puzzle. Eu quero que eles se sintam próximos a mim tanto quanto eu me sinto próximo a eles. ― respirou fundo, tentando colocar em palavras as suas intenções ― Mas eu também quero mostrar-lhes que acima de tudo eu sou tão humano quanto eles, que eu errei e não me orgulho. Quer mostrar-lhes que não sou um exemplo. Eles têm que ser seus próprios exemplos de superação e que se eles querem se inspirarem em mim, que seja apenas ao não cometer os mesmos erros ― ponderou ― E eu quero ajudá-los, ao mesmo tempo. A todos os que estiverem na mesma situação que eu estive, eu quero ser aquele que indiretamente os ajuda a sair dessa, pois eu não tive ninguém para o fazer por mim. Isso faz algum sentido?

Kurt ponderou. Fazia sim. Blaine, porém, não lhe deu chance alguma de responder, ao continuar tagarelando:

― Eu quero mostrar-lhes que eu também sinto. Que eu sinto muito por todas as vezes que os decepcionei e que não são apenas eles que sentem a distância, aquela ilusão de que um dia você pode conhecer que você idolatra. Eu os idolatro por acima de tudo continuarem comigo e a suportar-me por todos estes anos, e não há um dia em que eu não imagine como seria poder conhecer todos eles, mesmo sem saber seus nomes, seus rostos e muitas das vezes seus idiomas… ― respirou ― E é essa a mensagem que eu quero passar a eles.

― Você quer algo que os faça te ver por dentro. Ver os erros, ver as falhas. Ver o humano, não é mesmo? ― Kurt indagou ― Blaine Anderson, a pessoa…

―… E não Blaine Anderson, o famoso ― Blaine completou, sorrindo para Kurt. Kurt achou a intenção de Blaine maravilhosa: poucos famosos se davam ao trabalho de dar um “ei, eu estou aqui por você” a seus fãs. Mas não era mito que uma música, uma palavra bonita, mesmo quando não é direccionada a você diretamente, podem salvar sua vida. É por isso que as pessoas se tornam artistas, em primeiro lugar. Porque eles querem ser ouvidos, porque eles precisam ser amados e têm a necessidade de fazer os outros se sentirem amados.

― Eu acho que posso trabalhar nisso ― Kurt sorriu de canto. Aquele seria um trabalho sério e poderia até ser ligeiramente doloroso, em certos momentos, para Blaine. Reviver não era fácil, e Kurt sabia disso.

Blaine parecia verdadeiramente feliz com a resposta de Kurt. Em certo ponto, Kurt lhe pareceu a pessoa ideal para escrever seu livro – ele parecia ter entendido exatamente o que Blaine queria. De facto, isso era bom.

― De facto ― o cantor respirou fundo ― Eu fico feliz em saber isso. Ainda assim, queria ressaltar que um dos meus pedidos, caso a gente vá em frente com isso, é que, como eu sempre cresci em Londres, vivi e sofri lá, o livro seja escrito, er… Em Londres. ― massageou suas têmporas ― Entenda…

― Não, não. ― Kurt disse, atordoado pelo pedido de seu futuro cliente ― Tudo bem por mim, de facto. E quanto tempo eu teria que ficar lá, quanto tempo teria para escrever o livro?

― Primeiramente, todos os custos da hospedagem e da estadia são por minha conta. ― Blaine assegurou ― Depois, o prazo é negociável, mas logo eu entrarei em turné e daí é mais complicado trabalhar. Eu diria… Um mês. É pouco? A gente pode dar um jei-…

Kurt calou-o: ― Tudo bem por mim.

― Enfim ― Tess interveio ― Eu acho que os detalhes mais burocráticos, Sr. Skyes e eu podemos tratar. A minha sugestão é que vocês conversem um pouco a sós, para acertar tudo e para tentar entender se este trabalho vai resultar ou não. Então, nos digam algo, bom assim?

Eles não discordaram. De facto, Jacob e Tess engataram numa conversa felina sobre detalhes chatos que Kurt cansou de acompanhar ao fim de alguns segundos. Blaine parecia tímido, ainda assim, porém, disse-lhe:

― Então, Kurt… O que você acha de um café para nos acertarmos?

Kurt ponderou. Ele precisaria ter uma boa relação com Blaine se eles realmente fossem fazer aquilo; então, esboçou um sorriso lateral e, pegando sua jaqueta e seus óculos escuros, disse: ― Só se for agora.

Blaine não pensou duas vezes. Pegou todos os seus pertences e avisou Tess que sairia. Viu Kurt trocar umas palavras com Skyes e, então, eles saíram juntos. À porta da Páginas estava um número elevado de paparazzi que surpreendeu Kurt, mas o surpreendeu mais ainda quando Blaine segurou seu braço o guiando até seu carro, ajudando a escapar dos fotógrafos.

Já no carro, Kurt ficou surpreso com a quantidade de jornalistas e fotógrafos que seguiam eles. Ele pôde ouvir algumas das perguntas feitas a Blaine e se perguntava apenas como o mais novo conseguia lidar com tudo aquilo sem dar em doido.

― Me desculpe por isso ― Blaine disse. Ele não tirava os olhos do volante, parecia mais relaxado agora que estava em seus próprios domínios. Kurt, no entanto, não fez caso.

― Sem problema ― ele não costumava ficar muito confortável em locais desconhecidos. Sentava-se reto no banco alcatifado do carro de Blaine, com as mãos nas pernas de maneira desconfortável.

― Onde você quer ir? ― perguntou Blaine, ao fim de um tempo ― Há essa lanchonete que eu costumo frequentar, bem perto de meu apartamento. Não é muito movimentado, poucas pessoas vão lá.

― Legal.

Kurt limitou-se a responder isso. Blaine tentou não parecer desanimado com a resposta do escritor, dizendo: ― Mas e aí, cara, como vão os seus livros?

― Bem… ― Kurt ponderou. Pensou em dar uma resposta seca, mas apercebeu-se que Blaine não merecia aquilo. Ele não lhe fizera nada, no final de contas. Era com o entrevistador que ele estava bravo, era com qualquer um que tentasse lhe impingir falsos moralismos. De facto, Kurt só se apercebeu que estava bravo quando deixou a Páginas, conseguindo pensar com clareza na entrevista que visivelmente iria apenas ferrar sua carreira um pouquinho mais ― Eu estou a apenas cinco capítulos de terminar Olhe Para As Estrelas, mas agora acho que não vou publicar ele tão cedo…

Esse era outros dos senãos. Ao aceitar assinar contrato com Blaine, ele estaria deixando para trás muitos de seus projetos, deixando-os em segundo plano. Ele amava escrever e, com toda a certeza, amava trabalhar. Mas até que ponto isso era saudável?

― Sinto muito ― Blaine disse, sentindo-se ligeiramente decepcionado com o pouco ânimo de Kurt para escrever seu livro. Ele parecia tão entusiasmado há pouco, porém, o que acontecera? Bem, o facto era que ele também parecia verdadeiramente alegre antes e agora parecia mais distante. Talvez ele apenas fosse ligeiramente bipolar. Na verdade, se ele fosse um terço do que as personagens de seus livros eram, ele era verdadeiramente bipolar. ― Você ainda pode voltar atrás.

― Eu sei ― Kurt respirou fundo ― Mas eu não quero, eu acho. Seu livro me parece ser um desafio, e eu gosto de desafios tanto quanto gosto da sua motivação para escrevê-lo.

― Isso é bom.

Blaine não sabia o que dizer. Talvez, no fundo, Kurt Hummel fosse extremamente bipolar, e olha que era Blaine falando isso.

― Eu me pergunto ― o escritor começou ― Não me entenda mal, mas por que não é você mesmo escrevendo o livro?

Kurt sabia que Blaine compunha todas as suas músicas e cara, as letras eram lindas. Por que não escrevia ele mesmo o livro? Kurt tinha certeza absoluta que ficaria ótimo, de facto. Blaine transmitia uma emoção inalcançável a Kurt em suas músicas, ele conseguiria fazê-lo com o livro. Por quê, então?

― Porque é difícil para mim recordar ― Blaine ponderou ― E eu acho que se não tiver alguém ali eu posso descambar. E porque eu ando com pouco tempo para sequer respirar, o livro não sairia em nem um ano. Para além disso, eu acho que os fãs acharão mais verídico algo escrito por alguém de fora e não por mim mesmo.

― Você sabe que… ― Kurt pensou sobre como diria aquilo ― Isso não vai ser fácil, não é mesmo? Seu passado vai ser remexido e não vai ser fácil emocionalmente para você e, sinceramente, nem para mim. Vai ser difícil e para conseguirmos fazer algo bom e que atinja os seus objetivos, é preciso esforço de ambas as partes. Vai ser precisa confiança e convívio saudável, você está preparado para isso?

Blaine congelou. Ele sabia que o que Kurt dizia era verdade total, mas a pergunta pegou-o desprevenido. Estaria?

― Eu acho que não. ― foi sincero ― Mas vou estar. Tenho que estar; guardar não é bom. Acho que quanto mais cedo me livrar desse fardo mais fácil é seguir em frente, não é mesmo?

― Você tem razão. ― não falaram mais nada. Minutos depois, Blaine afirmou que eles haviam chegado e Kurt não esperou pelo cantor. Saiu do carro, carregando todos os seus pertences e adentrou o local.

Eles pediram, ainda em silêncio. Kurt, então, decidiu quebrar o gelo, dizendo: ― Então… Você é de Inglaterra, certo? ― Blaine assentiu, bebendo seu descafeinado. Kurt brincou com a colher de seu próprio café ― Ninguém diria. Você não tem sotaque algum, de facto.

― Eu tenho viajado muito ― disse, carregando no sotaque e provocando uma risada em Kurt ― Em parte é porque eu passo tempo demais aqui, mas também porque eu me esforço por retirar. Tem alguns momentos em que se nota, no entanto.

Por quê? ― Kurt perguntou ― Eu acho o sotaque britânico sexy.

O escritor só se apercebeu do que tinha feito depois de o fazer; aquilo tinha lhe saído de um jeito tão natural que ele só notou a borrada depois de ela estar feita. Se Blaine ficou surpreso ao ouvir aquilo, não demonstrou; o que ele fez foi soltar um sorriso mais safado que qualquer um que Kurt pudesse ter visto em toda sua vida. Emanava sensualidade, Blaine ficava ainda mais lindo com aquela curva traiçoeira em seus lábios. Perigoso.

― Bom saber ― Kurt sentiu um calor em locais que não deveria sentir ao ouvir a voz rouca e sacana com que Blaine dissera aquilo. Jesus, aquele garoto iria matá-lo. ― Podemos tentar isso algum dia.
Kurt sentiu-se estremecer. Parecia-lhe surreal o jeito como Blaine passava de gentil, frágil e amável para confiante, sensual e safado em questão de segundos. Blaine era perigoso, e por mais que, por vezes, Kurt esquecesse isso, momentos como aquele o lembravam. E cara, por mais errado que aparentasse ser, Kurt amava aquilo de um jeito que não deveria.

Blaine pareceu notar que Kurt se afetara com as suas insinuações. Ótimo, afinal, a convivência não seria muito mais fácil se eles pudessem resolver qualquer discordância de um jeito bem mais prazeroso que discutindo? Os pensamentos de Blaine eram sacanas e ele mesmo admitia isso. Ele não prestava, mas o que ele poderia fazer se Kurt era um pedaço de caminho em todas as direções?

― Er ― Kurt parecia desconcentrado. Isso era bom, aos olhos de Blaine ― Eu t-tenho que i-ir. De qualquer f-forma, Jacob e Tess cuidarão do resto, certo? Eles mesmos podem combinar tudo para a assinatura do contrato, se tudo estiver certo, é c-claro. ― ele remexeu os seus pertences enquanto se levantava ― Alguma coisa, m-me liga. ― Kurt amaldiçoou-se por estar gaguejando, ao dar o cartão sofisticado com o seu número a Blaine. Amaldiçoou-se ainda mais pelo jeito que saiu correndo da lanchonete.

Blaine, por sua vez, sentia-se vitorioso. Cada vez mais ele tinha certeza que Kurt era a pessoa certa para escrever seu livro; Kurt parecia uma pessoa maravilhosa, ao mesmo tempo que era lindo e Blaine sentia, sim, uma forte atração por ele.

Era certo que Blaine não era de desistir até ter o que queria. E ele queria Kurt. O maior erro do escritor foi dar-lhe o seu número.

Notas finais
VOCÊS JÁ ASSISTIRAM 6x5? EU JÁ E CARA, TO MORRENDO. MAS NÃO VOU SPOILAR VOCÊS. Sorry ASHUEASHUE Recomeçando... E aí, gostaram, não gostaram? Eu espero que sim! Comentem me deixando saber o que acham, okay? Críticas construtivas são sempre bem vindas! Enfim, o que estão achando desse Blaine? ;3 Não vou me estender muito aqui porque no cap passado eu fiz um depoimento kkkk Enfim Viram a capa nova? *U* Foi Teef divosa quem fez ashueashue E genteeeeee, 5k a caminho dos 25k! sqn Enfim, comentem, divulguem, favoritem, recomendem. Fantasmas não recebem brigadeiro... E é tudo, até ao próximo, XxAngel