A Batalha Final
4 Capítulo III
Notas iniciais
III
NICO
Nico teve pesadelos. Ele estava chegando ao acampamento com a Atena Partenos, ele lutava contra gigantes e monstros. Em seguida seu sonho mudou. Ele estava junto de Octavian, que se segurava em um projetil.
– Irei morrer como salvador de Roma! – Ele gritava, seus olhos vidrados.
Não faça isso. Nico queria gritar mas o som não saia, era abafado pela mãe terra.
Você se tornará um assassino, Nico Di Ângelo. Mais um semideus morrerá por sua causa.
NÃO. Ele gritava, mas novamente o som era abafado.
Octavian disparou o projetil e explodiu no ar. Nico pode sentir a vida do Augure indo embora, seu corpo explodindo junto com sua alma. Ele sentia dor e chorava.
Você não pode fazer nada. Está impotente. Assassino. Gritava Gaia em seu ouvido.
Isso não é real. Disse a si mesmo.
Então o sonho mudou. Nico estava nos campos de Punição. Octavian vagava como um espectro, ele quase não o reconheceu o Augure que caminhou na sua direção, os olhos vidrados.
–Você deixou que eu morresse. Não me impediu. Por sua causa estou aqui.
– Octavian eu....
– Seu Assassino! Assassino!
Junto dele, Bryce surgiu. O semideus que Nico havia transformado em fantasma. Mesmo como um espectro, seu sorriso era assassino.
– Você me matou. Logo chegará a hora da vingança. Seu assassino. – Falou Bryan, pausadamente com sua voz era grave.
– Assassino. – Gritava o Augure descontroladamente – Assassino.
A risada de Bryce se tornou mais intensa, os gritos ainda mais altos. Nico acordou. Estava suando, e com os olhos marejados Na enfermaria, os doentes dormiam enquanto dois curandeiros do chalé de Apolo sorriam na entrada. Will não estava ali. Droga, ele queria que estivesse ali. Ao seu lado, havia um copo com água. Ele bebeu, mas ela possuía um gosto amargo. Nico teve a impressão de ouvir novamente os gritos de Octavian e a ameaça de Bryce: “Logo chegará a hora da vingança”. Nico estremeceu. Sonhos de semideuses são sempre reveladores. Se ele sonhou isso, algo estaria por vir.
Ele tentou pensar em coisas boas. Em Bianca, Hazel e Will. Como assim Will? Ele tentou relaxar e logo estava dormindo. Ele acordou por volta do meio dia, com uma falatório. Ele abriu os olhos, e deu de cara com um par de olhos verdes espantados. Percy Jackson que começou a rir.
– Acordou! Ei cara você dorme feito pedra.
– Cale a boca.
Percy ainda continuava o olhando bem de perto, como se Nico fosse um alienígena e Percy o medico investigativo.
– Porque eu não faço o seu tipo?- Ele falou.
– O que? Percy.....
Então Anabeth chegou e puxou Percy.
– Deixa o Nico respirar. Caramba cabeça de algas, você enche o saco.
– Obrigado. – Falou Nico.
Ela sorrio, e então Nico avistou Jason, Piper e Will que se aproximaram. E pela cara deles era obvio que tinha tido uma conversa seria.
–Ei cara, está se sentido melhor? – Falou Jason.
– Eu trouxe isso pra você – Piper o entregou uma peça de mitomagia. Era Afrodite.
– Eu nem jogo mais isso. – Falou e ela assumiu uma expressão de tristeza – Mas obrigada, vou guardar de recordação.
Ela sorrio e me deu um beijo na testa de Nico, que corou instantaneamente. Jason abriu um sorriso.
– Will disse que você terá alta amanhã. E eu já planejei varias coisa. Nas quartas teremos treino de esgrima e...
– Quinta Maratona de filmes. – Completou Piper.
– Gente é serio. Não precisam se preocupar, vocês estão parecendo meus pais. – Ele apontou pra Jason e Piper.
– Há! – Gargalhou Percy.
– Cara, a gente só quer que você fique bem. Todo mundo aqui gosta de você. – Falou Jason.
Nico olhou para eles, olhos brilhantes e rostos sorridentes. Nico não estava acostumado a esse tipo de atenção e carinho. A ultima vez que alguém se preocupara tanto com ele, fora uma vez em que ficou gripado e Bianca ficou ao seu lado o tempo todo até ele melhorar. Só Will, que se mantinha um pouco afastado, mas ao notar que Nico o olhava ele se aproximou e sorrio. Um sorriso lindo para Nico.
– Gente, acho melhor vocês deixarem o Nico um pouco sozinho.
Nico ficou muito feliz por isso.
– Até mais, bela adormecida. -Falou Jason.
– Acho que os papéis foram invertidos. Tem certeza que sou a Bela adormecida Grace? -Falou Nico.
– Olha que eu te quebro todo garoto.
Nico sorriu. E dessa vez não pareceu uma careta
– Eu não entendi. — Falou Percy.
Anabeth deu um tapa na própria testa.
– Pelos Deuses cabeça de algas, como você pode ser tão lerdo?
– É sério, eu não entendi.- Annabeth o arrastou pelo braço.
– Vem. Vamos deixar o Nico sozinho.
– Fica bem logo ta — E dizendo isso, Jason deu um beijo na testa de Nico que ficou furioso.
– Já falei! Nada de contatos físicos.
– Isso não serve pra mim, sou como se fosse seu irmão cara! — E pisou um dos olhos.
Logo todos saíram, e ficaram apenas Nico, Will e alguns pacientes.
– Posso? — Ele apontou pra cama, e Nico se afastou um pouco dando espaço pra ele se sentar.
– Não tem como você me liberar antes não?- Perguntou Nico
– Não. — Ele pegou a mão de Nico que sentiu aquele choque — você está 85% pronto. Amanhã estará 100%.
Nico deu de ombros
– Me sinto ótimo. — E era verdade, bem não tão ótimo assim, mas bem melhor.
Will o olhou por um tempo. Nico revirou o olhar.
– Porque você faz isso? -Perguntou Will.
– Isso o que?
– Evita as pessoas. Toda vez que eu te olho, você revira o olhar. Você se afasta de mim.
Nico sentiu uma pontada de tristeza. Ele não queria se machucar de novo. Will estava sendo um cara legal mas nunca se sabe quando o vivo pode ser traiçoeiro e magoa-lo novamente.
– Eu não sei.
– Você tem medo de se machucar?
Nico se sentiu desconfortável, ele corou. Will estava certo.
– Olha pra mim! Acredite, eu só quero ser seu amigo, e-eu não vou te machucar.
Nico o olhou, seus olhos se encontraram e borboletas se formaram no estômago de Nico.
– Esta vendo? Eu não mordo, Príncipe fantasma — Ele sorrio
– Não gosto de apelidos, Solace.
– Por que? Ajudam a quebrar o gelo. São comuns entre amigos. — Ele deu um soco de leve no ombro de Nico — Vamos, me da um apelido.
– Han, Senhor Intrometido? Eu realmente não sou bom nisso.
– Que tal Rei quente.
– Isso combinaria mais com o Leo — E então Nico sentiu novamente uma pontada de tristeza. Leo Valdez estava desaparecido. Ele havia sentido a sua morte, mas agora seus sentidos estavam desorientados, ainda mais com um Will lhe encarando.
– Ele era seu amigo? Eu sinto muito, talvez ele esteja bem e apareça por aí logo, logo.
A corneta soou. Hora do almoço.
– Bom, tenho que ir. Mas eu volto com sua comida.
Will bagunçou o cabelo Nico. Sério qual a graça nisso? Pensou Nico.
Mais tarde Will voltou com seu almoço. Enquanto Nico comia Batas fritas e hambúrguer, Will trabalhava com os últimos pacientes. Até que por volta das cinco e meia ele liberou todos. E então ficaram os dois sozinhos.
– Sério que não posso ir?
– Não, Você ta tipo 90%
– 90 é quase 100. Vai lá cara, me libera.
– Não. Regra número 1?
– Ta. Nunca questione...
– Nunca desobedeça as ordens médicas — ele o corrigiu. — Agora vamos ver essas feridas.
Nico sentou-se na cama. Will estava a sua frente, ele retirou cuidadosamente a sua camisa, e retirou as fachas de gaze que envolvia todo seu abdômen. O que Deixou Nico desconfortável. Ele tocou nas cicatrizes no peitoral e abdômen de Nico. E ele sentiu novamente o choque. Mas dessa vez foi um pouco diferente. Entrou tocou no ombro onde tinham as garras da luta contra Licáon.
– Seus ferimentos estão bem melhores. — Falou Will enquanto tateava a barriga de Nico. Depois ele foi paras as costas — Muito bom.
Com o dedo, Will tocou a Nuca de Nico e desceu até o final das costas. Nico sentiu um arrepio diferente. E corou.
– Você está perfeito.- Falou
– Então me libera.
– O que? Não, você não. Seus ferimentos. Você precisa dormi aqui.
Ele o encarou. Seus olhos azuis olhando diretamente nos negros de Nico. As mãos apoiadas nas pernas do filho de Hades. Seus rostos estavam quase que colados. Então Nico revirou o rosto.
– Vou te contar uma história. — Falou Will. — Vai mais pra lá.
– An...
– Vai!
Nico obedeceu e logo os dois estavam na mesma cama.
– Tem um mito de um filósofo Grego que eu acho bem legal. O nome dele é Platão. Quer ouvir?
Nico já ouvirá Mitos de Platão, tinha um que ele odiava e temia que Will não contasse justamente aquele Mito dos Andrógenos. Ele queria dizer: não, chega de Mitos. Mas falou:
– E eu tenho escolha?
– Não. – Disse Will sorrindo- Existia uma caverna, e lá dentro vários homens. Um deles decidiu ver a luz do sol. E escalou a caverna até o topo. Quando ele viu a luz do sol e quão bonito era o mundo, ele decidiu que não ia mais voltar. Ele contou aos outros homens, uns até o acompanharam, mas outros ficaram lá, na escuridão. — Will parou — Esse é um Mito pra explicar a descoberta do pensar e as ideias humanas, mas pode ser aplicado com a gente. Olha. Estamos aqui, eu e você, trancados nessa "caverna". Eu fui lá em cima, e vi como o mundo é bonito e legal, e agora quero te mostrar isso também. — Will olhou pra Nico- Você deixaria eu te tirar das sombras? Mesmo que você seja o príncipe das sombras.
Nico ficou quieto. Nunca ninguém tinha dito aquilo. Will parecia sincero. Nico o olhou. Borboletas se formavam no estômago de Nico. Eles ficaram lá se olhando por um tempo. Até Nico encarar o piso da enfermaria.
– É complicado.
Will sorriu. Um sorriso sincero e lindo. Ele envolveu Nico com seus braços fortes. Nico tentou sair. Mais Will balançou a cabeça.
– Não Nico, por ordens médicas você vai ficar aqui.
Nico bufou. E deixou se envolver no abraço de Will que se aproximou o rosto ainda mais perto do dele. Nico podia sentir a respiração do garoto. Eles estavam cara a cara. Nico ficou nervoso e virou o rosto. Will o soltou.
–É.... — Will parou — Posso fazer uma pergunta?
– Você já fez, mas tudo bem, pode fazer outra.
– Você é chato hein — Will sorrio -Então, É verdade que você foi pro tártaro?
Nico encarou o piso com ainda mais vontade, sua ida ao tártaro não era um de seus assuntos prediletos. Afinal ele tinha ido até lá para ajudar o Percy. Mas ali estava ele, em cima de uma cama de hospital sentado junto com o curandeiro mais intrometido do mundo. Ele não queria falar, mas Will parecia uma criança prestes a ouvir uma história antes de dormi.
– Sim, fui lá. — Ele parou- não só no Tártaro, mas por todo o mundo inferior. Campos Elísios, Asfódelos, Punição e... O palácio de Hades, minha casa.
– Completamente sozinho?
– É bem, sim.
– Isso é incrível. Tipo como assim alguém vai no mundo inferior e no tártaro sozinho e volta completamente ileso? — Seus olhos brilhavam.
– Fiz isso por necessidade. O mundo estava em risco. Não pra ser, sei lá, um herói. Eu só fiz a minha obrigação.
– Isso o torna ainda mais heroico. Sabe, bem que eu queria ter tido um pouco mais de aventura. Eu sou apenas um simples curandeiro que em todas as batalhas permanece aqui. Impotente.
– Ei! Você salva várias vidas. Isso não é o bastante?
Will o olhou e sorrio.
– Talvez.
Nico sentiu seus olhos pesarem.
–Acho que você esta cansado. Melhor eu... Eu ir pra outra cama.
Ele se levantou e deitou-se na cama mais próxima da de Nico. Que logo estava dormindo. E Felizmente não teve pesadelos.
Ele acordou de manhã. Will Havia trocado de roupa, Nico vestia Jeans escuro e bem... Ele não tinha camisetas, exceto aquela horrível de flores e araras que ele decidiu nunca mais usar.
Quando Will percebeu que Nico tinha acordado correu em sua direção. Um sorriso lindo que lembrou a Nico dias de sol, estampava o rosto do filho de Apolo. Os cabelos meio encaracolados estavam bagunçados como sempre. Ele vestia a camisa do acampamento meio sangue, bermuda caqui e chinelos.
– Muito bem, Nico Di Angelo, vamos a ultima consulta.
Will olhou novamente o corpo de Nico, que como sempre se sentiu envergonhado. Ele tateou as cicatrizes do Nico. Em especial a dos ombros.
– Eu gosto dessa. Sei lá, você foi tão corajoso. — Disse.
Nico corou e Will percebeu.
– Não fique envergonhado. — Falou Will. — Muito bem, você está 100%. Está de alta, mas ainda terá que passar uns dias sem usar magia do mundo inferior, você pode ter recaídas. Você se desgastou muito nessas missões.
Will pegou o copo de água e alguns néctares e ambrosia e caminhou sentido ao armário. Então Nico falou:
– Will!
O garoto virou rápido como se esperasse pelo chamado.
– Sim?
– É que... Bem, eu não tenho camisa. Aquela que eu cheguei, eu hum, não gosto de usar, não faz meu tipo.
– Sei disso, eu gosto de cores e tal, mas aquela ali é um tanto chamativa. — Will fez gesto em tirar a camisa.
– Você não vai tirar a camisa e me dar né? Não precisa.
– Relaxa Nico. Eu tenho outra. E creio que o estoque de camisetas do acampamento meio que esgotaram. — então Will retirou a camisa revelando seu abdômen sarado e músculos definidos. Nico sentiu vergonha por não ser "perfeito" daquele jeito. E sentiu algo ainda mais estranho quando o viu daquele jeito. Ele desviou o olhar pois não queria que Will percebesse. — Toma, talvez fique grande.
Nico vestido e sinceramente, grande era pouco. Will não era nenhum Frank, tinha o corpo exatamente dentro dos padrões: nem mais, nem menos. Já Nico era realmente magro.
– É, acho que caberia outro eu aqui dentro.
Will sorrio.
– Ei, eu não sou tão gordo assim.
– Eu sei, eu que sou magro de mais.
– Eu acho que esta bom. — Nico o encarou — Quer dizer, você tem quantos anos? 13?
– Eu.... bem, tenho muitos anos, se for levar em conta o tempo que passei no cassino Lotus, mas acho que eu tenho 14 ou 15.
Will sorrio.
– Bem, na sua idade eu meio que era assim.
– Quantos você tem agora?
– 17 . — ele sorriu.
– É... Você vai ficar sem camisa mesmo?
Então Will olhou para si mesmo e sorrio novamente.
–Caramba, esqueci completamente.
Ele foi até sua bolsa e pegou uma camisa de surf. Nico desceu da cama. Estava com fome. Ele e Will organizaram um pouco a enfermaria, de um jeitoo que as harpias da limpeza não reclamassem.
– Bem, até mais. — Disse Will na porta da enfermaria.
– Até — Falou Nico, que deu as costas e começou a caminhar.
– Nico!
– O que?- Ele se virou, e o sol quase lhe segou. Ele mal podia enxergar Will.
– O que acha de... Nós nos encontramos hoje nos Campos de morango?
– Nos campos de Morango? Mas...
– Depois do toque de recolher. Eu preciso te falar uma cosia, mas... Mas só pode ser lá.
Nico pensou um pouco. O que seria? Ele sentiu uma felicidade, que foi automaticamente repreendida.
– Ok.
Nico se dirigiu rapidamente para o chalé de Hades, ele precisava de comida, mas precisava ainda mais de banho.
Ele entrou no chalé 13, a decoração vampiresca e fúnebre o incomodava. Só porque ele era filho de Hades, não significava que ele era literalmente um vampiro amante da morte. Sério, pra que essas camas estilo caixões?
Nico tomou um banho, vestiu a mesma roupa, que era a sua única. Nico nuca tivera muitas roupas. E ainda sim, metade era guardada no palácio de Hades, e a outra metade no acampamento Júpiter. No meio sangue não havia nada.
Ele olhou para os resquícios da sua cicatriz no ombro, que até um tempo atrás . Estava mais forte. E se lembrou das palavras de Will. Ele não se sentia heroico, mas talvez um pouco feliz.
Não. Pesou. De novo não. Não com um filho de Apolo!
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