A Bússola

8 Capítulo O7 – Hey, idiot.


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Toronto, ON, Canadá.

Assim que chegamos em Toronto, fomos direto para o hotel. Durante a tarde, procurei Justin em seu quarto, mas ele não estava lá. Fiquei o dia todo em meu quarto, conversando pelo twitter com as minhas amigas e minhas fãs. Algumas me diziam 'Você deveria namorar o Justin' e outras, que obviamente eram fãs do Justin que não gostavam de mim, falavam 'Fique longe do meu Justin, sua vadia. Ele é meu.'

Mas eu ignorava as críticas e tentava agradecer por todo carinho que as fãs estavam enviando. De noite, fui até o quarto de Justin para conversar com ele, que tinha acabado de chegar. Percebi que seus olhos estavam vermelhos e sua voz, rouca. Toda vez que ele falava, eu também percebia um bafo terrível. Cheiro de maconha.

– Justin, está tudo bem com você? Seus olhos estão vermelhos e sua voz está rouca. – falei.

– Sabrina, isso não é da sua conta. – ele falou, irritado. – Por que você não cuida da sua vida e me deixa em paz?

Abri a porta de seu quarto e saí. Justin era um idiota, eu tinha que admitir. Mas eu tinha fortes suspeitas de que ele estava usando drogas. Eu queria apenas ajudá-lo, mas já que ele não queria que eu me metesse em sua vida, eu não poderia fazer nada além de lamentar por ele e seu futuro.

No outro dia, Justin veio falar comigo:

– Desculpe-me por ontem. Eu não queria ser grosso com você, mas você sabe porque eu estava daquele jeito.

– Sei. Mas Justin, você tem que parar com isso.

– Eu sei. Já tentei muitas vezes, mas o vício é mais forte que eu.

– Você já idiota normalmente, daquela forma você é dez mil vezes mais idiota. – falei e nós rimos.

Para "recompensar" o que tinha feito na outra noite, Justin ficou o dia inteiro comigo. Contou piadas idiotas, falou muita merda, enfim, coisas que ele fazia todos os dias. Entrei em meu twitter para falar com minhas fãs, Justin viu algumas mensagens ofensivas que me mandavam porque achavam que eu era sua namorada, e ficou chateado com isso.

– Justin, calma, eu não estou magoada com elas.

– Mas eu estou. Não com todas, mas com algumas delas, elas não podem te ofender desse jeito. – falou.

Pegou o iPad que estava na minha mão e entrou em seu twitter.

"@justinbieber: chateado com algumas coisas que minhas beliebers fizeram."

E depois:

"@justinbieber: parem com o ódio pela Sabrina, ela mereceçe ser respeitada. e não, ela não é minha namorada."

Ele saiu do twitter e depois foi para o seu quarto se arrumar para o show. Fui me arrumar também e Justin passou no meu quarto para irmos juntos para o estádio.

Quando chegamos lá, passamos o som e já era a hora do meu show. Comecei o show e eles sabiam cantar quase todas as músicas. Assim que terminei, faltavam 10 minutos para Justin entrar no palco. Assisti todo o seu show no canto do palco, cantando baixinho suas músicas.

Quando ele olhava para o lado, sorria para mim. Assim que seu show acabou, Justin conheceu as garotas do meet&greet e eu fiquei no jantar com as garotas que tinham comprado os ingressos 'Bieber Ultimate Experience'. Tirei fotos com elas e assim que Justin terminou de conhecer as outras garotas, fomos embora. Cheguei no meu quarto no hotel e fui dormir, exausta.

No outro dia, fui acordada por Kenny, me ligando para avisar que era pra eu ir me arrumar para viajar. Tomei um banho e vesti-me, depois desci para tomar café. Não havia ninguém que eu conhecesse lá, mas algumas garotas vieram tirar fotos comigo. Elas disseram que tinham ido no show do Justin no dia anterior, falaram que eram muito fãs dele e perguntou se eu não conseguiria dar um jeito de fazê-las conhecê-lo.

Eu falei que iria falar com ele e que era para elas ficarem lá que eu já estava voltando. Bati no quarto de Justin e ele veio abrir a porta. Usava apenas uma cueca box preta.

– Bom dia. – falou.

– Bom dia. Justin, tem umas garotas lá embaixo e elas querem te conhecer. Você pode ir lá falar com elas?

– Logo essa hora da manhã? Mas que saco hein! – resmungou. – Estou ocupado agora.

– Que mal humor Justin. – falei. – A culpa não é delas se você não consegue se livrar daquilo. Dá pra você pelo menos autografar alguma coisa para elas? São apenas dois autógrafos.

Abriu uma mala, pegou dois cds seus e autografou-os. Desci e entreguei para elas, dizendo:

– Desculpem garotas, Justin está ocupado agora, mas ele mandou isso para vocês.

– Obrigada Sabrina, você é incrível. – falaram, abraçando-me.

Chicago, IL, Estados Unidos.

Quando chegamos no aeroporto de Chicago, eu queria parar para falar com duas fãs minhas que me esperavam. Mas já que Justin não queria falar com as dezenas de fãs que o esperavam, tivemos que ir direto para o carro.

Assim que chegamos no hotel, deitei-me para descansar um pouco, mas sem dormir. Escutei batidas em minha porta. Abri-a e vi Kenny, que sorria para mim. Falei para ele entrar. Sentou-se no sofá e começamos a conversar.

Ficamos conversando por muito tempo, depois ele disse que tinha que ajudar os outros com algo do show dessa noite e saiu. Tomei um banho e vesti — me para ir para o estádio. Passei no quarto de Justin para irmos juntos, mas ele não estava mais lá.

Um motorista estava me esperando na porta do hotel. Entrei no carro e fomos em direção ao local do show. Assim que cheguei lá, vi Justin ensaiando alguns passos de dança. Aqueci a minha voz junto com a minha treinadora vocal e fui para o meu camarim me arrumar.

Quando fiquei pronta, já estava na hora do meu show. Haviam menos pessoas do que em Toronto, mas pareciam todos mais animados. Sabiam cantar todas as minhas músicas e alguns até seguravam cartazes com o meu nome. Sorri com aquilo. Era bom saber que nem todas as fãs de Justin me odiavam. Quando terminei meu show, foi a hora de Justin subir no palco.

Assim que seu show terminou, ele foi conhecer as garotas do meet&greet. Fiquei no jantar junto com as outras fãs que não iriam conhecer ele. Tirei fotos com elas. Uma delas me xingou de coisas horríveis na minha frente. Aquilo me magoou muito, saí dali e fui para o carro, já chorando.

Fui direto para o hotel. Entrei no meu quarto e tranquei a porta. Fiquei deitada na cama, ainda chorava um pouco. Escutei batidas na porta. Sequei minhas lágrimas e fui abrir a porta. Justin entrou no meu quarto e sentou no sofá.

– Por que você foi embora sozinha? – perguntou.

– Nada, eu só estava cansada.

– Eu sei que você está mentindo, seus olhos estão vermelhos. Por que você estava chorando?

– Não é nada, Justin. – falei.

– Claro que é. Foi alguma coisa que minhas fãs disseram?

– Não.

Ele olhou no fundo dos meus olhos e percebeu que estava mentindo.

– Eu sei que foi isso. O que elas te disseram? – falou.

– Foi só uma delas. – então eu contei para ele o que ela havia dito.

– Por favor, não ligue para o que ela disse. Você sabe que não é isso e eu também sei disso. Eu gosto de você e você é a única que sabe do meu maior segredo. – ele disse, se levantou do sofá e me abraçou.

Como ele era um pouco mais alto que eu, abaixou a cabeça e ficou olhando nos meus olhos. Soltou-me e continuou olhando nos meus olhos. Aproximou-se de mim e nossos lábios se encontraram. Foi um beijo calmo. Encerrei o beijo com selinhos. Sentei-me em meu sofá e ele disse:

– Boa noite, durma bem. – e saiu do quarto.

Tranquei a porta e fui dormir. No outro dia, acordei cedo, tomei café e minha professora chegou para me dar aula. Só paramos na hora do almoço, quando fomos almoçar todos juntos. Justin não falou nem oi para mim. Ele estava me ignorando por causa do que havia acontecido ontem. Mas eu não queria perder o meu amigo. Por mais que ele tivesse alguns problemas, eu sabia que podia contar com ele e não queria perder a amizade dele.

Assim que terminamos de almoçar, chamei-o para conversar.

– E então? – perguntou depois de eu ficar um bom tempo em silêncio olhando para ele.

– Eu não quero perder a sua amizade. O que aconteceu ontem foi errado, mas você não pode apenas me ignorar. Não quero ter que viajar com você sem que você queira olhar pra mim. – falei.

– Você é muito importante pra mim. – falou, abraçando-me.

Depois, Justin saiu e eu fui para meu quarto descansar. Quando escuto batidas na porta, abro-a e Seth estava na porta.

– Vamos Sabrina, se arrume pois em uma hora nós temos uma entrevista para você. – falou e saiu dali.

Fechei a porta e fui direto tomar banho. Coloquei essa roupa e desci. O carro estava na frente do hotel, o motorista esperava por mim. Entrei e vi que Seth já estava dentro do carro. Fomos conversando até chegar à rádio. Assim que chegamos lá, várias pessoas vieram nos receber e então começamos a entrevista.

Quando terminamos, eu voltei para o hotel para dormir um pouco, pois no outro dia iria viajar. Escuto baterem na porta e logo acordo. Vejo as horas: 20h. Quando abro a porta, vejo Justin, com os olhos vermelhos e tossindo bastante.

– Oi, você é muito gata, quer ir pro meu quarto comigo? – falou assim que conseguiu parar de tossir. Percebi que ele também estava bêbado.

– Não.

– É claro que quer. – falou e me puxou para si.

– Sai daqui. – saí de seus braços.

– Você não quer só por que eu não vou te pagar, não é verdade? Você é uma puta que exige que te paguem bem, não é? Esquece, tem outras por aí que não cobram. – ele falou e saiu de meu quarto.

– Idiota, ridículo, eu te odeio. – falei batendo a porta.

Joguei-me em minha cama, estava com muito ódio de Justin. Dava socos em meu travesseiro e segurava para não gritar. Quando minha raiva havia passado um pouco, eu acabei dormindo. No outro dia, acordei cedo para estudar. Assim que terminei, fui almoçar. Justin estava sentado à mesa e assim que me viu levantou-se para me abraçar. Antes que ele pudesse fazer isso, sussurrei:

– Não toca em mim.

Sentei-me e fiquei calada até o fim do almoço. Assim que terminei, voltei para o hotel e fui para meu quarto. Escutei batidas na porta, olhei pela fresta e vi que era Justin. Fingi que não estava no quarto mas então ele disse:

– Vamos Sabrina, abre essa porta, eu sei que você está aí.
Ignorei-o.

– Por favor Sabrina.

– Dá pra me deixar em paz, Justin? Eu não quero falar com você.

– Então tchau. – falou e escutei seus passos se afastando dali.

Fiquei no meu quarto e quando eram 16h, tomei um banho e me arrumei para viajar. Entrei no carro e fui para o aeroporto, onde todos estavam me esperando. Seth pediu para que eu me sentasse ao lado de Justin, mas eu fiquei ao lado de Kenny. Fui conversando com ele a viagem inteira.

Madison, WI.

Justin narrando.

Assim que chegamos em Madison, fomos jantar. Depois de comer muito, fomos todos para o hotel. Eu queria muito falar com Sabrina e descobrir porque ela estava com raiva de mim, mas meu orgulho falava mais forte. Se ela quisesse falar comigo, ela que me procurasse. Decidi sair pelas ruas da cidade, procurando companhia para fumar e beber comigo.

Encontrei três amigos, que fumavam sentados em uma calçada. Eram dois homens e uma mulher. Fui até eles e chamei-os para beber comigo. Eles ficaram meio pasmos, pois me reconheceram. No final, acabaram aceitando e entramos em um táxi. Seus nomes eram Paul, Jessie e Brendon. Fomos para uma boate e começamos a beber e fumar.

Logo, encontramos algumas outras pessoas que estavam vendendo drogas e eu comprei, para garantir que tivesse para outros dias. No meio da madrugada, Jessie veio até mim e começou a me beijar.

– Me leva pro quarto, Bieber. – falou.

E fiz o que ela pediu. Levei-a para um quarto que havia no andar de cima da boate e continuamos a nos beijar. Foi uma coisa muito rápida e ela gemia muito. Enquanto vestíamos nossas roupas, ela disse:

– Cantar não é a única coisa que você faz bem. Toma, liga pra gente quando estiver na cidade e quiser descansar dessa vida de cantor. – e colocou um papel enrolado no bolso de minha calça.

Deu-me um selinho e saiu do quarto. Assim que terminei de vestir-me, saí do quarto também, voltando para a boate. Despedi-me de Paul e Brendon e tomei um táxi para o hotel. Tentei disfarçar que não estava embriagado, e teria conseguido se não tivesse caído na porta do hotel. Levantei-me depressa e fui para o meu quarto.

Vi que meus olhos estavam vermelhos e eu estava completamente bêbado. Deitei-me na cama e adormeci em alguns segundos.

Sabrina narrando.

Eu vi Justin chegando no hotel, e sabia o que ele havia feito de noite. Durante o café da manhã, fiquei encarando-o. Quando terminei de comer, fui estudar com a minha professora. Quando terminamos, fui falar com Justin em seu quarto:

– Bieber, eu sei o que você fez ontem à noite. E você está estragando sua vida. Veja tudo que conquistou até hoje e você vai perder tudo se não parar com isso. Eu sei que eu não tenho mais nada a ver com isso, nem sou mais sua amiga..

– Claro que é minha amiga. – falou, beijando-me.

– Me solta. – falei, parando o beijo. – Não encoste nunca mais essa boca suja e nojenta na minha. Eu só vim aqui porque as suas fãs não merecem ter como ídolo um idiota como você. Elas são tão incríveis e você é tão, estúpido.

– E você estava preocupada comigo.

– Não! – exclamei.

– Claro que estava. – falou, sorrindo.

– Você é surdo ou o que? Eu já disse que não me importo com você. Tanto faz o que vai acontecer com você.

– Você se importa. – sorriu e me deu um selinho.

Ouviu-se apenas um barulho alto, eu havia dado um tapa na cara de Justin.

– Não encoste nunca mais em mim. – falei e bati a porta.

Voltei para o meu quarto, vermelha de raiva. O idiota do Justin achava que eu me importava com ele, coitado. Eu nunca iria me preocupar por um garoto idiota como ele, ridículo, nojento, feio. As fãs dele deixariam de ser fãs se conhecessem ele. Justin é um idiota metido e só isso. Não significa nada pra mim.

Vesti — me e resolvi sair. Quando o elevador estava se fechando, vi alguém apertar o botão e ele se abrir novamente. Era Justin, que havia corrido para alcançar o elevador a tempo.

– E então, pra onde está indo? – perguntei.

– Pra perto de você. – falou, aproximando-se.

– Cai fora Justin. – falei.

Ele ficou um tempo em silêncio. O elevador começou a descer. Abriu a boca para falar algo, mas não saiu som algum. Parecia meio inseguro.


– Olha, não tem problema se você se importa comigo, porque eu me importo muito com você. Importo-me em saber se você está bem, se alguém te machucou... Eu me importo demais. – falou. Aproximei-me dele e então nos beijamos. Só paramos de nos beijar quando vimos que o elevador tinha parado e que as portas iriam abrir. O térreo estava bem vazio, havia apenas o recepcionista atrás do balcão e duas pessoas sentadas nos sofás.

– E então, está indo para onde? – perguntou-me.
– Eu não sei.
– Então vamos comigo.
– Você não vai me levar pra...? – falei.
– Claro que não. Eu não quero que você vire uma viciada, me importo demais com você.

Entramos no carro e fomos para uma praça. Ficamos bastante tempo conversando, Justin sempre me fazia rir com suas piadas idiotas. Desse jeito ele era tão mais legal do que quando estava bêbado e drogado. Quando bebia, ele ficava grosso, nervoso, enfim, não era legal. Eu gostava de Justin desse jeito que ele estava agora, idiota, engraçado e bobo. Esse era o meu Justin, o meu amigo.