A Caçadora - A Supremacia

14 Emocionalmente Instável - Parte 2 - £


Notas iniciais
Oiiii leitores lindos do meu coração!!!!! Demorou, mas chegou! Feliz Natal pra todos vocês, um ótimo ano novo e tudo de melhor!!! Enfim, vamos ao que interessa! Beijooos, Ju!

Sally me guiou por uma escada de madeira não tão estreita quanto eu tinha imaginado, com as paredes laterais escuras, também de madeira, e eu me imaginava rumando na direção de um sótão um tanto quanto macabro, entulhado e cheio de pó, mas quando alcançamos o andar superior, meu queixo caiu.

Era um ambiente claro, com paredes em verde-esmeralda e um arco todo adornado, parecendo dividir uma sala de visitas da sala de estar. O piso era de madeira também, como quase tudo naquela sala, e era a única coisa que variava entre escuro e claro, mas que ainda mantinha uma harmonia entre todos os elementos. Móveis claros contrastando com um aparador de cor mogno, e com as cortinas também claras, na sala era impossível não reparar na grande lareira com moldura de madeira que tomava parte da parede na parte direita da sala de estar. Um lustre simples enfeitava o teto, e o tapete persa de cor marfim completava toda a decoração.

Na parede atrás do aparador era possível ver um quadro igual ao que eu tinha em casa, porém mais desgastado.

– É um lugar lindo. – me limitei em dizer, e Sally sorriu.

– Sente-se, vou buscar uma xícara de café para você. Fique a vontade, afinal de contas, a casa também é sua. – dizendo isso, ela desapareceu por uma das portas no que parecia ser a cozinha e me deixou sozinha na sala.

Para me distrair, peguei um dos livros de sua estante abarrotada e abri para folhear. Era um livro dos símbolos que eu vinha a tanto custo desvendar, mas eles pareciam ser tão normais, e tão conhecidos, que não tinham mais utilidade alguma para mim. Segui Sally e encontrei-a preparando o café. Suas mãos se moviam com agilidade, e quando ela se virou para mim, esticando as mãos em minha direção, pude ver o açúcar disparar da prateleira, e vir direto até sua mão, como se ela tivesse ordenado que ele fosse parar ali.

– A magia é algo que acontece em nossa família, Helena. Algumas pessoas sabem lidar com isso, e outras não. Jamie foi um dos irmãos que não conseguiu lidar com o poder, e acabou utilizando-o de maneira errada.

De repente sua cicatriz pareceu muito óbvia para mim.

– Jamie foi quem fez isso em seu rosto? – indaguei.

O silêncio de Sally foi suficientemente doloroso.

– Ele enlouqueceu, Helena. Você tem que entender isso. Eu tive que interferir antes que mais alguém se machucasse. Sua mãe estava contando para ele que estava grávida e ele surtou. Eles não se viam fazia anos, e ela sempre fora sua protegida. – pude ver Sally engolir seco. – Lembro-me dele tê-la pego seu pescoço e a segurado tão firmemente que Emma começou a ficar roxa. No instante seguinte eu o ataquei com toda a força que tinha. E ele me cortou profundo o suficiente para que minha magia o fizesse pagar.

Sally me encarou.

Eu não conseguia entender mais nada.

– Helena, eu te apoiarei em qualquer decisão que tiver, mas controlar essa maldição não é algo fácil e simples. Sua mãe não queria que você praticasse essa magia, a não ser quando fosse necessário.

A menção de minha mãe fazia meu coração se despedaçar. Era como uma facada em meu âmago.

Deixando o café de lado e indo em direção à sala, tive um ímpeto de segui-la, mas algo me fez ficar quieta e esperar. Uma xícara sozinha se postou na frente da cafeteira, e ela ligou sozinha, enchendo a mesma com o líquido de aroma deliciosamente amargo.

Sally voltou com uma coisa nas mãos, e sorriu parecendo triste.

– Ela me deixou isso aqui, como um presente para você.

Em suas mãos se encontrava um colar de ouro, com um pingente transparente, com certo resquício de uma cor lápis-lazúli que brilhava muito e tinha uma força de atração que me deixava com vontade de pegá-lo nas mãos e coloca-lo em meu pescoço.

– Este é o presente da família. O nosso poder só é ativado quando um colar “encantado” – ela marcou aspas no ar. -, passado de geração em geração, cai em nossas mãos. Ele é mais forte a cada geração, sugando os poderes dos nossos ancestrais que já morreram.

Sally veio atrás de mim, e colocou-o em meu pescoço. O calor que emanava do pingente era reconfortante, familiar. Eu não tinha 100% de certeza se queria ficar com aquele colar. Eu não queria descobrir as consequências de tê-lo.

– Sua mãe tinha medo que o poder fosse demais para você, assim como foi para Jamie. – sua voz tremulou de leve.

Suas mãos livraram meu pescoço e o colar pendeu em meu pescoço, o pingente indo de encontro a minha pele. Eu sentia uma queimação percorrer todo meu corpo por dentro, irradiando calor, emanando o que parecia ser poder.

– Eu vou precisar disso para deter Drake. – sussurrei.

Sally me fez virar para ela, e me abraçou. Era um abraço de conforto, cuidado de uma tia.

– Eu sei. Isso é o que mais me assusta, Helena. Você é apenas uma criança.

Da maneira que ela falava, parecia que eu tinha dez anos de idade, mas ao invés de retrucar como eu geralmente teria feito, permaneci calada e sorri, esticando as mãos em direção à xícara de café quente e levando aos beiços, bebericando de leve para não me queimar.

– Preciso começar a treinar com vocês, me preparar para deter Drake.

– O que este Drake tem de tão importante pra você querer tanto detê-lo? Não devemos nos meter com demônios, e muito menos em assuntos que não são nossos, Helena. – seus olhos se arregalavam cada vez mais e mais à medida que ela falava. – E eu tenho certeza de que não é um assunto que caiba a você.

Suspirei.

Então ela não sabia de nada?

– Drake era marido de Emma. Drake é meu pai, Sally. E eu nunca o perdoarei por deixar minha mãe como uma prisioneira. E nem por ter matado Polux, meu noivo.

Ela ofegou alto e eu pude ver lágrimas começando a se formar no canto dos olhos.

Um barulho na porta da cozinha me deixou esperta. Sierra estava com a mesma feição do que Sally, e parecia estar ali à muito tempo.

O quanto ela tinha ouvido?

– Emma... Emma está viva. – Sierra afirmou. Foi uma confirmação que eu não esperava ouvir.

Notas finais
Continua?