A Beautiful Lie

5 Cap. 5 - Eu Te Odeio!


Notas iniciais
Bem, arrumei um tempo livre e vim postar antes hehehe
Obrigada pelos comentários, amei cada um e já respondi tds ^^
Espero q gostem desse cap. e me digam no q devo melhorar ^^
Enjoy^^

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Eu não me movi. Permaneci de olhos fechados. Tinha medo até mesmo de respirar e ele perceber. Eu estava ciente de cada parte do meu corpo, cada ponto que parecia ter ficado mais sensível. Ouvi um gemido baixo e abri os olhos, me encolhendo mais no canto, como se pudesse me fundir a parede nesse momento. Quando mexi as pernas, senti uma leve dor entre elas. Um lembrete do que havia acontecido. Não que eu precisasse. As manchas roxas espalhadas em minha barriga e braços eram provas o suficiente. Não havia sido um pesadelo, como eu queria. Eu ainda não havia olhado o resto do meu corpo, mas tinha certeza do que encontraria.

Abracei meus joelhos quando vi sua respiração acelerar e ele virar na cama, acordando. Ele não me notou ali no primeiro momento, mas pareceu se situar assim que se sentou na cama. Suas mãos se moveram para seu cabelo, enquanto ele os amassava e apertava os olhos fazendo uma careta.

Ele murmurou algo que eu não entendi muito bem, mas eu não estava preocupada com isso. Eu fiquei preocupada quando ele olhou em minha direção, erguendo uma sobrancelha, como se estivesse confuso. Seus olhos se arregalaram como pratos e então reconhecimento preencheu suas feições enquanto ele olhava ao redor. Vendo todo o estrago que ele mesmo causou.

Algumas coisas ficaram fora do lugar enquanto eu procurava a chave para abrir a porta, sem sucesso, e tentava abrir a maldita janela. Ninguém na casa havia ouvido meus gritos, ninguém nunca ouviria com paredes a prova de som.

–O que foi que eu fiz? –ele murmurou como uma pergunta, enquanto passava as mãos na nuca, parecendo frustrado.

Apertei mais o caco do que havia sido uma garrafa de whisky em minha mão. Machucou, mas eu não me importei.

Ele se levantou da cama, parecendo tropeçar nos próprios pés para isso.

–Hermione, eu...

–Fique longe de mim. –eu sibilei, quando ele começou a caminhar lentamente em minha direção. Quando ele não parou, eu repeti, mais firme dessa vez. – Não se aproxime mais, fique onde está!

Ele parou. Talvez, por eu ter me erguido, com a ajuda de uma cadeira, e apontado o pedaço de vidro em sua direção.

–Vamos conversar Hermione. –ergueu os braços, em sinal de rendição.

Era irônico que ontem mesmo ele estava me fazendo temê-lo.

–Hermione...

–Não me chame assim! –eu gritei, me controlando para permanecer firme. –Eu não quero que você pronuncie meu nome nessa sua boca suja seu monstro!

–Tudo bem, tudo bem. –ele disse como se tentasse acalmar um animal selvagem. Ele era o selvagem aqui, não eu. Percebi que ele começou a se movimentar, quase imperceptível. – Vamos conversar, está bem? Eu não quis... Ai!

Ele gemeu alto, quando o vidro cortou seu braço. Eu observei o sangue sair, inicialmente em uma fina linha carmesim, mas depois, essa linha começou a crescer e o sangue a pingar no chão. Eu não senti pena dele, aquilo apenas me motivou a ir pra cima dele. Eu queria tirar sangue dele. Draco não tinha sentimentos, mas ainda sim, o coração dele batia.

Porém, assim que meu punho se ergueu, ele olhou para o meu rosto. Choque ainda preenchia suas feições, provavelmente surpreso pela minha atitude. Ele torceu meu pulso, o levando para trás das minhas costas. Eu mordi o lábio inferior, abrindo o recém-fechado corte da minha boca, que surgiu quando ele me bateu. Eu não queria largar a única coisa que me protegia de Draco, mas a dor em meu pulso fez com que eu soltasse o vidro automaticamente, me dando conta disso apenas quando ouvi o barulho abafado de quando ele se chocou com o tapete cinza.

Ele me soltou e eu massageei meu pulso, sentindo como se ele ainda estivesse sendo apertado. Eu não me virei. Queria voltar a me sentar junto à parede. Permaneci de pé.

Senti suas duas mãos em meus ombros, me virando para ele. Ao contrário do que eu esperava, eu não comecei a chorar ou sai correndo. Eu tinha medo dele. Muito. Mas eu não queria demonstrar fraqueza, eu não queria o deixar fazer tudo aquilo de novo.

–Agora, -ele disse, ofegante. –vamos conversar, calmamente. Sem agressões, gritos ou insultos, certo?

Ele me encarou, não com o olhar atrevido e presunçoso, apenas... Observou com seus olhos cinza. Eu queria furá-los, apenas por ele ter a audácia de olhar para mim depois de tudo.

Quando ele tirou suas mãos do meu corpo, foi como se eu estivesse mais leve. Eu acompanhei com os olhos enquanto ele ia até seu closet e pegava uma pequena caixinha branca, tirando de lá uma gaze, que colocou sobre o corte em seu braço. Não havia sido muito grande e profundo, infelizmente, mas pareceu ser o suficiente para que saísse uma boa quantidade de sangue.

–Eu não quis fazer aquilo ontem, — ele começou, não me olhando. – Eu estava bêbado, e com raiva pela Pansy. Quando eu cheguei aqui, você estava deitada na cama. E eu... –ele parou, me olhando. Aquela escuridão que eu havia visto em seus olhos ontem, aquela maldade, estava ali. – Eu só perdi o controle. Quando Pansy me disse que você a empurrou...

–Eu não a empurrei! –repeti desnecessariamente. Já não me importava ter que provar nada.

– Quando ela me disse, — ele continuou, como se nem ao menos tivesse sido interrompido. – Eu fiquei nervoso. Eu havia acabado de dizer aos meus pais que eles seriam avós... –ele parou, respirando fundo. –Pode imaginar o que eu ouvi do meu pai sobre isso? E ai... Quando eu te vi, eu só queria que você pagasse por aquilo. Mas eu não planejava fazer isso, Hermione, -ele deu um passo em minha direção, e eu senti minhas costas baterem na parede. Ele parou. –Eu não quis aquilo. Eu estava fora de mim. Sei que não devia ter bebido tanto, eu sei. Eu prometo, eu juro, que isso não voltará a se repetir. Eu só peço que você não diga nada a ninguém. Eu darei um jeito, pago o tratamento da sua mãe, lhe dou um aumento...

As palavras dele pararam de fazer sentido aí. Em nenhum momento ele pediu perdão. Não iria adiantar, não iria fazer o tempo voltar, mas nem ao menos isso ele disse. Tudo para ele era, e sempre seria, questão de dinheiro.

–Não! –eu disse, interrompendo tudo o que ele estava falando.

–Não?

–Não. –eu repeti. –Eu não vou aceitar nada disso! O que você me fez, senhor Malfoy, é um crime e você pagará por ele.

Eu vi ele trincar o maxilar.

–Repense Granger, — o tom doce esquecido. –O que você ganharia contando a todos o que houve? O que você ganharia com isso? – o sorriso arrogante voltou. –Pensa que me arruinaria, uh? Mas eu digo: você está errada! Será a única a se prejudicar. Ninguém acreditará na palavra de uma empregada.

Ele continuou sorrindo para mim, enquanto ia até um vaso de violetas que estavam em cima do criado-mudo e tirava algo lá de dentro. Eu vi o brilho prata em suas mãos, e me amaldiçoei por não ter procurado mais.

Ele caminhou até a porta.

–Pense Granger, os benefícios que eu lhe ofereço, são melhores do que desemprego com uma mãe doente. –e então ele destrancou a porta e saiu, a trancando do lado de fora. Tudo aconteceu tão rápido que somente quando eu ouvi o clique vindo lá de fora foi que eu me mexi. Tarde demais.

Eu perdi a noção das horas depois disso. Ou talvez, tenha se passado alguns dias e eu nem havia percebido. Permanecia acordada, esperando que ele aparecesse novamente. Algumas vezes, quando eu estava cansada demais de olhar aquela porta, e esperar ela ser aberta, eu acabava caindo no sono, e acordava novamente com um clique.Quando olhava para a porta, via uma bandeja com comida em cima da mesinha de canto. Eu nunca comi. Pelo que eu sabia, e conhecia de Draco Malfoy, ele poderia tentar me envenenar. Porque diabos ele alimentaria alguém que pode colocar seu futuro em risco?

Eu sentia falta da minha mãe. Como ela deveria estar? Alguém a estava lembrando de tomar todos os remédios corretamente? Alguém estava indo vê-la? Eu não estava mais aguentando ficar presa sem ver e falar com ninguém...

Eu umedeci os lábios, ficando grata pelo quarto ter um pequeno frigobar com água dentro. Abracei mais meus joelhos, encarando fixamente a porta, e sentindo como se houvesse um enorme buraco em meu estomago.

Eu estava quase caindo na inconsciência quando um barulho me fez ficar totalmente alerta. De repente, minhas pálpebras não pareciam mais tão pesadas.

Eu vi quando ele entrou no quarto e eu continuei imóvel, cansada até mesmo para tentar escapar. Eu fiquei quieta até o momento em que ele ficou de costas para mim, depositando a bandeja com comida nova em cima da mesinha. Eu me movi e a cama fez um barulho baixo, mas suficiente para que ele me olhasse no mesmo instante. Sua expressão cansada.

–Devia comer. –ele disse, se encostando contra a parede. –Você vai acabar ficando doente.

–E você devia me deixar sair daqui. –eu falei. Minha garganta doía e minha voz saiu fraca.

–Somente quando você ver a razão Granger. –ele veio até a cama, se sentando a poucos centímetros de mim e eu me afastei, batendo minhas costas na cabeceira da cama. O ferro frio arrepiou os pelos da minha nuca, ou talvez, fosse o medo de tê-lo tão perto.

–Você não vê que se aceitar o acordo, terá muito mais benefícios do que se negando? Tudo o que vai conseguir quando sair daqui é que vire motivo de chacota por inventar tantas besteiras.

–Você sabe a verdade. Você sabe o que fez! –minha voz saiu mais firme dessa vez. Eu passei uma mão pela testa, secando as gotas de suor que haviam se formado ali. –Eu odeio você! –falei entre-dentes.

Ele suspirou pesadamente, não se importando com o que eu disse, e se levantou, indo até o closet e apontando para algumas roupas de Pansy. Eu reprimi o impulso e mordi a língua, contendo a vontade de perguntar por ela. Talvez aquele monstro tenha lhe posto para fora de casa...

–Deveria tomar um banho. Vista uma dessas roupas.

Ele caminhou até a porta, com passos lentos. Eu forcei minhas pernas para fora da cama, me sentindo fraca e meu estômago revirar. Ignorei a ânsia que senti e fui até ele, firmando meus pés no chão.

Meus dedos mal haviam tocado seu casaco marrom quando ele se virou, segurando meu pulso no ar.

– O que voc...

O que ele disse a partir daí perdeu o foco. Eu ouvi sua voz ficar distante, e tudo sumir a minha frente. O chão parecia estar se ondulando embaixo dos meus pés.

A última coisa que eu ouvi foi meu nome ser pronunciado, antes de fechar os olhos e sentir meu corpo leve.


Notas finais
Bem, a maioria deve saber o q acontece a partir daí, então, eu não vou fazer tanto suspense hahahaha
Erros? Me digam onde e eu arrumo hehehe
Sério, podem me avisar msm, eu reviso mega rápido, então acaba passando muitos erros ahsauas
#Ô vidinha complicada a minha kk'
Espero que tenham gostado. Próximo cap. sai em breve ;)
Bjs e té o próximo ninas ^^