A Aposta - Frerard
13 Thirteen
Notas iniciais
fiquei sem net e me concentrei em escrever, minha one tá quase pronta o/
obrigado pelos reviews, vocês são umas fofas *-*
enjoy.
– E então, os Estados Unidos, usando como desculpa o ataque do Japão à sua base militar do Hawaii, lançaram as duas bombas atômicas no país, sobre Hiroshima e Nagasaki. A verdadeira razão, porém, foi que os Estados Unidos estavam a fim de descobrir qual o efeito que a bomba atômica teria nas pessoas. Como descobrimos o resultado não foi nada agradável. Agora, a população se apavorou ao ver a gigantesca nuvem de fumaça em formato de cogumelo e... – Minha mente viajava longe, enquanto o professor Binns (n/a Harry Potter é vida!), lecionador de história, desenrolava os fatos que aconteceram na Segunda Guerra Mundial.
– Cara, se esse velho asmático não parar de falar eu vou começar a roncar aqui mesmo – Ray balbuciou, escorando a cabeça na mão. Seus olhos estavam pequenos e ele parecia lutar para ficar acordado.
Quando eu ia abrir a boca para responder, o sinal ressoou alto pela sala, arrancando todos os alunos do estupor deixado pela aula de história. Levantei-me e me espreguicei preguiçosamente, bocejando alto.
– Vamos – Chamei Ray, que ainda tinha os olhos desfocados – Quero comer alguma coisa.
Saímos para o recreio, e Ray logo começou um monólogo sobre um jogo que ele tinha acabado de comprar. Eu ouvia apenas com metade da minha atenção. A outra metade bolava planos impossíveis para ficar com Frank novamente.
Eu já estava pronto para admitir três coisas: a primeira era que sim, eu estava apaixonado por Frank; a segunda era que eu cumpriria a porcaria da aposta que Bob tanto queria, por que eu não admitiria que ele encostasse um único dedo num fio de cabelo do meu pequeno; e a terceira, bom, Frank sente sim alguma coisa pela minha pessoa. Pois se ele não sentisse, não ficaria com ciúmes de mim nem me beijaria daquele jeito.
– Hey Gee – Michael apareceu de repente na minha frente, interrompendo meus pensamentos e quase me matando de susto – Você quer?
Ele enfiou um pedaço de pizza de calabresa na minha cara, com um enorme sorriso no rosto.
– Porra Michael! – Gritei, cambaleando uns passos para trás e amarrando a cara pra ele – Vai enfiar essa pizza no teu cú e some da minha frente!
Mikey piscou os olhos, fitando-me sem entender. Tudo bem, eu sabia que não era culpa dele, mas o jeito que ele tratou e foi tratado pelo Frank ontem ainda me deixava profundamente irritado.
– Calma Gerard – Ray murmurou as minhas costas – É o teu irmão cara.
– Mikey, por que você não me esperou? Eu tava pegando teu suco seu bocó – Frank apareceu do nada, com dois copos de suco amarelo em mãos. Empurrou um para as mãos de Mikey e sorveu grandes goles do outro. – O que aconteceu?
– Sei lá – Mikey deu de ombros e bebericou sem muita vontade seu próprio suco – Gerard tá doidão. Só vim aqui oferecer um pedaço de pizza e deu a louca nele.
Frank ergueu os olhos para mim e franziu o cenho.
– Você não gosta de pizza de calabresa? – Perguntou inocentemente. Rolei os olhos e grasnei algumas coisas incompreensíveis.
– Coma você a porra da pizza! – Exaltei-me. Tudo o que eu queria era ficar um pouco sozinho com os meus pensamentos. Não queria ter que ser grosso com eles para que me deixassem em paz, mas que opção me davam?
– Não posso – Frank disse calmamente, sem nem pestanejar – Sou vegetariano.
Ray riu, murmurando algo como “corte rápido, Tramontina!” e Mikey o acompanhou.
Resmunguei mais alguma coisa e sai dali, querendo mais do que nunca me afastar deles. Eu precisava de silêncio para pôr meus pensamentos em ordem, e decidir o que eu vou fazer. Acabei por voltar para a sala de aula, já que esta provavelmente estaria vazia àquela hora.
– Sabia que você viria para cá – Frank adentrou a sala decidido, apenas alguns minutos depois de eu ter me acomodado em minha cadeira.
– Quero ficar sozinho – Murmurei, encolhendo os ombros. Ignorando-me, Frank sentou-se à minha frente, juntou as mãos e apoiou o rosto nelas, encarando-me intensamente.
– O que há de errado com você? – Questionou ele, arqueando as sobrancelhas.
– Não há nada de errado comigo! E mesmo se tivesse, por que eu contaria pra você? — Meu tom de voz carregou-se de desdém, embora tudo o que eu quisesse era poder contar tudo o que estava acontecendo e pedir ajuda, reconforto, carinho, qualquer coisa que ele pudesse me dar.
– Por que eu me preocupo contigo – Respondeu ele, sem se alterar pela minha grosseria.
– Você nunca se preocupou comigo antes – Resmunguei, apanhando um lápis em meu estojo e começando a rabiscar sobre uma folha de papel.
– Ah, claro né, que vê pensa que você deixava. – Disse Frank, rolando os olhos – Eu sempre me preocupei com você, mas tu tava ocupado demais em me ofender e me humilhar para perceber isso.
– Desculpa – Pedi imediatamente, baixando os olhos para o desenho de dois grandes olhos amendoados no meu caderno. Fechei-o imediatamente, antes que o dono dos olhos o visse – Eu não tenho nada, de verdade. Só estou tentado colocar meus pensamentos em ordem, e preciso de silêncio pra isso.
– E por que não falou? Não precisava ter sido grosso com Mikey e...
– Meus problemas com Michael são outros – Deixei escapar, me arrependendo em seguida. Seus olhos arregalaram-se momentaneamente, e eu quase pude vê-lo compreender tudo.
– Gerard, eu preciso de algumas respostas – Frank falou depois de alguns segundos silenciosos. Soltei uma risada pelo nariz.
– E por que eu deveria respondê-las? — Falei desdenhosamente. Frank apenas balançou a cabeça de um lado para o outro.
– Por que eu estou envolvido nisso também – Explicou ele simplesmente – Por que você me beijou?
– Por que eu estava curioso – Respondi automaticamente.
– Não conseguiu matar a curiosidade em um beijo só? – Perguntou Frank asperamente – Sabe, tudo bem, não é como se tivesse sido um grande sacrifício te beijar, mas você sempre repudiou qualquer mínimo indício de homossexualidade, e depois veio com aquele papo de ser bi só por minha causa, por que eu mexia com você... E agora simplesmente come a irmã de um dos teus amigos e tudo fica por isso mesmo – Ele parou de falar e arfou um pouco – Então por favor Gee, pare de me confundir e me explique algumas coisas!
Engoli em seco e encarei seus olhos, percebendo que quanto mais eu gostava de alguma coisa, mais conseguia desenhá-la com precisão.
– Olha Frankie – Comecei, escolhendo as palavras com cuidado – Pra ser sincero, o primeiro foi sim apenas curiosidade, mas depois... foi vontade mesmo. O que eu posso fazer? Você beija maravilhosamente bem – Ele corou fortemente e um sorriso pequeno brotou em seus lábios – E você mesmo disse que os homofóbicos em sua maioria são gays que não conseguem se assumir nem para si mesmos. Eu sei que fui um babaca contigo durante quatro anos, mas agora não sou mais assim. Eu... acho que estou gostando de verdade de você – Atrapalhei-me nas palavras, baixei a cabeça e senti meu rosto esquentando.
– Gos-gosta de mim? – Gaguejou Frank, corando ainda mais – Gosta de mim como?
– Acho... que estou apaixonado – Murmurei, ainda de cabeça baixa.
– Por mim? – Seu tom de voz entregava sua total perplexidade. Não, Frank, pelo Ray.
– Eu ainda não sei direito – Menti – Mas acho que sim. Estava tão confuso, mas agora consigo entender melhor as coisas.
– E quanto à irmã do Jared? – Frank indagou, e a mudança de assunto me fez franzir o cenho. Eu estava me declarando pra ele, será que não acreditava?
– Nem lembro direito o que aconteceu – Admiti – Em uma hora estávamos conversando em um sofá, e em outra eu estava deitado na cama dela. E pelo pouco que recordo, não senti muita coisa ficando com ela.
– Você... não sentiu? – Ele arregalou os olhos novamente.
– Transar com ela não foi nada comparado a um dos seus beijos – Falei tão sinceramente que eu mesmo me surpreendi – E além do mais, eu só fiz aquilo por que estava com ciúmes.
– Com ciúmes? – Repetiu ele, depois de corar pelo que eu tinha dito sobre seu beijo – De mim?
– Sim – Voltei a baixar os olhos, sentindo que também estava corando – Michael veio com um papo estranho sobre o Jared ser bissexual e você estar precisando se distrair...
Frank riu, mas logo parou.
– É por isso que você tá bravo com ele?
Não, é claro que não. Eu não estava bravo, estava irritado e enciumado. Por que ele podia tocar Frank daquele jeito e eu não?
– Não – Frank disse antes mesmo de eu conseguir responder – Você está com ciúmes do que aconteceu ontem.
Apenas balancei a cabeça para confirmar.
– Mas que bobo Gerard! – Ele exclamou e deu gostosas gargalhadas – Quantas vezes eu vou ter que te dizer que eu e Mikey somos só amigos?
– Eu não consigo entender essa amizade! – Falei exasperado – Nunca vi essa coisa de amigos se beijarem na boca! – Como ele continuava a rir, logo me irritei – Para de rir!
– Desculpa – Frank riu mais uma vez – Minha amizade com Mikey é perfeitamente normal. Nós apenas temos um jeito próprio de demonstrá-la.
Jeito próprio, jeito próprio... desde quando beijar alguém na boca daquela maneira é “um jeito de demonstrar amizade”?
Frank deve ter visto, pela minha expressão resignada, que eu não estava muito feliz com sua resposta. Deu um suspiro curto e rolou os olhos.
– Caramba Gerard, o que tem de mal isso?
– Só acho estranho – Resmunguei, dando de ombros, fazendo-o rolar os olhos novamente.
– Estranho é você.
– Eu? – Indignei-me, endireitando a coluna e encarando-o irritado – Por que eu?
Frank riu.
– Por que você tem ciúmes de algo que não é seu.
– Mas podia ser – Soltei naturalmente. Ele corou fortemente e baixou os olhos.
– Ah, podia? – Frank murmurou, entrelaçando os dedos no colo. Um sorriso se espalhou pelo meu rosto.
– Só se você quiser – Falei, fitando-o firmemente. Ele corou ainda mais e finalmente ergueu os olhos para os meus.
– Eu gosto de você – Disse ele, com as sobrancelhas levemente franzidas – Mesmo quando você me tratava feito um lixo, eu sempre gostei de ti. Na primeira vez que nós nos encontramos, meu coração acelerou e fiquei completamente sem fala – Frank suspirou – E é tão estranho agora, com você me falando que gos-gosta de mim. E depois que a gente se beijou, você me deixou ainda mais confuso, por que logo foi dormir com a irmã do Jared e...
– Eu só fiquei com a Tessie por que pensei que tu tava com o Jared – Desabafei, sentindo meu rosto quente novamente.
– Eu não tava – Disse ele com sinceridade – Nós apenas conversamos.
– Bom, então eu fiz uma besteira – Murmurei – Mas já te disse, não significou nada.
– Ótimo – Frank abriu um enorme sorriso – É bom saber.
Meus olhos se prenderam aos dele e assim ficaram. Borboletas faziam a festa em meu estômago, já minha cabeça estava completamente vazia. Frank apoiou suas mãos na mesa, ao lado das minhas e inclinou a cabeça, roçando levemente seu nariz com o meu. Entreabri os lábios, esperando o contato que não demorou a chegar. Segurei seu rosto com uma das mãos e movi minha boca com a dele, deixando que nossas línguas se entrelaçassem de um jeito único, como sempre era com ele.
O sinal ressoando fez a gente se separar. Com um ofego, Frank levantou-se alisando rapidamente as roupas. Abriu um sorriso meio tímido para mim, verificou se a sala continuava vazia e deu-me um leve selinho, murmurando algo sobre nos vermos em casa. Então me deixou sozinho, afastando-se em passos rápidos.
– Hey cara, por que você saiu correndo daquele jeito? Mikey ficou preocupado e... O que aconteceu?
– Eu estou com Frank agora – Murmurei.
– Ah tá... espera, o quê? – Ray jogou-se ao meu lado, arregalando os olhos.
– Aconteceu meio rápido – Comecei a falar, enquanto meu estômago continuava cheio de bichos – Eu... falei que gostava dele e ele disse que gostava de mim também.
– E agora vocês estão tipo... juntos?
– Acho que sim – Balbuciei – Quer dizer, não sei ao certo. A gente acabou de se beijar.
Ray começou a rir, mas de repente parou.
– Isso tudo é por causa da aposta ou você realmente gosta dele?
Que droga! Será que ele tinha mesmo que me lembrar daquela maldita aposta?
– É claro que não! – Exclamei, indignado – Bom, talvez em partes. Mas eu realmente gosto dele.
– Não sei dizer se isso é bom ou ruim – Ray murmurou, arriando os ombros.
– Eu também não sei – Disse, observando as pessoas entrarem na sala e se acomodarem em seus devidos lugares.
– Ele gosta mesmo de você?
– Ele disse que sim – Sorri, sem conseguir me segurar – Disse que gostava de mim desde quando nos conhecemos.
Ray soltou uma risadinha ao ver minha expressão boba
– Gerard, você tá tão estupidamente apaixonado que tá me dando náuseas.
– É – Falei – Acho que eu to mesmo.
Notas finais
até o próximo
xoxo
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