A Bela e as Bestas
13 Clary Marshall
Notas iniciais
P.O.V. Clary.
Eu nunca senti como se estivesse completa, até agora. Sempre me senti deslocada, incompleta, como se a minha vida não fosse minha.
Com o tempo, eu fui descobrindo que podia fazer coisas que os outros não podiam. Mas, acho que o estopim foi quando descobri que podia ver coisas que os outros não viam.
—Amor, temos que conversar.
—Pode ser depois?
—Não Clary. Não pode.
—O Simon está me esperando.
—Que ele espere. Senta ai Clarissa.
Eita, vem bronca por ai.
—Eu não sei o que acha que eu fiz, mas eu não fiz.
—Clary, você não é Clarissa Marshall. Você é Clarissa Cullen Petrova Mikaelson.
—Sou adotada?
—Não. Você, minha doce garotinha. É uma bruxa Petrova/Mikaelson com uma mãe doppelgganger e um pai Original.
—Mãe, bruxas não existem.
—Existem. Você e eu minha filha somos bruxas, servas da natureza.
—Está parecendo com o padrinho.
—O seu padrinho é quem ele diz que ele é.
—Qual é mãe?
—Falo sério Clary.
—Vou ver a banda do Simon tocar e volto quando você estiver normal.
—Tenha cuidado. A proteção está acabando.
Fomos ao show e depois eu fiz grafite na van do Simon.
—Minha mãe tá super protetora ultimamente. Ela fica falando de bruxas e Originais e anjos.
—Se lembra quando a Rainha Alien tentou defender seus ovos da Ripley?
—E quem a minha mãe seria?
—As duas.
—É.
—Descobre os podres dos parentes.
—Eu só vejo meu pai por Skype. E o meu padrinho tem uma boate em Los Angeles e acho que é o Satã.
—Credo.
—Eu sei. Vocês se apresentaram hoje como Enema Champanhe?
—Não. Rock Solid Panda.
—Rock Solid Panda saindo.
Eu terminei e tinha um símbolo lá.
—Que língua é essa Clary?
—Parece sanscrito.
Eu falei meio sem pensar:
—É enoquiano.
Um idiota trombou em mim.
—Ai, olha por onde anda tá?
—Consegue me ver?
Perguntou ele... chocado.
—É claro, eu não sou cega eu tenho olhos. Mas, você obviamente não me viu.
—Você tem a visão!
—O que?
—Como eu não conheço você?
—Por acaso essa cantada já funcionou alguma vez?
Ouvi alguém gritar:
—Jace!
E ele saiu correndo pra dentro da boate.
—Vocês acreditam naquele cara loiro?
—Você quer dizer o cara imaginário com quem você tava falando.
—Não. O cara cheio de tatuagens que está entrando na boate!
—Não tem ninguém lá Clary.
—Nossa! To me sentindo uma louca.
—Pare de agir como uma.
—Eu vou lá dentro.
—O que? Pra que?
—Obter respostas.
Dei um jeito de passar para a área VIP.
—Tem alguém malhando. Adorei suas lentes.
O loiro tava lá e ele ia esfaquear uma mulher.
—Cuidado!
Empurrei a moça, mas ai uns tentáculos horrorosos saíram do rosto da mulher.
—Cuidado.
O loiro me empurrou. No meio da confusão eu peguei uma das lâminas brilhantes e retráteis e acidente esfaqueei alguém e a pessoa explodiu!
Do nada, agarraram uma das moças.
—Não!
Então, eu fiz um arco de fogo e acertei no cara.
—Puta merda!
Eu sai correndo de lá. Mas, fui interceptada.
—Vem comigo.
—Quem é você?
—Sou amigo da sua mãe.
P.O.V. Jace.
Fogo de bruxa?! Uma bruxa que tem a visão?
Cheguei bem a tempo de ver Magnus Bane arrastar a garota que parecia estar em pânico e enfiá-la dentro de um carro. E sair dirigindo.
—O que foi aquilo?
—Eu não sei.
Segui-os até um apartamento no Brooklyn e pude ouvir a conversa através da minha runa de audição.
—Mãe, acho que eu to ficando louca.
—Amor, você não está louca. Eu tinha medo dessa conversa, desde o dia em que você nasceu.
—O que? Pai?
—Oi Clary.
—Pensei que tava morto.
—Já estou á séculos.
—O que?!
—Clary, eu sou um vampiro. Um vampiro Original.
—E você é uma bruxa?
—Por parte de mãe.
—E o tio Lúcifer é mesmo o Satã?
—Sim. Eu te amo Clary. Todos os erros que cometi, foi para te manter segura querida. Você é uma bruxa Petrova/Mikaelson com uma mãe Doppelgganger, o sangue do arcanjo mais poderoso e um pai Original. Clary, é de você que essa gente tá atrás. Porque você minha querida filha é aquela que pode unificar todas as facções e isso vai contra tudo o que eles acreditam.
—Eles? Eles quem?
—O Ciclo. A Clave. Os Shadowhunters. Agora Dot! Abre.
—O que tá acontecendo?
—Eles nos acharam.
—Quem?
—O Ciclo, a Clave. Deixei uma pessoa muito poderosa com raiva. Roubei uma coisa dela.
—Não devíamos chamar a polícia?
—O policial que tem que chamar é o Luke. Eu te amo querida, confie nos seus instintos e seja sempre você mesma não importa o que.
—Mamãe?
—Abre Dorotéia!
—Mamãe!
Os membros do Ciclo atacaram a casa.
—Não vou deixar rastrearem ela.
Ouvi a mulher recitar um feitiço. Feitiço de bruxa.
—Phesmathos Incendea.
Vi uma pessoa atravessar a janela e cair.
—Dot!
—Isso tudo pode acabar se entregar o cálice mortal.
O Cálice?!
—Nunca.
Brandir de lâminas e gritos e não saiu nenhum membro do ciclo de lá.
—Ness! Ness, responda. Que droga.
O homem de terno saiu carregando uma mulher inconsciente.
Eu fui para a delegacia, mas a garota não estava mais lá. Quando cheguei na casa ela estava sendo atacada por um demônio metamorfo, mas os reflexos dela com certeza não eram humanos.
Ela tinha uma estela e enfiou no demônio. Mas, foi mordida.
—Para!
Eu matei o demônio que a encurralou.
—Não vai me agradecer por salvar sua vida?
—Obrigado.
—Aquele demônio feriu você.
—Demônio?
—O que acha que aquela coisa nojenta era? Era um demônio Raviner, um demônio metamorfo.
—Nada faz sentido. Porque a sala tá girando?
—Veneno de demônio.
—Isso é ruim?
Ela desmaiou.
P.O.V. Elijah.
Eu voltei ao apartamento, mas Clary não estava lá.
—Vou te encontrar querida.
P.O.V. Clary.
Eu vi a minha mãe e o meu pai. Dei um encontrão com alguém quando levantei.
—Quem é você?
—Eu sou a Isabelle.
—Eu sou Clary Marshall, digo Mikaelson.
—Uma mundana nem tinha que estar aqui.
—E onde é aqui, exatamente?
—Ela não é uma mundana, Alec.
—Como sabe?
—Porque a lâmina serafim se iluminou quando ela tocou.
O loiro da boate.
—Eu sou Jace Wayland.
—Não. Não você não é.
—Não sou?
Eu me levantei e tinha aquele barulho, aqueles sussurros que viraram gritos.
—Sai da minha cabeça!
Uma coisa, tipo energia saiu de mim e tudo explodiu.
—Nossa!
—Ai. Herondale.
Então, tudo ficou escuro.
P.O.V. Jace.
Isso é com certeza energia angelical. E muita.
—O que aconteceu?
—Como sabe sobre a família Herondale?
—Herondale é uma família? Bom, se é uma família é a sua família.
—Não. Eu sou Wayland.
—Não. Wayland não existe.
Ela levantou da cama.
—To com fome. Tem alguma coisa pra comer?
Foi até a cozinha como um míssil teleguiado. Abriu a geladeira e fez uma bagunça.
—Nossa! Que apetite.
—Eu acho que eu... vou...
Ela correu e não tinha runa de velocidade. Mas, correu a uma velocidade sobrenatural e vomitou tudo o que comeu.
—O que vocês fizeram comigo?
—Ela tem velocidade sobrenatural e sem runas?!
—Então seu pai realmente é um vampiro.
—O que?! Uma submundana que sobrevive a ser marcada com uma runa de cura?
—Se vai me xingar, pelo menos me xingue de algo que eu entenda.
—Você não tá com fome. Tá com sede.
—Com sede? Você quer dizer... sede de sangue?
—Isso. Nunca teve sede de sangue antes?
—Não. Mas, eu nunca criei um arco de fogo e uma flecha de fogo antes. Ou ouvi vozes altas ensurdecedoras e furiosas dentro da cabeça.
—Eu tenho que reportar isso pra Clave.
—Clave? Mamãe disse pra não confiar na Clave ou Ciclo ou sei lá o que.
—No Ciclo eu concordo, mas na Clave...
—Se a minha disse não confie em tal pessoa, eu não confio.
—A sua mãe não sabe nada sobre os Shadowhunters.
—Você tá chamando a minha mãe de mentirosa?! Foram vocês que me sequestraram!
—To dizendo que sua mãe não é uma Shadowhunter.
—E isso a faz menos?
Membros do Ciclo atacaram o Instituto e ela matou a sede de sangue. O problema foi depois.
P.O.V. Alec.
Ela está chorando á três horas! Sentada no chão, olhando as mãos ensanguentadas.
—Para de chorar!
—Eu não consigo. Tá doendo. Eu to sentindo muita culpa.
—Pelo amor de Deus! Pare de chorar!
—Não grita comigo!
—Vem aqui comigo irmãozinho.
Isabelle me arrastou.
—Mal conhecemos essa garota. Novos Shadowhunters não existem.
—Existem agora.
—Vampiros não podem procriar!
—Agora eles podem.
—Ela não para de chorar!
—Eu sei, mas não sabemos como lidar com ela. Ela matou os membros do Ciclo com as lâminas e com os dentes! Os dentes!
—Eu sei. Foi... chocante pra dizer o mínimo, mas o que eu acho estranho é o fato de você estar tão chateado. Será que está chateado com o jeito que o Jace olha pra ela? Devia estar feliz porque ele está se interessando por alguma coisa que não ele mesmo.
—Talvez eu esteja assim porque não descobrimos quem está comprando o sangue. Ela estragou nossa missão e esse era a nosso único objetivo.
P.O.V. Jace.
Ela está tendo um faniquito.
—Ei! Olha pelo lado bom, seu ferimento tá curado.
—O que? Eu to curada de repente. E vocês... essas pessoas lindas também tem poderes mágicos?
—Não. Não me confunda com um feiticeiro ou uma bruxa.
—Feiticeiro?
—É. Um dos submundanos.
—E Shadowhunters não são submundanos também?
—Não.
—Mas, submundano é alguém que faz parte do submundo, um ser sobrenatural e Shadowhunters também são seres sobrenaturais.
—Feiticeiros, vampiros, fadas.
—Fadas?! Eu quero conhecer uma fada. Até ontem eu era a Clary Marshall estudante de arte, mas agora eu sou a Clary Mikaelson meio vampira, meio bruxa e acho que meio Shadowhunter também.
—Então, você não sabia que vampiros eram reais?
—Não. A minha cabeça vai explodir! Então, você não consegue fazer um arco e flecha de fogo?
—Não. Somos Shadowhunters, protegemos o mundo dos humanos do mundo dos demônios. Aquelas pessoas que você viu mortas na pandemônio não eram pessoas. Eram demônios metamorfos.
—Eu não ligo pra nada disso. Não quero nada a ver com o seu clube da luta sobrenatural. Eu só quero voltar pra casa e tentar processar tudo isso. Por favor, por favor me ajude a achar a minha mãe.
—Sou a melhor chance que você tem.
Peguei o caderno de desenhos dela e comecei a folear. E eu vi runas lá.
—O que aconteceu com a minha roupa? Ai Meu Deus! Eu transei com alguém?!
—Não. É veneno de demônio. Isabelle deixou aquilo separado pra você.
Ela mexeu nas roupas.
—Eu ein!
—Ela tem um gosto peculiar pra roupas.
A contra gosto ela vestiu as roupas.
—Como isso apareceu aqui?
—Eu desenhei.
—Vocês não podem me tatuar!
—Pode deixar, da próxima vez deixo você morrer.
—Morrer?
—E não é uma tatuagem. É uma runa. Elas tem grandes poderes. Bons para Shadowhunters, porém letais para humanos. Mas, já sabia sobre as runas. Não é?
Mostrei o caderno pra ela.
—Os desenhos da minha grafic Novel?
—Ou talvez não. É o que te torna tão interessante, Clary Mikaelson.
—Simon!
—Não. Eu sou o Jace.
—Eu sei.
Ela saiu correndo.
—Simon!
—O que você tá fazendo numa igreja abandonada em Daton e com essa roupa ainda?
P.O.V. Clary.
Simon deve tá surtando agora.
—Meu Deus que roupa é essa? Clary, deixa eu te levar pra casa.
—Eu não tenho mais uma casa. Ela pegou fogo.
—Porque?
—Clary Mikaelson!
Simon colocou o casaco no meu ombro.
—O que que tá acontecendo? O que você tá vendo?
—Jace!
Me soltei do Simon.
—Ele tá morto?
Perguntou a Clary apontando para o chão.
—Quem é que tá morto?
Então o corpo apareceu.
—Pode tirar seu encantamento para meu melhor amigo não achar que eu to maluca?
Ele se desencantalizou.
—Sou Jace Wayland.
—Herondale. Ele quis dizer Herondale.
Como se não bastasse depois de uns dias apareceu uma mulher. Mulherzinha entojada.
—E quem você pensa que é?
—Como é?
—Você é uma entojada. Nem abraça sua filha.
—As missões não aprovadas pela Clave e o fato de existir um ser que é submundano e Shadowhunter ao mesmo tempo. Há um motivo para não nos envolvermos com submundanos...
—É. A sua soberba!
—Minha soberba? O que acontece se desrespeitarmos um de seus estúpidos costumes?
—Estúpidos? Você se colocou num pedestal. Não é melhor que o tal Valentim e é por isso que eu não vou te dar o Cálice!
—Submundanos são escravos de seus desejos. As emoções nublam seu julgamento.
Cara, foi a gota d'água pra mim. Avancei encima dela, a coloquei contra a parede agarrando seu pescoço.
—Acha que é fácil ser vampira? Bom, é relativamente fácil. Se você quer que a dor acabe, só precisa desligar o botãozinho.
Então, eu quebrei o pescoço dela.
—Mãe!
—Calma Isabelle, ela já vai acordar.
—Ela morreu!
—Eu coloquei um anel especial no dedo dela antes de descontar a fúria. O anel vai trazê-la de volta. Quem sabe, depois desse susto... mamãe não aprende a ser mais gentil com as pessoas. Tenho que ir tá na hora da novela.
P.O.V. Jace.
Quando eu cheguei a tia Maryse tava no chão.
—O que houve?
—Sua namorada quebrou o pescoço dela.
—O que?
—Clary matou a mamãe. Uma volta só. Track. Um giro de trezentos e sessenta graus.
Estávamos chorando quando Maryse respirou.
—Mamãe.
—Ela me matou. A híbrida me matou.
Do nada ela apareceu na sala.
—Ah, então você já acordou. Como foi a experiência?
—Mas, eu estava morta.
Clary se aproximou e tirou o anel do dedo de Maryse. Era um anel enorme, brega.
—O que é isso?
—Ué, mas você não era uma Shadowhunter sabe tudo?! Me diga você.
—Tenho que devolver isso pro Rick.
—Rick? Quem é Rick? Outro submundano?
—De novo, me diga você. Senhora sabe tudo. Vocês chamam as fadas, os lobisomens e os vampiros de submundanos e colocam todo mundo no mesmo balaio. Então, quem é o Rick não importa pra você ou pra sua maldita Clave. Ou importa? Ninguém vive sozinho. Ninguém é completamente auto-suficiente. Nem mesmo um ser com sangue de anjo.
Ela saiu.
—Um anel ressuscitador de mortos?!
—Pegue o anel, Jace.
—Ela me disse uma coisa tia Maryse. Me disse que eu não sou Wayland, disse que eu sou Herondale.
—Bom, Celine e Stephen tiveram um filho, mas ela estava grávida quando morreu. Ou pelo menos, foi o que nos fizeram crer. O corpo da criança nunca foi encontrado.
Eu fui até o quarto dela, mas não tinha ninguém lá. Não tinha nem uma mala.

Fale com o autor