A Beautiful Lie
55 Epílogo
Notas iniciais
10 meses depois...
Draco e eu estávamos sentados um de frente para o outro. O fogo da lareira queimava a madeira, aquecendo a sala e nos protegendo do frio que fazia. Alicia estava ligeiramente em pé sobre suas perninhas gorduchas, segurando firmemente a mão do pai, com medo de uma possível queda.
Como Blás havia dito há algum tempo, ela estava cada vez mais parecia com ele. A pele branquinha, cabelos lisinhos, olhos azuis acinzentados, lábios finos. Perto do seu um aninho, até mesmo sua expressão irritada algumas vezes era como a de Draco. Mas seu sorriso era o mesmo que o meu, formando covinhas no canto de seus lábios.
— Vai para a mamãe agora — Draco a incentivou e ela olhou para ele e então de volta para mim, que tinha os braços estendidos para segurá-la caso caísse, mesmo que a distancia fosse pouca. Ela já havia caído algumas vezes, e chorado também, mas isso não a impedia de tentar novamente.
Corajosa, ela soltou a mão do pai e deu pequenos passos vacilantes em minha direção, antes de se jogar em meus braços, escondendo a cabeça entre meus cabelos e não dando indícios de que se levantaria. Parecia ter se cansado da brincadeira. Estávamos a ensinando a andar desde o início do dia, era compreensível que ela estivesse assim.
— Acho que ela dormiu — Draco disse depois de um tempo, colocando sua taça de vinho sobre o tapete e se levantando para pegá-la no colo.
Eu sorri, vendo quando Alicia se esticou toda em seu colo e segurou com força a camisa dele. Levantei do tapete em que estivera sentada por um bom tempo e me sentei no sofá, abraçando minhas pernas e esperando que Draco voltasse.
Eu estava bem, com o homem que havia aprendido a amar e que da forma mais errada havia me dado o melhor presente do mundo, Alicia.
Tudo havia começado com uma linda mentira. Uma mentira que poderia ter arruinado com uma vida, mas que ao invés disso me deu algo pelo que valia a pena viver.
Olhando pela janela, eu via a neve sair lá fora, acumulando montinhos e mais montinhos brancos na janela.
Senti quando ele colocou um de seus braços ao redor de meus ombros e eu o olhei, sorrindo e lhe dando um beijo. Seus lábios eram famintos sobre os meus, profundos como sempre. Quando o beijo foi interrompido para que pudéssemos respirar. Eu o olhei. Seu olhar fazia eu me sentir quente. Draco me olhava como se eu fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Sempre seria como se eu estivesse me apaixonando novamente. Deitei em seu peito, sobre ele, nos aconchegando ao sofá. Ele mexeu em meus cabelos e colocou seus dois braços ao redor do meu corpo, me abraçando e deixando que seu cheiro me envolvesse.
As coisas estavam tão bem entre nós... De uma forma que eu pensava que tudo não passava de um doce sonho. Não havia nada para nos atrapalhar ou passado para voltar.
Antes, a minha expectativa de vida não tinha nada a ver com Draco ou ter uma filha, mas agora eu não via um futuro em que eles não estivessem presentes. Draco Lucius Malfoy tinha uma parte minha que me completava, que me fazia sentir completa. Mas eu não havia percebido que estava faltando uma parte minha até descobrir que estava apaixonada por ele.
Mentiria friamente se dissesse que não pensava nas coisas ruins do passado, mas não pensava mais no que havia acontecido com magoa. E sempre que isso ocorria, Draco e Alicia estavam ao meu lado, mostrando que depois de tudo, estávamos felizes. Éramos uma família como eu nunca pensei que seriamos.
Escutei poucos "eu te amo" vindos de Draco. Ele dizia mais que precisava de mim e que eu não sabia o quão especial era para ele, dizendo da forma dele como me amava. Não vou omitir o fato de que nas ras vezes em que ele dizia claramente que me amava eu não me sentia dez mil vezes melhor, mas era justamente por isso que eu me sentia daquela forma, como se pudesse criar asas. Porque a cada vez que ele dizia era raro. Era peculiar. E fazia eu me sentir exatamente assim; especial. E era assim que eu me sentia em relação a ele. E era por isso que suspirava a cada murmúrio, ou palavra que não era dita e compartilhada apenas pelo olhar. Amava cada singelo sorriso e olhar direcionado a mim. Todos eram especiais. Inesquecíveis.
Eu confiava nele mais do que a minha própria vida. Não havíamos mudado com todos aqueles erros, tanto meus quanto dele, mas aprendemos com eles. Descobrimos uma parte nossa que até então era desconhecida. Não vivíamos mais sem um e outro.
Eu não estava nenhum pouco arrependida por ter dado a Draco uma segunda chance. Não nos importávamos com o que as pessoas tinham a dizer sobre isso. Não nos importávamos com o mundo lá fora. Tudo o que nos importava estava acontecendo dentro de nós.
Eu tinha o melhor de Draco e era assim que eu sempre iria querer estar. Junto com ele e com a nossa filha.
"Ninguém pode voltar ao início e escrever uma nova história, mas todos podem aprender com os erros e escrever seu próprio final."
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