A Baixinha E O Metaleiro
9 Capítulo 8 –– Na cachoeira
Notas iniciais
Capítulo 8 –– Na Cachoeira
–– Vamos pessoal, todos entrando! –– gritou Alzack enquanto ficava ao lado da porta aberta do ônibus.
Suspirei fundo e andei por trás de Lucy e Natsu que entravam de mãos dadas, olhei para o lado e vi Gajeel se aproximando, logo, olhei para frente fingindo não me importar com sua presença. Cana era a única das garotas que havia conseguido ir com ele, senti nojo dos dois, bando de imbecis...
–– Levy-chan, você se importa se eu sentar com o Natsu? –– sorriu, e eu, senti uma tristeza.
–– Claro que não –– ri ––, fiquem à vontade.
Depois de uma bela fila finalmente entrei, vi muitos casais sentando um ao lado do outro como Gray e Juvia e Erza e Jellal, poderia até ser que os dois pares não fossem um casal, mas parecia muito. Fui andando até encontrar duas cadeiras vazias, encontrei, mas antes de me sentar, tentei colocar minha bolsa no bagageiro, e como eu era meio baixinha, ficou sendo um pouco difícil para mim.
–– Psiu, quer ajuda? –– alguém perguntou atrás de mim bem perto da minha orelha, e eu conhecia muito bem aquela voz. Gajeel Redfox.
–– Não, obrigada! –– respondi fria e seca sem olhar para trás, eu mesma senti pena dele, mas aquela terrível cena com Cana me deixou com tanto estresse.
–– Pra quê essa raiva? –– soltou uma risada curta –– Ciúmes da Cana?
–– Idiota, claro que não. –– enrubesci virando o rosto, Gajeel ia abrir a boca para falar algo, mas Makarov interrompeu chegando até nós.
–– Poderiam se sentar, pelo amor? O ônibus vai partir daqui a pouco! –– disse ele massageando suas têmporas.
–– D-Desculpe –– disse entregando minha bolsa a Gajeel ––, pode colocar ali.
Ele apenas sorriu e pôs a bolsa em seu devido lugar, Mararov saiu de perto de nós, pelo menos não tinha muitas pessoas próximas. Percebi também que havia muitos alunos do outro segundo ano, e eu apenas conhecia um, Lyon Vastia, o primo de Gray, o resto eu apenas via passar pela escola no intervalo e na saída.
Gajeel guardou também sua bolsa, mas, bem do lado a minha, e na maior cara de pau se sentou ao meu lado, o encarei franzindo o cenho.
–– Mas o que é isso mesmo?
–– Vou sentar aqui, a Cana já está perturbando demais. –– sorriu malicioso.
–– Não queira me meter nessa história só porque você é li... –– parei de falar imediatamente, eu não acreditei em mim mesma quando pensei em dizer “porque você é lindo...”, virei o rosto rubro rapidamente.
–– Sou o quê? –– e se aproximou sorrindo, tremi.
–– Popular! Porque você é popular! –– menti.
–– Hm... –– resmungou.
–– Gente, nós já vamos partir. –– disse Bisca enquanto passava por toda a extensão do ônibus.
–– Uhu! –– todos começaram a comemorar, inclusive Gajeel.
–– Mas nem pensem que os casaisinhos vão ficar de namoro, vamos fazer exercícios ao ar livre também! –– completou Alzack, todos em coro gritaram em desaprovação.
–– Que ridículo, só pensam em ficar se pegando... –– disse com um rosto emburrado.
–– Será que você só reclama? –– riu –– Quer um abraço pra melhorar esse humor?
–– E será que você só pensa em me perturbar? Que saco. –– disse, mas por dentro, parecia que eu ia entrar em combustão a qualquer momento.
E o ônibus partiu.
Como toda “aventura” escolar, ainda mais em transportes, sempre têm aquelas músicas irritantes ou as brincadeiras constrangedores. Enquanto todos cantavam, eu mexia no celular.
–– Ei, não vai cantar também? –– perguntou Gajeel.
–– Não...
–– Então a gente vai fazer uma brincadeira! –– disse Makarov aparecendo do nada.
–– O-O quê?
–– Que tal um Quiz? –– perguntou Lucy, e eu não achei nada bom.
–– Ótimo –– disse Gajeel –– Levy, responda minha pergunta.
–– Não quero brincar disso. –– disse com um sorriso amarelo para todos.
–– Poxa, Levy, não amarela! Que saco! –– disseram todo mundo ao mesmo tempo.
–– T-Tá, mas só uma, está certo?
–– Ok. Agora me deixe perguntar –– disse ele se virando a mim –– Você namoraria quem da escola?
–– Ninguém. –– respondi rapidamente.
–– Sério? –– perguntou Bisca se aproximando, eu havia me transformado no centro das atenções –– E o Droy? O Jet?
–– Eles são apenas meus amigos... –– corei. Gajeel me olhava estranho.
–– Não tem outro mesmo? –– perguntou Natsu. Apenas neguei com a cabeça fitando o chão.
–– Foi um erro perguntar a Levy, pessoal, perguntem a outro. –– disse Gajeel ficando bem sério e se ajeitando na cadeira, logo, pondo fones de ouvido.
Achei estranha sua reação, mesmo que a pergunta tinha vindo dele, parece que ele queria mesmo que eu dissesse que o namoraria. Nunca. Todos que estavam a minha volta falavam algo em desaprovação e saíram de perto de nós, me senti um tanto constrangida, mas fingi não me importar e fiquei sem falar com Gajeel por um longo tempo no ônibus, vi todos se divertirem na parte da frente.
Adormeci pelo resto da viagem, talvez por conta de ter dormido antes da hora em casa, mas aquela soneca resolveu boa parte. Quando finalmente chegamos, senti alguém me cutucar, acordei lentamente e para minha surpresa, era Gajeel.
–– Vamos, dorminhoca. –– disse pegando nossas bolsas.
–– Já chegamos? Foi rápido... –– me levantei devagar.
–– Você dormiu por um longo tempo, sonhou comigo? –– brincou, dei língua a ele.
–– Obrigada. –– eu disse enquanto pegava minha bolsa.
–– Poderia agradecer com um beijo, que tal?
–– Não. O que deu em você? Está mais pervertido que o normal! –– ri, e logo depois ele.
–– São seus olhos. –– sorriu enquanto me seguia até a porta do ônibus.
Saímos do ônibus, e primeiramente olhei a minha volta. O lugar era lindo, cheio de pássaros, árvores, riachos e um pequeno apartamento feito de madeira, provavelmente onde seriam nossos quartos.
Bisca, Alzack e Makarov nos guiaram a nossos quartos, Gajeel conversava com os amigos dele e eu tentava falar com Lucy sem que Natsu nos interrompesse para beijá-la ou algo do tipo.
Bisca mostrou o quarto das garotas, perguntei a Lucy se ela queria dividir o quarto comigo já que era em dupla, ela aceitou, claro.
–– Garotas! Lembrem-se que às 10h nós iremos acampar, nem pensem que vão ficar nessa casa aconchegante por muito tempo. –– disse Bisca sorrindo.
–– Podemos levar os biquínis? –– perguntou Lucy.
–– Claro. Depois da aula iremos nadar em um rio bem grande com cachoeira, e à noite dormirem em barracas.
–– Legal! –– exclamei sorrindo.
–– Então, usem os quartos para se arrumarem direitinho e levar apenas o necessário para sair.
–– Haai! –– todas as garotas responderam em coro.
Lucy e eu entramos no quarto e tomamos um banho, abrindo espaço para conversar sobre coisas aleatórias. Arrumamos o que iríamos precisar para dormir fora, vesti meu biquíni por dentro de minha roupa como Lucy, e também levei outro par de roupas, chinelas, escova de cabelo e de dente.
Enquanto não chegavam 10h, conversamos mais um pouco sobre garotos, típico de meninas.
–– Oe, Oe, você e o Gajeel estão bem íntimos, não? –– riu marota e eu corei absurdamente.
–– Claro que não, somos só amigos, mais nada!
–– Sei, e aquela pergunta que ele te fez?
–– Ele é um idiota...
–– Tem certeza que não gosta dele?
–– C-Como amigo.
–– Tem certeza? –– perguntou novamente, mas com uma entonação maior.
–– Sinceramente eu não sei. O Gajeel mexe comigo... mas eu nunca namorei pra saber se isso é gostar... –– corei mais do que já estava, se era possível.
–– Você gosta da presença dele?
–– Às vezes...
A verdade era que toda vez que Gajeel se aproximava de mim meu coração acelerava, poderia até ser por conta dos beijos que já demos um no outro, e nem eu mesma sabia o porquê de beijá-lo. Ele me hipnotizava, e eu estava bem confusa a cada dia.
–– Não vou dizer mais nada, você vai ter que descobrir se isso é amor. –– sorriu.
–– Eu não quero me apaixonar por ele! Com certeza ele vai me decepcionar.
–– Ou não. –– completou.
–– Certo –– bati as duas mãos ––, vamos deixar esse assunto de lado, já são quase 10h.
–– Ok, vamos descer?
–– Claro. –– sorri.
{...}
–– Todos prontos? –– perguntou Alzack.
–– Hai! –– responderam juntos.
–– Então vamos começar, a mata é bem perto daqui, chegaremos bem rápido.
Todos nós seguimos Alzack, Bisca e Makarov. Mais tarde chegamos até a mata, Lucy não soltava Natsu de modo algum, e os “casais” continuavam juntinhos, Gajeel se aproximou de mim já que eu estava meio solitária.
–– Oe, sua amiga te deixou pela purpurina?
–– Não –– ri ––, eu apenas não devia ter vindo...
–– Por quê? –– perguntou arqueando uma sobrancelha.
–– Não gosto de ficar sozinha assim, ainda mais pela minha melhor amiga.
Gajeel soltou um suspiro e voltou a sorrir sensualmente.
–– Não se preocupe, você pode não gostar da minha presença, mas posso fazer as atividades em dupla com você, que tal?
–– É-Ér –– ruborizei um pouco –– Pode ser.
–– Gihihi –– soltou novamente sua risada infantil, ri ––, vamos mostrar quem são os melhores nessa merda!
–– Claro, claro. –– sorri.
{...}
Nossas atividades foram realmente em dupla, Lucy foi com Natsu, Jellal com Erza, Juvia com Gray, mas Lyon tentou convidá-la também, e isso acabou que em uma confusão.
As missões eram uma corrida, tínhamos que ir até uma linha e dar uma volta na mata onde tinham pequenas bandeiras para nos guiar, conseguimos ganhar por conta que Gajeel praticamente me fez voar me puxando até a linha de chegada, mas foi bem divertido.
–– Gostaram da corrida? –– perguntou Makarov.
–– Claro, se não fosse os vencedores ladrões! –– disse Natsu.
–– Quem são ladrões aqui? –– perguntou Gajeel já querendo brigar.
–– Chega –– briguei ––, nós não roubamos!
–– É verdade, Natsu, sei que a Levy-chan nunca roubaria. –– disse Lucy.
–– Obrigada, Lu-chan. –– sorri.
–– Enfim, pessoal –– disse Alzack –– Não importa quem ganhou, e sim, quem participou! Agora, que tal irmos nadar?
Todos gritaram alto e correram até o rio que já havia sido mostrado pelos professores. Ao chegarmos, as garotas já foram tirando as suas roupas e os garotos gritavam e assoviavam. Cana usava um fio dental ridículo que mostrava quase todo seu corpo, ela olhava para Gajeel para ver se chamava sua atenção, mas foi falho. Lucy usava um biquíni rosa com algumas estrelas amarelas, Erza usava um amarelo com alguns detalhes pretos, o de Juvia era roxo com alguns babados em baixo, e eu tinha por baixo de minha roupa um biquíni branco com listras vermelhas, mas eu ainda não havia tirado com um pouco de vergonha.
Gajeel soltava a blusa em algum lugar do chão deixando seus belos músculos à mostra, eu virei o rosto rapidamente, e os restantes dos meninos já haviam entrado na água.
–– Levy-chan, tire essa roupa! –– disse Lucy enquanto pulava na piscina.
–– C-Certo... –– tirei rapidamente meu short e blusa, então entrei na água, Gajeel não tinha visto nada pelo menos.
Fui até a cachoeira e pus minha cabeça por baixo dela, era realmente refrescante. Parecia que os professores não se importavam com “pegações suaves”, pois NaLu namorava em um cantinho reservado do rio.
Fiquei tanto tempo lá que nem me toquei que Makarov nos chamou para irmos comer, depois de todas as atividades e o tempo que passamos no rio já eram quase 17h.
{...}
–– Cara, a comida estava ótima! –– disse Gajeel.
–– É verdade. –– sorri timidamente.
Todos nós estávamos em barracas separadas, mas para comer, todos se juntaram em volta de uma fogueira, eram mais ou menos 18h30.
–– G-Gente, não têm lobos aqui, tem? –– perguntou Lucy agarrada ao braço de Natsu.
–– Tem sim, e esse lobo sou eu que te vou “atacar” enquanto dorme. –– disse Natsu enquanto olhava maliciosamente para Lucy, todos riram juntos.
–– Psiu, Levy. –– Gajeel me cutucou me chamando baixinho.
–– O-O que foi? –– gaguejei.
–– Você tá estranha, não sei, mas está falando diferente comigo.
–– Não estou não!
–– Ah é? Verdade mesmo?
–– C-Claro! –– droga, eu gaguejava muito, culpa daquela bendita conversa com Lucy.
–– Então vem comigo até o rio. –– sorriu.
–– Pra quê? –– arregalei os olhos, muito rubra.
–– Nadar é bem legal num rio à noite.
–– M-Mas o pessoal vai ver...
–– Não vão, eles estão bem concentrados nas histórias pervertidas do Makarov. –– riu.
–– Só vou porque não gosto de ser desafiada! –– menti.
–– Então vamos! –– e estendeu a mão para mim, me senti meio insegura no começo, mas segurei.
Saímos de fininho, e por sorte ninguém nos viu, nem eu mesma sabia por que eu estava fazendo aquilo, mas Gajeel sempre conseguia me influenciar a fazer algo que ele queria, era inevitável.
Fomos até o rio andando em passos leves e lentos, eu me apresentava bem distante de Gajeel por conta da vergonha, e ele parecia nervoso com alguma coisa. Ao chegarmos, Gajeel retirou sua blusa lentamente me deixando mais constrangida, logo ele pulou dentro da água com seu calção preto e me chamou com um dedo. Retirei a roupa devagar por algum motivo e percebi a mudança do seu olhar a mim, ruborizei.
–– O-O quê?
–– Seu corpo é bem bonito... –– disse com um rosto inexpressivo e meio pervertido, tremi com a tonalidade da sua voz rouca e grossa.
A verdade era que meu corpo podia ser magro, mas meu quadril era bem bonito e torneado para minha estatura, pelo menos era o que muitos diziam, até Lucy.
–– Idiota! –– respondi entrando lentamente na água.
Como em um passe, Gajeel se aproximou de mim muito rapidamente e nossos peitorais se chocaram, gemi pelo ocorrido. Era como se para ele não importasse mais nada.
–– G-Gajeel... –– quase gemi seu nome no momento em que ele beijou meu pescoço –– Eu não quero mais fazer isso...
–– A última vez? Pode ser? –– sussurrou em meu ouvido, me arrepiei, e eu já sabia que ele estava falando do beijo.
–– Última?
–– É, como uma despedida. –– disse sério.
–– E-Então acho que tudo bem...
Quase antes que eu falasse, Gajeel segurou minhas duas pernas com suas mãos e me levou para baixo da cachoeira, deixei meu coração comandar no momento, era isso que nós queríamos. Ele me pôs em cima de uma rocha que passava um pouco da água e me sentou lá, entrelacei meus braços por sua nuca e esperei que ele viesse até mim, nossas alturas estavam de mesmo tamanho por conta da pedra. Então, ele me beijou.
No começo de tudo, o beijo foi calmo e singelo, logo ele pediu passagem para sua língua, nossos corpos estavam bem próximos um do outro, e a única coisa que nós podíamos ouvir era a cachoeira e nossas arfadas a cada pausa.
Sua língua tinha uma pressão enorme e deliciosa sobre a minha, não existia mais ninguém no mundo naquele momento, apenas ele, Gajeel. Não demorou muito para que o beijo se tornasse selvagem e avassalador, aquilo se transformava em algo sexy por conta que minhas pernas estavam abertas para que seu quadril se encaixasse em mim, nossos lábios se tocando me deixava atordoada, meus dedos adentravam em seus enormes fios capilares.
Mais ou menos 7 minutos nos beijando, escutei uma voz chamando nossos nomes.
–– Levy McGarden, Gajeel Redfox! –– era Bisca.
–– V-Vamos logo, ela está procurando a gente. –– falei corada e ofegante, ele estava do mesmo jeito.
–– Você... não quer ficar mais tempo aqui? –– ele perguntou.
–– Mas o pessoal vai ficar preocupado...
–– O-Ok –– ele ficou um pouco sem jeito ––, vamos...
Saímos debaixo da cachoeira e fomos até Bisca que estava realmente preocupada conosco, explicamos que estávamos apenas querendo ver como era a água do rio à noite, foi por pouco que ela não nós viu saindo de dentro da cachoeira.
Logo, nós três voltamos ao acampamento, e é claro que todos que estava lá ficaram fazendo piadas de nós dois, por incrível que pareça eu não me importei muito, até porque não foi algo que eu detestei, muito pelo contrário... Depois de mais uma hora fomos dormir.
Notas finais
Kissus ♥
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