A Baixinha E O Metaleiro
26 Capítulo 23 –– Um dia no aquário
Notas iniciais
Capítulo 23 –– Um dia no aquário
Eu estava mais do que ansiosa. Fazia muito tempo que eu não ia a um aquário, até porque não havia ninguém para ir comigo, e ir sem ninguém não era algo que eu particularmente gostava. Lucy não gostava de aquários, pois quando ela era pequena, um peixe apareceu bem na sua frente e ela diz ter um trauma depois disso, claro que eu não pude deixar de rir.
Gajeel estava no quarto se arrumando para sairmos. Na verdade, eu não me importava se estava indo ao aquário ou a um cinema, eu apenas queria sair com ele, mas em um lugar onde poderíamos conversar mais do que apenas assistir a um filme –– que provavelmente seria de terror e eu passaria poucas e boas como da última vez.
Saí do quarto, já arrumada, e sentei no sofá esperando que ele saísse do dele. Vi sua guitarra ao lado e pensei se eu pudesse pegá-la ou não. Minha curiosidade foi maior e acabei pegando-a. Era a primeira vez que eu a olhava tão de perto e a colocava no colo. Tentei tocar alguma coisa que se parecesse com música, mas saiu como alguém sendo esfaqueado, levei um susto com meu próprio som e a coloquei de volta com medo de que Gajeel escutasse.
–– Levy? –– perguntou, saindo do quarto, parecia com medo.
–– O-O quê?
–– Isso era você tocando?
Abri a boca em “o” e franzi o cenho: –– Isso, para sua informação, era apenas alguém que não sabe tocar guitarra.
–– Ah, claro, mas você me assustou. –– reprimiu um riso, logo emburrei o rosto, mas também corada da cabeça aos pés.
–– Idiota.
–– Um idiota que você ama? –– sorriu.
–– Não. –– virei o rosto para o seu lado oposto.
–– Claro que não –– suspirou, ainda cômico. –– Já estou pronto.
–– Ok. –– me levantei e peguei minha bolsa de alça fina e comprida.
Gajeel vestia uma blusa vermelha e uma jaqueta que não era de couro, só para variar, e um all-star velho e surrado. Ele ficava extremamente sexy vestindo aquilo, eu apenas estava com um short jeans e uma blusa regata com um pequeno casaquinho bege de manga comprida. Minha sapatilha dourada era um presente de Jet, mas não tive coragem de dizê-lo isso.
–– Ei. –– ele chamou minha atenção antes de abrir a porta.
–– Sim?
–– Se você quiser, posso te dar umas aulas de guitarra, nada demais. –– sorriu e me roubou um selinho.
–– Se estiver zombando da minha cara, eu juro que-
–– Não estou, minha baixinha.
–– Não sou sua, e não me chame de baixinha.
–– Ainda está chateada? –– fez um rosto de desaprovação.
–– Vou parar se não tocar mais nesse assunto. –– sorri verdadeiramente.
–– Ok, mas se quiser aprender...
–– Claro, pedirei se tiver vontade.
Gajeel sorriu e finalmente abriu a porta para me deixar sair. De táxi, fomos para o aquário. O dinheiro que minha tia havia me dado ainda estava guardado e eu havia levado ele apenas um pouco para pagar a entrada, e como Gajeel era meu namorado, não tinha problema. Enquanto estávamos no táxi pensei em algumas coisas.
–– Gajeel?
–– Sim?
–– Você recebe dinheiro pelos seus shows?
–– Todas as vezes –– sorriu. –– Por quê?
–– É que eu nunca vi.
–– Faz tempo que não fazemos um, mas estão nos chamando para um em uma festa de aniversário de um amigo nosso que não vemos há um tempo, será semana que vem, no sábado.
–– Que legal! Quem é?
–– É o Jose.
–– Jose?
–– Sim, ele é um coroa maneiro. –– riu, segurando minha mão e a acariciava.
–– Ele é um coroa? –– perguntei com um sorriso curioso.
–– Sim, ele nos ajudava com a banda. Dava recursos e dinheiro, digamos que ele é bem de vida.
–– Legal, eu gostaria de conhecê-lo algum dia.
–– Você pode ir à festa, que tal?
–– O-O quê? Está louco? Eu nem o conheço...
–– Mas ele sempre me perguntava se eu finalmente amava alguma garota –– riu. –– Apenas acho que ele vai adorar te conhecer.
–– Tem certeza?
–– Claro, por que não?
–– Então aceito o pedido. –– sorri, mas dessa vez, pegando de volta o beijo roubado.
Mas como eu deveria ter previsto, Gajeel não se contentava quando eu o beijava. Segurou minha nuca e introduziu sua língua ousada em minha boca, corei e soltei um gemido de susto, mas nem por isso fiz ele parar o que ele estava fazendo.
Gajeel virou-se mais para perto de mim e tocou minha coxa direita e segurou minha cintura para se aproximar mais, mas quando tudo aquilo estava se tornando insanamente intenso, o taxista nos parou.
–– Chegamos!
–– G-Gajeel...
–– Ah –– respondeu, com irritação. ––, aqui está o dinheiro.
Saímos do táxi rapidamente. Gajeel tomou minha mão para entrarmos. Lá estava lindo e parecia reformado, o nome estava grande, talvez fossem umas 14h e parecia com muita gente. Eu me lembrava de ter visto o anúncio no jornal.
–– Aqui parece bem legal. –– disse ele.
–– É, parece mesmo, vamos?
–– Quando quiser.
Insisti para que eu pagasse a minha entrada, eu já estava ficando embaraçada de ter que sempre aceitar o seu dinheiro. Quando entramos, fiquei maravilhada com o tanto de tipos de peixes diferentes que havia ali.
–– Olha, Gajeel, que peixe legal!
–– É verdade –– sorriu, mas chamou minha atenção ao apontar para um peixe minúsculo e com um olho tremendamente grande. –– Olha esse aqui, parece com você. –– e caiu na gargalhada.
Ouvi alguns casais passando por nós e rindo, morri de vergonha e deixei Gajeel rindo para ir a outro lugar. Eu estava farta das piadinhas sem graça dele. Quando me dei conta, ele não estava mais perto de mim, achei bom, pelo menos ele não ficaria mais brincando com a minha cara e se preocuparia em me achar.
Continuei olhando os peixes, admirada pela visão. Olhei em volta para ver se Gajeel estava perto, mas nada, eu deveria ter imaginado que o orgulho dele seria mais forte. Vi vários casais andando de mãos dadas, e eu estava só, como sempre.
Deixei o meu próprio orgulho e fui atrás dele. Eu não queria estar sozinha em um momento a dois. Quando eu ia andando, senti alguém segurar meu braço. Me virei rapidamente achando que era Gajeel, mas não.
–– Levy! –– Jet praticamente gritou.
–– O-Oi. –– aquele momento não era bom para conversas, mas fazia tempo que eu não conversava com ele, me perguntei onde estaria Droy.
–– Veio sozinha? Quer companhia?
–– Ah –– suspirei, imaginando o que eu faria para sair dali. –– Eu vim com o Gajeel...
–– Mas cadê ele? –– a última coisa que eu queria era explicá-lo. Eu o conhecia bem e sabia que iria querer me acompanhar.
–– Ele foi comprar umas coisas, mas a gente vai se encontrar. –– sorri.
–– Vem, eu te deixo lá!
–– Não precisa, eu-
–– O que ele quer, Levy? –– me arrepiei e sabia bem quem era que estava atrás de mim, sua voz era fria e enciumada.
–– G-Gajeel, até que enfim, não é? Agora podemos ir –– peguei seu braço e tentei sair. –– Tchau, Jet.
–– Ei, espera –– me parou olhando para meus pés. Ótimo. ––, essa é a sapatilha que eu te dei! É a primeira vez que vejo você usando, está linda.
–– O quê? –– perguntou Gajeel, virando-se para Jet com um olhar insinuador.
–– Ah –– gaguejei e olhei para Gajeel, rindo sem graça. ––, ele me deu de natal.
–– O que foi, Gajeel, está com ciúmes dessa besteira? –– perguntou Jet, de um modo ofensivo, por um momento senti meu coração pular de medo.
–– Você está louco? Tome cuidado comigo e não se intrometa na vida da minha namorada. –– deu uma ênfase enorme, corei e puxei um pouco seu braço.
–– Gajeel, para, ele é meu amigo!
–– Pode deixar, Levy, não me importo com isso –– disse, um pouco chateado. –– Bom passeio pra vocês... –– e saiu.
Um silêncio momentâneo abateu o lugar por inteiro. Gajeel iria fazer eu me separar com todos os meus amigos homens? Com certeza eu não aturaria aquilo. Soltei seu braço e emburrei o rosto.
–– Que bom que ele se f-
–– Escuta, Gajeel, eu não quero que você faça eu me separar de todos os meus amigos por causa dos seus ataques de ciúmes idiota! –– aumentei o tom de voz, mas não para todos que estavam perto ouvirem.
–– Mas esse cara te perseguia direto!
–– E daí? Ele gosta de mim, mas como amiga, ele e o Droy, então não tem com o que se preocupar.
–– Ok, ok –– suspirou e pegou minha mão. –– É que você sabe que essa é a primeira vez que... namoro alguém.
Por um momento parei para pensar nessa possibilidade, mas eu nunca gostei de ciúmes. Claro que, em algum dia, eu sentiria ciúmes dele com alguma garota, como com a Cana uns tempos atrás. Suspirei e dei um sorriso, eu não queria acabar com o nosso passeio.
–– Tudo bem, Gajeel, vou deixar passar.
Gajeel sorriu um pouco sem graça, logo, começamos a andar, mas o senti parar então olhei para ele, confusa.
–– Levy, desculpa pelo que aconteceu mais cedo, eu estava querendo ser engraçado, mas não funcionou. –– o vi entristecer, entortei a boca e o beijei, fazendo-o levar um susto.
–– Eu não me importo –– sorri. –– E a culpa foi minha por ter sido tão rude, desculpe.
Gajeel me deu outro beijo e acenou com a cabeça: –– Estamos quites, agora vamos.
–– Ok!
O resto do passeio foi maravilhoso. Rimos muito de alguns peixes esquisitos e, quando cansamos, fomos comer alguma coisa por perto. Gajeel estava extremamente fofo, talvez por causa da discussão. Pensei que devêssemos brigar mais, e eu também tinha que me desculpar com Jet.
No final de tudo, pegamos um táxi de volta.
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