Notas iniciais
Oi! Segue o cap

Uma sensação de alívio tomou conta de mim quando enxerguei o Acampamento. Corri colina adentro assim que a jangada pousou, mas eu não encontrei ninguém. Corri para o chalé de Santana, mas estava vazio. E também não estavam ao redor da fogueira, ou na mesa do almoço.

Vaguei por lá mais alguns minutos antes de enxergar uma fumaça cinzenta subindo da arena. Desde quando eles jantam lá? Ok, gente louca. Mas eu não sabia ao certo quanto tempo eu estive fora, então eu suponho que algo tenha acontecido. Sei lá, deve ser alguma competição ou coisa assim.

- … e por isso, presumimos que esteja morta. – Will disse.

Minhas pernas travaram. Eu demorei alguns segundos para me dar conta do que estava acontecendo, mas me apavorei quando percebi.

- Por isso, pedimos que a sua melhor amiga e ex-namorada viesse fazer as honras.

Meu coração parou no momento em que vi Santana subindo para o meio do palco. Ela tinha os olhos vermelhos e com profundas olheiras. Parecia mais… abatida.

- Ela foi a melhor pessoa que eu já conheci. E ela sempre vai ser o meu primeiro amor, e o amor da minha vida. – ela disse, em meio às lágrimas. – E ela… ela está aqui!

Todos se viraram. Alguns ofegaram, outros sorriram.

- Britt! – Puckerman cumprimentou, sorrindo para mim. – Você está bem.

- Estou feliz que esteja viva. – Will disse, me cumprimentando. – Mas você precisa contar o que…

- ONDE VOCÊ ESTAVA?

Santana abriu caminho pelos campistas, andando com passos largos em minha direção. Encolhi meu corpo, achando que ela fosse me bater, mas ela apenas se jogou nos meus braços, agarrando meu pescoço. Enterrei a mão em seus cabelos e ela escondeu o rosto no meu peito.

- Eu… nós achamos que estivesse morta. – Ela murmurou, e eu pude sentir lágrimas molhando a minha camiseta.

- Eu estou bem. – respondi no mesmo tom, beijando o topo de seus cabelos. – Eu estava perdida. Desculpe.

- Perdida? Por díos! – Ela exclamou. – Duas semanas, Brittany! Onde raios você se meteu?

- Santana, talvez devêssemos discutir isto em algum lugar mais apropriado. – Will sugeriu.

Olhei ao redor e senti meu rosto queimar ao ver todos os campistas nos olhando em silêncio. Santana assentiu e se afastou, limpando o rosto.

No segundo em que ela se afastou, algo foi lançado em minhas costas. Ou melhor, alguém.

- Fabray! – praguejei. – Desça das minhas costas, nós vamos cair!

- Você tem tantas algas na cabeça que elas sufocaram seu cérebro? – Ela xingou, enquanto descia das minhas costas. – Onde você estava, Cabeça de Alga?

Seus olhos verdes estavam vermelhos, mas agora ela trazia um sorriso no rosto. Abracei-a enquanto Rachel e Blaine correriam para me cumprimentar também. Era bom estar em casa.

- Vocês podem conversar melhor depois. – Will disse. – Agora, eu quero Santana e Brittany apenas.

Assentimos e nós duas seguimos Will. Santana ainda fungava baixinho e afastava algumas lágrimas do rosto, então coloquei o braço ao redor de sua cintura e a puxei para mais perto de mim. Ela me abraçou também e prosseguimos em silêncio para a Casa Grande.

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- E então foi isto. – Falei, após contar toda a história.

Não consegui mentir sobre Calypso, então contei a verdade. Apenas omiti a parte do beijo, mas no fundo, acho que Santana sabia de algo. Ela mal olhava para mim, como se eu fosse culpada de alguma coisa.

- Hefesto não me disse nada a respeito de Dédalo.

- Mas disse para mim. – Santana falou rispidamente. – Disse que nós não podíamos confiar nele, e o chamou de velho louco. Isto foi tudo.

- Então vamos atrás dele? – perguntei.

- Eu vou atrás dele. – Ela cortou. – Você fica aqui.

Dito isto, ela saiu da casa. Levantei para ir atrás dela, mas Will agarrou meu pulso.

- Nem pense nisto. – ele disse. – Primeiro, você vai me explicar que ideia foi essa de fugir do acampamento.

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Demorei mais ou menos uma hora para convencer Will que Joe, Quinn e eu só tínhamos boas intenções quando saímos de lá. Ele me passou um sermão sobre como eu havia sido irresponsável, mas eu não prestei muita atenção. Eu só queria ir atrás de Santana.

Ela não estava nos chalés, nem na arena. Na verdade, eu não sabia onde ela estava. Temi que ela tivesse ido ao labirinto sozinha, mas no fundo eu sabia que ela não faria isso. O seu orgulho não era tão forte a ponto de por em risco a própria vida. Ou ao menos eu esperava que não fosse. Então fui para o único lugar que talvez ela pudesse estar. As plantações de morango.

Passávamos um bom tempo lá. Nós costumávamos a ficar por lá quando queríamos um pouco de paz do resto dos campistas. E, de fato, ela estava lá.

Santana tinha os olhos fechados, carregando uma expressão serena no rosto. Ela abraçava os joelhos e parecia apreciar a leve brisa da noite, carregada com o aroma dos morangos. Ela estava linda, como sempre. A minha única vontade era de abraça-la e ficar o resto da noite deitada ali mesmo com ela, mas nós precisávamos conversar.

- Oi. – falei baixinho. – Posso sentar com você?

Ela apenas assentiu, então eu cheguei mais perto e me sentei ao seu lado. Ela parecia querer evitar olhar para mim, como se algo ruim fosse acontecer se ela o fizesse.

- Você está bem? – perguntei.

- Você quem ficou duas semanas desaparecida. – ela retrucou. – Eu estou ótima.

- Não minta para mim.

Ela me olhou séria por alguns instantes. Pude ver um brilho triste nos seus olhos, e também decepção.

- Eu quero que você pare de mentir para mim. – ela falou. – Olhe nos meus olhos e me diga que não aconteceu nada em Ogygia.

- Calypso me beijou no último dia em que fiquei lá. – contei, tentando não me atropelar nas palavras.

Ela olhou para mim com lágrimas nos olhos e levantou. Porém, antes que ela saísse, agarrei seu pulso.

- Isto não é justo. – eu falei.

- Você beijou outra pessoa. – ela me acusou. – Você se apaixonou de novo, Brittany.

- Não, não é verdade! – explodi. – Eu amo você. Única e exclusivamente você, mas que merda! É tão difícil de entender que eu não quero nada com mais ninguém? E foi você quem terminou comigo, por que todo esse drama? Eu não sou adivinha, Santana! Me diga no que você está pensando, me diga o que você está sentindo. Se você ainda gosta de mim, me deixe saber.

Ela me olhou assustada. Só então percebi que eu havia agarrado seus ombros e estava a apertando. Soltei-a, também assustada comigo.

- Desculpe. – eu murmurei. – Eu perdi o controle.

- Não é sua culpa. – ela respondeu.

- É sim. – retruquei. – Eu machuquei você?

- Britt, você não fez nada de errado. – ela disse. – Você estava certa. Eu terminei com você, eu te fiz mal. É só que… ah, Britt! Eu fiquei com tanto medo de perder você quando eu li a profecia! Eu só… deuses, eu amo você. Eu nunca deixei de amar, um segundo sequer. Eu fiquei com ciúmes quando você disse que ela te beijou, eu fiquei com raiva. Por favor, não quero que você fique irritada comigo, eu…

Agarrei seu rosto e colei seus lábios nos meus. Nossas línguas se uniram, deuses, como eu senti falta disto! Minhas mãos agarraram sua cintura e ela abraçou meu pescoço.

Nos afastamos em busca de ar, e só então percebi que eu estava deitada no chão. Santana estava por cima de mim, com um sorriso relaxado no rosto. Sorri de volta e inclinei meu rosto, deixando um selinho em seus lábios.

- Podemos ir para o meu chalé? – perguntei.

- Tudo o que você quiser, Britt-Britt.

Notas finais
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