Sesshoumaru tinha estado quase toda a noite a preparar a surpresa que iria preparar a Rin. Iria ser algo em grande!

Como tinha outra entrevista nessa manhã, às 10 horas, ele acordou cedo e mal viu o autocarro pôs-se de pé para apanhá-lo, porque tinha optado pela defesa do ambiente (além disso, se ele fosse de autocarro não saíria de lá aleijado por velhotes/as).

Chegou ao escritório por volta das 9h45 e quando chegou às dez horas, dez horas e meia, ele começou a estranhar e ligou para Nuriko que não atendeu o telémóvel. Visto que ela estava a demorar, ele aproveitou para ir beber um café.

Quando voltou eram onze horas e poucos e Sesshoumaru desistiu logo, indo para casa.

Almoçou e, quando estava pronto para se encontrar com Rin, o seu telemóvel tocou:

- Estou?

- Estou, é o Sesshoumaru-sama?

- Sim, sou eu.

- É a Nuriko. Informo-lhe que estou aqui à sua espera à meia-hora e que você não há meios de vir.

- Mas o encontro era às dez horas!

- Dez horas? O encontro foi alterado para as 14 horas, já se esqueceu?

- Ai, não. Eu estou desde as dez à sua espera para não chegar atrasado e pouco tempo depois de eu me ter ido embora você aparece. E pensava eu que hoje é que eu não iria chegar atrasado! =.=

Coitado de Sesshoumaru, teve de acordar cedo para nada. Ainda por cima, tinha combinado um encontro com Rin que teria de modificar. Por isso, decidiu ligar-lhe:

- Estou, Rin?

- \'Tou... ruunch.. O qu\'e que qu\'eres? — disse ela e para não ter de falar assim, engoliu o resto da sua sandes e desculpou-se. — Tenho andado cheia de fome ultimamente. Hás-de me ver ficar gorda que nem um elefante. :/

- Que exagero, tu és linda de qualquer forma.

- Ah.. Aqui quem é que está a exagerar agora?? -.-\'

- RIN!

- Oh vá lá, não é por me dares graxa que eu te vou perdoar assim tão facilmente!

- Isto não é graxa, é a verdade Rin. Tens assim tantos complexos de inferioridade?

- Tenho.

- Mas porquê?

- Por tua causa.

- Minha?!

- Olha, vamos mudar de conversa, tá? Ou eu já não vou ter contigo. Já tomei banho e me preparei, estou agora a sair de casa, mas olha que eu posso não sair de casa se me continuares a chatear. — ameaçou ela e mesmo estando a falar com ela ao telemóvel, isso fê-lo sentir um pequeno arrepio.

- Era mesmo acerca de isso que eu te queria falar... Lembras-te das candidatas para secretárias? Nós trocámos os horários e ela está à minha espera. Vai ser rápido, mas eu preferia se deixássemos a saída para mais logo.

- Sesshoumaru, estás-me a fazer perder a paciência!

- Vá lá, Rin-chan. Isto é mesmo muito importante, — enfatizou ele — por favor, compreende. Se eu arranjar uma secretária será tudo mais fácil.

- Eu não me importo, mas com uma condição.

- Qual?

- Que eu possa ir contigo.

Sesshoumaru sabia que isso iria ser o mais complicado. Sabia que Rin era teimosa e a única chance de ela alguma vez o perdoar era fazer-lhe esta vontade.

- Está bem, miúda mimada, tu podes vir comigo. Mas vê lá do que falas e não te choques muito.

- Choques? Chocar-me porquê? Há alguma coisa que não me contaste?

- Bem... é que...

- Diz.

- É que...

- Diz lá, Sesshy, estou a ficar impaciente.

Flash-Back

- Diz lá, Sesshy, estou a ficar impaciente.

Fim do Flash-Back

Era a primeira vez que ela dizia a sua alcunha desde que estavam chateados. Isso era bom sinal. E Rin nem tinha dado conta.

- Encontramo-nos em frente ao escritório. Lá eu conto-te tudo. Mas não tires juízos de valor, ouve primeiro. Até já.

- Até já. Olha...

- Sim?

- É verdade quando me disseste que me amavas?

- Claro que é. Amo-te mais do que imaginas.

- E tu nem tens noção do quão forte fazes o meu coração bater ao dizeres isso. Não me faças sofrer mais Sesshoumaru ou nunca mais poderei voltar para ti.

- Confia em mim Rin. A última coisa que eu quero é magoar-te.

- Já chega de pieguices. — resmungou Rin entre dentes, o que fez com que Sesshoumaru fizesse um pequeno sorriso. — Vamos lá embora.

A seguir desligou o telemóvel e cada um saiu para a rua, com o intuito de ir até ao escritório de Sesshoumaru.

Quando Rin lá chegou ele já lá estava, com uma senhora de cabelos curtos e escuros que ela já tinha visto antes mas que não se lembrava onde.

- Oi. Eu sou a Rin. — disse ela, ao aproximar-se.

- Oi, Rin. Esta é a Nuriko-sama. É a candidata para o lugar de secretária...

- Secretária?! Não era namorada?

- Namorada!? — rugiu Rin, virando-se para ele. — Que é isso de namorada? Era por isso que não querias vir ter comigo e por isso é que não querias que eu viesse.

- Rin, pára. Era isso que eu te queria explicar por telefone. Aliás, às duas. — dito isto, abriu a porta a elas e deu-lhes passagem. — Façam favor.

- Arigato.

- Bem, sente-se Nuriko. Fique à vontade. Rin, senta-te aqui ao meu lado. Vou explicar o seguinte: eu pus um anúncio no jornal a pedir uma nova secretária, porque a minha ex-secretária demitiu-se por motivos pessoais mas infelizmente, o jornal enganou-se e imprimiu duas versões uma correcta e outra errada que substitui a palavra \"secretária\" por \"namorada\". Só hoje é que eles conseguiram mudar o erro, mas agora já está tudo combinado e não serve de muito alterar.

- Então você não quer uma namorada? Ô.Ô

- Claro que não.

- Eu posso ser sua secretária, então? Eu prometo que não mordo... e que não o deixo morder-me... — acrescentou baixinho, para ninguém ouvir. De repente, Rin saltou da cadeira.

- Já sei de onde é que a conheço, Nuriko! Você é a personagem do anime Fushigi Yugi, que antigamente era um homem e se mascarou de mulher e começou a gostar de Hotohori, o imperador de Kounan e ao mesmo tempo da sacerdotisa Miaka. — disse Rin, olhando para cima — Lembro-me de ver este manda quando tinha onze anos, eu era tão inocente...

- Oh boa! — refilou Nuriko. — Já me estragou os planos.

- Nuriko não me diga que você é um homem!?

- Sou... sim...

- Um homem gay?

- Que mais haveria de ser? ~.~\'

- Bem... ano... muito obrigado pela sua audiência... se for aceite eu contacto-o... ups, quer dizer... eu contacto-a...

- Esqueça lá as delicadezas — Nuriko interrompeu-o. — Ambos sabemos que nem sequer se vai dar ao trabalho de me ligar. Uma boa tarde e fiquem lá com os vossos preconceitos enquanto eu vou voltar para o meu Hotohori... Uma viagem de tão longe para nada... E precisava tanto do dinheiro.

- Porque é que queria o dinheiro? — perguntou Rin, curiosa. — Ele não é imperador?

- Estamos a passar por uma crise, a Miaka afastou-se do reino e o Tamahome foi atrás dela. Estamos todos de relações cor... Eh, vocês não têm nada a ver com isso! Boa tarde. — e foi-se embora.

- Kami-sama! — disse Rin, desatando-se a rir.

- Só me calha malucos. — disse Sesshoumaru, olhando para a janela. — Pergunto-me se encontrarei a secretária que procuro.

- Sesshy, porque é que tu nunca te ris??

- Porque não sou desse género de pessoas. Fui educado para ser um homem forte e destemido e é isso que eu sou.

- Ahh... Deves ter sofrido muito quando o teu pai faleceu.

- Ele era muito duro para mim, fazia-me prestar provas quase impossíveis de realizar até para ele. Para o Inuyasha ele era sempre simpático e desde pequeno que me chamava egoísta, mau, traidor e fraco. Eu era o fraco e o Inuyasha era o irmão mais querido, carinhoso e lutador que ele conhecia.

- Mas o Inuyasha superava-te nas provas? O.o

- Não. O meu pai punha-me a fazer provas que nem sequer ele as conseguia superar e ao Inuyasha dizia-lhe para ele ter boas notas e para sempre que pudesse lutasse para vencer o mal. Só que na sua linguagem, eu era o mal.

- E a tua mãe?

-Ela morreu muito antes de eu a conhecer. Só conheci a mãe do Inuyasha que é literalmente a minha mãe adoptiva. Foi ela que cuidou de mim e que me fez ver que eu não era mau e que tinha direito a ser feliz e à alegria tanto como os outros mas apesar de tudo, eu nunca consegui fazer mais do que sorrir.

- Oh, Sesshoumaru... Tenho tanta pena...

- Não tenhas. Isso é o sentimento que me mete mais raiva, a pena... Mas agora mudando de assunto, vamos até ao café ou não?

- Claro.

- Mas... ups!

- O que foi?

- Esqueci-me do porta-moedas.

- SESSHOUMARU!

- Ai...

- EU NÃO TE VOU PAGAR A CONTA DE NOVO!

- De novo? Que ideia, só me pagaste uma... duas... três.. quatro vezes!

- E aquela vez no hospital?

- Era uma questão de ajuda, tinha um amigo muito doente.

- Um amigo doente? Tu nem o conhecias! x_x

- Ai, pronto está bem. Eu pago o jantar se isso te faz feliz.

- Jantar?

- Claro. São 18h15. Não pode ser lanchezinho...

- Já sei! E se fosses jantar lá a casa?

- Boa ideia...

- E convidava-se a Kagome, o Miroku, o Inuyasha, a...

- Rin, por favor. Só um dia a sós, pode ser? Depois de tantas coisas eu quero estar a sós contigo. — ela corou. Quando ia a falar, ele não a deixou continuar.

Abraçando-a pela cintura apenas com uma mão e rodeando-lhe o pescoço com a outra ele aproveitou a ocasião e beijou-a.

O beijo não foi muito prolongado mas sim doce e calmo e quando terminou, encostaram-se os dois à parede e, desejando-se um ao outro, beijaram-se com ardor. Os lábios deles pareciam travar uma batalha e estavam com uma intensidade desconhecida mas isso só mostrava que se amavam e que a única coisa que queriam era partilhar o momento mais importante da vida deles.


Notas finais
Espero que estejam a gostar!

A personagem "Nuriko" foi baseada no anime "Fushigi Yugi" e terá muito dos seus comportamentos, assim o espero, porque vi o anime há alguns meses atrás e já não me lembro muito da essência da personagem em si, mas vou fazer os possíveis.

Obrigada pelos comentários, sempre que possa eu retribuo. Então se houver alguma fic sobre o Inuyasha, sou logo a primeira a lê-la.

Arigato = obrigado/a