A Casa da Colina
4 Quatro - Conversas
Notas iniciais
Enquanto estava em pé, frente a uma lareira apagada, o negro observava atentamente ao local. Ainda estava nos arredores da sala, com todos os demais, e tentava procurar por algum tipo de saída, mas parecia não haver alguma. O clarão da lanterna conseguia iluminar poucas coisas na escuridão ligeira num tipo de segundo teto acima do local onde estava. Debruçando o olhar para os vidros de estranhas imagens ao teto do local, via o quão alto e grande poderia ser a mansão.
– É... Não tem mesmo outra saída! – Desligou a luz da lanterna, voltando para o meio da sala com passos calmos. Os outros o olharam por alguns instantes, parando um pouco o que estavam fazendo. – Mas... Que tipo de jogo é esse?
– Não é um jogo. – A loira, virando-se para si, disse num tom afirmante. – Não percebe onde estamos? Alguém quer fazer uma brincadeira de mau gosto com a gente. O certo seria perguntar “por quê?”.
– Ah... Simples, deitem e relaxem. – Indagou o loiro em repugnância, estirando-se mais e mais acima do sofá avermelhado a qual estava deitado. – Não ouviram o que está escrito? Ganhamos 1 milhão. Basta relaxarmos e esperarmos cerca de 8 horas para chegar à manhã. Assim, saímos daqui e desembolsamos nossa grana.
– Você acha mesmo que alguém nos deu 1 milhão? Somos 5. Quem seria maluco o suficiente para se desfazer de 5 milhões de dólares para pessoas que mal conhece, tudo isso apenas pra deixá-los presos numa casa abandonada e cheia de lendas? – A loira retrucou de novo. – É patético esse texto.
– Patético ou não, é verdade! – O homem de cabelos brancos chamou a atenção dos outros. Ele estava sentado num banco de madeira, ao lado de uma tábua de concreto onde devia ser um bar. Seu celular estava na mão e sua face estampava instigação: — Seja quem for, não sei eu o porquê, acabou de colocar 1 milhão na minha conta. Mas... Tudo o que eu não entendo é: porque me deu dinheiro, se já sou rico?
– “É rico”? E quem é você, afinal? – Questionou o loiro, levantando-se mediamente do sofá e ficando apenas sentando, com as costas encostadas na cabeceira do mesmo. – Um deputado? Governador? Prefei...
– Jeffrey Redrikcs! – A moça de cabelos pretos interrompeu, buscando os olhares de todos para si. Ela estava do outro lado de um balcão, espremendo um limão num copo que já estava cheio de vinho. Ao parar a ação, voltou a olhar os demais. – Conheço ele... É o homem mais rico do estado, ou melhor, da América do sul. Possuí mansões melhores que essa, embarcações, fazendas, condomínios...
– Vejo que a senhorita sabe muita coisa sobre mim... – O homem a olhou, arqueando as sobrancelhas e recebendo o olhar tentador. – Mas e quanto a vocês? Quem são?
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