A Caçadora - A Supremacia

11 Irreconhecível - £


Notas iniciais
Desculpem pela demora... Prometo que nunca mais acontecerá!!! hahhahahahhah Beijooos e espero que gostem, Ju!

Me apoiei na parede, sentindo meu estômago se apertar. Não por causa da bebida, mas porque eu não estava preparada psicologicamente para encontra-lo.

Claire disse alguma coisa enquanto dançava com um cara que ela nem ao menos conhecia, e parecia um tanto quanto preocupada.

– Já volto. – sibilei sem som e não esperando uma resposta. Claire com certeza ficaria se agarrando com o carinha, e não teria nem tempo para pensar em mim.

Passei pelo bar antes de sair pela lateral da boate, levando o copo de bebido comigo. Eu precisava sair dali. Estava muito abafado e o fato de tê-lo visto não ajudava muito. Eu não conseguia respirar.

Ar! Preciso de ar!

Acotovelando algumas pessoas que se embolavam em danças diferentes, alcancei a porta e abri, sentindo a lufada de ar gelado me engolfar completamente.

Me apoiei na parede de tijolos do que parecia ser um beco estreito e mal iluminado, com certo odor de lixo ao fundo. A porta atrás de mim se fechou e eu não me importei. O celular que estava em minha mão vibrou e, antes mesmo de olhar, já sabia de quem era.

“Lena, não se preocupe comigo. Pode ir embora e eu me viro. As chaves estão com o manobrista! Te amo! Ps: O carinha não é lindo de morrer?”

Revirei os olhos enquanto tomava meu copo de bebida e jogava em qualquer canto.

Claire era tão previsível quando se tratava de homens.

Estremeci quando senti a neve tocar meus ombros desnudos e me amaldiçoei por não ter trazido um casaco. Mas lá dentro estava tão quente que se estivesse de biquíni ainda estaria com calor.

Fiquei ereta, arrumando os cabelos, e senti a pele arrepiar com algo que não era frio. Tateei em vão em busca de minha arma, somente para me lembrar de que não tinha a trazido. Claire tinha me dito: Nada de armas! Hoje é noite das meninas, e não de trabalho!

E eu tinha caído.

Merda.

Ouvi um barulho de algo rastejando no chão recoberto pela neve e estremeci novamente. Um rugido de leve e mais arrepios vieram à tona.

Se fosse um espérer a me atacar, pelo menos eu conseguiria o derrubar e sair correndo. Agora, se fosse um demônio, ou qualquer outra coisa, então eu estaria com sérios problemas.

Uma lixeira caiu atrás de mim e eu me virei rapidamente. Tão rapidamente que foi possível ouvir meu pescoço estalar. Não era nada. Um gato correu na direção oposta à que eu estava e tive que agradecer mentalmente por aquilo.

Gatos não rugem, uma voz insistente ecoou em minha cabeça e eu a ignorei.

Meu coração batia alto no peito e tudo o que eu queria fazer era suspirar aliviada por ter sido um gato. Mas algo me alertava que não tinha acabado. Não ainda.

Merda, merda, merda...

Me virei para sair daquele beco, uma vez que a sensação de estar sendo observada não me agradava, e bati de frente com o corpo de um homem alto e musculoso. Minha mandíbula permaneceu trancada para que eu não pudesse proferir os vários palavrões grudados em minha cabeça, prontos para sair.

Ele deu alguns passos para frente, sem dizer nada, me obrigando a andar para trás até minhas costas encostarem a parede que antes estava apoiada. Fiz uma careta por causa do gelado e ele sorriu maliciosamente.

– Você parece tão apetitosa. – era possível ouvir a conotação sexual nessa frase, e fez com que meu rosto pegasse fogo.

Engoli seco.

– Seu sangue tem um cheiro maravilhoso.

E foi aí que eu percebi: Kaus não estava falando sobre fazer sexo comigo, e sim sobre sugar o meu sangue. Meu sangue!

– Prometo que serei rápido, ok? Não vai doer nada. – sua voz aveludada quase fez com que eu me entregasse.

Ele olhou em meus olhos profundamente e beijou minha clavícula, carinhosamente. Me perguntei se ele fazia isso com todas as outras vítimas. Se ele teria feito isso com Meena. E meu estômago se revirou ainda mais.

Seus beijos subiram para meu pescoço e ele mordiscou o lóbulo de minha orelha. Inclinei minha cabeça para o lado, facilitando seu acesso à base de meu pescoço.

Meu subconsciente berravaA, ALERTA! SINAL VERMELHO! PARE JÁ AÍ! ISSO É UMA FURADA, HELENA!

Mas eu não conseguia raciocinar direito com seus lábios em minha pele fervente.

Eu não queria parar.

Continue beijando meu pescoço.

Kaus recuou um pouco e eu pensei que ele viesse me beijar de vez, quando mirou em meu pescoço, abrindo a boca. Seu rosto transfigurado no monstro que eu nunca tinha visto. Aquele não era meu Kaus.

Meu Kaus não faria isso.

Por que ele não está me reconhecendo?

E foi quando meu grito se sobrepôs ao quase silêncio que se instalara no beco.

– Kaus! Não!

Ele travou no meio do caminho.

Eu conseguia ouvir minha respiração ruidosa e o coração batendo rápido demais. Seus dentes raspavam em meu pescoço e não pareciam predispostos a se retrair tão cedo.

Quis chorar, e engoli essa vontade, prendendo-a. Não choraria mais por coisas idiotas.

Chorar porque o irmão de seu falecido noivo tentou te morder me parecia uma coisa idiota.

– Merda, Kaus! O que deu em você? Não está me reconhecendo? – berrei o empurrando, fazendo-o cambalear alguns passos para trás.

Ele se recompôs tão rápido quanto desmoronou, e apoiou os braços em minha cintura, prendendo-me na parede com seu próprio corpo.

Suas mãos traçaram o desenho de minha cintura.

Muito perto.

– E como é que eu poderia me esquecer dessas curvas?

Seu nariz raspou na lateral de meu rosto e eu arfei.

Perto demais para meu gosto.

– Você é uma das garotas de Iker, certo?

Minha mente deu um estalo. Iker era um cafetão para demônios. Ele achava que eu era uma das meninas dele?

– Realmente está me confundindo com uma prostituta de sangue, Kaus?

Ele se afastou, quase como se estivesse na defensiva.

Eu também estaria.

– Você não é Felícia?

Acendi a tela do telefone e mirei para minha cara.

– Pareço com alguma Felícia, por acaso?

Ele riu, parecendo que eu tivesse contado a maior piada do século. E o que disse depois me fez querer lhe dar a maior surra.

– Na verdade, parece um pouco, sim.

E eu teria o machucado de verdade... Se Kaus não tivesse pegado meus punhos no segundo que eu tentei dar meus primeiros socos e me girado até que eu ficasse com as costas coladas em seu abdômen duro como pedra.

– Não fique brava. Podemos descobrir quem você é tomando um café.

Ele não se lembra de mim.

Minha cara de infelicidade depois que ele me soltou, só o fez rir mais ainda.

– Estou tentando lembrar de você...

– Helena. – terminei.

– Helena. – ele afirmou. Sua voz tremeu, como se ele tivesse incerteza de suas próprias palavras.

Um silêncio se instalou por alguns minutos. O frio cortante me atingiria de uma maneira devastadora se eu não entrasse de novo na boate. Tentei abrir a porta que tinha saído e ela nem ao menos se moveu.

– Ela tranca quando é fechada. Ou acha que seria tão fácil para entrar?

Praguejei baixinho e me arrepiei quando o ar gelado bateu contra meu corpo, esvoaçando meus cabelos.

– Vamos logo se não vai congelar aí.

Kaus esticou para mim seu blazer preto e eu fui incapaz de sorrir. Não por ser antipática, mas pelo choque. Seu suéter escuro. Ele estava vestido para uma reunião com pessoas importantes e não para ir a uma boate. E certamente não para morder pessoas em becos ao lado de boates.

– Pensei que você não fosse oferecer o casaco.

Ele deu de ombros.

– Ainda tenho que descobrir como conheço você. Deixá-la congelar não era a melhor opção. – Kaus me olhou com algo cintilando no fundo dos olhos, mas antes que eu pudesse descobrir o que era, ela já tinha virado o rosto.

Notas finais
Continua?