A Aurora
13 Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar
Notas iniciais
Valeu eu continuem comentando :3
– ENTÂO, por que não podemos ir viajando nas sombras? – eu disse à ele enquanto caminhávamos pela já quente São Francisco. O sol brilhava muito forte, ardendo em meus olhos e me fazendo desejar novamente um par de óculos escuros.
– São duas e meia da tarde. – disse ele – A viajem das sombras é geralmente incerta, quanto mais de dia. Mesmo que eu arrastasse você comigo, nós provavelmente acabaríamos na China. – eu torci o nariz para ele enquanto esfregava os olhos.
– Então o que? – eu disse. Ele que caminhava com dois passos de distância à minha frente (sinceramente, ele não era muito mais alto do que eu, mas minhas pernas pareciam ter metade do tamanho das dele) parou e olhou para mim com aquele olhar de assassino psicopata. Embora fosse uma visão realmente assustadora (para alguém com um estomago mais fraco que o meu, é claro) eu fique agradecida por ele estar tapando o sol.
– Nós vamos caminhar. – ele disse satisfeito com sigo mesmo – E quando ficar de noite tentamos fazer você viajar nas sombras.
– Eu não tenho tempo! – gritei para ele. Algumas pessoas na calçada pararam para olhar para mim, mas eu apenas ignorei – Ele vai despertar essa noite, se eu estiver com sorte! – ele simplesmente deu de ombros.
– Não é problema meu.
– É problema de todo mundo! – ele não me respondeu, o que me levou a esmurrar suas costas. Ele se virou para mim com cara de surpresa, e então olhou para longe e continuou caminhando em silencio. Eu havia dispensado Nicolas (agora que eu percebi, Nico provavelmente se chama Nicolas originalmente) então qualquer outro meio de transporte seria mais lento do que esperar o pôr-do-sol e viajar nas sombras, uma vez que a distância entre São Francisco e LA era enorme – Então vamos apenas caminhar o tempo todo até que o sol se ponha? – eu perguntei.
– Você não consegue ficar quieta por longos períodos de tempo, não é?
– Correto. – eu admiti – Mas você não respondeu a minha pergunta. – ele não estava virado para mim, mas tive certeza que ele revirou os olhos.
– Eu tenho alguns assuntos do meu pai a tratar por aqui. – disse ele – Tenho certeza que você não se importaria em presencia-los.
– Claro que não – eu disse – por que me importaria? Mortos e cemitérios? Perfeito. – ele parecia ter revirado os olhos de novo.
– Ótimo. – ele disse.
Nesse momento caminhávamos pelo que parecia o centro, por que a calçada estava repleta de pessoas aproveitando o sol e haviam muitos prédios ao nosso redor, tal como comércio e restaurantes. Teve um momento que passamos por um grande prédio, aparentemente comercial, no qual o primeiro andar era feito de vidro espelho – aquele vidro que você vê o seu reflexo do lado de fora, mas do lado de dentro pode ver tudo lá fora. Uma breve olhada no meu reflexo me tirou o ar.
– JESUS! – eu disse assustada, Nico deu um pulo na minha frente e olhou para mim.
– O que foi?! – ele disse irritado. Eu engoli em seco, fitando a minha imagem.
Basicamente, a minha pele parecia ainda mais branca e transparente – tanto que eu podia ver um bocado a mais de veias e artérias roxas. Meu cabelo estava um caos, e olha que ele geralmente é bagunçado – parecia que um pouco de ácido havia respingado no meu cabelo, por que ele estava todo irregular. Ele geralmente batia na minha cintura, mas em algumas partes estava nos meus ombros e a minha franja – eu não tinha franja até o incidente com os palhaços, mas no minha testa uma faixa irregular de cabelos se projetava suja e com as pontas esfareladas. Havia também uma espécie de auréola ao redor da minha cabeça com cabelos mais curtos. Eu realmente estava parecendo uma versão morena de Gasai Yuno*.
Ao redor dos meus olhos haviam grandes círculos de uma cor entre verde e roxo, e minhas roupas estavam imundas e esburacadas, sem falar que eu estava usando apenas uma bota.
– Uh, nada. Apenas me assustei com o meu reflexo. – ele revirou os olhos e continuou caminhando.
Descemos algumas colinas e acabamos nas margens da baía. O mar brilhava com a luz do sol refletindo direto em meus olhos e embora fosse o Oceano Passífico, eu continuava com aquela sensação ruim do Atlântico que cada onda dizia “ei sonambula! Venha se afogar!”. Eu ignorei as más vibrações oceânicas e tentei acompanhar Nico, que adentrava São Francisco de novo embora parecesse uma área mais rural, com casas distantes e campos verdes.
Estar longe do mar foi um alivio e as árvores muitas vezes tapavam o sol. Logo o caminho foi ficando mais difícil, e me vi e uma estrada de chão. Nico caminhava como um robô, sem qualquer esforço físico. E embora eu tivesse treinado aos montes no acampamento – quero dizer, espada, captura à bandeira, subir um paredão de lava e montar pégasos não é nada fácil – eu estava com a garganta seca e doendo, as pernas ardendo e a cabeça dolorida. Além de muito, muito sono acompanhado de uma selvagem fome. Isso adicionado à um pé de coxinha frita era igual a muita lerdeza da minha parte.
Foi quando estávamos a mais ou menos 15m de distância que ele percebeu que eu estava ficando para trás. Ele revirou os olhos e diminuiu a velocidade para que fosse possível eu alcança-lo, e quando ficou claro que era ainda impossível para o meu estado físico ele voltou caminhando.
– Você está um lixo. – ele disse. Eu consegui ao menos revirar os olhos.
– Obrigado pela parte que me toca. – eu disse com a garganta seca, e acabei em uma crise de tosse. Ele revirou os olhos de novo e colocou um olho na estrada.
– Ainda está muito longe. – ele disse. Eu suspirei.
– Vai e me deixa aqui. – eu disse – Estou só te atrapalhando mesmo. – ele me analisou por alguns segundos, então balançou a cabeça.
– Naaa. – ele disse, prolongando a palavra. Então para minha surpresa, ele se ajoelhou na minha frente – Suba nas minhas costas.
– O que? – eu disse levantando uma sobrancelha e rindo. Ele revirou os olhos mais uma vez.
– Suba antes que eu mude de ideia. – ele disse mais sério. Como não tinha qualquer vontade de ser deixada para trás ou morrer dos pulmões, subi nas costas dele e abracei seu pescoço. Ele tinha um cheiro bom de terra subterrânea, eu notei enquanto ele se levantava e segurava as minhas pernas.
– Você cheira como uma caverna. – eu apontei. Ele revirou os olhos de novo e começou a caminhar, não exatamente correndo, porém mais rápido que antes.
– Sim, claro. E você cheira a baunilha. – ele disse. Eu não tive como saber se ele estava mentindo ou não.
– É mesmo? – eu perguntei – Isso é ótimo, porque eu não tomo banho faz três dias. – ele quase tropeçou e fez um barulho entre uma bufada e uma risada. Eu não pude ver seu sorriso, mas me senti realizada por alguns segundos.
Cedo de mais, chegamos ao que pareceu uma igreja velha de área rural com um cemitério nos fundos, assim como a maioria das outras igrejas. Ela era de um azul celeste desbotado e parecia aos pedaços. Eu desci das costas dele e caminhamos até dentro da igreja, que por dentro era do mesmo jeito que de fora – azul, velha e aos pedaços. Era uma igreja pequena, então poucas fileiras de bancos desconfortáveis de madeira se estendiam de ambos os lados em direção do altar, um monumento branco marfim adornado com uma mesa de madeira com uma toalha branca de renda por cima. Sentado no altar estava uma velhinha vestida com roupas antigas – tipo vestido longo com mangas bufantes nos ombros e gola alta – ela parecia muito psicótica com olhos esbugalhados, cabelos grisalhos sem vida e abraçada em seus joelhos balançando de um lado para o outro. Olhei para ela por alguns momentos e percebi que ela era um pouco... transparente.
– Ela é um fantasma? – eu disse baixinho, do modo que as pessoas fazem nas igrejas.
– Sim. – ele respondeu – Meu pai me mandou para acalmar alguns espíritos inquietos. Ela parece velha, mas na verdade morreu com quinze anos. Ela não conseguiu chegar às portas do mundo inferior, então ficou perambulando por aí e enlouqueceu.
– Que horror. – eu disse. A velhinha então olhou para nós, o que não fez qualquer sentido pois entramos em silencio e falamos em silêncio, sem qualquer chance dela nos perceber. A velha arregalou ainda mais seus olhos castanhos e afundou a cabeça entre os joelhos, balançando para frente e para trás em posição fetal. Quando nos aproximamos mais, percebi que ela estava murmurando algo para si mesma.
– Senhorita Renever? – perguntou Nico. A velha olhou para ele e por um momento, eu pude ter um vislumbre de sua imagem jovem, uma garota bonita com longos cachos castanhos vestida como uma senhorita do séc. XIX. Rapidamente ela voltou a ser uma velha desesperada.
– E-eu... eu não sou uma senho... rita. – ela disse – Sou mui...to velha par...a ser uma senho... – ela piscou para ele, e demorou ainda mais para terminar a palavra — ...rita.
– Você não é? – ele disse, cruzando os braços – Mas você é tão jovem. – ele disse. Eu não sabia que fantasmas podiam ruborizar, mas a mulher realmente o fez.
– Não... – ela disse, passando as mãos pela face e arranhando as maçãs do rosto – não...
– Você se chama Rita, não é? Não gostaria de ver a sua mãe? – ela olhou para ele, os olhos castanhos cheios com desespero e um punhado de esperança.
– Mamãe? – ela disse, arfando – Eu posso ver mamãe? – Nico assentiu.
– Você quer ver sua mãe? – ela fez que sim com a cabeça – Você só precisa percorrer todo o caminho. – então ele estendeu sua mão para ela. A velhinha hesitou por um momento, e então pegou a mão dele. Sua forma se tornou uma brisa suave em nossa direção, e ela sumiu.
– Nossa – eu disse após um pequeno momento de silêncio – aquilo foi muito doce, você sabe. – ele levantou uma sobrancelha para mim.
– Doce? – eu assenti.
– Sim, doce. – eu disse – Gentil, amigável, amável. Doce. – ele revirou os olhos e foi em direção à saída. Eu o segui, e invés de voltar para a estrada ele caminhou na direção do cemitério, passando por ele e se direcionando para as árvores.
– Outro lugar no meio do mato? – eu perguntei.
– Outro lugar no meio do mato. – ele disse. Entramos no bosque e caminhamos por tanto tempo que eu me perguntei se o sol já tinha se posto, e de alguma forma tive certeza que ainda não. Caminhamos um pouco mais, e eu comecei a pensar que ser carregada nas costas dele iria a calhar novamente quando de repente as árvores pararam e eu me vi na borda de um rio.
Embora fosse o final do inverno, o rio corria rapidamente com uma forte correnteza. Eu podia ver que era fundo, até por que eu não vi o fundo do rio. O outro lado dele era uns cinco metros depois da nossa borda.
– O que estamos fazendo aqui? – eu disse.
– O outro fantasma está do outro lado, em uma cabana abandonada. – ele disse.
– E vamos ter que atravessar o rio? – eu perguntei abismada.
– Sim. – ele disse, como se atravessasse rios todos os dias.
– Não tem outro jeito? – ele negou com a cabeça.
– Nós teríamos que voltar pela estrada de terra e dar a volta em toda a São Francisco. –ele disse – Quando nós chegássemos lá, já passaria da meia-noite.
– Ugh – eu disse – E como exatamente vamos atravessá-lo? – ele estendeu o braço e com a mão do outro, fez um par de pernas com o dedo indicador e médio e atravessou o braço com as pernas falsas.
– Assim. – disse ele. Eu o olhei incrédula.
– A correnteza é muito forte! – eu disse – Seriamos arrastados! – ele deu de ombros, então olhou seriamente para mim.
– Você é filha de Nyx, a domadora de homens e deuses e eu sou filho de Hades, um dos três grandes. Você não acha que nós poderíamos atravessar um rio de cinco metros de largura? – eu pisquei para ele.
– Bom argumento. – disse por fim.
Quando ele disse isso, eu me senti mais tranquila. Porém, quando chegamos na beira do rio e eu olhei para a água a 200 km/h, senti meu estômago embrulhar. Era verdade que eu era filha de Nyx, e que ela era muito poderosa. Mas era de dia e ainda por cima Nyx não tinha nenhum poder sobra a água – que eu soubesse. Antes que eu pudesse usar esses argumentos contra Nico, ele pegou a minha mão e se atirou no rio, me arrastando com ele.
A primeira coisa que eu percebi debaixo d’agua era que era frio. E quando eu digo frio quero dizer congelante. Era como se eu estivesse presa dentro de um cubo de gelo enorme que se movia ao meu redor, o que de fato era. Nico segurou minha mão com força, e prendendo a respiração ele deu um passo tão longo debaixo d’agua que estava na outra beira. Ele me arrastou com ele até lá, e quando estava pronto para subir, sua mão escorregou da minha e eu fui brevemente levada com a correnteza.
Você poderia me perguntar – Eevelyn, mas como diabos você não morreu afogada? E é a mesma pergunta que eu fiz quando percebi que estava respirando debaixo d’agua e que a correnteza me levou apenas para a beira inicial do rio. Então sem mais nem menos, na minha frente, apareceu uma mulher. Ela tinha longos cabelos negros que eram levados na direção da correnteza como se essa fosse o vento, e sua pele era de um negro claro, como um caramelo. Seus olhos eram grandes e levemente puxados para os cantos, e ela usava maquiagem preta que parecia ser egípcia, ou asiática. A mulher também usava um vestido simples azul-esverdeado, a mesma cor de seus olhos, e sorriu bondosamente para mim.
Eu vou te levar para o outro lado do rio. – disse ela – Mas lembre de não deixar seu amigo fazer essa bobagem de novo. Ou ao menos quando Percy não está aqui para separar o rio.
Ela disse, e sem qualquer outra ação, eu fui arremessada até a outra margem do rio, com o corpo do pescoço para baixo ainda submerso e os braços agarrados na beira.
– Nico... – eu gemi enquanto a correnteza ameaçava me levar. Ele rapidamente me puxou para cima, me segurando contra ele até que eu estivesse completamente fora do rio. Antes que ele pudesse fazer qualquer outra coisa, eu o empurrei. Ele cambaleou alguns passos para longe de mim e parou em pé, curioso – O que diabos você tem na sua cabeça! – eu gritei enquanto meu cabelo (na verdade, toda eu) pingava – Atravessar o rio? Quem você é, Peter Pan?!
– Peter Pan não atravessava rios – ele apontou.
– Você me entendeu! – explodi – Qual a sua? Você sabia que eu não podia atravessar, é de dia! – ele olhou para mim com aquela expressão psicopata, e então tirou o seu casaco e começou a torcê-lo.
– Sim eu sabia. – ele disse – Mas aqui está você, não é?
– Sim, mas, foi por causa daquela mulher. – ele piscou para mim.
– Mulher? – eu descrevi para ele a mulher do rio e disse o que ela tinha dito.
– Como ela sabia sobre Percy? – ele disse, de repente parecia irritado.
– Eu não tenho ideia – eu disse – afinal, eu nem conheço Percy. Só sei que ele sumiu. – Nico olhou para o rio, seu rosto composto por uma expressão de dúvida, ainda meio psicopática.
– Deve ter sido uma náiade – ele disse – ou a deusa desse rio.
Eu assenti para ele, mas algo me disse que não era uma náiade, nem a deusa daquele rio.
Então eu me senti mais molhada – o que foi estranho. Olhando para cima, eu vi nuvens em cinza escuro que apareceram do nada com trovões retumbando nos altos. Não sei o que aconteceu, mais Nico me pegou pela mão e saiu correndo feito um louco.
– O que foi?! – eu gritei para ele, que estava praticamente me arrastando – Do que você está fugindo?!
– Quem toca raios nas pessoas?! – ele respondeu, e mesmo sem uma resposta apropriada eu mesma corri mais do que ele.
Enquanto o céu retumbava, demos de cara com outra floresta na qual Nico me arrastou para dentro.
– No meio de árvores é pior! – eu gritei.
– Se é uma tempestade natural, sim é pior. Se é um deus jogando raios em você, você tem cobertura.
Achei um bom argumento, e junto com ele ziguezagueei pelo bosque enquanto a chuva caía como pedras de granizo na minha cabeça. Meu coração estava acelerado, meus ossos congelados e molhados até a morte e a única coisa que parecia real no meio da adrenalina de correr de uma tempestade em uma floresta era o calor da mão dele na minha.
Então aconteceu – o céu brilho tão forte que meus olhos queimaram, a terra tremeu, e de alguma forma, eu vi em câmera lenta enquanto um raio literalmente caía do céu na nossa direção. Ou mais precisamente, na direção de Nico.
Sem pensar duas vezes, eu larguei a mão dele e me joguei contra ele – isso não seria muito eficaz como proteção, mas quando raio me atingiu ele estava alguns passos longe de mim no chão. O raio atingiu meu ombro direito, e como eu estava molhada uma corrente elétrica havia se espalhado por todo o meu corpo e explodiu no meu pé esquerdo.
De alguma forma, eu havia sobrevivido.
Quando abri os olhos de novo, estava no chão molhado e não ouvia mais o barulho da chuva ou o retumbar de trovões, apenas um leve sussurro que foi ficando mais alto, até o volume normal.
– Eeve. – disse Nico.
Sua voz era tão carregada de dor que eu abri meus olhos e vi seu rosto preocupado, seus olhos novamente afundados no mar castanho escuro de tristeza.
– Você está viva? – eu não consegui assentir, meu corpo todo estava dormente.
– Acho... – eu sussurrei com a boca seca – Acho que sim.
Ele não pareceu mais aliviado. Seus olhos foram em direção ao meu ombro, que estava tão dormente que eu já não sentia.
– Você consegue se sentar? – eu neguei baixinho, então ele delicadamente me pegou pelos ombros e me firmou sentada no chão. Aos poucos, eu fui sentindo o sangue voltar a correr pelos meus membros.
– Eeve – ele disse me estendendo um cantil de néctar – beba.
Eu fiz o que ele disse. A bebida tinha o mesmo gosto de molho Greavy, e foi descendo calorosamente retornando os sentidos para o meu corpo. Eu já quase sentia os meus pés.
– Você tem que caminhar um pouco para o sangue circular – ele disse, e sem mais nem menos se levantou comigo. Ele passou o meu braço pelas costas do seu pescoço e com a outra mão me puxou pela cintura caminhando lentamente comigo.
– Nico... – eu murmurei.
– Sim?
– Aquilo foi... realmente...
– É – ele disse, mais sério e parecendo irritado – foi ele.
– Zeus é um imbecil. – eu disse. Ele não olhou em dúvida para o céu, apenas trocou sua expressão de irritação por dor, muita dor.
– Você está certa. – ele disse – Ele realmente é.
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