A Baixinha E O Metaleiro
24 Capítulo 22 –– Passados obscuros
Notas iniciais
Capítulo 22 –– Passados obscuros
Fui com Gajeel até o seu quarto. Pouco me importava, eu queria saber sobre o seu passado. Nunca imaginei que ele também teria uma infância drástica como a minha, e que só de lembrar me dava vontade de chorar.
Me sentei na beira da cama, sem querer me lembrando das carícias que trocamos. Foi quente, excitante, bom... Balancei minha cabeça para tirar aqueles pensamentos impuros e olhei para Gajeel que se sentava ao meu lado.
Chamar alguém de mãe e pai era algo novo para mim, na verdade, eu nunca tive o prazer em pronunciar essas palavras, doía no fundo da minha alma pensar neles.
–– Como foi sua infância, Gajeel? –– perguntei com curiosidade, mas sendo cuidadosa para não feri-lo.
–– Bem, possivelmente bem diferente da sua. –– olhou para os pés, os cotovelos estavam apoiados nas coxas bem torneadas.
–– Tem certeza disso? –– mudei meu olhar para um mais sério. Ele me olhou confuso.
–– Por que diz isso?
–– Digamos que meu passado não é um mar de rosas também. –– sorri sem ânimo.
–– Então parece que não somos tão diferentes assim –– sorriu bem parecido comigo. –– Eu também gostaria de te conhecer melhor.
–– Comece primeiro, eu pedi antes de você. –– olhei para ele, sorrindo de verdade.
–– Claro, vou arcar com as consequências. –– pegou minha mão e beijou a fresta entre meus dedos, corei, mas deixei que fizesse.
–– Se não estiver com vontade de contar certas coisas, eu entendo.
–– Não, quero te contar tudo, é melhor pra gente.
–– Ok.
–– Bem, minha bela vida começou quando desde que eu nasci...
–– Bela vida?
–– Você entendeu... –– suspirou. –– O problema é que meus pais já tinham um filho, que até você sabe, não é? O pai do Rogue –– acenei com a cabeça e ele continuou. –– A gravidez da minha mãe de mim não foi planejada...
Arregalei os olhos, então era por esse motivo que ele estava tão quieto com o assunto da Lucy e o Natsu. Se eu soubesse não o teria levado comigo. Apertei sua mão e beijei seu rosto para acalmá-lo, ele parecia irritado lembrando-se de alguma coisa, não ousei interrompe-lo.
–– O meu irmão, que já tinha nove anos quando eu nasci, era um garoto de ouro. Não brincava fora de casa, seus amigos que iam até lá, e eu bem, fui criado por toda minha vida pelas babás. Meus pais mal me olhavam ou me pegavam no colo, mas só me dei conta de que eles me detestavam quando completei 5-6 anos –– eu estava quase sem ar para escutar tudo o que ele dizia. Gajeel era rico na infância? Seus pais não lhe amavam? Aquela sua história não era tão estranha para mim. –– Eu era meio distante dos meus familiares, todos chegavam pra nos visitar e eu ficava trancado no quarto jogando ou lendo mangás.
–– Gajeel...
–– Não, apenas escute, por favor... –– resmungou como se estivesse sofrendo, e eu achava que estava, sim. –– Quando completei 12 anos, meu irmão já tinha 21, e eu admito, ele não era uma pessoa ruim como meus pais, ele gostava de conversar comigo. Ele fazia faculdade para se tornar um empresário e era muito inteligente. Fui embora de casa com 14 anos. –– riu fraco.
–– Como? E você foi morar onde?
–– Nesse apartamento que estou com você agora. –– sorriu.
–– M-Mas como você pagou?
–– Meu irmão se ofereceu para pagar até eu poder trabalhar. Ele já fazia estágio e ganhava uma boa quantidade para me ajudar. Eu gostava muito dele, eu só não gostava dos meus pais, principalmente do meu pai.
–– Por quê?
–– Ele me bateu até eu completar meus 14...
–– O QUÊ?! –– me levantei da cama e o fitei, incrédula.
–– Sente-se.
Relutei um pouco, mas sentei. Eu não podia acreditar que ele fazia isso com Gajeel.
–– Ele dizia que eu era um filho imprestável. Eu não conseguia tirar notas boas porque eu não recebia amor, eu acho... Só sei que ali, eu percebi que amar não era uma coisa boa demais. Na verdade, não era nada bom. Mas eu percebi que isso era errado depois que eu conheci você –– ouvi meu próprio soluço, ele se virou bruscamente para mim com os olhos arregalados. –– Levy? O que houve? –– e me abraçou, meu choro aumentou gradativamente.
–– E-Eu... Eu...
–– O que foi? Eu disse algo errado? Eu te amo, não se preocupe.
–– Não é isso. –– dei outro soluço e limpei meu nariz nas costas da minha mão.
–– Diga-me.
–– Tem a ver comigo...
–– Ah, seu passado? Se não for bom pra você, não precisa me contar.
–– Eu quero. Você me contou tudo de doloroso que aconteceu com você, agora só falta eu.
–– Sinta-se livre para falar, ok? –– sorriu e beijou suavemente meus lábios.
–– Meus pais se casaram querendo um filho menino. E bem, eu sou filha única. –– suspirei.
–– Oh. –– foi tudo que Gajeel pôde falar no momento.
–– Quando eu nasci, eles ficaram com muita raiva, muita mesmo. Pelo que eu soube, minha mãe havia perdido um filho com um outro marido, e ele era um menino. Minha mãe meio que tinha uma paranoia com isso e queria um homem a qualquer custo. –– abaixei o olhar e a voz.
–– Eles não te amavam muito?
–– Eles não me amavam nem um pouco. Eles cuidavam de mim por obrigação, eles eram doentes, praticamente... Quando meu pai viu que era uma menina, nem sequer olhava pra mim, era meio que mandado pela minha mãe. Daí ele virou um alcoólatra, idiota, não?
–– Não sei o que dizer. –– seus olhos eram pura pena, pena de mim.
–– Então todos os dias ele ia para um bar e só voltava às madrugadas. Nós tínhamos pouquíssimo dinheiro e ele gastava tudo em bebida. Meus pais brigavam sempre que ele chegava em casa –– peguei ar e continuei. –– Quando completei cinco ou seis anos, meu pai jogou tudo isso na minha cara, como que eu não prestava pra nada e que eu era um estorvo.
–– Jamais você seria um estorvo, e as suas notas na escola? Não o agradavam?
–– Notas? –– ri com desdém. –– Eles nem queria me levar pra escola, eu ia com uma vizinha minha e a mãe dela, uma escola pública. Quando eu tinha sete anos, meu pai morreu atropelado quando voltava do bar. Minha mãe ficou com depressão e se matou no banheiro, assim, eu fui morar com minha tia que você já conhece, Loray. –– Gajeel acenou com a cabeça, eu sorri e apertei sua mão que segurava a minha fazia tempo. –– Ela me adorava e me visitava sempre que podia, nós brincávamos juntas com as Barbies que ela me dava. Cheguei a casa dela e bem, você sabe...
–– Sim... –– ele sussurrou. –– Isso não chega nem perto do que eu passei...
–– Nenhum passado nosso é melhor um do que o outro, ok? Vamos pensar que isso já passou.
–– Ok, vamos parar de pensar isso. –– sorriu verdadeiramente e me beijou com vontade, segurando meu queixo.
Eu, como estava carente até demais, me aproximei e deixei uma perna em seu colo para nos aproximarmos mais. Como eu pensei que ele fosse fazer, Gajeel pegou minha outra perna, deixando-a por cima do seu colo também. Deixei ele fazer o que queria e introduzi meus dedos em seu cabelo. Recebi uma deliciosa massagem em minha coxa esquerda que estava mais próxima dele, com a outra mão ele segurou minha cintura. Suspirei em sua boca.
–– Levy, é melhor a gente parar. –– ofegante ele disse.
–– Não. –– respondi voltando a beijá-lo, que se surpreendeu com minha resposta.
–– Mas, Levy, hoje mesmo a gente... bem, quase...
–– Eu sei, não esqueci.
–– Olha, saiba que se você continuar não irei ter piedade de você. –– respondeu brincalhão. Senti o sangue subir em meu rosto e o soltei.
–– Bem, amanhã é sábado, quer sair comigo? –– perguntei a ele, finalmente.
–– Hm, que tal um cinema?
–– Quando a gente se beijou pela primeira vez? –– corei sorrindo.
–– Bem, eu te beijei na escola também, lembra?
Oh, Deus, era mesmo.
–– É-É, mas foi o nosso primeiro beijo de verdade, não foi?
–– Isso é verdade –– sorriu maliciosamente. –– De língua.
–– Ok, não precisa lembrar...
–– Então, cinema?
–– Seria legal, mas que tal o aquário Sea Paradise? –– perguntei excitada.
–– O aquário? Ótimo, faz tempo que não vou a um.
–– Combinado, amanhã à noite? Lá fica lindo, bem iluminado. –– sorri.
–– Ok, de acordo. –– me deu um último beijo e saiu.
Saí para comer alguma coisa. E quando o sábado chegou, eu estava ansiosa demais.
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