A Canção do Destino
2 Confusão de melodias
Notas iniciais
“Queria eu voltar ao tempo” pensei ao suspirar, abri novamente o livro e criei coragem para continuar a ler.
- Me solte!! – minha garganta ardia a cada grito, eu já estava tentando tirar as mãos e os lábios dele de mim, mas era como se ele não me ouvisse. – Você ta louco, eu disse pra me soltar! – eu continuava tentando, e ele começou a ultrapassar os limites... .
As mãos de Kaede desceram para minha camisa branca, ele desabotoava o botão de cima quando minha voz havia falhado e o pânico de ter um homem que eu mal conhecia me beijando e tomando a forca me fez paralisar, o único que tinha o direito de me ter era Yuki, o único que podia dar o meu primeiro beijo era Yuki, ele era o único que tinha o direito de me roubar.
Os pensamentos que eu tinha sobre Yuki fez com que toda minha desgraça caísse sob mim, um torpor na verdade, eu que jurei não chorar mais, já estava desbotado em lagrimas como uma “menininha assustada”. Kaede se deitou em beijos no meu pescoço e abandonou um Akira medroso na cama. “Ele finalmente parou?!” a duvida e o alivio me tomaram, mas o choque só passou depois de uns minutos.
- Desculpa. Eu ultrapassei os limites. – eu não o olhei com o terror de alguém prestes a ser abusado, mas como alguém que podia sair daquela cama e abraçar aquelas costas cheia de remorso. – Eu apenas fiquei com raiva, por você também amá-lo.
- Vo...você conhecia ele ?! – eu me sentei ao espanto e ainda de costa ele balançou a cabeça em um sim, eu temia essa resposta, mas talvez no fundo eu soubesse de toda história, um quebra cabeça de quinhentas pecas acabava de finalmente se formar.
“Eu e Kaede amávamos Yuki, Kaede sabia desde o começo o que meu vocalista tinha feito para mim, porque possivelmente ele tinha feito o mesmo à ele, agora o menino de costas para mim acabava de dizer que me ama e tentou algo comigo por vingança?! .” eu ate hoje não faco a minima ideia de como eu cheguei a essa conclusao, é como se eu sempre soubesse a resposta; meus pensamentos começavam a se organizar e de menina medrosa eu virei um menino furioso, levantei da cama com um pulo, a camisa ainda estava desbotada, mas agora eu pouco me importava com isso.
- Kaede. — eu o chamei para que ele se vira-se, agora minha voz era forte e a garganta que ardia nem se comparava com a dor que eu deixei no rosto dele quando se virou, um tapa, sim, um tapa forte e cheio da dor e angustia que eu passei nesses anos todos.
Com um rosto cheio de dúvidas ele escondia com a mão o rosto marcado com minha raiva, uma marca vermelha que se transformava em roxo, os olhos verdes cintilaram como se a dor fosse o bastante para chorar.
- Você mentiu para mim, disse que me amava, me agarrou a forca e vem me dizer que fez tudo isso por causa de uma vingança!? – eu gritava com ele como eu nunca havia gritado em toda minha vida, as lagrimas diferente de antes, agora eram de ódio. – Eu te odeio Kaede.
Eu deixei aquele quarto com um leão vingativo dentro de mim, o som da porta que eu bati com forca fez eco no corredor.
- Aquele idiota, eu o odeio, é tudo culpa dele. – proferia alto ao descer as escadas, agora ou so queria a minha casa, o meu quarto e a voz “dele”.
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O barulho do secador de cabelo já começava a fazer uma lavagem cerebral em mim, eu queria esquecer de tudo e o barulho era o meu melhor bloqueio, a música alta dele se explodiu em meio as emoções, “a justiça não faz do mundo algo melhor, o egoísmo é só um dos membros da corrupção e ser bom não adianta de nada” era um dos meus pensamentos egoístas que eu tinha... .
kkumilgeoya kkumilgeoya - Tem que ser um sonho, tem que ser um sonho
kkumilgeoya narul sokijima - Tem que ser um sonho, não me engane
naman honja namgyeojinkae seoreoweo - Tem sido triste desde que fui deixado sozinho.
Algo naquele trecho da música de Yuki me fez chorar, desde o sumiço dele as coisas tem sido uma pura depressão, talvez, eu deve-se dar um fim em tudo isso, talvez assim Yuki fosse voltar e ser feliz com Kaede, sim, todos ficaram felizes para sempre.
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A corda estava pronta. A cadeira bem posicionada. O seu cd estava do lado da carta suicida.- Não sei por que eu só pensei isso agora. Eu sou um idiota mesmo. – eu dizia rindo ironicamente de mim, a verdade era que eu estava com medo, as pernas que subiam a cadeira agora não eram tão confiantes como no começo desse plano suicida.
dashi taeonado neoman barae - Se eu renascer, tudo o que eu vou querer é você
dashi saranghaedo neoman barae - Se eu amar novamente, tudo o que eu vou querer é você
doraoolgeoya doraoolgeoya — Você vai voltar, você vai voltar
niga eobnun nanun eobseunikka - Eu não estou aqui se você não está.
Eu absorvi seus versos tomando forcas para subir ali e fazer com que todos seja feliz, talvez...
- nós nunca deveríamos ter nos conhecido. – eu sussurrei com desgosto ao colocar a corda em meu pescoço, quem diria que algo tão simples poderia ser tão importante e frágil.
E por algum motivo a única cena que eu levei comigo naquele momento foi a de nós dois ainda crianças desenhando, o tema era “Aquilo que é importante” e enquanto todas as crianças desenhavam brinquedos, família ou formas, eu e você desenhamos algo diferente. Eu fiz um menino com um cabeção e corpo de palito, parecia mais algum tipo de rabisco, pedi a você que me mostra-se o seu, mas você o escondeu, disse que ainda não era o momento certo de mostrar.
– Eu nunca vou saber o que ele desenhou... – agora eu já me preparava para chutar a cadeira, prendi com mais forca a cordão ao pescoço e em um rápido movimento eu chutei o objeto.
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Posso dizer que vi o paraíso, ou que vi o mundo inferior, com Ades e todo aquele fogo envolta, mas também posso dizer que ainda não era minha hora. Só uma coisa eu consigo afirma...,não é nada bom se enforcar.
- Akira, você viu o meu... – minha irmã mais velha (por aparência ela era mais nova) havia entrado no quarto em um momento, bem...., pouco apropriado. – Mas o que diabos você ta fazendo, enlouqueceu de vez!!? – ela gritava enquanto colocava a cadeira em baixo de mim para que meus pés encontrassem a firmeza.
Eu retirei a forca naquele momento, e passei mais de dois meses com minha família me dando sermão e me vigiando, é claro que o próximo passo deles era reconhecível, um psicólogo.
- Certamente você esta passando por problemas emocionais não resolvidos, pode me dizer quais esses problemas? – um cara barbudo em uma sala pouco agradável para alguém claustrofóbico como eu.
- Não interessa. – eu e meu gênio forte não iríamos ser nada bons em uma conversa chata como aquela, as paredes me amassavam na minha mente, como se o ambiente fechado me forçasse a falar. – É o seguinte doutor. – comecei encarando e ele pareceu curioso. – Eu sou gay, me declarei para o meu melhor amigo, ele sumiu e agora aparece um garoto igual a ele e me beija a forca dizendo que fez com raiva por amar meu amigo sumido também.
...
Claro que depois dessa ótima resposta o psicólogo ficou pasmo, e tudo que resultou foi em um diagnóstico de que eu devia dar o primeiro passo e conversar com Kaede, ou seja, não foi de muita ajuda.
...
Eu estava atrasado. Todos haviam saído para uma excursão na qual eu nem lembrava. Kaede e eu éramos os únicos na sala.- Oi – eu disse baixo, tentando não fitar a expressão dele, ele estava longe dali, observava pendurado na janela o ambiente que eu via antes dele aparecer, casais se abraçando e se beijando. – Eu queria...
- Quem sabe um dia. – suspirou Kaede como se falasse sozinho. – “Se te criticam não é porque você esta errado, mas porque somos diferentes”. Foi o que Yuki me disse uma vez.
- Eu também o amava. – eu tentava me aproximar dele com as palavras, mas ele simplesmente me ignorava.
- “Faca como os outros querem e você se sentira errado”. – ele se voltou a mim, os olhos penetrantes, como se observasse minha alma.
Eu me rendi completamente, parado em meio a sala de aula, observando Kaede que andava em minha direção e os raios de luz da janela o cobriam como asas, atrás de mim apenas a escuridão.
- “Ame alguém e essa pessoa se sentira amada”- ele pronunciava cantando a frase, dançando em volta da luz e atravessando o meu bloqueio escuro. — “Perdoe e você sentira que o mundo é menos critico.”
- Kaede, eu... – o dedo dele me silenciou e eu não fiz nada mais alem de observar.
- “Porém se apaixone e nada mais fará sentido, os críticos te elogiaram, os amantes te invejaram e tudo se torna...” – houve um estrondo na porta fazendo toda a cena se desfazer, mas continuávamos enfeitiçados, Kaede pareceu acordar do transe e uma fúria veio ao rosto rosado. – Mas que diabos, não sabe bater an...- quando ele se virou para a porta foi como se algo o tivesse paralisado, ele tinha a mesma expressão do Sr. Yamada quando o havia visto.
Eu me virei acompanhado os olhos espantados de Kaede, e tudo de um ano atrás voltou e revoltou no meu rosto, ou eu estava louco, ou imaginava coisas, ou só podia ser um fantasma frente a mim estendido na porta, mas tudo em mim o reconhecia como o ser perfeito que novamente manifestava toda a paixão que há poucos dias eu já havia esquecido.
Tada boku wa zutto aishiteta — Mas eu sempre te amei
Soredake tada soredake datta kedo — Era só isso, era simplesmente isso, mas
Boku ni wa sore shika nakattanda — para mim era a única coisa
Soshite ima mo kawarazu aishiteru - E assim, sem mudar, te amo até agora
- Yuki.
Notas finais
Obs.: não sou eu que conta a história, mas um dos personagens ~~Continue lendo e escrevendo reviews
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