A Assassina e o Agente.
8 Protegendo o inimigo.
Notas iniciais
FELICITY
Eu ainda sentia o fogo correndo por minhas veias, o desejo dentro de mim ainda gritava. Eu não posso me envolver com Oliver, por mais que aquele lance não tenha passado de atração, ele é um agente da c.i.a, é extremamente errado eu me envolver. O que havia acontecido, não podia de nenhuma forma repetir. Devo me controlar.
Mas como me controlar aos encantos desse homem? Ele me tira do sério e ao mesmo tempo me faz deseja-lo. Seu corpo, seus beijos, seus toques e seus olhares me fazem quere-lo ainda mais. Estar perto dele desperta coisas em mim e, só de pensar no que quase aconteceu todo o meu corpo arrepia-se.
Por mais que eu sinta atração por Oliver. Estar com ele seria algo do momento, e mesmo assim, eu não posso admitir que aconteça novamente. Mesmo que seja apenas uma vez. Existe uma grande tensão entre nós e isso é palpável. Uma pequena discussão é o suficiente para nossos corpos travarem uma batalha sexual, como no elevador e no meu quarto.
Eu não posso ceder aos seus encantos, ou a sua pegada. Mas, a forma que ele me olha, causa um formigamento em todo o meu corpo. E a vontade de tê-lo dentro de mim é inexplicável.
É claro que eu não sou uma puritana. Sou uma mulher de carne e osso. Sou sim incapaz de ter sentimentos, mas a luxúria é um grande problema para mim. Eu sei me controlar, não saio tranzando com qualquer homem. Porém, ficar perto de Oliver é como tentar impedir o iminente.
Saímos do meu apartamento, tenho algo muito importante para pensar agora, algo que manterá as imagens minha e de Oliver quase nus no sofá bem longe da minha cabeça. Na verdade, tenho que apagar tudo da memoria. Preciso encontrar Sara e se não chegar a tempo ao aeroporto, eles vão alçar voo e isso vai atrasar-me ainda mais.
— Onde eles estão? — questiona Oliver.
— Alguns km antes do aeroporto, na Bruce Woodbury. Eu conheço um atalho que vai nos dar 2 minutos na frente deles, e pela Fwy com a Avenida Tropicana.
— Okay. — diz Oliver, jogando a maleta de armas no banco traseiro do carro. Ele embarca no banco do motorista e eu no do passageiro. Começa a dirigir, passando por semáforos vermelhos e cortando em meio aos carros, tento não olhar para seus bíceps. Devo olhar para fora. Olho para fora, as luzes da cidade passam rapidamente por meus olhos.
— Vira à esquerda. — digo. Ele faz o que digo. Olho na tela do meu celular e estamos perto do ponto vermelho. Traço uma rota, com uma imagem detalhada e em 3D das ruas, apenas uma fileira de prédios nos separa do ponto vermelho. — Mais rápido. Vire à esquerda quando eu mandar.
— Tudo bem. — Oliver pisa fundo no acelerador, cortando em meios aos carros, fazendo uma confusão.
— Agora. — digo. Apoio-me sobre o encosto do bando, estico minha mão e pego a mala de armas. Escolho a Pt 670, destravo e coloco metade do meu corpo para fora do carro.
— O que está fazendo sua maluca?
— O carro em que Sara está é aquele. — digo, apontando para o carro preto que vem em alta velocidade em nossa direção. Começo a atirar. Uma. Duas. Três. Quatro vezes, mas o carro continua correndo, chegando cada vez mais perto.
— Felicity! — Oliver segura minha cintura com força e me puxa, coloca o corpo sobre o meu. Sinto o choque do outro carro batendo na nossa lateral, o veiculo em que estamos vira e eu escuto o barulho da lataria sendo arrastada pelo asfalto. Oliver me mantém sob ele, como se eu fosse algo precioso demais, e que ele precisasse proteger a qualquer custo.
Nosso carro para de ser arrastado, sinto o cheiro forte de gasolina. Oliver continua com a cabeça apoiada em meu o pescoço. Ele acabou de salvar minha vida, aquele carro teria batido em cheio em mim, eu estaria toda arrebentada agora se não fosse por ele.
— Por favor, me diz que você está bem. — murmuro. — Já me culpo por muitas coisas. Então, não morra.
— Estou bem. — Escutar sua voz me tranquiliza, eu não consigo explicar o por quê. Ele levanta o rosto e me analisa. Seu rosto está ferido bem ao lado da sobrancelha esquerda. — E você, está bem?
— Estou. — respondo. Por alguns segundos a expressão de Oliver e carregada de preocupação, mas depois que digo como me sinto, sua feição suaviza. — Temos que sair daqui.
— Eu sei. — Ele levanta-se com cuidado e sai pela janela do carro. Em seguida abre a porta e me oferece a mão. Levanto-me, pego meu celular que por milagre ainda está inteiro, apenas com um arranhão na tela, e aceito sua ajuda. — Ainda tem a localização dela?
— Sim. Estão bem perto do aeroporto.
— Tudo bem. — Ele se põe na frente de um carro e aponta a arma para o motorista, ele freia bruscamente.
— Desculpe senhor, mas precisamos do seu carro. — diz, abrindo a porta. O motorista está apavorado, nem discute. Me junto a Oliver, e ele pisa fundo no acelerador.
— Obrigado. — murmuro. — Acho que estou lhe devendo um favor.
— Eu agi por impulso, não foi bem uma escolha minha. Não agradeça. E não está me devendo nada.
— Vire à direita, isso diminuirá nosso tempo sob eles.
— Okay. — Oliver vira, e eu posso ver as luzes do aeroporto. — Onde eles estão?
— Chegaram. — Oliver mantem os olhos fixos na rua, ele aumenta a velocidade. Checo a localização de Sara e ela está se movimentando rápido.
Oliver estaciona o carro de qualquer jeito e eu desembarco e adentro o aeroporto. Muitas pessoas. Oliver está logo atrás de mim. Estamos dando um passo à frente e voltando dois com todo esse tumulto.
— Para que lado? — pergunta. Checo novamente a localização.
— Área de embarque! Para aquele lado. — exclamo, apontando para o local onde tenho a localização de Sara. — É muita gente.
— Posso dar um jeito nisso. — Ele tira a arma do coldre e aperta o gatilho, disparando para o alto. Algumas pessoas abaixam-se e outras correm para fora, deixando o caminho livre. Mas, a segurança inteira começa brotar do chão e das paredes. — Sou agente federal, e ela é minha parceira.
— Acho que isso causou mais tumulto que antes. — murmuro.
O segurança chefe analisa o distintivo falso de Oliver e eu imploro para que ele não peça o meu, porque se não, tudo vai por agua a baixo. Ele olha para Oliver e então para mim, sua expressão é de duvida. Mas então, ele entrega o distintivo para Oliver e nos deixa passar.
Corro rumo à área de embarque. Posso ver Sara, dois homens a seguram pelos braços. Ra's Al Ghul está logo à frente, cercado por seus homens.
Avanço na direção deles, um segurança do aeroporto tenta me deter, mas eu me livro dele lhe dando uma coronhada na lateral da sua cabeça. Eles seguem pelo portão de embarque e eu os sigo pela passarela. Oliver corre ao meu lado. Devo admitir, ele é bom no que faz. Inteligente, um pouco.
Temos grande distancia deles, continuamos correndo, esbarrando em passageiros. Chegamos ao fim da passarela que leva a pista onde ficam os aviões. Olho ao redor, eles ainda têm vantagem sobre nós. Pensa Felicity, pensa. Tenho uma ideia, miro a arma em um dos homens que seguram Sara, disparo e o tiro atinge seu ombro esquerdo.
Sara livra-se do outro homem e luta com outros, os alcançamos e lutamos com os servos de Ra's, dando tempo para ele fugir e seguir para o avião. Oliver derruba seus oponentes, junta a arma que caiu no chão e segue Ra's. Livro-me do meu oponente acertando-lhe um chute em seu pescoço e depois lançando meu joelho em seu rosto.
— Está bem? — pergunto a Sara. Ela assente, e quebra o braço do ultimo homem em pé.
— Vai. — diz, olhando para aonde Ra's e Oliver seguiram. Faço que sim com a cabeça, e corro na direção deles.
Quando chego perto dos dois, Ra’s está no topo da escada de um jato, e Oliver está chegando perto dele. Olho novamente para Ra’s e ele está segurando uma arma. Oliver é meu último pensamento antes de eu me lançar para cima dele. Escuto o estouro e sinto uma dor excruciante em meu ombro.
OLIVER
Ra's estava prestes a atirar em mim, mas algo me derrubou no chão e se pôs sobre mim. Escutei o estouro da arma dele, e a voz de Felicity abafada contra meu pescoço. Sentei-me rapidamente e virei seu corpo, procurei por ferimentos, o tiro havia atingido seu ombro e o sangue começava a encharcar a camisa.
— Eu estou bem. Estou bem. — Senta-se, se afastando de mim. — Ra's? — Olho para o avião e ele está na pista, alçando voo.
— Fugiu. — digo. Ela solta um suspiro. — Parece que você salvou minha vida mais uma vez.
— Foi impulso, não foi bem uma escolha minha. — Um sorriso largo surge em meus lábios. Seguro sua cintura e coloco meu braço ao redor do seu tronco. Ajudo-a se levantar. — Obrigada.
— Meu Deus, você está bem? — A outra loira, que deve ser a Sara corre em nossa direção.
— Eu estou bem. — ameniza Felicity.
— Ela é durona. — comento. Sara olha para mim.
— Você... — Fita os olhos de Felicity, arqueando as sobrancelhas. — É o agente? O carinha que lhe beijou no cassino? — As bochechas de Felicity ganham um leve rubor.
— Sim. Ele chama-se Oliver.
— Prazer. Sara. — Estica a mão para mim. É estanho cumprimentar uma assassina. Mas poderia ser pior, eu poderia ter transado com uma assassina. Não que seja ruim. Felicity é uma mulher bonita e muito atraente. Algo me diz que ela não é como Darhk. Mas o meu dever seria prendê-la. Porém, hoje Felicity salvou minha vida duas vezes.
— Prazer. — Aperto a mão dela.
— Para aonde ele vai? — pergunta Felicity, olhando para o avião. — Deve ter informações no aeroporto.
— Não sei. Ele tinha um hacker e usava um nome falso, não vai deixar rastros algum. Só vamos perder tempo. — responde Sara.
— Temos que ir Sara. — murmura Felicity.
— Agora? — pergunto, fitando seus olhos.
— Vamos voltar para o hotel e sair de lá, antes que você de uma de agente, super profissional.
— Não agora. Mas na próxima, vocês não escapam. E além do mais, deixei meu paletó e minha gravata no seu quarto. — Sara franze o cenho olhando de mim e para Felicity.
— Aconteceu alguma coisa que eu deveria saber? — indaga Sara, semicerrando os olhos.
— Estou pensando seriamente em quebrar minha promessa de nunca matar um agente. — exclama, com um olhar assassino sobre mim. — Você vai pegar suas coisas e depois vai sumir. —completa, passando por mim.
(...)
— Eu trago suas coisas. — dispara Felicity, saindo do carro.
— Eu subo. — Rebato. — Não custa nada. — Minha insistência a faz revirar os olhos, ela pondera. Contraí os lábios. Respira fundo e abre a boca.
— Deixa Felicity. — interrompe Sara.
— Cara chato. — Sorrio com seu comentário. Seguimos pela recepção e entramos no elevador, Sara fica entre nos dois. E Felicity mantem os olhos fixos no chão. As portas se abrem quando chegamos ao andar do quarto delas.
Encontro meu paletó assim que saio do elevador. Felicity vira o rosto para mim, posso ver em seus olhos o quanto ela se arrepende do que quase aconteceu entre nós. Entramos no quarto e o vestido dela está esparramado no chão, isso faz Sara olhar desconfiada para a amiga. Mas, em momento algum ela questiona.
— Vou buscar o kit de primeiros socorros. — murmura Sara. Felicity senta-se no sofá e tira a jaqueta. Espera por Sara que não demora muito.
— Deixa que eu faço isso. — digo, pegando a caixa de suas mãos, ela olha sobre meus ombros, levanta uma sobrancelha e franze os lábios.
— Tudo bem. Vou arrumar nossas malas. — Entrega-me e caixa. Espero-a se afastar e me aproximo de Felicity.
— O que pensa que vai fazer? — pergunta, olhando para o kit em minhas mãos.
— Precisa tirar a bala daí e fazer um curativo. Ou terá problemas.
— Sara vai fazer isso. — retruca.
— Sara está ocupada. — Ela me encara e eu a encaro a altura.
— Tudo bem. — Cede. Ajeita-se no sofá e tira a camisa. Respiro fundo e tento não olhar para seu decote. Impossível. — Perdeu alguma coisa?
— Nada. — Toco em seu ombro, e sinto seu corpo estremecer. Abaixo a alça do seu sutiã lentamente, espalmando minha mão em seu ombro e seguindo até o cotovelo, seus olhos se fecham por breves segundos. Limpo o ferimento com antisséptico e pego a pinça cirúrgica. — Isso vai doer.
— Faz de uma vez. — Penetro a ponta da pinça em seu ferimento, ela solta um curto grunhido. Retiro a bala e jogo dentro de um cinzeiro sobre a mesa de centro. Limpo a ferida, faço os pontos e o curativo.
— Pronto.
— Obrigada. — agradece. — É melhor você ir agora.
— Sobre antes...
— Não aconteceu nada, Oliver. Não precisa se preocupar. — replica, em tom amargo.
— Melhor assim. — digo. — Vou indo, porque Dig deve estar preocupado.
— Você sabe onde fica a porta. — Nem ousa olhar para mim. Tão delicada. Viro-me e marcho para fora do quarto, sigo pelo corredor e paro em frente o elevador. Aperto o botão e as portas se abrem.
— Espera. — olho para o lado e Felicity está parada como uma estátua em frente à porta do seu quarto. Ela aproxima-se em uma velocidade torturante.
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