A Cada Um e a Todos

5 Capítulo 5 - Senhora Grissom


Notas iniciais
Oi pessoal, tudo bem? Gostaria de agradecer pelos comentários e sugestões, isso é muito importante pra mim! Eu acho que esqueci de mencionar no início, mas esta fic na verdade é uma série de short fics sem ligação umas com as outras. A idéia era de contar minhas versões de como cada um descobriu sobre o romance proibido de Sara e Grissom. Em vez de postar várias shorts, pensei em colocar uma em cada capítulo. Desculpem se causei confusão! Espero que gostem do capítulo a seguir, pois foi feito com carinho. Aguardo seus comentários para continuar. Boa leitura :)

Grissom tomava banho para ir ao trabalho, enquanto Sara terminava de se arrumar no quarto. Ele cantarolava alguma coisa no chuveiro, arrancando sorrisos da namorada. Ela terminava de prender seu colete – iriam direto a campo – quando a campainha chamou a atenção.

Ela foi até a sala e olhou pelo olho mágico. Uma senhora de cabelos bem grisalhos com uma grande mala estava do lado de fora. Como não era ninguém do laboratório, Sara abriu a porta.

—-Pois não¿ --Ela perguntou educada.

A senhora olhou para ela e depois para o interior da casa, sem dizer nada. Mas quando seus olhares se encontraram novamente, a morena soube na hora de quem se tratava. Aqueles olhos azuis de Grissom deviam ser herança de sua mãe.

—-Honey, Catherine ligou e... –Grissom vinha falando pela casa. –Mãe!

Ele se adiantou para a porta, onde Sara apenas observava sem ação, e abraçou sua mãe, trazendo-a para dentro com sua mala.

—-Que surpresa! –Ele gesticulou em linguagem de sinais. –Por que não me avisou que viria¿

Betty Grissom gesticulou algo para o filho e aí que a morena entendeu a falta de respostas por parte da sogra: ela era surda!

—-Mamãe, quero te apresentar uma pessoa muito especial. –Gil disse enquanto gesticulava. –Essa é Sara Sidle, minha namorada.

A morena estendeu a mão para a mais velha, que apertou com firmeza e depois a puxou para um abraço. Gil sorriu para a cena, e cochichou no ouvido de Sara:

—-Ela lê lábios.

—-É um prazer te conhecer, Sra Grissom... –Sara disse mais confiante.

O toque insistente do celular da morena cortou a conversa. Ela sacou o telefone, era Catherine.

—-Eu chego num minuto. –Ela disse antes de desligar. –Um 417 em Handerson.

—-Vai na frente e depois eu invento uma desculpa pra Cath.

A morena assentiu, enquanto a sogra apenas observava a interação dos dois. Sara sorriu de lado para ele, que retribuiu, e pegou sua maleta. Se despediu de Betty, com a promessa que jantariam juntos para se conhecerem melhor e se foi.

Na sala, Grissom sorria abertamente com a visita de sua mãe.

—-Ela é bonita. –Betty assinalou.

Gil concordou com a cabeça, e continuou a falar com as mãos:

—-Ela é perfeita, mãe.



Naquela noite, Grissom conseguiu modificar a escala dos CSIs e pegou uma folga para si e para Sara. Por causa disso, o entomologista tirara a tarde para cozinhar, enquanto sua mãe auxiliava-o.

—-Por que não me disse que namorava? --Beth indagou gesticulando.

—-Digamos que poucas pessoas sabem. –Ele respondeu batendo uma massa. –Sara é minha subordinada e foi minha aluna. Teremos problemas quando meu chefe souber.

—-Não sou seu chefe. –Ela bronqueou. –Sou sua mãe e gosto de saber da sua vida, Gilbert.

Ele olhou-a em desculpas e despejou sua massa em uma fôrma.

—-Estão juntos há quanto tempo?

—-Um ano e meio. Mas nós já tivemos um relacionamento em São Francisco uns anos atrás.

Beth deu um tapa no balcão, indignada.

—-Não me diga que estão morando juntos! –Gesticulou brava.

—-Não podemos ainda, mas passamos um bom tempo aqui em casa, mãe.

Beth não parecia muito satisfeita com o relacionamento nada católico do filho.

O som da campainha chamou a atenção do CSI.

—-Ela chegou. –Griss disse pondo a massa no forno.

O homem foi até a porta, sendo observado de longe por sua mãe. Recebeu sua namorada com um sorriso e um beijo, e Beth acabou sorrindo da cozinha.

—-Eu nunca conheci uma sogra antes, Gil. --Sara sussurrou nervosa.

—-Querida, você pode até gritar que ela não vai te ouvir. --Ele também sussurrou, rindo dela. --Vamos, o jantar está quase pronto.

Após se cumprimentarem, sogra e nora se acomodaram na mesa e foram servidas de vinho por Grissom. Quando Beth começou a gesticular, ele parou para traduzir.

—-Minha mãe está brava por não ter contado nada.

Sara, sabendo que a senhora a sua frente lia lábios, disse com segurança:

—-E desde quando Gilbert fala alguma coisa espontaneamente?

A mais velha riu e perguntou:

—-Sua família já sabe?

—-Oh, não! Meu pai já faleceu e minha mãe não tem a saúde muito boa. --Ela quis poupar a sogra dos detalhes sórdidos. --Temos um relacionamento discreto. Trabalhamos juntos e acabamos quebrando algumas regra nos relacionando.

—-Gil me explicou. --Ela gesticulou. --O que importa é que o relacionamento seja saudável. Discrição é algo excelente. Quando conheci Arthur, também mantivemos segredo, pois meu pai era muito rigoroso. Ele precisou se aproximar aos poucos da família, até que recebeu a permissão dos meus pais. Mas eram outros tempos…

Ela bebericou um pouco de seu vinho antes de continuar:

—-Gostaria que Arthur estivesse aqui. Ele se foi muito jovem. --Disse com pesar. --Gilbert, apesar de não ter passado muitos anos com ele, tem sua personalidade. Esse jeito quieto, a seriedade e a inteligência. Arthur se orgulharia tanto de você, querido.

Grissom, que traduzia tudo que sua mãe falava, parou para receber um afago no rosto.

—-Vou pegar nosso jantar. --Disse ele, se levantando.

Grissom foi até a cozinha e voltou com uma travessa em cada mão. As colocou sobre a mesa com um sorriso orgulhoso e serviu as duas.

—-Sabe, Sara… Gilbert ficou sozinho por muitos anos. --Beth disse depois de um tempo. --Achei que ele acabaria como um solteirão.

Grissom fechou a cara e respondeu:

—-Não estou sozinho há tanto tempo, mamãe. Sara está na minha vida há muitos anos…

—-Ele quem demorou demais para aceitar seus sentimentos. --Sara completou sorrindo.

—-Vejo um brilho no olhar de vocês. --Beth continuou. --Desejo que vocês tenham uma vida de muito amor e companheirismo, assim como tive com Arthur.

Grissom sorriu para sua mãe e segurou a mão de Sara por baixo da mesa. Se dependesse dele, a felicidade reinaria naquela casa para sempre.

Depois do jantar, Grissom acomodou sua mãe no quarto de hóspedes e se deitou com Sara em seu quarto com a televisão ligada. Ele procurava algum filme quando Sara perguntou timidamente:

—-Será que sua mãe gostou de mim?

Grissom sorriu de lado.

—-Esta é a primeira vez que vejo você insegura, querida. --Observou. --Fique tranquila, ela é um pouco reservada e exigente, mas tenho certeza que gostou de você.

—-Você se parece com ela. Exigente, meticuloso...

Grissom ergueu uma sobrancelha e se aproximou dela.

—-Então eu sou exigente, senhorita Sidle? --Seus corpos estavam colados.

—-Não me provoque, Gilbert. --Ela retrucou sussurrando. --Hoje não podemos. Vamos acordar sua mãe.

Grissom gargalhou alto e Sara bateu na própria testa.

—-Droga, Gil! --Ela riu enquanto ele a beijava profundamente.

O pijama de Grissom foi jogado no chão, juntamente com a camisola de Sara. O calor emanava daquele quarto, até que foram interrompidos por um toque de celular.

—-Quem está te ligando…? --Sara disse entredentes.

Grissom sorriu maliciosamente e disse:

—-É o seu, honey.

Sara fez menção de pegar o celular, mas ele a prendeu em seus braços, beijando sua nuca.

—-Gil… --Ela tentou se levantar. --Eu estou de plantão…

Ele respondeu apertando-a mais em seu abraço.

—-Pode ser do labo… --O restante da frase foi sufocada por um beijo.

—-Deixe pra lá. --Ele a olhou nos olhos. --Eu sou seu chefe e te dei folga hoje. Se não obedecer, posso ser muito duro com você.

Sara arregalou os olhos e tomou seus lábios em um beijo profundo. Enquanto eles se amavam, o celular tocava insistentemente jogado no chão e eles mal podiam ver o nome “Catherine” piscando. Os dois CSIs podiam até estar de folga naquela noite, mas definitivamente não iriam descansar.