A Casa de Vidro

2 Guro e seu amor esquecido


Notas iniciais
Guro ganhou novos pais, e perdendo um grande amigo. Qual o motivo de que de todas as crianças do orfanato, logo Guro foi adotada, o que tem de especial nela? Descobrirá em caps futuros ^^

Lá estava ela, Guro, jogada no chão com suas mãos e seus joelhos ralados. Usava um simples vestido rosa, cheio de babados azuis com mangas compridas.

Guro era uma criança de apenas nove anos, tinha um longo cabelo rosa e olhos violetas fluorescente que encantava as outras crianças da sua idade.

Morava em um orfanato no centro da cidade. Foi para lá após seus pais serem assassinados e sua casa pegar fogo misteriosamente, enquanto Guro estava na escola.

Pouco se dava bem com os outros, estava sempre solitária em uma biblioteca ou conversando com uma das freiras que dirigiam aquele orfanato.

Alguns a viam como uma garota estranha por ter características tão diferentes e outros como a queridinha do orfanato motivo para ninguém querer falar com ela, deixando-a com desgosto daquele lugar, já planejando fugir daquele local, até.

Certo dia, lá estava ela ajeitando a fita violeta em seu cabelo quando algum garoto a empurra fazend0-a cair.

Seu joelho sangrava, e com sua mão ralada, já levantava e virava para trás com o punho preparado, quando.

—Me desculpe, não era a intenção, me desculpe mesmo. –Segurando a mão de Guro.

—Por que fez isso? –Disse ela já se acalmando e abaixando seu braço.

—Não era proposicional, eu estava brincando com minha pipa, quando esbarrei em você.

—Onde está sua pipa? –Perguntou ela olhando para o céu.

—Lá está. –Segurando sua mão e a erguendo, apontando para a pipa.

Isso foi o inicio de uma amizade tão imprevisível e estranha. Os dois não desgrudavam mais, passavam o tempo na biblioteca ou empinando pipa. Assim foi por um mês, uma rotina que para eles era perfeita. Certo dia, Guro estava caminhando pelo pátio do orfanato, quando sentiu uma gota de chuva cair sobre seu ombro.

—Vai chover?

—Pelo jeito sim, melhor entrarmos, Guro.

—Tem razão... Vem Ganta, irei lhe mostrar algo! –O puxando pelo braço e entrando no orfanato o levando até seu quarto.

—Ganta, sente na minha cama e feche os olhos, vou te mostrar algo. –Disse Guro enquanto fechava a cortina, a porta e apagava a luz enquanto Ganta colocava suas mãos encima de seus olhos encostando em seus curtos cílios.

—Está pronto? –Perguntou-o segurando suas mãos e tirando de seus olhos.

—Estou. –Abrindo seus olhos e enxergando apenas os de Guro, que brilhavam naquele escuro. –Seus olhos, por que eles brilham?!

—Eu posso ver pessoas que já não existem mais, acho que sou a única, tenho certeza que é por causa dos meus olhos!

—Eles são deslumbrantes e fantásticos, Guro... – Enquanto colocava o cabelo de Guro para trás da orelha e aproximava seus pequenos lábios.

Sem saber do por que, Guro fez o mesmo enquanto fechava seus olhos e segurava suas mãos.

Será que a inocência daquelas crianças tinha ido embora de forma tão de repente? Os relógios pararam quando os lábios dos dois se encontraram. Perguntavam-se do por que e o que acabaram de fazer.

Guro solta suas mãos, após ver que os olhos de Ganta estavam mudando de cor. Do castanho claro para violeta fluorescente como os seus. De repente, umas das freiras do orfanato abre a porta de seu quarto e puxa os dois pelos pulsos.

—O que vocês estavam fazendo?! –Perguntou Sr.ª Joana enquanto apertava os pulsos dos dois e descia as escadas até o portão do orfanato onde se tinha jovens esperando por Guro.

Ao chegar ao enorme portão, Joana solta os pulsos dos dois e tirava chaves do seu bolso.

—Me perdoe pela demora, Sr.ª Schultz.

—Imagine, problema nenhum. –Respondeu a jovem que estava no outro lado do portão, usava um comprido vestido preto cheio de babados e um chapéu que escondia sua testa até a ponta de seu nariz, mostrando apenas seus carnudos lábios pintados de vermelho, seu queixo e metade de suas bochechas.

—Eu te garanto, você e ela se darão muito bem!–Por algum motivo, Joana estava tremendo e não conseguia abrir o portão do orfanato, parecia nervosa conversando com a pessoa ao lado. E assim, Guro iria aproveitar para voltar para dentro do orfanato, e já ia puxar a gola da camisa de Ganta por trás, quando ele a segura pelo braço.

Sussurrava para Ganta que lhe soltasse e viesse junto, mas Ganta não a ouvia, parecia hipnotizado e, ao invés de responder, apertava mais seu braço.

Quando a soltou, Joana olhou para outra freira que se aproximava segurando duas grandes malas que, Guro as reconheceu, eram as suas.

—Esses são seus novos pais, Guro, eles vieram para te adotar. –Apontando com a palma da mão aberta para os dois jovens no portão.

Uma das freiras entrega ao jovem que estava no outro lado, de terno preto e uma gravata vermelha, às malas de Guro, e ele as levam até parta-mala do carro preto estacionado frente ao orfanato.

Enquanto isso, Joana segurava na mão de Guro e a leva para fora do portão, deixando-a cara a cara com Sr.Shultz.

Guro estava começando a se debater enquanto encarava um por um naquele momento e já ia abrir sua boca para falar algo, quando.

—Vamos, você ira adorar sua nova casa. –Disse a jovem, a Guro, se abaixando para segurar suas pequenas mãos.

—Eu só vou com uma condição, leve-o junto! –Apontando para Ganta que, ainda parecia hipnotizado.

Com uma expressão séria, ela se aproxima do ouvido de Guro, colocando suas mãos em seus ombros e sussurra. –Mas é claro, amanha iremos voltar aqui, só eu e você para busca-lo.

—Promete? –Respondeu Guro, agora surpresa.

—Sim. –Se erguendo e indo em direção ao carro, abrindo a porta de trás. –Vamos?

Guro entra no carro dando pulos de felicidade como qualquer outra criança boba e sonsa da sua idade. Após ligarem o carro, ela já se preparava para fazer perguntas e perguntas, respondendo e acabando com suas duvidas.

...

De repente, após fecharem a porta do carro, Guro olha para o orfanato pela janela, encostando sua mão no vidro e repara que Ganta ainda com aquela expressão, até voltar em si e agarrar-se com força no portão com aqueles enormes olhos arregalados que, agora são violetas, estava tenso.

Tentava abrir a porta do carro por dentro para pelo menos dar um “até logo” para Ganta, já que em sua mente, era apenas isso que ele queria.

—Não se preocupe, amanhã verá ele. –Disse à jovem que estava sentada no banco da frente. –Vamos. –Dizendo ao homem ao seu lado.

Além do barulho do motor do carro, mais nada fazia barulho até Guro olhar pelo retrovisor e ver ela, retocando seus lábios com aquele batom vermelho, e... – Quero fazer uma pergunta, vocês são um casal? –Agora vendo pelo retrovisor que ela ria.

—Não, somos amigos, eu, ele, você e alguém que nos espera.

—E o Ganta, ele também, não é mesmo?

—Mas é claro.

—E seu nome, qual é?

—Não digo meu nome a ninguém. –E se meteu na resposta o jovem ao seu lado. –Ela nunca fala o nome dela, pode chama-la de mãe mesmo.

—Não! –Dando–lhe um leve tapa no ombro. –Ignore-o, é um brincalhão. Chame-me de Hemy.

—Está bem, Hemy. Eu não queria chama-la de mãe mesmo, os acho muito novos, chama-la assim seria constrangedor, sinceramente.

—As aparências enganam. –Respondeu Hemy, voltando a retocar seu batom.

.............

—Eu mandei largar ela! –Disse Guro, e em seguida o homem no quarto de Hemy sumiu virando cinzas, como sempre.

Hemy ficou sem graça, não sabia se dava um cascudo em Guro, pois avisava semanalmente ela que odeia quando entram em seu quarto sem bater na porta ou se agradecia por espantar o “Mr.Black”.