-# Riverfall fica depois da próxima colina.

Kagome suspirou aliviada ao ouvir o anúncio de Inuyasha. Estava mais do que pronta para concluir a jornada. Se Fechavam a carruagem o calor era insuportável, e para mantê-la aberta tinham de enfrentar a poeira. Eles optaram pela poeira, e agora ela tinha a sensação de estar carregando nas roupas toda terra da estrada. Olhando na direção indicada, ela mal conseguia ver a colina mencionada por Inuyasha. Olhou para o marido, o que cavalgava do lado de fora do veículo.

-# A colina está muito longe? — perguntou.

-#Um dia de cavalgada. Acamparemos logo ali na frente. Há uma pequena clareira e água para os cavalos.

Ela o viu afastar da carruagem e lamentou não ter nada para arremessar contra suas costas largas. O anúncio havia sugerido que o fim da viagem não estava próximo. Mais um dia? Esperava ter água suficiente para um banho, pelo menos.

Quando eles pararam, a noite já caía sobre a paisagem. Kagome falou o mínimo possível até a tenda estar montada e pronta.

Então, com a ajuda de Bek, ela conseguiu tomar um banho. Livre da poeira e do suor, sentia-se muito melhor. Não foi surpresa para ela quando, assim que se retirou da tina, Sango correu a tomar seu lugar. Vestida, com os cabelos presos por uma fita, ela saiu para ir procurar pelo marido. Ele estava sentado perto de uma fogueira em companhia de Miroku, Bankotsu, Henkotsu e Reve.

podia

Inuyasha a observou intrigado quando ela se sentou a seu lado. Notara como o humor da esposa havia desaparecido a cada quilômetro de terra percorrido. Qualquer pessoa teria se ressentido, sabia disso. Mas o silêncio de Kagome podia ser conseqüência de outros aborrecimentos. Talvez ela já tivesse se cansando de sua presença. A novidade do casamento já se esgotara. Talvez não encontrasse mais nada que cativasse seu interesse, agora que havia saciado a curiosidade inicial. Tentando se livrar da apreensão que considerava uma perigosa fraqueza, ele disse a si mesmo que tinha mais com o que se preocupar. Não podia perder tempo como o humor instável de uma mulher.

-#Nunca pensei que houvesse tanta poeira na Inglaterra. — Kagome comentou. — E acho que cada grão dela acabou grudando em mim.

-# A região e seca — respondeu Inuyasha. — Até os homens menos inclinados aos hábitos de limpeza sentiram necessidade de tomar um banho.

-# É verdade — confirmou Miroku. — Todos passaram pelo rio.

-#Sim, somos muito fortes! Não precisamos aquecer a água do nosso banho – Inuyasha acrescentou rindo.

-#Bem, alguns diriam que é loucura pular na água fria quando há um jeito de aquecê-la antes, mas eu nunca diria tal coisa de meu marido – ela respondeu, tomando um gole do vinho que era partilhado por todos. E rio.

-# Não é claro que não. — Inuyasha também riu e tocou os cabelos úmidos da esposa. — Não seria apropriado.

-# Não. Nem mesmo depois de ser ouvido os gritos dos homens fortes e corajosos no riacho gelado.

-# Amanhã, a essa mesma hora, estaremos em Riverfall – Inuyasha prometeu.

-# Os que nos antecedem conseguiram ver o lugar?

-#Só um deles conseguiu. E disse que a construção e sólida e parece ser boa. Construída para servir de defesa e abrigo.

-# É bom saber disso, mas não era esse tipo de conhecimento que eu buscava.

-#Eu sei que não, mas foi só o que ele disse. Não deve ter se aproximado para ver mais do que isso.

-#Oh? Ele não informou ninguém sobre a nossa chegada?

-#Não. Mandei outro homem para cuidar disso. Ele vai fica lá pra cuidar dos preparativos.

-# Lamento não ter questionado meu pai sobre esse lugar.

-# Não pode ser pior do que Saitun Manor.

-# Por favor, espero que não!

A conversa seguia animada, mas Inuyasha se perdeu em pensamentos. Desde a primeira noite de viajem, fizera pouco mais do que dormir ao lado de Kagome. Cansada, ela já havia adormecido quando conseguia ir se juntar a ela na cama. O banho a refrescara. A notícia de que a viajem chegava ao fim também servia para animá-la. Precisava levá-la para a tenda antes que perdesse novamente para a exaustão.

Ele já se levantava e segurava o braço de Kagome, disposto a tirá-la dali, quando um grito de alarme soou entre as árvores mais próxima a clareira. Inuyasha conduzia a esposa para um abrigo seguro, quando um doa vigias deixados por ele na floresta surgiu no acampamento. O homem cambaleava. Ensagüentado e fraco, o homem mal conseguiu emitir novo alerta antes de o ataque começar.

-# Kagome estava aturdida. Entendia o que acontecia, mas hesitava em buscar a proteção da tenda. Queria ajudar, atuar na luta contra os atacantes, más não conseguia passar em nada que pudesse fazer. Inuyasha olhou para ela. Enquanto gritava ordens para seus comandados, ele também conseguiu comandá-la. Apontando o dedo para tenta, deixou clara a ordem silenciosa. Kagome obedeceu e correu para o abrigo.

-#Assim que ela passou pela abertura, a tenda foi cercada por pajens e homens armados. Dessa vez Inuyasha não correria riscos. Não deixaria espaço para um dos atacantes se aproximar sem ser visto. Homens armados guardavam a entrada.

-#O que está acontecendo? — Kanna gritou agarrando-se a Kagome.

Aproximando-se da prima, Sango sussurou:

-#É outro ataque?

Kagome se sentia confortável na presença das duas, apesar do medo.

-#Sim. Outro.

-#Houve um alerta, ou os homens foram surpreendidos? — Sango perguntou.

-#Não foi uma surpresa. Não completamente. Vi homens surgindo do bosque e vi também os homens de Inuyasha correndo para enfrentá-los.

-#Ladrões? Viemos acampar em um covil de ladrões?

-#Creio que não, Kanna. São muitos e estão bem armados.

-# Hojo e o tio novamente? — Sango ainda estava ao lado da prima.

-#Talvez. Não ouso firmar. Afinal, estamos em uma área de conflitos.

Elas permaneceram em silêncio, atentas aos sons da batalha do lado de fora da tenda. Kagome temia por Inuyasha. Era estranho que nada tivesse sentido na primeira luta, quando ele defendera sua vida. Seria algum tipo de premonição? Ela baniu da mente o pensamento assustador. Se não se preocupara da primeira vez, era porque não tinha conhecimentos do custo de uma batalha, porque ainsa não tinha sentimentos profundos pelo marido. Queria se convencer disso e orava por ele e pelo fim da batalha.

Inuyasha lutava e praguejava como mesmo ardor. Sabia que se fracassasse, Kagome sofreria as conseqüências nas mãos dos atacantes.

Foi quando os invasores começaram a se retirar e a batalha perdeu a força, que Inuyasha se viu em maior perigo. Ao retirar a espada do corpo de um homem caído, ele girou sobre os calcanhares e se viu diante de dois grandes oponentes. Eles não pareciam afetados pela luta. De sua parte, sentia-se cansado e desgastado, bem próximo da exaustão.

-# Olhem em volta, cães. Sua matilha já começa a enfiar o rabo entre as pernas. Melhor se juntarem aos outros. — Ele empunhou também a adaga, aumentando seu poder letal.

-#Nesse caso, vamos ter de mandar você para o inferno mais cedo do que planejávamos – gritou um dos atacantes, investindo contra Inuyasha.

Ele se esquivou facilmente do golpe, mais evitar o segundo oponente não foi tão fácil, especialmente porque ele atacava ao mesmo tempo . Pouco habilidosos, eles uniram forças para tentar superá-lo. Miroku, que normalmente protegia sua retaguarda, estava afastado da cena. Teria de contar com a sorte e escapar ileso. Não podia se descuidar das próprias costas. Precisava manter os dois em seu campo de visão. Concentração era a palavra-chave. O sorriso que via nos lábios dos inimigos confirmava suas suspeitas; eles tinham consciência de suas inúmeras desvantagens. Por um tempo, ele os manteve afastados sem muitos problemas. Enquanto testavam sua força lendária e sua reputação de lutador invencível, eles também estudavam sua maneira de lutar. Logo decidiram qual era a melhor forma de ataque. Precisava atingi-los antes que a dupla chegasse a esse perigoso consenso. Era sua única chance de superá-los. Ele investiu contra um dos inimigos e se virou depressa, encontrando o outro despreparado e aberto para o golpe. Sua espada perfurou o corpo do adversário. A vítima caiu; ele removeu a lâmina do corpo inerte e se preparou para prosseguir na aguerrida luta. O adversário agiu depressa. Inuyasha também foi veloz. O suficiente para impedir que o ataque fosse fatal, mas não o bastante para evitar o profundo corte em seu braço. Cambaleando, ele tentou se preparar para um novo ataque, mas a força se esvaía do braço ferido, justamente aquele que empunhava a espada. Lutou contra o sentimento de inevitabilidade. Sabia que aceitar a derrota era a maneira mais certa de promovê-la.

Um sorriso frio bailava no rosto do inimigo. Inuyasha sabia que sua fraqueza havia sido notada. Rngendo os dentes contra a dor, ele ergueu o braço para se defender de um golpe. O impacto foi pura agonia. Era difícil lutar contra a escuridão da inconsciência. Numa tentativa que sabia ser inútil e quase patética, ele levantou a espada para tentar conter mais um golpe.

A espada inimiga não chegou a entrar em contato com ele, porque foi interceptada por uma terceira lâmina. Ao reconhecer Miroku e ver a fúria assassina em seus olhos, Inuyasha cedeu a fraqueza. Praguejando em voz fraca, caiu de joelhos e viu o amigo pôr fim à vida daquele que ousava ameaçá-lo. A batalha chegava ao fim. Os atacantes se retiravam, correndo como coelhos assustados na tentativa de salvar a própria vida.

Miroku se abaixou ao lado de Inuyasha e forçou um sorriso, mas os olhos revelavam preocupação.

-# Está tão ruim assim?

-# Não. O sangramento é intenso o bastante para me deixar sem forças. Vencemos?

-# É o que parece. Mas ainda não sei dizer quanto essa vitória nos custou.

-# Espero que não tenha sido um preço alto demais.

-# Não. Pode parecer terrível à primeira vista, mas não foi nada sério.

Miroku ajudou-o a se levantar. Juntos, viram Kagome, Sango e Kanna saírem cautelosas da tenda.

Atraída pelo silêncio que seguia o estrondo da batalha, Kagome olhava em volta. Mais uma vez, um aviso soara a tempo de salvá-los do pior, mas era fácil perceber que esse ataque custara mais ao grupo do que os anteriores. Ela não perdeu tempo pensando nisso. Sua maior preocupação era encontrar o marido. Quando finalmente o viu, sufocou um grito. Inuyasha estava coberto de sangue e se mantinha em pé com a ajuda de Miroku. Ela correu para o marido seguida por Sango e Kanna. Desesperada, agarrou-se à túnica ensagüentada.

-#Está ferido! — Sabia que afirmava o óbvio, mas estava apavorada.

-# É só um arranhão.

-#Um arranhão? Está coberto de sangue!

-# Não é só meu. E nós vencemos a batalha. Acabou. Acalme-se.

-# Acalmar-me? Está aí sangrando como um porco e quer que eu tenha calma? Miroku, Hankotsu, levem-no para a tenda. Água. Preciso de água. E bandagens — ela concluiu, correndo na frente para preparar a tenda.

Sango segurou o braço de Kanna, impedindo-a de seguir Kagome, e olhou para os três homens.

-# Se o seu ferimento não é mesmo grave, milorde, talvez Kanna e eu possamos ajudar os outros feridos.

-# Sim, podem ir – Inuyasha respondeu. — Hankotsu, Miroku pode me levar até a tenda. Leve as mulheres até onde estão os feridos.

Enquanto os outros se afastavam, Inuyasha murmurou para Miroku.

-# O que aconteceu com Kagome? Ela manteve a calma na última batalha, quando quase foi raptada.

-# Daquela vez o marido dela não foi ferido.

-# Talvez tenham sido muitas batalhas em pouco tempo. Ela pode temer viver cercada delas.

Miroku suspirou irritado.

-# É claro. Ela não pode ter ficado nervosa só porque o encontrou ensopado de sangue.

-# O ferimento não é tão grave.

Kagome se sentia mais calma, mas a tranqüilidade só perdurou até Miroku e Inuyasha entrarem na tenda. Ver novamente o marido pálido e ensangüentado reacendeu seu pavor. Trêmula, ela estendeu um lençol sobre a cama antes de Inuyasha se deitar nela, Miroku a ajudou a despi-lo, deixando-o apenas com a calça. Ela limpava o ferimento quando Hankotsu entrou. Era difícil conter o impulso de mandar todos saírem dali. Respirando fundo, se concentrou no ferimento e tentou não desmaiar diante da visão assustadora do corte profundo. Enquanto trabalhava, ouvia a conversa entre os três homens.

-# As mulheres foram cuidar dos feridos? — Inuyasha perguntou a Hankotsu, tentando ignorar a dor.

-# Sim. Talvez até salvem aquele que julguei condenado à morte. O homem que deu o alarme e salvou todos nós. Espero que ele não pague com a vida pelo ato de coragem. Algum prisioneiro?

-# Não. E não se aborreça com isso. O morto revelou tudo que precisávamos saber.

-# Mas como?

-# Lutei contra um deles no último ataque.

-# Tem certeza disso?

-# Ninguém esquece um rosto feio como aquele.

-# Então – Miroku murmurou -, Hojo e o tio não deram ouvidos ao nosso aviso.

-# Parece que não. Aquele primeiro ataque não foi só uma reação à raiva – Inuyasha respondeu.

-# Não. — Miroku suspirou, sabendo que a batalha contra os parentes incomodaria Inuyasha. — Isso é guerra. Hojo e o tio pretende ir até o fim nisso.

A notícia só aumentava a inquietação de Kagome. Sabia que estava perdendo a batalha contra o medo e todas as outras emoções que a afligiam. Ela cobriu o ferimento com uma bandagem e continuou ouvindo a conversa, tomando conhecimento dos planos dos homens para deter Hojo e o tio. O que ouvia só aumentava sua aflição. Foi um alívio ver Miroku e Hankotsu partirem.

Ao terminar, foi lavar as mãos e ficou olhando para elas posicionadas sobre a bacia com água. Ver o sangue do marido acabou com o pouco de controle que ainda lhe restava. Ela mergulhou as mãos na bacia e as esfregou com desespero enquanto chorava. Sabia que não poderia se conter, mas se esforçou para manter o pranto silencioso. Não queria que Inuyasha a julgasse fraca e inútil, incapaz até de cuidar de seus ferimentos.

-# Kagome – Inuyasha chamou preocupado, estranhando o vigor com que ele esfregava as mãos.

A resposta foi o silêncio. Intrigado, ele a viu secar as mãos e guardar tudo que havia usado para fazer o curativo. Seus movimentos não tinham a graça habitual. Era evidente que ela estava chorando, ou não faria tantos ruídos abafados. O comportamento da esposa o confundia. Ela parecia muito abalada por conta de seu ferimento.

-# Kagome.

Ela se virou e ficou apavorada. Inuyasha estava quase em pé. Esquecendo a intenção de esconder o pranto, ela correu a ampará-lo.

-# O que está fazendo?

Inuyasha tocou-a no rosto e ignorou a dor na ferida.

-# Esteve chorando. Não....... Está chorando.

-#Não estou. Deite-se. Esqueceu que está ferido?

Ele se deixou acomodar novamente na cama, mas manteve o olhar fixo no rosto marcado pelas lágrimas. — Parece estar mais preocupada que eu com esse arranhão.

-# Arranhão? Chama isso de arranhão? Um arranhão não precisa ser costurado. Também não ensopam uma túnica de sangue. E não acabam com a força de um homem a ponto de ele precisar de ajuda para chegar a sua cama.

-# Só fiquei fraco um pouco. — Ele conteve um sorriso.

-# E nesse momento podia ter a cabeça arrancada do pescoço. — A idéia a fez tremer de pavor.

-# Kagome, apague as velas. Todas, exceto a mais próxima da cama.

-# O quê?

-#Apague as velas. Isso mesmo – ele a incentivou ao ver que sua ordem era acatada. — Agora, dispa-se e venha se deitar a meu lado.

Ela obedeceu ao comando sem esconder sua irritação, movendo-se com enorme cuidado ao se aproximar dele. Quando o braço saudável a envolveu, ela quase se atirou contra Inuyasha. Agarrando-o com desespero, buscou conforto em seu calor, na força de seu corpo, nos batimentos fortes de seu coração. E prometeu a si mesma que aprenderia a se controlar no futuro.

-# Já viu minha cicatrizes e sabe que posso levar um ou outro golpe de vez em quando – ele murmurou.

-# Sim. Eu sei. — Mas nunca havia pensado no sangue, na dor ou no perigo que produzira cada uma daquelas cicatrizes.

-#Sei que perdi muito sangue e fiquei um pouco fraco, mas o ferimento não é grave.

-# Também sei disso. — E sabia que os pontos eram necessários apenas para reduzir a extensão da marca.

Ele a beijou na testa.

-#Então, pode aplacar seus temores.

-# Não. Minhas lágrimas e essa atitude tola de mulher fraca..... sim. Mas não meus medos. Hojo aquele verme que ele chama de tio querem pôr fim a sua vida. Como disse Miroku, isso é guerra. Eles vão tentar outra vez.

-# Estou preparado. Sofremos um ataque, mas agora entendo que foi mais que isso. Foi uma tentativa de assassinato.

-# Seu assassinato.

-# Sim. Eles afastaram Miroku de seu posto às minhas costas, deixando-me diante de dois inimigos e sem nenhuma ajuda. Isso não pode voltar a acontecer. Na próxima vez, estaremos preparados para esse tipo de plano. Sobrevivi a batalhas com homens mais fortes e mais habilidosos.

-# Eu sei. Perdoe minha fraqueza. Não voltarei a desapontá-lo. — Sentia-se embaraçada.

-# Você não me desapontou. Mesmo abalada, cuidou do meu ferimento e se manteve firme no momento de necessidade. Preciso me emprenhar para protegê-la desse tipo de violência no futuro.

-#Não foi a violência. Não foi a batalha.

-#Bem, lembro-me de que se manteve mais firme naquele primeiro ataque.

Inuyasha sentiu uma pontada de esperança aquecendo seu peito. Se não havia sido a batalha, devia ter sido o ferimento. E se ela se abalara tanto com isso, devia sentir alguma coisa mais séria e profunda por ele.

-#Sim, é verdade. É muito estranho. Não senti medo nem me preocupei com a possibilidade de você ser ferido naquela ocasião. Dessa vez não tive tanta confiança. No momento em que o ataque ocorreu, temi por sua vida. Busquei razões para essa mudança. Não quero essa capacidade de...... bem, de prever o que vai acontecer. Agarrei-me a razões tolas, sem fundamento. E acho que ver concretizado um temor que eu preferia poder só alimentou minha tolice.

-#Esses sentimentos não são tão raros quanto pode imaginar. Homens que se vêem na iminência de uma batalha freqüentemente sentem o próprio destino ou o daqueles mais próximos.

-#Espero não ser amaldiçoada com esse dom. Já é terrível você ter de lutar.

-# Um homem......

-# Eu sei que o mundo e assim. Sei que é necessário. Na verdade, aprendi a lidar com isso há muito tempo porque meu pai e meus irmãos sempre partiam para o campo de batalha. Mas sentir qual será seu destino todas as vezes? Não, espero não ter de sofrer essa sina.

-# Talvez tenha sentido que o ataque era perpetrado por Hojo, de seu desejo de me matar – ele murmurou.

-# Não acredito que Hojo deseja mesmo matar você. O tio dele....

-# Os dois são um só.

-# Sim. Talvez tenha razão. Quando o ataque ocorreu, tive de reconhecer esse pressentimento que havia tentado ignorar. Oh, Inuyasha, não quero ficar viúva!

-# Nem eu pretendo fazer de você uma viúva.

Ela riu. Era o momento perfeito para expressar o que trasbordava de seu coração, mas hesitou. Era um conhecimento ainda muito novo, assustador. A certeza viera ao ver o marido fraco e

ensangüentado . Queria saborear por um momento como era estar profundamente apaixonada por Inuyasha. E também queria manter esse sentimento puro, imaculado, livre de uma possível ausência de resposta ou de uma reação insatisfatória do marido.

Ela suspirou ao sentir a mão deslizando por suas costas. — Seu ferimento......

-# Não estou aleijado. — Pelo contrário. Sentia-se vivo e saudável, um homem pleno de vida e vigor.

Kagome correspondia ao sentimento, a julgar por seus gemidos abafados.

-# Devia descansar.

-# A batalha aqueceu meu sangue, doce kagome, e você o efervesceu.

-# Tem certeza de que ainda sobrou sangue suficiente para ser fervilhado?

Ele a apertou contra o corpo, pressionando-a contra a evidência de seu desejo.

-# Mais do que suficiente. E você? Está cansada demais para pôr à prova minha afirmação?

Ela sorriu.

-# Acho que pode me convencer, se procurar se emprenhar.

Inuyasha beijou-a. Ele prolongou o beijo e tornou-o mais profundo e sensual, despertando seus sentidos. Era delicioso perceber Kagome responder com ferocidade crescente. Senti-la friccionando o corpo contra o dele destruiu o pouco controle que ainda tinha sobre os próprios impulsos. Sabia que ela estava preparada para recebê-lo.

-# Entregue-se a seu marido, minha doce Kagome.

Corando, ela o montou e se entregou ao desejo.

-# Não sei se entendo o que espera de mim.

-# Quero que me conduza nessa dança. Mova-se sobre mim, querida.

Ela atendeu ao pedido. A paixão ganhava força e tornava-se selvagem. Kagome era cuidadosa, pois temia machucá-lo ainda mais. O gemido rouco de Inuyasha indicou que a sensação predominante era de prazer, não de dor. A união entre os corpos era ainda mais perfeita que antes.

Ela se movia. As sensações roubavam-lhe o fôlego e davam mais velocidade aos movimentos. As mãos do marido em seu quadril a impeliam a prosseguir.

Inuyasha mantinha os olhos abertos, pois queria acompanhar dança de expressões no rosto de Kagome. Vê-la alimentava seu prazer. Sentia uma alegria que nenhuma palavra poderia descrever. Ele ergueu as mãos para segurar os seios tentadores, e o contato fez acelerar ainda mais o ritmo. Sabia que logo chegariam ao clímax.

Ele a puxou para um beijo feroz. O jeito como ela reproduzia com a língua os movimentos do corpo o levava à loucura. O grito de prazer explodiu em sua boca e ela o seguiu na explosão sensual e incontrolável.

Vários minutos transcorreram antes de Inuyasha reunir a força para se mover ou fazer qualquer coisa além de respirar e segurá-la contra o peito. Kagome adormeceu a seu lado, aninhada em seu peito. A satisfação podia ser ouvida na respiração profunda, podia ser sentida no corpo quente e relaxado. Como sempre, observá-la o surpreendia e fascinava. Não podia deixar de pensar em como uma beleza tão delicada encontrava prazer com um homem como ele. Envergonhava-se com a admissão, mas sabia que havia uma razão para a necessidade de observá-la enquanto faziam amor. Precisava ter certeza de que tudo não passava de uma encenação, de que o prazer que ela parecia sentir em seus braços eram genuínos.

-# Como vai o ferimento? — Kagome perguntou sonolenta e sem abrir os olhos.

-# Não sinto dor – ele mentiu. O desconforto era um preço pequeno a pagar pelo que acabara de viver.

Ela riu e balançou a cabeça. Sabia que o marido não dizia a verdade, mas escolheu não desmenti-lo. Se havia existido alguma dor, não devia ter sido muito intensa, pois não havia fraqueza no braço forte nem agonia na voz. Ceder ao desejo certamente não causara grande dano ao marido.

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