A Beira Da Loucura
6 A nem tão doce TPM
Meu dormitório estava completamente bagunçado – não me lembro quando foi que ele se tornou essa zona –, resolvi que daria um jeito naquilo depois do café da manhã porque realmente o estado do meu quarto era deplorável, fui até um inspetor e pedi materiais de limpeza – pano, esponja, vassoura, rodo, balde, sabão em pó, cândida e um liquido verde que tinha cheiro de flores do campo – deixei tudo no meu quarto e fui até o refeitório me alimentar. Segurei uma bandeja e fui escolher o que comer, como sempre peguei salada de fruta, um pão esquisito de aparência duvidosa mas que o gosto era maravilhoso e um suco dessa vez de maracujá, olhei para o local e vi Adair sentado na mesa do fundo, eu estou maluca ou ele realmente havia acenado para mim me convidando para sentar com ele ?! Dei de ombros e fui até ele, porém me arrependi logo que sentei pois ao tocar meu corpo na cadeira fui bombardeada por um Adair maníaco por seus livros.
– Meus livros estão seguros ? Como anda a leitura ? Já tem um personagem preferido ? Você não amassou nenhuma folha né ? Porque eu juro se você não os devolver como eu os entreguei eu termino de ferrar eles na sua cabeça Jeniffer. – Aquilo foi totalmente ridículo e desnecessário e um pouco amedrontador porque eu fiquei imaginando Adair detonando os livros dele na minha cabeça e isso fez com que eu arregalasse os olhos.
– Adair, eu juro por esse suco que estou segurando agora que se você não parar de me perguntar sobre a desgraça desses livros eles irão parar num buraco que existe na parte de trás do seu belo corpo e eu não estou blefando. – Dei meu melhor sorriso diabólico. – Agora posso tomar a droga do meu café em paz ? – Tudo bem, ele estava totalmente irritante por conta desses livros, mas eu não sei de onde está surgindo toda essa raiva que eu estou sentido agora.
– Essa sua reação é por causa da TPM, né ?! É engraçado como a natureza doce feminina pode se tornar em um limão completamente azedo só por causa de um período menstrual. – O QUE ?!
– Eu não estou de TPM, você que é um idiota irritante que fica tagarelando sobre a porra dos seus livros ! – Ele me encarou com cara de “essa sua reação comprova a minha teoria”, revirei os olhos e sai da mesa para descontar minha raiva na bagunça que estava no meu quarto.
Comecei recolhendo as coisas que estavam espalhadas pelo chão, em seguida arrumei a cama, dei uma geral no banheiro e por último passei pano em todo o quarto, olhei meticulosamente toda a extensão do quarto e sorri ao constatar que meu trabalho havia ficado bom. Me sentei na cama e cheguei à conclusão que eu realmente estava de TPM porque só ficava tão incomodada com bagunça e me irritava extremamente fácil nesse período, eu tomava uma injeção a cada três meses que evitada o meu período menstrual, mas eu já estava três meses aqui o efeito já deve ter passado, depois eu irei até secretaria pedir para ir em algum consultório para tomar minha injeção porque ninguém merece ficar nessa droga de ciclo menstrual. Bufei e olhei no relógio já estava na hora de visitar o irritante dos livros, me levantei e peguei o livro “Sanidade ou Loucura ?” que ele havia me emprestado e eu já tinha acabado de ler, menos um livro para ele me encher o saco.
A porta do seu quarto estava aberta, adentrei e Adair estava com o cabelo molhado vestido apenas uma calça de moletom enquanto lia um livro extremamente concentrado, eu fiquei ali parada que nem idiota olhando para ele daquele jeito. Seu cabelo loiro escuro estava um tom mais negro por conta de estar molhado – denunciando que ele havia tomado banho recentemente –, seu rosto estava calmo apesar de ter uma expressão séria e sua pele extremamente branca parecia ter um “brilho” diferente hoje e seu abdômen nu continuava lin... Qual era o problema de colocar uma blusa, hein ?! Agora ele olhava para mim com aqueles olhos castanhos escuros que hoje não estavam tão negros como era de costume estar, desviei o olhar mirando o chão.
– É melhor você se sentar do outro lado, não quero ter o risco de estar perto caso você tenha outro ataque de fúria. – Que eu saiba o psicopata aqui é ele não sou eu, babaca !
– Há-há-há ! Muito engraçado. – Falei sem humor me sentando ao seu lado. – Está aqui um dos seus livros, já acabei de ler. – Estendi o livro em sua direção e o mesmo foi pego em uma rapidez que eu até me assustei. Ele ficou ali olhando o livro folha por folha até chegar a última página, me olhou e falou:
– Bom trabalho garota ! – Ele está achando que eu sou sua cadela adestrada ?! Bufei raivosa. – O que achou dele ? Você indicaria para mim ? Pode fazer uma resenha oral ?
– O livro é bom... Por que eu indicaria o livro para você se foi você que comprou o livro e provavelmente vai ler com ou sem a minha indicação ?! – Ele revirou os olhos. – Não estou afim de fazer resenha, leia logo o livro e para de me encher o saco. – Revirou os olhos mais uma vez. – E para de revirar a droga desses olhos para mim !
– Ok, nervosinha... E quanto aos outros livros ? Estão sem nenhum amassado né ? Porque aqueles sim são importantes para mim e...
– ESTÃO TODOS ÓTIMOS ! SABE O QUE SIGNIFICA Ó-T-I-M-O-S ?! PARA DE ME PERGUNTAR SOBRE ESSES LIVROS, EU NÃO VOU FODER AQUELA DROGA, SEU IDIOTA MANÍACO POR LIVROS E SE VOCE PENSA QUE...– Ele me beijou, simplesmente me beijou, assim do nada. No começo eu fiquei estática sentido aquela boca quente grudada sobre os meus lábios e logo depois senti sua língua adentrar minha boca e uma serie de arrepios vagaram sobre meu corpo, coloquei minha mão sobre seus cabelos e os puxei de leve enquanto ele segurava firmemente minha cintura, o gosto de menta da sua boca era tão viciante que eu explorava cada canto dela com uma voracidade desumana e ele fazia o mesmo o que me deixava mais maluca, apertei mais meus lábios contra os dele – se é que isso ainda era possível – e Adair mordeu meu lábio inferior com vontade e eu pude sentir o gosto do sangue, sua mordida havia sido forte demais e acabou me machucando, mas sinceramente eu não me importava. Toquei seu abdômen que estava nu e ele pareceu cair em si parando o beijo e logo em seguida se afastando, estávamos com a respiração ofegante e eu o olhava desnorteada.
– Eu fiz isso porque você estava gritando e aquilo começou a me irritar e então eu achei que essa fosse a melhor forma de calar sua boca, foi um impulso. – Continuei o encarando. – Isso foi um erro, me desculpe. – Assenti e sai do quarto.
Entrei no meu quarto e senti vontade de chorar e uma boa parcela disso é por causa dessa droga de TPM, me sentia rejeitada e a voz dele falando “isso foi um erro” não parava de se repetir na minha cabeça, eu senti uma imensa raiva crescer dentro de mim e soquei a parede que estava na minha frente com toda a minha força e logo depois senti uma dor insuportável no local, me sentei no chão e gritei logo em seguida comecei a chorar, era um misto de raiva, dor e arrependimento. Estava arrependida por ter deixado que ele me beijasse, por ter me deixado magoar pelas palavras dele, por estar dando tanta importância para aquele beijo, por ter dado o soco na parede, por estar chorando... Estava arrependida por tudo.
Acordei com um enorme desconforto e percebi que eu tinha dormido sentada no chão, me levantei fui até o banheiro e me encarei no espelho que havia ali, meus cabelos estavam meio desgrenhados, meus olhos vermelhos e o verde vívido que habitava ali estava morto enquanto minhas pálpebras estavam inchadas, minha boca estava suja de sangue que agora já havia secado e estava numa cor escura, olhei para minha mão que latejava e ali estava inchado, com um corte profundo e no meio havia um roxo forte enquanto em volta continha uma vermelhidão. Eu estava horrível. Tomei um banho e escovei os dentes na esperança de me livrar daquele gosto de menta que ainda estava na minha boca, olhei no relógio e já era hora do café da manhã que eu descartei imediatamente em ir porque não estava afim de encontrar Adair.
Fiquei horas trancada no meu quarto e resolvi sair para comer, peguei o prato que a funcionaria simpática fez para mim e lhe sorri agradecida, eu estava sendo extremamente folgada almoçando no horário errado e ela ainda foi super gentil comigo e pôs a comida para mim sorrindo, deveria existir mais pessoas assim no mundo. Comi rapidamente voltando para o meu quarto, ficar deitada escrevendo era a melhor coisa que eu tinha para fazer no momento, olhei a hora no canto do notebook e marcava cinco e meia da tarde bufei em desgosto e fechei o computador o empurrando para o lado, eu não ia visita-lo porque não estou pronta para encarar a cara dele nem tão cedo, apertei os olhos com força numa tentativa nula de conseguir pegar dormir e logo após escutei batidas insistentes na porta o que me fez arregalar os olhos, droga. A frase “uma hora ele vai desistir” se repetia na minha cabeça a cada batida na porta.
– Jeniffer eu sei que você está aí, abre logo essa porta ! – Apertei o travesseiro com força no meu rosto e desejei estar sonhando.
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