A Arte de Ser Eu...
7 Que tal uma saída?
Notas iniciais
P.O.V. Maya
Após ouvir discursos e mais discursos do Enri e do Gui o recreio acabou, voltamos para o corredor e fomos cada um para sua sala – quer dizer, eu e o Enri fomos para a aula de Filosofia e o Guilherme para a de biologia.
O professor de uma figa! Desde quando se aprende filosofia sozinha? Ele desmanchou todos os grupos com essa desculpa, iríamos filosofar com quem por acaso. Todos saíram da sala bufando ou com raiva – até mesmo o Thyago, seja lá porque o motivo já que ele sempre fica sozinho.
O Guilherme já estava do lado de fora da sala quando saí – esse garoto não fica na aula não? – e observei que a Dulce estava a sua espreita. Humm, isso está muito estranho, mas deixa pra lá.
— Aí tem coisa... – meu amigo sussurrou no meu ouvido.
— Sem dúvida – respondi de volta sem me preocupar em falar com voz alta.
— Sem dúvida o que? Do que vocês dois estão falando? – perguntou o Gui sorrindo.
— Nada. – respondemos juntos. – Oi Dulc... E . – Nos encaramos assuntados. – Você tem que parar com isso! – Outra vez?
— Chega. – disse Enri rapidamente e Dulce sorriu.
— Oie. – respondeu ela tímida.
— Bom já vou indo para a última aula, os professores pediram pra Dulce me ajudar essa semana com os horários, salas e tudo mais, nos vemos mais tarde. – sorrisos e sorrisos em todas as palavras, parece que os ânimos foram acalmados por hora. As maravilhas de ser adolescente.
— Ele estava dando satisfações? – perguntei.
— É o que parece – disse Enri.
— Estou impressionada.
Seguimos para a última aula que era... Sei lá – nem faço questão de lembrar, foi muito chata... Algo que uma professora lia, lia e não parava mais... Um colega meu até caiu da cadeira porque dormiu sentado sem estar apoiado na classe como os de mais alunos. O bom da aula era que dava para sentar em grupos e ficar conversando baixo. Lembrei! – não que eu quisesse. – A matéria era seminário. O Enri estava ao meu lado, o Pablo na frente dele, a Corine na minha frente e o Felipe só com uma cadeira ao lado dela. O nosso trabalho era sobre drogas – como metade do colégio estava fazendo -, mas os professores aprovam e não tem como rodar com isso.
Corine e Felipe deitaram a cabeça na mesma classe e dormiram até o início da segunda metade da aula. Pobre Felipe... Indo para o lado negro da força. Um dia eles ainda fariam um casal muito fofo – eca, não acredito que usei essa palavra, mas deixa para lá, era verdade -, eles só precisavam admitir isso logo – se não for todo um jogo da Corine para passar, mas sei lá... Eles estavam tão próximos nas últimas semanas.
— Se eu tiver que aguentar isso até o final do Ensino Médio e descobrir que só depois da formatura eles começaram a namorar de verdade, eu mato o Felipe. – falou Pablo com nojo na voz enquanto olhava para classe ao lado. Ele era um garoto negro, provavelmente o único da escola, não que eu tenha parado para contar também... E uma das pessoas mais legais daqui. Ele se juntou a nós porque o Enrique era criativo. Palavras dele, não minhas... Mas também não significa que me oponho a isso, até porque, é verdade.
— Nós sabemos que isso é tudo ciúme já que não tem nenhuma garota que te interesse aqui, Pablo. Não precisa ser tão frio – disse sorrindo.
— Como se você fosse muito diferente, mas a diferença é que você guarda e eu falo.
— Claro, porque você é muito sincero... – insinuou Enrique fazendo nós três rir, acordar metade dos seres da sala de aula e chamar a atenção da professora.
— Vocês podem falar mais baixo, os outros alunos também estão tentando fazer seus trabalhos.
— Claro, professora, é que finalmente encontramos um jeito para fazer nossa enquete e que todos participem ao mesmo tempo.
— Esplêndido! Contem-me os detalhes depois.
— Claro, professora. – Vai sonhando.
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O resto da sexta-feira correu bem. Minha mãe ficou surpresa ao descobrir que o Gui ia passar um tempo lá em casa – apesar de só termos nos falado por telefone. A Dulce passou à tarde lá em casa passando a matéria para meu irmão, que eu não sabia se havia comprado cadernos novos ou se não tinha nada nos antigos... Provavelmente um pouco dos dois.
O dia se passou tão tranquilo que nem pensei sobre amanha ter aula com o Thyago. Observava a distancia o Gui e a Dulce, eles eram fofos juntos – okay tenho que parar de usar a expressão fofos, nota mental. Peguei uma bolsa coloquei algumas coisas e fui para casa do Enri sem ninguém notar.
— Maya? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Enri.
— Nada, não posso mais visitar o meu amorzinho? – Falei com uma voz de taquara rachada.
— O que você quer?
— Hoje o Patrick não falou comigo e eu pensei... – Me insinuei e fui dando pequenos passos para frente.
— O que? – ele perguntou dando dois passos compridos para trás.
— Vamos sair! Somos jovens e eu tenho que aproveitar enquanto eu ainda sou bonita – sorri.
— Você não é bonita. – disse ele seco.
— O Patrick não concordaria com isso. – falei. Mas diferente das outras vezes, ele não riu.
— Ele te acha gostosa não bonita. Vamos? – Mudou de assunto.
— Você espera eu me trocar dessa vez?
— Claro. Para onde vamos.
— Você convidou e não sabe? Você é mesmo a Maya.
— O que quer dizer com isso?
— Nada não, só que vou pegar mais garotas do que você garotos. Sei lá aonde vamos.
— Você aposta nisso?
— Sem dúvida!
— Então já sei aonde vamos. – sorri. Ah, sim, eu sabia exatamente aonde irmos. – Você é o gay mais estranho que eu conheço, sabia? Tem certeza que não é bi?
— Eu não vou pegar você Maya, pode esquecer.
— Mas você pega várias garotas. – falei o irritando.
— Eu não sou bi, mas você sabe o que aconteceria se descobrissem que sou gay? Minha família? O pessoal da escola? Mas eu preciso ficar como alguém de vez em quando – ia brincar de novo, mas antes que tivesse a chance ele me interrompeu. – Eu não vou ficar com você.
— Enri, isso machuca! – falei fazendo drama.
— Como você disse somos jovens, não vou ser bonito para sempre.
— Tem razão, a tendência é que você fique igual a seu pai. – respondi fazendo careta.
— Cala a boca! – ele riu.
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