A Beira Da Loucura
10 Had and Jen
Levantar e sentir a sensação dos lábios do Adair sobre os meus é algo... Eu não sei descrever ao certo o que é, mas, é bom, sem sombra de dúvida é algo bom. Apesar de já ter passado horas do nosso selinho prolongado – resolvi dar esse nome porque aquilo realmente não foi um beijo – eu ainda podia sentir o formigamento em cada molécula do meu corpo. Dispersei meus pensamentos e fui tomar meu banho, passei o resto da manhã e o final da tarde escrevendo até que o inspetor idiota bateu na minha porta me encaminhando até a diretoria, onde eu fiquei uma hora e meia ouvindo o regulamento novamente – sim, eu queria poder pegar aquele regulamento e fazer a Srta. Danged engolir cada pedaço –, fui para o meu quarto e decidi que a noite estava bonita demais para mim ficar trancada naquele cubículo, fui para área com gramado onde não ia quase ninguém e lá era realmente bonito pois não tinha tantas arvores o que deixava a visão para o céu mais livre e ele está maravilhoso hoje, num tom azul escuro vívido, com poucas estrelas e uma lua realmente grande e brilhante, o único problema do local é que não tinha bancos então eu tive que me sentar no gramado onde algumas formigas começaram a aparecer, droga. Fiquei em uma luta contra as formigas que estavam atrapalhando meu tempo de paz quando eu senti aquela mão gelada no meu ombro e eu nem precisei me virar para saber que era ele.
– As formigas vão acabar com você. – A voz dele rouca e sussurrada quase perto do meu ouvido me fez arrepiar. – Como vai? – Falou ficando em pé do meu lado.
– É, eu sei... Eu estou bem e você? Ai, droga de formiga! – Adair olhava para minha mão que agora estava na minha coxa massageando o local que a formiga havia picado quando ele arrancou sua blusa e me entregou e eu fiquei como uma idiota olhando para ele.
– Coloca de baixo das suas pernas, você realmente não devia ter vindo aqui de short. – Falou rindo fraco e droga eu não consegui me acostumar ainda com ele rindo e sempre que isso acorre fico que nem boba.
– É. – Respondi vacilante porque ele havia acabado de sentar ao meu lado e estava perto demais de mim. – Você ainda não me respondeu se está bem ou não. – Falei lembrando que havia lhe feito a pergunta antes dele ter tirado a camisa e deixado o lugar incendiando.
– Hm, eu estou bem. – E o silêncio se instalou e com isso eu pude reparar em como o rosto dele ficava bonito com a luz da lua o iluminando. – Que foi Jeni? – Cristo, eu vou enlouquecer!
– Nada... Sabe o que reparei? Nunca te dei um apelido, seria legal um apelido para você.
– Eu nunca tive apelidos, meu nome é muito curto.
– E completamente difícil de apelidar, deixa eu pensar em um. – Fiquei alguns segundos pensando e nada muito criativo me veio à cabeça. – Ada é um apelido estranho então não, Air me lembra de aviões e eu não gosto de aviões. – Falei fazendo careta, até que uma ideia iluminou minha cabeça. – Vou te chamar de Hades.
– Hades? Por causa do deus mitológico do mundo dos mortos?
– Que?! Não! Hades era o nome do meu cachorro e ele era como você.
– Como eu?
– Sim, ele era meio instável, uma hora alegre outrora inquieto e diferente.
– Eu sou assim?
– Às vezes, o bom do nome Hades é que o apelido é Had e eu acho ele, hm, carinhoso. – Ele sorriu de lado.
– Ok, eu gostei desse apelido.
– Ótimo. – Falei sorrindo.
– Eu posso te chamar de Jen? É que eu acho mais legal e mais rápido do que Jeni.
– Eu sempre fui chamada de Jeni mas, eu acho um apelido bem obvio e eu gostei de Jen.
– É realmente obvio. – Tirei meu olhar de seu rosto e olhei o céu.
– O céu está tão lindo, não acha?
– Sim, olhar o céu me faz refletir, eu penso como seria minha vida se eu não fosse assim, eu queria fazer tantas coisas, mas, eu sou limitado por essa cadeia mental em que eu me encontro. Como era seu mundo antes de entrar aqui?
– Eu tinha um emprego legal e apesar de adorar sabia que aquilo não era o que eu realmente queria, eu vivia na companhia da minha amiga Emma nós temos um pequeno grupo de colegas mas, com eles não é nada muito afetuoso a gente só se juntava para sair ou ir para Dark Rose que é um bar club maravilhoso que eu e a Emma encontramos e íamos quase todos os finais de semana e eu não sei mais o que falar sobre minha vida. – Disse rindo fracamente.
– Você trabalhava no que?
– Eu trabalhava em um estúdio fotográfico e eu ajudava na edição das fotos e no designe do site e as vezes tirava algumas fotos, fotografar é relaxante.
– Nós temos uma câmera aqui, eles nos deram para gente fazer um vídeo por semana relatando como está sendo a nossa semana e essas coisas, na verdade é bem estranho falar com uma câmera.
– Eu nunca fiquei sabendo disso, você só usa essa câmera para filmar? Você deveria tirar algumas fotos, aqui é um lugar bonito.
– Não sei se elas ficariam muito legais.
– Eu posso te ajudar, amanhã vamos tirar algumas fotos? Sério você vai gostar.
– Pode ser. – Bati palmas comemorando e ele me olhou balançando a cabeça negativamente dando um sorriso de lado e depois continuou me olhando.
– Para de me olhar assim.
– Por que?
– Me deixa meio, sei lá, constrangida.
– Eu não vou parar.
– Ok, então eu vou ficar te encarando também. – Virei meu rosto para ele e ficamos nos encarando por alguns minutos. – Isso é estranho. – Falei desviando o olhar e rindo sem jeito.
– Você perdeu.
– Era uma competição?
– Sim.
– Isso é injusto, eu não sabia que era uma competição.
– A vida é injusta. – Dei um soco de leve no seu ombro e ele segurou meu pulso me puxando para mais perto e beijou meu maxilar descendo para o meu pescoço fazendo escapar alguns suspiros dos meus lábios, ele segurou meu rosto e ficou roçando nossos lábios.
– Me beija logo. – Disse sem pensar e sem aviso prévio ele agarrou minha nuca e invadiu meus lábios e o formigamento se fez no meu corpo, sua mão desceu da minha nuca até minha costas a apalpando firmemente, eu rolei meu dedos em seus cabelos e os puxei de leve, eu não sabia que droga estava acontecendo ali mas estava tão bom que eu não queria parar, ele me deitou na grama e subiu em cima de mim e... – Ai! – Uma formiga havia me picado, que droga!
– Formiga? – Concordei. – Já está tarde. – Falou saindo de cima de mim e me dando a mão para mim me levantar. – Melhor irmos.
– É, acho que sim. – Fomos andando até a porta do meu quarto em total silêncio. – Boa noite, Had.
– Boa noite, Jen.
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