Notas iniciais
Desculpem minha demora, o tamanho do cap recompensa. Espero que gostem do cap. Música > https://www.youtube.com/watch?v=UPo7iNKoCGQ

Amigo de verdade

Venha me dar esperanças

Venha lançar sua luz

Ela me faz brilhar.

Você receberá a mensagem. Não se esqueça dela

Vamos rir e chorar, até morrer.

Se não fosse por você, eu estaria só.

Se não fosse por você, eu estaria por minha conta.

Mapei — Don’t wait

FELICITY

Eu tenho um relacionamento com Oliver, cansei de manter as pessoas longe de mim, cansei de me afastar e me privar de viver algo realmente verdadeiro. Oliver me mostrou que eu ainda sou capaz de sentir, e o que sinto por ele é muito forte. Durante anos eu me fechei, me privei de nutrir qualquer sentimento que pudesse me fazer sofrer, mas Oliver apareceu e mudou tudo. Não tem mais como mantê-lo longe quando cada partícula do meu corpo o quer por perto.

Está na hora de Felicity Smoak deixar um sentimento bom fazer parte da sua vida, e é ao lado de Oliver que isso vai acontecer.

Eu nunca tive um relacionamento com alguém, já fiquei com outros homens, mas nunca chegou a ser sério e duradouro, então, tudo que estou vivendo com Oliver agora, é uma experiência nova, que eu pretendo me adaptar.

Oliver falou-me um pouco mais sobre ele, assim como naturalmente falei sobre mim, foi um pouco estranho à forma como falei sobre meu pai e meu passado, eu me senti a vontade com Oliver.

E depois descobri que ele tem uma família, fiquei imaginando o Oliver nas fotos de família, nas fotos com o filho, nos aniversários e nas festas de fim do ano, Oliver parece tão centrado no trabalho, e eu me perguntei o quanto ele não deve ser presente na vida do filho. O trabalho de Oliver não é convencional, ele está sempre correndo perigo, sempre se arriscando, fica difícil manter uma relação diária com alguém, inclusive com a família.

Oliver exala tanta coisa nova para mim, ele é tão excitante que deve ser por isso que eu estou tão viciada nele, digo, não só pelo sexo e esse ar perigoso que ele tem, a verdade é que tenho vontade de conhecer todos os lados dele, o lado agente, o lado namorado, o lado família e os outros. Posso afirmar, pelo que já conheço, Oliver é excelente de todas as formas. Menos agora, ele está tão aflito, já tentou ligar para Diggle três vezes desde que iniciamos o voo, e nada, John não atende.

Tentei tranquiliza-lo, mas nada ajuda, porque nem Amanda atendeu suas ligações, e eu tentei ligar para Sara também, porém não tive êxito, e a aflição do Oliver estava se teletransportando para mim. Tínhamos que encontrar uma forma de nos manter calmos até pousarmos em Washington.

— Oliver. — toquei em seu ombro e o fiz virar-se para mim. — Tome isso, vai lhe ajudar. — ele olhou para o copo em minha mão, e então aceitou, bebeu a dose de whisky em apenas um gole.

— Preciso de mais uma.

— Atrás daquele balcão. — ele passou por mim e caminhou até o balcão de bebidas do jato. Damien Darhk sempre manteve o bar do avião abastecido. Espero que o álcool mantenha-o calmo. Sentei-me na poltrona e fiquei observando-o andar de um lado para o outro.

— Acho melhor você parar com isso, esse avião está balançando e eu estou ficando tonta. — comentei. Oliver me analisou, então levou o copo até o balcão, voltou e sentou-se ao meu lado.

— Está estranho demais, Felicity. Eu tentei falar com John de todas as formas, até para Lyla eu liguei, e mesmo assim, todas as ligações caíram na caixa postal. — desabafa.

— Você tem que se manter calmo. — seguro a mão dele e seu olhar se encontra com o meu. — Seu nervosismo não vai adiantar de nada agora, quando estivermos em Washington teremos noticias dele, mas agora, ainda temos um longo tempo de voo e você andando de um lado para o outro não vai resolver nada.

— Você está certa. — ele colocou a mão sobre meu rosto e acariciou minha bochecha com o polegar. Gosto da forma carinhosa que ele me trata, gosto da necessidade que ele tem de me tocar, e eu só me sinto assim com Oliver. — É tão bom te ter por perto.

— Você tem sorte. — disse eu, Oliver franziu o cenho e me encarou. — Muita sorte. — brinquei.

— Prefiro dizer que meu charme é irresistível e você não conseguiu resistir, não é nada de sorte.

— Uhum. — resmunguei. — É o seu charme irresistível. — coloquei minhas pernas sobre as dele. Oliver suspirou e concordou comigo. — Eu não resisti a ele?

— Exato. Você caiu direitinho na teia do Queen.

— Queen? — levantei uma sobrancelha e fiquei esperando sua resposta.

— É o meu sobrenome. Oliver Queen.

— Sobrenome verdadeiro? — ele assentiu. — Não existe aquela coisa de codinome?

— Não. Na verdade o meu sobrenome foi apagado de todos os bancos de dados da cia. Apenas Amanda e Dig sabem meu verdadeiro nome.

— Oliver Queen. — digo, passando meus braços ao redor do seu pescoço.

— Pode repetir? Gostei da forma que ele soa da sua boca, é sexy.

— Oliver Queen. — repeti, fazendo-o esboçar um perfeito sorriso. Ele passou o braço ao redor da minha cintura, e como seu eu pesasse uma pluma, me ergueu e colocou-me no seu colo.

— É um bom começo, não é? — indagou, passando as mãos pelos meus ombros e costas. — Eu sei o seu nome e você sabe o meu, sei o que você faz e você sabe o que eu faço.

— É. É um bom começo. — concordei, deitei minha cabeça no ombro de Oliver e fiquei em silêncio, apesar do nosso começo estar sendo bom, eu não posso deixar de pensar em como isso vai ser, somos tão diferentes, meu mundo, as pessoas ao meu redor, é tudo diferente da vida de Oliver. Será mesmo que isso vai dar certo? Ou nós vamos apenas machucar um ao outro?

— Oliver. — murmurei. Ele virou o rosto e ficou me encarando. Desvencilhei-me dos seus braços e deslizei até o espaço vazio do acento. — E se isso não der certo? E se no fim a gente apenas sair machucado. — eram muitas dúvidas e eu não queria deixar meu nervosismo transparecer, porém foi impossível.

— Hey. — suas mãos pousaram em meu rosto e eu olhei dentro dos olhos intensos de Oliver. — Isso não vai acontecer. Vamos dar um jeito, fazer isso dar certo. Não importa se o meu mundo é diferente do seu, eu vou me acostumar com uma pessoa que faz parte de um exercito de...

— Assassinos. — completei, quando Oliver hesitou.

— Não encontrei uma forma mais delicada. — eu ri.

— Pode dizer as palavras assassinos e assassina também, não me machuca.

— Nós só precisamos nos acostumar com o fato de que eu sou um agente e você uma assassina. — encostei minha cabeça no encosto da poltrona e suspirei.

— Okay, isso é fácil, não tanto. — soltei uma risadinha nervosa. — Amanda, como ela irá reagir?

— Amanda? — assenti. — Ela não pode interferir na minha vida, de forma alguma e eu não vou permitir isso.

— E John, será que ele acha que eu sou o melhor para você? Você disse que ele é igual um irmão mais velho, o que ele vai pensar quando souber que você está tendo um relacionamento com uma assassina?

Nunca tive tanto receio em minha vida como agora. Escutar Oliver falando tão naturalmente sobre eu e ele é fácil, mas imaginar como as coisas serão daqui em diante é difícil.

— Quando falei para John que estava sentindo algo por você, a primeira coisa que ele fez foi me apoiar, antes mesmo de saber sobre quem realmente você é, e então ele conheceu você e continuou me apoiando. Dig só quer minha felicidade, e eu me sinto feliz quando estou com você. Felicity, não se preocupe com as pessoas, somos eu e você. Nós temos que fazer isso dar certo.

— Okay, eu entendi. E vamos fazer dar certo.

— Primeiro vamos estabelecer uma coisa. — o encarei. — Quero que seja a minha namorada.

— O que?! — exclamei. — Você não está exagerando? Não é muito cedo para colocar um título nesse negócio? — questionei ou o melhor, surtei.

— Você acha? — perguntou, parecendo confuso. Respirei fundo e peguei na mão dele.

— Oliver, olhe bem, ainda é cedo para sermos um casal...

— Cedo? Por que você acha isso?

— Isso é novo para eu e você, não é? — assentiu. — Então, precisamos de um tempo para colocar um título, podemos esperar toda essa confusão chamada Ra's Al Ghul passar, então, pensaremos direito.

— Okay. — concordou. — Mas e se nunca acabar? Digo isso porque há anos Amanda e a cia tentam capturar Ra's e pelo que sei, seu pai também faz isso e nenhum chegou perto dele.

— Você tem razão. Mas ainda podemos esperar um tempo.

— Está bem. Vai ser melhor assim.

— É. — deitei minha cabeça sobre o ombro de Oliver e ele passou os braços ao meu redor. Beijou o topo da minha cabeça. Fiquei em silêncio, com a cabeça cheia de duvidas e uma única certeza, quero aproveitar cada minuto ao lado de Oliver.

(...)

A primeira coisa que Oliver fez assim que saímos do jato, foi ligar para Dig, porém, John não o atendeu. A aflição de Oliver dobrou de tamanho, o que nos fez embarcar num taxi e seguir direto para a base secreta.

— Sara, seu pai, alguém lhe atendeu? — perguntou, quando pela 3° vez eu tentei ligar para Sara.

— Não. — respondi. — Isso está começando a ficar sério.

— Hey. — o motorista estacionou o carro e virou-se. — Não posso ultrapassar daqui, duas bombas estouraram nessa região e a área toda foi isolada, alguns prédios ficaram com as estruturas danificadas e o corpo de bombeiro bloqueou a passagem dos carros.

— Houve algum estrago maior? — indagou Oliver.

— Um dos prédios ficou totalmente destruído. A mídia está escondendo todos os fatos e dizendo que foi mais um ataque terrorista. — respondeu o motorista.

— Feridos? — questionei.

— Muitos.

— Para onde eles foram levados? — indagou Oliver.

— Hospital universitário.

— Segue para lá. — Oliver discou números aleatórios no celular.

— Preciso de informações sobre a base CCDF44. — falou. — E também informações sobre o agente 58. — ele escutou tudo com atenção e então guardou o celular no bolso da jaqueta. Segurei sua mão e o fiz olhar para mim, Oliver estava preocupado e com medo. Não quis questionar. Seguimos o caminho até o hospital em silêncio.

— Obrigado pelas informações. — entreguei o dinheiro ao motorista e desembarcamos do taxi. — Oliver, o que aconteceu?

— Houve um ataque, em um dos prédios que fica ao lado da base, o impacto foi tão grande que deixou a estrutura da base corrompida. Não tive informações detalhadas. Diggle está internado aqui.

— Ele está bem? — perguntei.

— Eu ainda não sei. Mas espero que sim.

Entramos no hospital e seguimos por corredores longos, Oliver parece já ter todas as informações necessárias — área e quarto, onde Diggle está. —. Passamos por duas portas grandes e a última dava acesso à sala de emergência. Enxerguei Sara ao lado de outra mulher morena, que desconheço. Oliver largou minha mão e correu até as duas, agachou-se na frente da morena e segurou as mãos dela. Sara olhou para mim e pude notar alguns ferimentos no seu rosto. Ela levantou-se e veio em minha direção.

— Felicity, o que aconteceu? — questionou.

— Acho melhor você me responder essa pergunta. — rebati. — Que confusão toda é essa? Você está bem? Por que não atendeu o celular?

— Eu vou lhe contar tudo. Vamos tomar um café. — olhei sobre seu ombro e Oliver estava conversando com a outra mulher que parecia inconsolável. — É a esposa de John Diggle. — informa Sara. Prefiro não atrapalhar os dois e então vou com Sara, para ela contar tudo que aconteceu.

....

— Comece pelo começo. — digo a Sara. Estamos no restaurante do hospital, acomodadas em uma mesa no canto do salão.

— Quando John Diggle chegou com a Tália, Amanda deixou-a confinada em uma cela na base. Tudo isso ocorreu em total sigilo, dois agentes treinados e armados foram colocados do lado de fora da cela. Estava tudo bem e de repente uma bomba explodiu no subsolo e começou um terrível caos. Homens de Ra's Al Ghul invadiram a cela e levaram a Tália.

— O que aconteceu com o Diggle? — perguntei, ao lembrar-me do desespero da mulher dele e da preocupação de Oliver.

— Uma pilastra da estrutura da base caiu em cima da perna dele, o osso foi quebrado, alguns nervos foram rompidos. O medico disse que a cirurgia é um pouco complicada, vários nervos foram esmagados. A mulher dele está desesperada.

— Oliver também. — falei e em seguida bebi um gole do café. — E onde está meu pai e Amanda depois de tudo isso?

— Estão em uma segunda base. Ambos cuspindo fogo pelas ventas. Acho que estão armando um contra ataque.

— Não acredito nisso. Ra's se mostrou superior diversas vezes. Damien e Amanda o subestimaram. Estão mais para dois animais acuados.

— Tá. Mas agora, mudando de assunto, por que você e Oliver ficaram na Rússia?

— É uma longa história. — Sara sorria maliciosa.

— Bom, temos tempo de sobra.

— Eu levei um tiro e Oliver me levou para um hospital clandestino. Bom, ele cuidou de mim e esperamos meu quadro de saúde melhorar, para então viajar de volta.

— Aham, e é só isso?

— Não. Esse tempo que fiquei sozinha com Oliver teve uma consequência, eu descobri que gosto dele e estou dando uma chance para o que sinto. — declarei. Sara passava o dedo pela borda da sua xícara e sorria abertamente.

— Isso é ótimo! — exclama.

— Mas deixe isso em segredo. É melhor assim.

— Está bem.

— Você sabe onde fica essa segunda base que Amanda e meu pai estão?

— Ah sim, ela fica em um pequeno prédio abandonado em Capitol Hill, o edifício servia como sede de um escritório de advocacia, mas foi fechado há dois anos por falência. Parece que a cia tomou propriedade.

— Eu vou para lá. — digo, já me levantando. — Preciso que diga para o Oliver que mais tarde eu volto para cá.

— Okay.

Eu não quero deixar Oliver sozinho nesse momento, mas eu preciso falar com meu pai e entender tudo que aconteceu, eu sei que ele deve saber muito mais do que Sara.

(...)

— Onde está Damien Darhk? — pergunto, para Amanda, que me encara com ar insolente. Eu não gosto dessa mulher.

Está uma correria nesse lugar, parece que Amanda aumentou o número de agentes, também, depois do golpe que ela levou de Ra’s, aposto que está sentindo medo de Tália cumprir sua promessa e vir atrás dela. Olho para os telões e percebo que estão fazendo um mapeamento completo de Washington, Amanda está desesperada para encontrar Ra's, o ego dela deve estar bem machucado.

— Onde está o meu agente? Pensei que ele estivesse com você depois da folga que ambos tiveram. — ignoro seu tom áspero e sua provocação.

— Oliver foi direto para o hospital. — respondo. — Parece que um dos seus agentes está gravemente ferido, pensei que você fosse esperta e cuidadosa o suficiente para manter Tália longe do pai.

Amanda não perde sua pose de rainha da Inglaterra, mas eu vejo em seu olhar o quanto minhas palavras deixaram-na afetada.

— Mantenha-se no seu lugar, você é apenas uma subordinada de Damien Darhk. Um peão sem importância. Posso acabar com você a hora que eu bem entender e não pense que eu não farei isso. — soltei uma risada de puro escárnio e fitei os olhos impetuosos de Amanda.

— Estarei esperando. — rebato. — Onde está Damien Darhk?

— Está na cobertura desse edifício.

Viro-me e me Afasto de Amanda, antes que comece uma briga com ela. Com tudo que está acontecendo, discutir com ela seria um tiro no pé e também não posso dar motivos para Amanda desconfiar de mim e da minha relação com Damien.

Meu pai está perto do parapeito do edifício, olhando para os prédios vizinhos. Ele nunca levou um golpe como esse, nunca foi desafiado dessa maneira. Não sei como deve estar sua cabeça, no máximo matutando várias coisas. Darhk não faz o tipo perdedor, pode ficar acuado por um tempo, mas ele sempre encontra uma saída.

— Parece que Ra's não estava um passo a minha frente, e sim vários. — comenta, antes de eu me anunciar. — Eu o subestimei, Felicity, e ele provou que ainda é astuto o suficiente para me derrotar.

— Você está com medo? — indaguei, parei ao seu lado e fiquei com o olhar fixo em um prédio mais baixo, o mesmo que meu pai olhava.

— Não. — disse. — Eu tenho medo do que ele pode fazer. Ele se mostrou esperto, na verdade ele sempre foi esperto e nunca teve limites. Ra’s é capaz de tudo para conseguir o que deseja, eu sei muito bem. E foi por isso que tomei uma decisão.

— Qual?

— A partir de agora você e Sara vão voltar para casa, não quero vocês duas correndo riscos e lá vocês estarão protegidas. Vou fazer isso sozinho, sem colocar minha família em risco. Vocês viajarão ainda essa noite.

— Não. — digo. — Eu vou ficar, eu quero ficar e você sabe que eu sei me defender.

— Felicity, Ra's já lhe fez mal no passado, não quero que aquilo se repita.

— Não vai se repetir, eu era pequena, indefesa e ingênua. Não sou mais aquela garotinha. — rebato.

Ele não pode me pedir para se afastar, não agora que tenho Oliver.

— Não vou voltar para casa, eu vou ficar.

— Você tem um motivo para ficar? — assinto. — É o agente?

— Não, claro que não. O que quer dizer com isso? — silêncio. — Você sabe que eu quero que Ra's seja pego.

— Ra's não é o motivo maior, eu sei. Eu vejo as coisas. Sei ser um bom observador. E desde aquela história do tiro no ombro que você me contou, eu comecei uma investigação detalhada. Além de saber que vocês trabalharam juntos em Las Vegas, fato que você me contou, sei que vocês se viram aquela vez que você estava em Washington, nos seus dois últimos trabalhos. Seu maior motivo é não conseguir se afastar dele nessa altura do campeonato.

— Você sabe que eu nunca vou dizer que você está certo. — digo.

— Eu sei.

— E sabe também que eu não vou obedecer a essa sua ordem.

Meu pai suspirou e por fim disse: — Sei.

— Ótimo! — exclamo. — O que você vai fazer agora, como vai encontrar Ra's Al Ghul?

— Eu ainda não sei, mas sei que vou matar Ra's Al Ghul, nem que seja a última coisa que eu faça.

(...)

Eu não quis discutir com meu pai sobre sua vingança, essa rixa dele com Ra's já dura muito tempo, existe muita coisa entre os dois que é desconhecida por mim. Mas eu tenho medo de Damien perder essa guerra.

Cheguei ao hospital e segui direto para a sala de emergência onde John estava antes, mas uma enfermeira me informou que ele já havia saído da cirurgia e estava em um quarto, ela foi simpática e me passou as informações. Sara estava sentada em uma poltrona do lado de fora do quarto, nenhum sinal do Oliver.

— Sara. — Aproximei-me dela. — Como estão as coisas por aqui?

— A cirurgia seguiu bem. Mas o quadro dele ainda é complicado. Ele terá que fazer um longo tratamento com remédios, se o organismo dele não reagir, terá que amputar a perna.

Não pensei que havia sido tão grave, John é um ótimo agente e parece ter um bom coração, não devia estar passando por isso. Se Oliver e eu estivéssemos aqui, talvez isso não tivesse acontecido.

— Onde está o Oliver?

— No quarto.

— Tudo foi feito em sigilo, como Ra's descobriu que Tália estava na base?

— Eu não sei. Talvez um agente duplo?

— É. — pondero. — talvez seja isso mesmo.

O que Sara disse poderia mesmo ser o motivo de tudo que aconteceu, Ra's está sempre um passo a frente de Amanda, a cia pode muito bem ter um agente duplo, que leva informações frescas para Ra's, inclusive toda essa operação envolvendo Tália.

— Felicity. — virei-me para Oliver, que havia acabado de sair do quarto e o abracei.

— Como você está?

— Estou bem. Conseguiu alguma informação com o Darhk e a Amanda?

— Não. Meu pai quer que eu volte para casa, quer manter a mim e Sara longe disso, eu nunca o vi tão abalado como hoje.

— Você vai embora? — Fitei os olhos de Oliver, ele parecia tão preocupado com minha resposta. — Vai?

— Não. — disse, fazendo-o sorrir. — Amanda parece furiosa com você.

— Não me importo com Amanda. — deu de ombros.

— Como está o seu amigo? — Oliver passou as mãos pelo cabelo e suspirou.

— É complicado demais. Dig pode perder a perna se não reagir bem ao tratamento, e eu sei que se isso acontecer o afetará muito. Lyla está preocupada também. Agora John está sedado, ainda não sabe nada sobre isso, Lyla está com muito medo da forma que ele vai reagir.

— Acha que se estivéssemos aqui, as coisas seriam diferentes?

— Quando você levou o tiro, perdeu muito sangue, seria um erro viajar com você naquele estado, você precisava de cuidados e de forma alguma eu deixaria algo lhe acontecer. Se estivéssemos aqui, poderia sim ser diferente. Mas a culpa não é nossa. — Oliver beijou minha testa, e eu o abracei, deixando minha cabeça apoiada em seu peito.

— Felicity, precisamos conversar. — resmungou Sara. Oliver beijou o topo da minha cabeça e prontamente se afastou. — Preciso descansar, estou aqui desde o ocorrido, me sinto exausta.

— Okay. Nós estamos aqui agora. Apenas tome cuidado. Na verdade acho que você deveria voltar para casa e ficar longe de tudo isso. Nyssa deve estar sentindo sua falta.

— Não se preocupe comigo. — sorri. Despedi-me de Sara e sentei ao lado de Oliver no pequeno sofá do lado de fora do quarto onde Diggle está.

— Então Damien Darhk está apavorado? — resmungou. Oliver colocou o braço em torno dos meus ombros e me abraçou, seu abraço estava se tornando meu refúgio.

— Talvez. Mas Damien é astuto e Ra's está o subestimando.

— E eu só queria estar longe dessa confusão, com a garota certa ao meu lado.

— Sério? — ele assentiu. — E quem seria essa garota certa?

— Você sabe muito bem quem seria essa garota. — ele beijou meu ombro. — É você.

Segurei o pescoço dele e o puxei para mais perto, seu nariz encostou-se no meu e sua boca ficou bem próxima da minha.

— O que você acha da gente voltar para a Rússia? — sorri e o beijei. Rússia sempre guardará boas lembranças nossas, maravilhosas na verdade. Mas agora, precisamos ficar aqui.

— Temos que nos contentar com Washington. — sussurrei. Oliver fez uma careta de tédio.

— Está bem. Eu conheço restaurantes maravilhosos aqui também. — franzi o cenho. — O que você acha de jantar comigo essa noite? Não é assim que se inicia um relacionamento?

— Você sabe que nosso relacionamento é peculiar. — Oliver sorriu e me beijou.

— Isso não nos impede de jantar como um casal normal. Depois... — ele aproximou a boca do meu ouvido. — Podemos terminar a noite no meu apartamento.

Era difícil raciocinar quando os lábios úmidos de Oliver passeavam pelo meu pescoço, causando arrepios por todo o meu corpo.

— Está bem, eu aceito o seu convite.

— Ótimo. Mas antes preciso acompanhar Lyla até a casa dela. Ela precisa ver a Sara e pegar algumas roupas do John. Você se importa em ficar aqui, com o Diggle?

— Claro que não.

— Eles são uma família para mim, tudo que estiver ao meu alcance farei para ajuda-los.

Oliver parece uma caixinha de surpresas, a cada momento eu me surpreendo ainda mais com ele e minha admiração só aumenta.

(...)

Estava sentada na poltrona que tinha no quarto de Diggle, folheando uma revista quando ele acordou e tentou de qualquer forma sentar-se na cama. Chamei um enfermeiro que o ajudou a encontrar uma posição correta e confortável.

— Eu odeio hospitais. — bufou ele. — Tem cheiro de gente morta.

— Bom, levando em conta que alguém sempre morre em hospitais, ele realmente fede gente morta. — Dig deu uma gargalhada.

— Agora entendo porque Oliver está apaixonado por você.

— Acho que ‘apaixonado’ é uma palavra muito forte.

— Não, não é. Você não sabe o bem que faz a ele. — ponderou. — Oliver nunca, nunca mesmo gostou de alguém como gosta de você. Talvez você ache cedo, mas ele não acha e consequentemente ele fará alguma besteira. Porém, sempre fará de tudo para lhe ter por perto.

— Acha mesmo que ele sente tudo isso por mim?

— Acho sim. — respondeu. — Posso lhe fazer um pedido? — assenti, mesmo sem saber o que viria. — Não o machuque, Oliver já sofreu muito e quando você entrou na vida dele, mudou muita coisa, e para melhor.

— Não vou machuca-lo.

— Que bom. — disse. — Será que nesse hospital tem jogos de tabuleiro?

— Talvez na ala pediátrica.

(...)

Diggle era bom em jogos de tabuleiro, principalmente em xadrez. Mas sem ser modesta, eu sou muito melhor que ele, e já ganhei quatro vezes. A companhia de John é muito agradável, até parece que o conheço há muito tempo.

— Eu quero revanche. — disse ele, quando o derrotei pela quarta vez.

— Acho que você precisa descansar.

— Estou bem, só sinto um pouco de dores na perna. Alias, quando eu vou ter alta?

John ainda não sabia sobre a gravidade do seu ferimento, o médico desconversou quando esteve no quarto, disse que esperaria Lyla voltar. Diggle parece ter engolido e nossas partidas de xadrez o fizeram esquecer.

— Okay, vamos jogar mais uma vez, mas já vou adiantando que eu vou vencer. — ele esboçou um sorriso de zombaria e começou organizar as peças sobre o tabuleiro.

— Veremos.

...

— Xeque mate! — exclamei, no mesmo momento que a porta foi aberta por Oliver. Lyla estava junto e quando viu John acordado correu até ele, com cuidado o abraçou.

Oliver observou os dois, um sorriso tranquilo surgiu em seus lábios. Aproximou-se de mim e beijou minha bochecha.

— Por favor, me diga que você ganhou dele.

— Cinco vezes. Sua garota ganhou cinco vezes de mim, sem dó e nem piedade. Nunca fui derrotado como hoje. Com certeza eu vou querer revanche.

— Ah meu amigo. — iniciou Oliver. — Eu avisei que um dia alguém lhe venceria.

Diggle caiu em gargalhadas. Era bom ver que acima de tudo a alegria sempre estava estampada em seu rosto. Depois de algum tempo o médico entrou no quarto e deu a notícia, que eu pensei que deixaria John abalado, mas ele reagiu bem, disse que faria o tratamento, mas também disse que não gostava nenhum pouco da ideia de ficar internado por alguns dias.

Peguei meu celular que vibrava no bolso da minha blusa, olhei no visor, tinha que atender, era Cait e eu pedi que ele me desse qualquer notícia, boa ou ruim do quadro de saúde da minha mãe.

— Preciso atender. — disse a Oliver que assentiu. Sai do quarto e atendi:

— Cait, aconteceu alguma coisa?

— Sim, mas não precisa ficar nervosa. — respondeu. — Houve uma grande melhora no quadro mental de Donna, ela se lembrou daquela noite e disse que precisa muito falar com você. Fica repetindo que você está em perigo. — acrescentou em tom calmo, mas que mesmo assim me deixou nervosa.— Felicity você precisa vir para cá.

— Tudo bem. Vou o mais rápido possível.

— Tá. Conversamos melhor quando estiver aqui.

— Obrigada, Cait. — encerrei a ligação. Por que mamãe está dizendo que estou em perigo?

— Você vai o mais rápido possível para onde? — ah meu Deus, o jantar com Oliver. Terei que desmarcar. Virei-me e fitei seus olhos.

— Desculpa, mas ocorreu um problema. É uma pessoa muito importante para mim, ela precisa de mim. Podemos marcar o jantar para outro dia.

— Que pessoa é essa? — respirei fundo.

— É uma pessoa importante. — respondi. — Eu ir preciso Oliver.

— Está bem. Mas você vai voltar?

Fiquei na ponta dos pés e coloquei meus braços ao redor do seu pescoço, fitei seus olhos.

— Tenho um motivo para voltar. — o beijei, transmitindo toda a verdade que continham minhas palavras, eu tinha um motivo e o nome é Oliver.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado, deixem comentários. Bjooos e até o próximo