A Coffee Tale
12 Capítulo 12
Kurt abriu os olhos lentamente, ouvindo o barulho do chuveiro, ao longe. Blaine estava tomando banho. O mais velho, então, deixou os seus músculos relaxarem e girou na cama, coberto apenas por um fino lençol. As suas coxas doíam um pouquinho, e toda aquela zona. Ele mordeu a almofada, gargalhando divertido. Blaine realmente era um sacana.
Ele se pegou pensando no moreno, por mais clichê que toda a situação fosse. No sorriso e nos olhos que ele amava. Ah, cara, ele amava tantas coisas em Blaine. As caretas engraçadas que ele fazia quando Kurt se levantava de madrugada para beber uma caneca de café escaldante, ou a expressão de cachorro sem dono quando ele descia as escada, nu ou apenas de boxers, pedindo a Kurt para terminar logo o café e voltar para a cama. Era demais para ele.
Kurt não sabia dizer o que sentia por Blaine. Ou talvez ele não quisesse. Ele amava cada pequeno detalhe de Blaine, mas isso não significava que ele o amasse, significava?
O facto é que o maldito encontro tinha sido perfeito. E só de pensar em tudo aquilo como um encontro, Kurt perdia um batimento. Blaine era perfeito para caralho. Ele era e foda-se o que alguns pais de adolescentes possam dizer do cantor ou algumas revistas mal pagas. Kurt arrependia-se de ter pensado o contrário. Que merda.
Ele queria Blaine. Ele queria se dar a Blaine e queria que Blaine se entregasse. Ele não estava okay com os passinhos de bebê, por mais que dissesse isso para confortar Blaine. Ele queria muito mais.
E ele podia dizer que Blaine também tinha um carinho por ele. Nem que não fosse amor, nem que não fosse porra nenhuma – pelo menos, um carinho, era. E Kurt queria tanto fazer isso funcionar. Ele queria mesmo. Ele queria Blaine. Ele queria tanto e ele não sabia como ter. Não era como quando ele era uma criança, que bastava puxar a manga da mamãe e pedir muito pelo brinquedo. Blaine não era um brinquedo e não bastava pedir muito para fazer acontecer.
Ele precisava de conselhos. Mas ele não conhecia ninguém em Londres, porra. Não tinha confiança com Rachel e, é claro, ele poderia até falar com Blaine sobre como o conquistar – eles já tiveram conversas mais estranhas, na verdade. Mas ele precisava de Quinn.
Levantando-se e vestindo uma boxer de Blaine, ele pegou no seu celular começou uma chamada de Skype com a garota. Não importava que horas eram lá (talvez fosse de madrugada, Kurt não quis saber). Ele precisava de falar com a irmã, e ele precisava naquele momento.
— Alô, Kurtie. Como vai? — a situação da garota podia ser considerada cômica, na verdade. O seu cabelo estava preso no rabo-de-cavalo mais bagunçado de sempre e o seu pijama incluía ursinhos de pelúcia. — Eu não sei que horas são aí, bebê, mas Beth está dormindo faz tempo. Você pegou sorte que eu sou muito dedicada e estou revendo meu roteiro.
— Eu preciso de falar com você. Rápido, Blaine está tomando banho — ele apressou. Quinn ergueu a sobrancelha, incentivando Kurt a prosseguir — Quinn, eu preciso de ajuda. Eu não sei mais o que fazer. Blaine… Eu gosto dele. Eu gosto muito dele, de verdade. E eu não sei o que fazer, ele está no clima dos passinhos de bebê e cara, eu estou dando em doido.
— Poxa — a moça pareceu pensar — Mas afinal, o que há entre vocês os dois? Eu lembro de você falar que ele não passa de um famosinho metido. O que mudou?
— Tudo mudou, Quinn. — Kurt levou a mão esquerda ao cabelo, segurando o celular com a mão direita, para que a irmã pudesse ver o seu rosto e para que ele pudesse ver o rosto dela — A gente… A gente fica. Sabe, a gente chamou isso de uma amizade colorida, digamos.
— Me fale sobre a amizade colorida de vocês — Quinn ergueu a sobrancelha, com um sorrisinho de escárnio.
— Besta — Kurt resmungou — Então, a gente fica, né. A gente se beija e a gente se abraça, a gente conversa, nós rimos e falamos sobre a nossa vida. Nós trabalhamos e, ai cara, sei lá. A gente teve a saída mais perfeita, ontem. Ele levou-me ao London Eye, e cara, ele alugou a cabine do cupido! — o mais velho parecia um adolescente bobo, Quinn não pode deixar de notar — Aí a gente voltou para casa, e ele disse que tinha sido um encontro, sabe? Um encontro, Quinn. Porra. A gente teve o melhor sexo, se quer realmente saber. E a nossa relação é isso. Sexo, trabalho e muito romance bagunçado.
— Se quer saber, Kurt, eu acho que vocês têm tudo menos uma amizade colorida — Quinn riu — De verdade, eu li esse artigo uma vez sobre as amizades coloridas, tinha até uma lista de regras e vocês conseguiram quebrar todas. Admitam, vocês são praticamente namorados. Só porque não botaram um rótulo no negócio, não deixa de ser a realidade.
— Você acha? — Kurt perguntou — Eu não sei, cara. Blaine… Ele não teve uma vida fácil, eu sei disso não sabendo nem de metade da história dele.
— E você vai deixar isso ficar no meio de vocês? — Quinn perguntou — Você gosta mesmo dele?
Blaine acabara o seu banho, mas percebeu que Kurt estava falando com Quinn e não quis interromper. Escorou-se na porta do banheiro e ouviu, se percebendo tarde demais que talvez não devesse ter ouvido.
— Sim, Quinn. E isso é o mais ferrado de tudo, eu gosto realmente dele. Mais do que devia, se você me pergunta — Kurt sufocou.
Blaine perdeu a respiração, não conseguindo conter o sorriso que se apoderada do seu rosto. Ele não sabia o que pensar de tudo aquilo. Kurt estava falando com sua irmã sobre ele. Kurt gostava dele. Merda, Blaine não sabia o que fazer. A verdade é que ele tinha medo, apesar de toda aquela conversa do “eu vou me entregar quando achar a pessoa especial”. Caralho, Kurt era a pessoa especial. E, exatamente por isso, ele tinha medo. Medo de o perder; e se ele fosse embora como Sebastian fora? Blaine não queria acabar se entregando demais, embora ele no fundo soubesse que já estava entregue. Ele estava fodido. Ele não poderia perder Kurt, mas ele não sabia como o conseguir, tampouco.
— Meu caro irmão, você está ferrado — ele ouviu a voz da loira — Se você quer meu conselho, anjo, o melhor que você pode fazer é sentar com ele e conversar. Eu tenho que ir agora, mas vou te mandar o link do artigo que te falei. Me liga depois, okay? Pensa no que eu te falei.
— Beleza. Até depois, manda beijos para Beth, viu? — Kurt se despediu e Blaine pôde notar um pouco de desânimo na voz do escritor. Então, assim que Kurt desligou a videochamada, Blaine saiu do banheiro e abraçou o moreno por trás. Talvez fosse melhor esquecer o que ouvira, por algum tempo.
Blaine distribuiu alguns beijos no pescoço de Kurt, segurando a cintura do homem. Mas ele não podia deixar de pensar no que ouviu.
— Blaine, a gente tem que pensar no livro. A gente tem mesmo que trabalhar, você sabe disso.
Blaine revirou os olhos e murmurou: — Você é ligeiramente viciado em trabalho, Kurt. Sabia disso?
Kurt olhou para Blaine, erguendo uma sobrancelha numa careta de desgosto e desafio que Blaine achou totalmente adorável. Deus, Kurt era perfeito, mesmo quando dizia coisas ácidas, como naquele momento: — E você é ligeiramente viciado em sexo.
— Não que você reclame — Blaine piscou. Kurt respirou fundo, respondendo:
— Você nem deveria reclamar de meu “vício por trabalho”, meu amigo. Afinal, é graças a ele que eu vou escrever seu livro, sempre se lembre disso. E foi graças a meu vício que eu publiquei três livros, e estou prestes a publicar mais dois, estando ainda na casa dos vinte.
— Eu sei. — Blaine murmurou — Eu acho graça ao seu vício por café também. Mas é frustrante quando você levanta de madrugada. — ele riu — Mas, aqui entre nós, meu vício diminuiu um pouquinho desde que eu conheci você. Eu não conseguia passar um dia sem transar, e olha agora — ele riu.
— Meu diminuiu um pouquinho também — Kurt riu e Blaine pôde perceber que ele corava, mas o castanho tratou de enterrar o seu rosto no pescoço do mais baixo. — Okay, deixa de coisas. Vamos, a gente tem que trabalhar. Lembra do nosso acordo?
Kurt sentiu o seu celular vibrar, mas deixou quieto por uns minutos, enquanto se vestia, assim como Blaine. Juntos, foram para o escritório, entre risadas e brincadeiras. Kurt não pode evitar pensar no que Blaine dissera. Talvez eles fossem mesmo quase namorados.
Já no escritório, ele resolveu ver a mensagem que recebera, finalmente, enquanto Blaine brincava com uns livros e o seu laptop ligava. Era o link do artigo sobre as amizades coloridas. Kurt não conseguiu não abrir. Estava curioso sobre o que Quinn dissera.
“Regra número 1: Não vivam juntos. Sério. Se vocês são colegas de quarto, ou sei lá o quê, não tentem sequer entrar numa amizade dessas. Vai ficar feio e constrangedor.”
Então era isso que Quinn queria dizer sobre quebrar regras. Eles começaram já as quebrando. Fazia sentido, no entanto. Ele nunca ouvira de um casal de amigos coloridos ou ficantes vivendo juntos, de qualquer jeito. Merda. Se você pensar, o artigo explicava, imagina que um de vocês arruma namorado ou namorada, como fica?
Kurt sabia que dificilmente ele arrumaria um namorado, naquele mês – exceto Blaine, mas nem sobre isso ele tinha certeza -, mas ninguém lhe garantia que a pessoa especial de Blaine lhes batesse na porta no dia seguinte. Como eles ficariam? O livro? E os passinhos de bebê?
“Regra número 2: Não trabalhem juntos. Se algo der errado, vai afetar o trabalho de vocês e deixar o clima tenso.”
Mas que porra. Aquilo poderia ser considerado perseguição, certo? Certo?! Mas afinal, eles só começaram a ficar porque trabalhavam juntos. Nada a ver, mesmo. A relação deles não influenciaria o trabalho, não mesmo. Certo?
Mas e se, seguindo a lógica dos “e se…”s anteriormente começada por Kurt, por algum acaso da porra do destino, Blaine começasse a namorar, ou eles brigassem, ou algo desse muito errado? Kurt perderia seu contrato. Um mês de sua vida. E a porra não era essa. Ele perderia Blaine e talvez isso fosse o que machucaria mais.
“Regra número 3: Não se vejam mais que uma, no máximo duas vezes por semana. Não deixem que a relação influencie sua vida social, amigão!
Regra número 4: Nada de encontros românticos. Cada um paga a sua conta se forem no Starbucks. Sério, encontros são coisas de casal, não confundam.”
Está certo, era gozação agora. Kurt ficou em silêncio por alguns segundos. O que era tudo aquilo? Será que Quinn apenas quisera colocar mais confusão na cabeça dele? A terceira regra era inválida. Afinal, eles se viam todos os dias, mas era apenas porque viviam e trabalhavam juntos, certo? Mas a primeira e a segunda regra… Ah, mas que porra.
“Regra número 5: Sem apresentar o irmão, a mãe, o gato ou a tartaruga. Se escolher apresentar a sua amizade colorida para a família toda vai ter que aguentar a família perguntando por ele depois, é com você. Apenas se lembre que as tias podem ser bem chatas.”
Bem, Kurt não tinha tias. E Quinn apanharia uma chinelada se perguntasse por Blaine caso algum dia eles terminassem. E ele só conhecera Rachel porque tinha ido para a casa de Blaine, por que senão… Ai, ele pararia por ali que estava feio.
“Regra número 6: Não se apaixone.”
Ih, tarde demais. Fodeu, Kurt sabia. Era tarde demais para receber aquele aviso. Ele não sabia ao certo quando ou como acontecera. Mas já nem tinha volta. Ele sabia que seria fodido. Ele sabia que poderia se machucar para valer, porque Blaine estava machucado para valer. Mas ele queria ajudar Blaine. Juntar suas peças.
— O que você está lendo?
— Nada. — Kurt desligou o celular rapidamente, olhando para Blaine com os olhos arregalados como uma criança que tinha acabado de ser pega a fazer bagunça. Blaine olhou para o castanho, desconfiado. Por que ele estava lendo sobre amizades coloridas E escondendo? Kurt estava agindo bem estranho. Seria por causa do que ele ouviu mais cedo? Blaine sentia-se ligeiramente mal por tudo aquilo.
Ele queria estar com Kurt, ele queria muito estar com Kurt. Queria tê-lo para si, de todas as formas possíveis e não só estando limitado por um contrato e um livro que ao fim de um mês estaria terminado.
Ele conhecia a sua fama. Parte daquilo era sua culpa, ele sabia, mas as coisas que tinham acontecido não foram escolha sua. Nada disso. Ele não tinha escolhido passar pela merda que passou, merda esta cuja metade Kurt não faz menor ideia. Cara, quantos dias se tinham passado desde que Kurt e ele chegaram a Londres? Quatro dias. Em quatro dias Kurt tinha conseguido virar a sua vida de pernas para o ar.
— V-vamos trabalhar — Kurt puxou Blaine para se sentar na poltrona ao seu lado. — Mas, antes disso, tenho uma pergunta para te fazer, Blaine.
Blaine estancou. O que seria? Seria algo sobre a relação deles? Ele não estava preparado para ter essa conversa.
Kurt, no entanto, parecia querer saber de outra coisa: — Ontem, quando a gente estava… transando. Você pareceu ligeiramente desconfortável quando… v-você sabe. Eu gostaria de saber porquê, Blaine.
Mas Blaine não estava preparado para ter aquela conversa, tampouco. Ele não queria, não, não, não. Os seus olhos arregalaram-se e Kurt pareceu ligeiramente surpreso com a reação dele. O que era aquilo? Blaine, por sua vez, exclamou: — NÃO!
Raramente Blaine levantava o tom daquele jeito. Kurt estranhou. Nada do que eles tinham feito ou dito até ao momento parecia ter transtornado Blaine tanto quanto aquela pequena frase do escritor. Kurt respirou fundo.
— Eu não quero — Blaine disse — Eu não vou… — corrigiu-se — falar sobre isso. Me pergunte tudo. Fale sobre Sebastian, sobre minha mãe, sobre o caralho a quatro. Não sobre isso.
— Por quê? — Kurt segurou a mão de Blaine. Algo em sua mente gritou “perigo”, mas Kurt mandou esse algo se foder. — Fale comigo, Blaine. Não fale com o cara que está escrevendo seu livro nem com seu peguete, fale comigo, Kurt, seu amigo. Eu nunca vou te julgar, mas eu preciso de saber. Eu quero te ajudar, Blaine.
— Não — Blaine negou novamente — De jeito nenhum. Não insiste, por favor, Kurt. — pequenas gotículas se formaram nos olhos de Blaine e Kurt surpreendeu-se. Blaine nunca chorava. Algo estava muito errado. — Eu não quero perder você. Eu não quero ver seu olhar de nojo e pena.
— Você não vai me perder, Blaine — Kurt respirou fundo, aproximando-se de Blaine. Os olhos do mais novo estavam marejados e ele parecia verdadeiramente assustado. Kurt nunca o vira assim — Eu te prometo. Nada do que você possa alguma vez me contar vai me fazer sentir nojo ou pena de você. Confie em mim, Blaine. Eu só quero ajudar.
— Não — Blaine murmurou — Não, não, não — ele estava tendo uma crise de pânico, Kurt podia dizer. Respirando fundo, ele abraçou o moreno. Ele estava ligeiramente assustado também. Blaine contara tanta merda da sua vida a Kurt e nunca ficara assim. O que poderia ser tão mau que o fizesse ficar assim, ainda para mais envolvendo a sua vida sexual? — Não, Kurt, por favor. Não me obrigue a lembrar, por favor.
A ficha de Kurt caiu. Não era possível. Blaine sempre fora tão seguro de si, sexual e fisicamente. Ele se demonstrava desse jeito. Como poderia? Rapidamente, uma raiva atingiu o peito de Kurt. Quem faria uma coisa daquelas com alguém como Blaine? Tão cheio de vida. Doce. Divertido.
E Kurt sentiu sim nojo. Nojo de quem fizera aquilo. De quem quebrara Blaine, talvez mais que seus pais ou a morte de Sebastian, ou qualquer um dos valentões que o provocava.
Aquela foi a primeira vez que Kurt viu Blaine chorar. Não era algo que ele queria repetir. A sensação atingiu-o a ele também, os olhos de Kurt encheram-se de lágrimas que ele não pôde conter. Ele abraçou Blaine. Nunca o vira tão frágil e não gostava daquilo. Ele queria matar a pessoa que o deixaria assim. Ele mataria.
— Shhh — Kurt soluçou, tentando acalmar o outro — Tudo vai dar certo. Você não precisa falar nada. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem, eu prometo.
— Faça parar — Blaine implorou — Por que você teve que me fazer lembrar, Kurt? Faça parar, faça eles pararem.
Faça eles pararem. Faça eles pararem. Faça eles pararem. Faça eles pararem. Essa frase pairou na mente de Kurt por longos segundos. A raiva em seu peito aumentava. Ele queria matar quem fez aquilo com Blaine.
Ele não tinha noção do quão machucado Blaine estava. Ele não teve noção disso até àquele momento. Ele tinha tido pequenas amostras, com a história de Sebastian, seus pais, Rachel, o bullying Mas aquilo parecia ser demais. Estupro parecia ser demais.
Kurt nem sabia como eles tinham chegado ali. O dia nem estava correndo tão mal, na verdade. Eles tinham tido ótimo sexo, e um ótimo encontro no dia anterior. Ele conversou com Quinn e cara, apesar de toda a sua confusão sobre Blaine, ele estava feliz. Ele tinha perguntado o que perguntara apenas para desviar o assunto, mas surtiu um efeito que ele não quero.
— Shh — ele tentou novamente — Vai ficar tudo bem. Eu prometo. Só estamos você e eu aqui, e eu não estou indo a lado nenhum. Vai ficar tudo bem.
— Promete? — Blaine murmurou — Promete que não está indo a lado nenhum? Promete que não me vai deixar como Sebastian fez? Porque eu não sei se consigo aguentar perder você também.
— Eu prometo. — Kurt sabia que estava arriscando muito. Mas ele não se importava. Ele estava numa fase onde queria apenas que se fodessem todos, só ele e Blaine importavam. Que se fodessem os passinhos de bebê. Ele esperaria por Blaine, sabia que sim.
Talvez Blaine nem precisasse que Kurt esperasse muito, no final de contas. Blaine precisava de Kurt, mais do que ambos poderiam pensar. E foda-se. Blaine amava-o. E Kurt amava Blaine, não importava o que a porra de um artigo sobre amizade coloridas dissesse. Ele não queria uma amizade colorida. Ele queria mais. Queria Blaine, queria segurá-lo quando Blaine estivesse prestes a cair e juntar suas peças quando elas estivessem separadas. Queria ajudá-lo.
Eles permaneceram abraçados por alguns minutos. Horas. Segundos. Não importava. Kurt e Blaine. Eles juntos. Eles importavam. E, embora não admitissem, naquele momento, ambos souberam que estava incondicional, insana e loucamente apaixonados um pelo outro.
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