A Casa Das Máscaras

26 Extra Lance - Final do primeiro livro


Notas iniciais
Hei gente, leiam as notas ao final do capítulo, são muito importantes! E outra, sei que não respondi os reviews dos últimos dois capítulos (!!!!) Mas estou em final de semestre e 'tá difícil encontrar tempo para dedicar a isso. Porém, como eu fiz nas minhas últimas férias, agora em final de novembro vou usar meu tempo livre para responder todos os reviews em atraso! Prometo, não tem erro! E me desculpem por isso! Obrigada a todos que comentaram, e podem acreditar que não vou esquecer de vocês! :D

Por Trás das Máscaras

Lance inclinou-se para o balcão, lançando um sorriso charmoso para uma das garotas que trabalhavam na biblioteca – Susan. Ela ficou vermelha, mas sorriu de volta, entregando-lhe o currículo do novo rapaz que assumiria o cargo da Sra. Lockess. Susan olhou para os lados e pareceu satisfeita ao não ver ninguém além de alunos à vista.

“Se a Sra. Lockess souber...”

“Ela está se aposentando. Não representa mais nenhum perigo.” Lance falou enquanto colocava o currículo dentro de um bolso interno do blazer azul-escuro. “Fico te devendo uma, Srta. Doyle.” O rapaz pegou a mão dela, dei um beijo galanteador e, com uma piscadela, deixou o balcão da biblioteca, dirigindo-se para a saída em passos tranquilos.

Já na saída, Lance ouviu a balbúrdia que ocorria do lado de fora e apressou o passo para ver do que se tratava. Ele parou, no entanto, ao ver Oliver Okubo brigando e um loiro se aproximando de maneira decidida, enquanto deixava o – agora famoso – Christian Okubo para trás. As sobrancelhas de Lance subiram e ele soltou um assobio baixo com o belo soco que o rapaz loiro acertou em um dos rapazes que agrediam Oliver.

Apoiando-se à parede, Lance observou de maneira discreta os três agressores fugirem e a discussão entre Oliver e Christian. Depois, ao ver melhor o rosto de Fabian e reconhecê-lo como o futuro novo bibliotecário chefe, resolveu voltar para dentro da biblioteca e esperar para abordá-lo. Era necessário trazer – Lance olhou novamente para o nome no currículo – Fabian para o seu lado. Precisava sondar primeiro se isso seria ou não uma tarefa fácil.

O loiro entrou na biblioteca e pareceu maravilhado. Lance sorriu de leve quando o ouvi exclamar que aquele lugar era um paraíso. Nesse momento, ele saiu do lugar sombreado de onde se escondia, colocando-se à frente do rapaz. Ele lhe parecia estranhamente familiar...

“Bela intervenção a que fez na briga.” Falou casual.

“Você estava observando a luta, e não fez nada? Oliver estava para apanhar feio quando me meti!” Ele pareceu indignado. Lance pegou um cigarro e um isqueiro e o acendeu, apenas para ver aquela expressão de indignação aumentar. Talvez gostasse de provocar as pessoas. Gostasse que elas o vissem como a pessoa de atitudes reprováveis. Não lhe incomodava a fama que tinha naquela universidade.

Pelo contrário, ele a alimentava sempre que possível. Não foi surpresa quando Fabian arrancou o cigarro de seus lábios.

“Já vi Oliver se virando com caras maiores. Ele já foi notícia no jornal algumas vezes, por causa das brigas em que se mete. Não é minha culpa se minha profissão exige que eu mais observe, do que aja, em situações assim.” Lance falou, eximindo-se de qualquer culpa, e não importando-se em explicar que vira apenas o final da confusão.

“Não sei que profissão é essa, mas uma profissão que faz alguém ver uma covardia e não ajudar não deve ser uma boa profissão. Pessoas que fumam em lugares proibidos também não despertam minha simpatia, então, com licença.”

Lance gostava de pessoas de atitude e língua afiada. Talvez por isso houvesse se apaixonado por Lawrence há dois anos, mesmo que essa nunca tivesse sido sua intenção. Mas quem tem intenção de se apaixonar, de qualquer forma?

“De que curso você é?” Perguntou, ainda que já soubesse que ele não pertencia a nenhum curso. Mas era um teste. Queria saber se ele lhe responderia, se mentiria, ou se o ignoraria. Fabian parou de caminhar, e Lance esperou calmamente pela resposta.

“Não faço curso nenhum. Sou o novo bibliotecário.” Ele informou.

Não é de mentir, então? Lance pensou e segurou-o pelo braço, virando-o para si quando ele voltou a caminhar. Se não era de mentir, talvez pudesse tentar uma pergunta um pouquinho mais perigosa.

“Sabe, sinto que já lhe conheço de algum lugar... Talvez você também tenha essa impressão. Eu me chamo Lance Harris. Soa familiar?” Perguntou com descaramento. Alguém lhe dizia que descobriria em breve. Lance era bom com fisionomia, e ele já tinha uma ideia de onde conhecia aquele loiro.

Aquele joguinho ficaria divertido.

XxxX

“Eu e Oliver tivemos uma discussão.” Tristan falou enquanto matavam tempo juntos na sala comum da fraternidade. “Ele quer te dar uma surra.”

“É claro que quer.” Lance suspirou, descansando a cabeça no encosto do sofá. “Estraguei a vida do irmão dele. Ao menos por enquanto.”

“Que bom que sabe disso.” Havia hostilidade no tom do amigo. Lance sabia que Tristan era boa pessoa demais para concordar com várias de suas atitudes. Mesmo assim, ele permanecia como um amigo fiel, ainda que lhe puxasse as orelhas vez ou outra. Por essas e por outros, Lance o amava como a um irmão. “O que ganhou fazendo isso?”

“Não sou o único a decidir o que vai naquele jornal. O Roy Byron tem sua parte de ‘fofocas de universidade’. Os estudantes adoram.” Deu de ombros e pensou em pegar um cigarro, mas ao se lembrar que aquilo poderia fazer mal ao amigo, refreou a vontade. “Eu não ganho muita coisa.”

“Você sempre ganha alguma coisa.”

“Sabe do passado do irmãozinho inocente do Oliver?” Lance então perguntou, desviando o olhar astuto e divertido para Tristan. “Ele é um gênio. Pode parecer inocente, mas não é tanto assim.”

“O que quer dizer? Ele é só uma criança.” Tristan contestou, franzindo as sobrancelhas aloiradas.

“Na escola em que ele estudava, ele era perseguido. Bullying e coisas piores. Ah, a juventude de hoje.” Lance balançou a cabeça, parecendo lamentar, mas isso apenas fez Tristan revirar os olhos. Lance sorriu e continuou: “Ele desenvolveu um programa de GPS por toda a escola. Assim, podia saber onde seus agressores estavam e fugir deles. Manteve segredo de todo mundo, mas aos poucos ele descobriu que podia hackear os ‘amiguinhos’” Usou o termo com ironia. “E passou a vazar coisas constrangedoras sobre eles para o jornal da escola. Ninguém sabia quem estava vazando aquelas coisas, a exceção do administrador do jornal escolar.”

“Com quem você obviamente já entrou em contato.” Tristan ergueu as sobrancelhas, parecendo extremamente surpreso. Oliver certamente não tinha a mínima noção sobre aquilo, aliás, ninguém deveria ter. “Parece que ele sabe se virar.”

“Eu entrei em contato após descobrir que um garoto de quinze anos entrou na Ketterigde, com um dos melhores resultados e as melhores recomendações.” Lance falou com ar óbvio. Era algo que ele nunca deixaria passar. “Estranhamente, ele escolheu o curso de Letras. Ao que parece, porque queria ir contra os desejos de seus pais.”

“Mas você acha que ele está no curso errado.” Tristan rapidamente começou a juntar as informações. Conhecia Lance há tempo demais para não entender seu jeito de pensar, após algumas dicas. “Então o colocou na mesma situação que passava no colégio. Você quer que ele desenvolva um programa para a Ketteridge.” Arqueou as sobrancelhas, surpreso novamente. “E por isso o quer na Sigma.”

“Você, como sempre, é muito genial, mas errou em parte. E antes que me pergunte, eu não arranjei aquela briga nem nada. Não contratei aqueles imbecis para assustarem o garoto. Apenas usei as circunstâncias. No início eu só queria facilitar que ele aceitasse entrar na fraternidade, e a notícia no jornal era o suficiente. Quero protegê-lo, e vou protegê-lo, uma vez que ele esteja do nosso lado.”

Tristan agarrou um de seus rastafáris, apertando-o com um suspiro. Por que seu amigo tinha que ser tão friamente manipulador?

“Logo ele vai perceber que está no curso errado. Letras? Ele foi feito para o mundo da tecnologia!” Lance riu, parecendo achar a escolha do garoto absurda. “Ele irá amadurecer na Sigma. Vai encontrar seu potencial e entender que não precisa desafiar os pais para escolher o futuro dele. Pode desafiar em outros sentidos.” Deu de ombros, deixando claro que os outros sentidos poderiam englobar todo o resto.

“E você, é claro, pretende mostrar isso para ele?”

“Vou mostrar, mas, no fim, a escolha será dele.” Lance falou indiferente.

“Você sabe que fui sou contra tudo isso que você fez, não é? Poderia simplesmente ter convidado o garoto para a Sigma! Eu poderia conversar com Oliver e falar que faria bem ao Christian. Como espera que ele confie em você, depois do que você fez?” Tristan indagou exasperado, inclinando-se para a frente e apoiando os antebraços nos joelhos, mirando Lance de maneira séria.

“Eu sei.” Lance olhou-o em retorno, tranquilo. “Mas agora você sabe que, de qualquer forma, é mais seguro que ele na Sigma? E importante para o futuro dele? Aqui na fraternidade, nós ajudamos uns aos outros.”

“Você está me usando também.” Tristan estreitou os olhos. “Quer que eu fale com Oliver.”

Lance não disse nada, apenas sorriu no canto do lábio e piscou para Tristan.

“Você não presta.” O amigo jogou-lhe uma almofada.

“Tristan, você sabe que eu quero realmente ajudá-lo.” Garantiu, tirando a almofada de frente do rosto. “Eu juro que pretendo protegê-lo. Ambos os lados ganham.”

“Tudo bem. Mas eu ainda espero que o Oliver te dê aquela surra.” Tristan se levantou e deixou o cômodo.

XxxX

Lance não costumava ir muito ali. Não depois da morte da irmã. Nos últimos cinco anos, Donatella mal o tratava como filho. Ambos inclusive trocaram de sobrenome, para que ninguém os relacionasse como parentes. Mãe e filho... Lance ainda se lembrava de como ela costumava ser gentil até cinco anos atrás. Ao menos, com os dois filhos.

“Mandou me chamar?” Perguntou, entrando no escritório da diretora das Belas Artes. Era um lugar de bom gosto, com detalhes de teatro e filmes famosos. Ao canto, uma vitrola bela e antiga tocava uma música ambiente baixa e agradável.

“Sim.” Ele ergueu o olhar frio para o filho. “Você não está cumprindo o nosso acordo? Os outros líderes da Sigma nunca foram contra minhas ordens.”

“Ah, um de seus infiltrados já foi fofocar nos seus ouvidos.” Lance sorriu cínico e caminhou até sentar-se na cadeira em frente à mesa da mulher. “Eu fiz outro acordo com Lawrence.”

“O nosso acordo é prioridade!” Ela exclamou irritada. Nunca tivera paciência com o jeito dissimulado do filho. Mas quem ela poderia culpar, a não ser ela mesma e ao ex-marido. “É importante manter os jovens focados.”

“O que você pede é justamente pelo contrário. Isso tira-lhes o foco.” Lance retrucou, cruzando os braços de maneira displicente. “Nunca entendi por que criou toda essa rede estúpida de restrições sexuais nas Belas Artes.”

“Você sabe bem por quê!” Donatella odiava ser lembrada daquilo. “E apenas tira o foco dos fracos, que não sabem seguir regras e caem nas tentações. Regras são regras, e eu quero que elas sejam seguidas. Por isso, volte com as apostas.” Ordenou, mantendo a pose austera, os leves cachos loiros ainda perfeitamente arrumados.

“Lawrence luta com todas as garras para proteger os alunos das Belas Artes de nós, da Sigma.” Lance riu. “No fim, ele deveria lutar contra você, que ele tanto admira.”

“Lawrence é um bom rapaz. Vem provando isso há um bom tempo. Ganhou minha confiança quando resistiu ao meu adorável filho.” Ela estendeu a mão e acariciou suavemente o rosto de Lance, que se afastou do toque, irritado. “Agora faça o que eu mando, ou teremos problemas.”

“Você enlouqueceu depois que ela morreu, sabia?” Ele se inclinou sobre a mesa para falar. “Mas já estava meio doida depois que se separou do-“

Donatella usou a luva que usava para bater no rosto do filho. Lance virou o rosto, ficando calado.

“Não ouse falar o nome daquele homem na minha presença. Já não basta ter-se tornado uma cópia daquele crápula? Não pense que só porque pintou os cabelos de castanho-escuro, que eu não posso ver aquelas mechas amarelo-alaranjadas horríveis quando olho para você.” Donatella redarguiu, tremendo transtornada. “Agora vá!”

“Érika era muito mais ruiva do que eu.” Lance a lembrou.

“Mas ela nunca carregou o mesmo veneno que seu pai.” Donatella constatou secamente, girando a cadeira elegante em direção à janela para não olhar mais para o filho.

Lance se levantou.

“Não quebrarei o acordo que fiz com Lawrence. Três meses sem apostas. Nesse tempo, arranje outra forma de testar seus pupilos com suas loucuras.” Declarou e deixou o recinto, sem olhar para trás.

XxxX

Lance continuou por algum tempo acariciando os cabelos de Fabian, mesmo após perceber que ele havia adormecido. Aquela noite o havia afetado mais do que esperava. De repente, ele não queria deixar aquele loiro. Queria tê-lo por perto, para ouvir os conselhos que ele lhe dava, de maneira tão neutra, justa e razoável. Tristan costumava aconselhá-lo, mas a amizade o havia deixado mole, ainda mais depois do diagnóstico.

Isso entristecia Lance. Tristan havia concluído que, como morreria mais cedo do que o esperado, não perderia tempo brigando. Às vezes, Lance sentia saudades daquele jeito mais explosivo do amigo que aparecia quando cometia algum erro, ou usava das artimanhas da manipulação. Lance odiava que aquele maldito diagnóstico houvesse levado um pedacinho de seu melhor amigo.

Talvez por isso estivesse mais carente ultimamente, desejando alguém para lhe puxar as orelhas. Era evidente, depois daquela noite em seu apartamento, que Lawrence não o perdoaria. E como poderia? De fato, no início, era apenas uma aposta. Nem isso. Era algo que estava fazendo a pedido da mãe. Ambos sabiam do passado do ruivo, ou ao menos parte dele, e Donatella não o deixaria subir as escadas da fama sem antes testá-lo. Não, era evidente que não.

Lance achou que seria fácil levá-lo para a cama. Por que não seria? Mas ele conheceu uma pessoa bem diferente da que esperava. Era surpreendente como ele ainda conseguia ter uma alma doce e inocente depois de tudo que havia passado. Lance sabia que acabou por fazer uso disso, mas também acabou por envolver-se mais do que deveria.

Quando tomou a decisão de contar toda a verdade a Lawrence, ele descobriu primeiro da estúpida aposta... Nunca soube da verdade por trás, mas não importava realmente. Lance pôde perceber com perfeição a maneira como terminou de quebrar o que havia de doce e ingênuo nele. Aquela ideia de ter um recomeço na universidade... Lance mostrou-lhe que aquilo era uma farsa.

Que não se podia confiar no amor.

E o amor ferido se transformou em ódio, e restou aos dois aquela relação cheia de provocações e ressentimentos. Como poderia consertar isso depois de dois anos de erros? Fabian também tinha aquela ingenuidade que Lawrence costumava ter ao lhe dizer para começar com um pedido de desculpas. Será que também o quebraria se o trouxesse para seu lado?

O pensamento lhe tirou todo o sono.

Quando levantou, não resistiu e pegou a máscara do loiro, observando-o adormecido por alguns segundos. Era como um anjo. Ele tinha uma alma pura. Então por que estava trabalhando num lugar podre como aquele? Lance se levantou, se vestiu e saiu do quarto, carregando a máscara em mãos.

“Sr. Harris.” Alguém o intercedeu pelo caminho. Lance olhou-o. “O Sr. Desmond deseja vê-lo.”

Lance concordou e seguiu o secretário, mantendo-se em silêncio. Encontrou o homem em uma das salas da mansão, bebendo um vinho enquanto sentado em uma poltrona. Uma lareira crepitava próxima, lançando sombra e luz contra o rosto rigoroso do ruivo. Quando o secretário os deixou, Desmond indicou que ele se sentasse.

“Há tempos não nos falamos, filho.” Ele falou em tom neutro e tranquilo. “Depois que mudou de sobrenome, esqueceu-se de seu velho pai?”

Lance riu pelo nariz, observando o ruivo servir-lhe uma taça de vinho.

“Você sempre está muito ocupado, então uso meu tempo aqui para questões mais prazerosas.” Comentou com ar de deboche, aceitando o vinho. “Sei que pediu que eu não viesse aqui com frequência.”

“Não quero que saibam que meu filho continua no país. Você aqui chama atenção, mesmo com a aparência mudada e o sobrenome diferente.” Desmond o lembrou, sério.

“Devo mudar meu nome também?” Perguntou o mais novo com cinismo.

Desmond apenas sorriu de leve, não deixando transparecer muito do que pensava. Lance estava acostumado com isso. Lembrava-se de como isso costumava frustrá-lo quando era mais novo, mas agora, aprendera a jogar o mesmo jogo do pai. Tornou-se manipulador como ele, astuto e observador. Podia perceber que ele tinha algo a lhe dizer.

“Não use Fabian para seus joguinhos universitários.” Desmond então falou o que Lance já suspeitava. “Ele tem uma família para cuidar. Não merece que alguém espalhe seus segredos sem permissão.” O ruivo olhou-o profundamente. “Terei de puni-lo se brincar demais com meus empregados.”

“Ora pai, mas você mesmo brinca com um deles em especial.” Lance sorriu de volta, mantendo-se tranquilo. Ficou surpreso, satisfeito e orgulhoso por, pela primeira vez na vida, conseguir arrancar uma reação inesperada do pai. Tirar dele aquela máscara de grandeza e impassibilidade que ele sempre carregava.

Bebeu um gole do vinho e largou a taça, erguendo-se.

“Não se preocupe. Nunca pretendi expor o Fabian.” Contou e estava sendo sincero, como poucas vezes era.

Caminhou para a porta, tendo apenas o silêncio como resposta.

“E pai... Cuidado.” Lance comentou antes de deixar, de fato, o lugar. “Não deixe acontecer com ele o mesmo que aconteceu com a Érika.”

Ambos sabiam a que ‘ele’ Lance se referia.

XxxX

Era noite da seleção da Sigma. O ‘quartel’ da fraternidade, por assim dizer, ficava na biblioteca de Ketteridge, uma ala escondida, uma espécie de sótão extremamente amplo. Esse era também um dos motivos para ter Fabian complacente e colaborador. Tornava as idas e vindas à biblioteca mais fáceis.

“Christian já terminou a tarefa. Está lá embaixo esperando o Andreas terminar.” Uma das garotas que estava supervisionando a prova lhe avisou. “Fabian começou a ajudá-lo... Devo considerar isso uma falta?”

“Não... Quero Fabian aqui em cima também. Eu imaginei que ele fosse acordar e ajudar o Andreas.” Informou, enquanto jogava pôquer com outros membros que, assim como ele, esperavam que os novatos chegassem após completadas as tarefas. “Assim como também imaginei que o Christian terminaria em tempo recorde.”

A tarefa para os alunos das Letras, Literatura e afins era simples. Recebiam uma frase de algum livro clássico, ou famoso, que deveriam identificar o nome e autor. Procuravam, então, na biblioteca o livro, no qual haveria outra frase. Ao total, tinham de identificar dez livros, para provar conhecimento e cultura. As frases eram bastante famosas, ou continham dicas óbvias, um bom leitor não encontraria dificuldades.

Quando os novatos começaram a chegar, acompanhados dos membros supervisores, Lance fez um breve discurso, mas logo deixou a palavra pra Chace e Tristan. Ele caminhou até Fabian, oferecendo-lhe um drinque. Percebia que ele estava nervoso e desconfiado, é claro, agora ele sabia que sua vida dupla não era um segredo para o jornalista.

“Precisamos conversar.” Fabian falou de maneira direta.

“Venha comigo.” Lance caminhou até outra sala ali de cima, que tinha uma janela redonda para a área em frente à biblioteca. Fabian caminhou pela sala, observando-o ao redor com atenção. Depois, virou-se para Lance e o encarou de maneira séria e fria.

“Você pretende expor meu trabalho?” Perguntou, novamente objetivo.

“Se eu pretendesse, já teria exposto há muito tempo, não acha?” Lance perguntou divertido e caminhou até ele, parando bem próximo. Fabian se afastou um passo para trás, mas suas costas bateram na parede. Lance ergueu a mão e tirou uma mecha de cabelo dos olhos do loiro. “Você acha mesmo que precisei tirar a sua máscara para saber que era mesmo você?” Aproximou-se um pouco mais e sussurrou no ouvido dele. “Não importa que troque de perfume ou use lentes de contato. Eu sei reparar nos detalhes.”

“E o que você quer, Lance?” Fabian perguntou, sentindo-se ingênuo por ter duvidado daquilo.

“Não é óbvio?” Afastou-se um passo para perguntar. “Quero você.”

Notas finais
Galera, sim, essa fic termina aqui. Eu criarei OUTRA fic cujo nome será o desse capítulo "Por Trás das Máscaras". Ela será toda em terceira pessoa e começará a entrelaçar as histórias de maneira ainda mais forte. Acho que esse extra cheio de plot twists deve ter surpreendido muitos de vocês! UHJSAJSIOA E isso que eu queria mostrar mais, porém resolvi deixar as outras surpresas para a próxima "temporada". Muito obrigada a todos que leram até aqui! Me coloquem nos alertas de vocês, e assim quando eu postar essa história nova vocês receberão email avisando! Beijos! Obs.: cap não betado porque minha beta não deu mais sinal de vida pra mim. Obs: para quem não lembra, Érika é o nome verdadeiro da Emmannuele. Mas ela preferia o nome artístico.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!