Às vezes eu acho que o destino gosta de me pregar peças. Acho que ele adora ver a minha cara de boba quando tudo começa a dar errado, quando tudo que construo começa a ruir ao meu redor ou ,até mesmo, quando eu estou à beira da morte.

É provável que o destino seja um grande idiota que está apenas curtindo com a minha cara, mas não. Tudo que houve até hoje é culpa minha. Todos os fatos ocorridos na minha infância culminaram no que sou hoje: fria.

Eu acho que não seja necessariamente minha culpa. Creio que teve vezes que o destino tentou me dar uma chance, mas fui cega e não as aproveitei.

Teria sido mais fácil com uma família bem estruturada ao meu lado. Eu fui criada por minhas irmãs mais velhas e meu tutor. A falta de pais sempre me afetou, ainda mais a mim, a pequena ruiva, que aos cinco anos já conhecia a dor da perda precoce.

Mas eu nunca saberei como tudo terei sido se todos que se foram estivessem comigo. Por um lado, isso foi algo bom para minha vida. Ensinou-me a ser forte, a sobreviver por minha conta. Por outro, foi tão horrível. Eu acabei sozinha entre estranhos que só diziam que sentiam muito, mas não faziam nada para me ajudar. E foi assim que eu descobri que a vida não é justa. Ela nunca é. A vida é feita para se machucar e depois seguir em frente, ela te ensina a ser forte e a não ligar para as coisas ruins, elas acontecem com todos. Pessoas morrem todos os dias, mas nossos corações permanecem na lembrança de quando esses entes queridos estavam entre nós.