A Arte de Ser Eu...

3 Chocolate quente e uma conversa com o Enri


Notas iniciais
Olha quem está aqui novamente? Por agora eu estou postando vários capítulos, mas depois do 5 eu vai ser um por dia ou a cada dois porque vai começar minhas provas e daí não vou ter tempo pra vir aqui todos os dias. Boa leitura minhas tartarugas!!

POV Maya:

Na manhã-drugada seguinte — lá pelas 05:30 da manha — o Patrick me acordou e me levou para a casa do Enri lá pelas seis horas. Digamos que ver ele usando só uma samba canção amarela com o cabelo preto todo bagunçado e olhos meio grudados atendendo a porta com o Patrick ao meu lado não foi lá as melhores coisas que eu já vi, mas quem sou eu pra opinar nos pijamas do meu querido amigo?

— Bom dia Bells! Preparado para mais um dia de aula? — disse o Patrick como um sorriso desdenhoso no rosto olhando os trajes a sua frente sem conseguir levantar os olhos para seu rosto.

— Sem ofender professor, mas preferia ficar dormindo, sabe como é não é? As garotas fizeram muita bagunça de noite e só fui conseguir dormir mesmo depois das 3h da manhã. — sorriu ao finalizar sua resposta.

— Claro... As garotas — será que a sessão sorrisos não vai acabar não? – Bom, vou indo, até mais tarde.

Com um aceno de cabeça ele deu meia volta entrou no seu carro e saiu.

— Você é muito debochado! — soltei dando um leve soco em seu ombro e entrei na casa.

— E você é louca e eu não te julgo. — Disse ele dando de ombros.

— Mamãe ligou? — perguntei mudando de assunto.

— Sim, ás duas da manha para saber se você já havia dormido. Daí eu disse que não estava mais ouvindo barulho nenhum há um tempo.

Nossa! Nunca imaginei minha mãe ligando tão tarde. O que será que a fez ficar acordada tanto tempo assim?

— Vamos dar uma volta tomando café em xícaras passeando pela rua? Soa bem romântico, não? — Perguntei rindo. Eu sempre tinha bom humor da manhã.

— Mal são seis horas da manhã garota, eu acabei de acordar e estou de cueca, não notou, não?

— Ninguém vai ligar para sua cueca, vamos, por favor! — fiz beicinho.

— Só se for leite com chocolate.

— Perfeito!

*********************************************************

Ás 06:18 estávamos cada um com uma caneca de dizeres cômicos na mão. A dele com “Eu sou o chefe” — era preta com dizeres em preto e vermelho — e a minha “Eu brilho como estrelinha" — confesso ter um queda por canecas rosa pink e sequestrei a da irmã do Enri. Passamos pela porta e fomos caminhar pela rua. Não deu tempo para ele colocar uma roupa então ele continuava só com sua samba canção azul listrada com preta e eu com a calça jeans e a regata de ontem. Não precisei trocar, se usei ela ontem por uma hora no máximo e olha lá...

Como era cedo e estava com sereno ainda o meu companheiro estava já todo arrepiado e eu iria pelo mesmo caminho em breve. Enlacei meu braço no dele e dei um gole no meu achocolatado.

Alguns carros passavam por nós outros da nossa escola buzinavam ou até paravam para dizer uma besteira quaisquer chapados e bêbados, isso que haveria aula daqui a pouco, mas não faria a mínima diferença mesmo.

— Vai fazer algo no seu aniversário mês que vem? — ele me perguntou entre um gole e outro do seu leite.

— Provavelmente minha mãe vai fazer um bolo e dizer para que eu chame uns amigos meus para ir a nossa casa, mas como só tenho você como amigo talvez peça para ela fazer um jantar lá em casa e chame o Guilherme também para ir. O que você acha?

— Seria legal, faz tempo que eu não falo com ele, você tem falado?

— Não muito, eu queria ir ver ele mesmo, talvez eu viaje para a casa do meu pai nas férias.

— Posso ir junto? — ele perguntou sorrindo.

— Claro que não. — respondi sorrindo de volta.

— Já falou isso pra sua mãe?

— Não, é que não é literalmente saudade do Gaby o motivo de eu querer ir, sabe? Eu não quero passar mais outras férias de inverno com o Patrick. – digo revirando os olhos.

— Não te entendo, sabe? — disse ríspido e virei para ver se era brincadeira dele. — Nunca dormi com um professor então não posso falar nada mais se você detesta tanto por que ainda insiste? Se tiver medo que ele pegue cisma em você quando terminar, porque simplesmente não muda de colégio? É simples, não é? Você sabe que iria com você a qualquer lugar — disse ele num tom normal de voz para a hora, mas sério de mais pelo que eu conheço do Enrique.

Antes de eu formular uma resposta ou simplesmente entender o que ele falou ele continuou.

— Quando você começou a ficar diferente quando a gente era mais novo eu estava nem aí e não me importava... — eu comecei a tremer, não sabia se era de frio ou por algo que sei lá, não consegui mais sair do lugar e notei isso quando vi o Enrique virar para trás e repetir as últimas palavras que ele tinha dito. — Não me importava com o que tinha acontecido, e sei lá o que aconteceu, mais o importante era que você passou de ano e que continuaríamos a ser colegas. Era isso que importava. Nós dois juntos. E quando batia para o recreio e você quase implorava para eu te esperar o que eu nunca fiz, e depois só via você saindo desnorteada da sala do professor depois do recreio e eu ainda te provocava rindo dizendo que ainda bem que não havia esperado se não teria perdido todo o recreio e tals... Todas aquelas coisas bestas. Você demorou um ano para me contar e apenas resumiu a “estou pegando o professor e ele esta me passando”, então fiz de tudo para conseguir um modo de entrar nisso, também. Isso não é algo que um amigo de verdade faria. Hoje sei disso, mas há um ano e meio atrás? Não. Só que depois do telefonema da sua mãe preocupada e tals eu pensei no que você tava fazendo àquela hora e como você tinha entrado nessa. E no fundo o Thyago tem razão. Não do modo que ele acha e quer ter razão, porque ele é um escroto que só pensa em ferrar com os outros, mas no modo que ele nem liga, é o que ele tem de certo. E vou parar por aqui, você saberá em breve o que eu fiz depois do telefonema da sua mãe.

Processando... Processando... Muita informação, muito rápido. Sinto meus olhos embaçarem com suas palavras, mas não vou chorar, seria uma atitude idiota e desnecessária. Como que uma ligação da minha mãe iria mudá-lo tanto assim? Se nos últimos dois anos e meio ele simplesmente nunca tinha tido esse toque de consciência e crítica de “Nossa ela está transando com o professor! Será que isso está fazendo mal para ela? Será que isso é certo?”. Porque agora? Agora que não precisa mais!

Espera! Ainda sem reação tentei juntar o que ele falou e compreender, uma hora ele falou uma hora.

— O que você fez até às três horas da manhã? — perguntei em dúvida.

— Nada que você precise se preocupar mais... E-Eu... contei a alguém, é isso! — falou me fazendo dar a volta, estávamos voltando para a casa dele.

— Como assim você contou a alguém? Você perdeu a cabeça, Enrique Bells? Você abriu a boca pra quem?

— Se preocupe apenas em ir pra casa por hora. São quase dez pras sete.

Notas finais
Espero que tenham gostado, deixem seu comentário pra saber o que estão achando e até a próxima, bjsss!!