A Aposta - Frerard
11 Eleven
Notas iniciais
enjoy.
Franzi ligeiramente o cenho e sorri maliciosamente para ele.
— Enlouqueço é?
— Aham – Frank mordeu os lábios para esconder o sorriso. Passei rapidamente as mãos em sua cintura e o puxei com força para mim. Rocei nossos narizes de leve, meus olhos não abandonaram os dele enquanto eu prendia seu lábio inferior com meus dentes. Ele gemeu.
Droga, ele gemeu.
Meu corpo todo esquentou e de repente a necessidade de ficar ainda mais perto dele se fez presente. Tirei uma das minhas mãos de sua cintura e segurei seu rosto, trazendo-o para o meu e tomando seus lábios com paixão. Nossas línguas se movimentavam juntas em uma dança familiar. Senti as mãos de Frank em meus cabelos, onde ele puxava-os levemente. Aquilo era maravilhoso.
Ouvimos o barulho de alguém subindo as escadas, e eu me joguei pra longe do pequeno o mais rápido que eu pude.
— Ah, você está ai ainda Franks – Disse Mikey ao entrar no quarto. Parou de chofre na soleira da porta e nos olhou, semicerrando os olhos. – O que aconteceu?
— Nada – Respondi rápido demais. Mikey pareceu ainda mais desconfiado. Com um leve tremor, percebi seus olhos passarem duas vezes pelas roupas amassadas de Frank e pelos nossos lábios inchados e avermelhados.
— Sei – Falou ele, franzindo a testa.
— Já tá na hora de irmos né? – Falou Frank, louco para mudar de assunto. Aquiesci em silêncio e Mikey balançou a cabeça. Então nós três descemos as escadas e fomos para o carro.
— Mas onde é isso? – Frank foi o primeiro a quebrar o silêncio. Expliquei, em poucas palavras, que a casa de Jared não era muito longe da nossa.
Não demoramos muito para chegar. A festa estava lotava, e o barulho alto da música feriu meus ouvidos imediatamente. Perdi-me dos dois logo que cruzamos o hall de entrada.
A casa não era muito grande, mas tinha um espaço legal. Uma pequena pista de dança fora improvisada no meio da sala e o moderno aparelho de som fazia ecoar os maiores hits da atualidade.
— OI! – Ray aparecera ao meu lado, sorrindo cheio de dentes e acenando aquela mão enorme. – Como vai?
— Bem – Respondi, mas seus olhos continuavam me fitando curiosos – A gente ficou.
Ele arregalou os olhos.
— E como foi?
— Legal – Falei, e Ray olhou-me incrédulo – Foi ótimo – Admiti, suspirando em seguida – Acho que foram os melhores beijos da minha vida.
Ray sorriu de um jeito meio estranho.
— Apesar dele ser um menino? – Perguntou ele, eu assenti com a cabeça – Caia fora Gerard.
Olhei-o sem entender.
— O quê?
— Deixe Frank de lado, afaste-se dele e mande Bob à merda – Explicou ele, como se fosse algo simples.
— O quê? – Repeti, ainda sem entender.
— Só você que ainda não percebeu não é? Você tá apaixonado pelo Frank.
Encarei seus olhos, completamente atordoado. Eu não estava... Eu não podia estar apaixonado pelo Frank. Isso era... Simplesmente não era possível e...
— Não comece Gee, lá no fundo você sabe que é verdade – Ray continuou a falar – Se você não gostasse dele, nunca teria gostado de beijá-lo.
— Quê? É claro que eu não to apaixonado, eu não sou gay e...
— Tá bom – Ray interrompeu minhas débeis tentativas de me justificar e riu, balançando os cabelos cacheados de um lado para o outro – Se quiseres mentir pra mim, tudo bem. Mas pelo menos pare de mentir pra si mesmo.
E então ele se afastou, desviando das pessoas que dançavam música eletrônica e indo até o bar. Olhei em volta, atônito. Eu estava apaixonado pelo Frank. Apaixonado era uma palavra tão forte. Nunca tinha me apaixonado antes, por que agora, por que com um garoto...?
Tudo bem, não era qualquer garoto. Era ele. Aquele maldito anão de olhos amendoados. Que conseguiu virar meu mundo de cabeça para baixo apenas com um sorriso.
Suspirei, já com vontade de ir embora. Eu queria a minha cama quentinha e meus travesseiros. Não queria mais ficar ali, mas tínhamos acabado de chegar.
— Hey Gee — Michael me alcançou, sorrindo e trazendo um copo de bebida na mão – Tá se divertindo mano?
— Muito – Respondi seco, fazendo-o arquear as sobrancelhas para mim.
— Credo Gee, o que foi que houve?
— Nada, não houve nada – Falei, mais suavemente. Mikey não tinha nenhuma culpa dos meus problemas – Desculpa mano.
— Tudo bem – Mikey sorriu e passou as mãos pelos cabelos – Você viu o Frank?
— Não. – Murmurei, me esforçando para voltar a não pensar nele.
— Eu vi ele conversando com o Jared antes, ele também é gay?
As palavras do meu irmão fizeram meu coração pular uma batida. Olhei-o com os olhos levemente arregalados.
— Não sei – Respondi, tentando disfarçar. No ano passado, Ray me falara algo sobre ele ser bissexual. E mesmo se não fosse, não era preciso ser gay para querer ficar com Frank. Eu era a prova viva disso.
— Espero que eles fiquem – Disse Mikey, seus olhos presos em mim, ansiosos por alguma reação – Frank anda merecendo, os últimos dias foram estressantes.
Murmurei algo em concordância e me afastei, apontando à esmo para o bar. Algo queimava sinistramente dentro de mim. O maldito ciúme.
Frank simplesmente não podia estar ficando com outro garoto. Quer dizer, poder ele podia. Mas ele tinha ficado comigo, será que não significou nada? Não deve ter tido importância nenhuma mesmo, pra ele correr para os braços do Jared na primeira oportunidade.
Peguei uma bebida no bar, sem prestar atenção direito no que era, mas deveria ser vodka com alguma coisa, pois o líquido passou raspando pela minha garganta quando eu o virei. Pedi outra dose e me encaminhei para um sofá cor de caramelo, grande e espaçoso, que estava parcialmente ocupado por casais se comendo. Sentindo-me meio patético por sentar-me sozinho ali, comecei a balançar o pé no ritmo da música, que a não ser que eu estivesse enganado, era da Lady Gaga, e tentando afastar quaisquer pensamento sobre Frank.
— Hey! – Uma menina bonita, ruiva com olhos assustadoramente azuis e límpidos, sentou-se ao meu lado. O vestido dela ficava mais de um palmo acima do joelho, era vermelho sangue e tomara que caia. Perguntei-me internamente se ela não tinha vergonha de sair praticamente pelada na rua, enquanto retribuía o cumprimento.
— Hey – Quando me ouviu, a menina abriu um enorme sorriso. Tinha os dentes retos e muito brancos.
— Sou Tassie – Apresentou-se, inclinando-se sugestivamente para mim, praticamente esfregando aqueles peitões na minha cama. Recuei, envergonhado.
— Gerard – Murmurei, tentando sorrir novamente. Tessie balançou ligeiramente a cabeça, tentando focalizar a visão. Estava obviamente bêbada.
— Você é lindo – Falou ela, erguendo a mão para afastar meus cabelos do rosto. Sorriu mais uma vez e se inclinou novamente. Estava quase no meu colo agora – Está aproveitando a festa?
— Aham – Sorri, aproximando-me dela também. Nossos narizes se roçaram levemente, e pude perceber que ela cheirava a cereja e a vodka. – Gosta de cosmopolitan?
— É o meu drink preferido – Ela apontou com a mão uma taça em cima da mesa, que eu não tinha reparado antes.
— Imaginei – Sorri novamente.
— Mas então, por que você está aqui sozinho? – Tessie perguntou, encarando-me na expectativa. O que eu deveria respondê-la? “Então, sabe como é, eu andei beijando um menino que eu sempre odiei, e agora acho que estou apaixonado por ele. Ah, sem contar que se eu não transar com ele e dispensá-lo depois, nós dois vamos ser estuprados” Isso parecia um resumo de uma novela mexicana ruim.
Balancei a cabeça, desembaralhando meus pensamentos e sorri.
— Não importa – Murmurei – Estou muito bem acompanhado agora.
O que aconteceu em seguida foi meio borrado. Talvez por que eu tenha bebido demais. Na manhã seguinte, quando acordei em um quarto que não conhecia, por mais que me esforçasse, tinha apenas alguns flashes na noite anterior. Mas apesar de tudo tenho uma boa ideia do que aconteceu. Não me senti muito culpado ao deixar Tessie apenas com um bilhete ao lado dela, estava ocupado em não ter um ataque cardíaco.
Eu só conseguia me concentrar em Frank. Algo corroía-me de dentro para fora ao pensar que ele poderia realmente ter tido alguma coisa com Jared. Será que ter ficado comigo não significou nada e por isso Frank logo correu para os braços de outro? Imaginar isso doía de uma maneira estranha e desconhecida.
Peguei um táxi para chegar em casa. Fui direto para cozinha, a procura de um bom café. Deduzi que Mikey e Frank teriam vindo sozinhos da festa, por que meu carro estava na garagem, com as chaves em cima da mesinha de centro da sala.
Depois de uma boa xícara do meu amado líquido precioso, subi para o meu quarto, ansiando por mim cama. Porém, parei à porta do quarto de Mikey, que estava entreaberta.
Apenas Frank estava no aposento. Ele estava encolhido no colchão que virara sua cama. Um fino lençol de linho cobria-o da cintura para baixo. Não estava usando camisa.
Olhei em volta, apurando os ouvidos, inseguro. Mas não havia nenhum ruído pela casa, e Frank decididamente estava dormindo a sono solto. Sentei-me no chão ao seu lado. Hesitante, toquei levemente seu rosto, sentindo a textura macia da sua pele contra os meus dedos.
Seria verdade, afinal? Eu estava mesmo apaixonado por Frank?
Mas como eu poderia gostar de um garoto, se eu tinha transado com uma garota há poucas horas atrás? Mesmo não querendo, eu tinha uma explicação para isso. Por que por mais que Tessie fosse uma bela garota e muito boa de cama, eu não conseguia tirar meus pensamentos de Frank toda vez que tocava nela, imaginando como seriam os ofegos, os gemidos, os toques dele. Eu precisava ter Frank comigo, mesmo não sabendo o motivo.
Deslizei minha mão pelo seu tronco nu, perguntando-me como seria tocar aquela região com os lábios. Um arrepio percorreu o meu corpo, e tomando coragem, inclinei-me sobre ele e escorreguei lentamente meus lábios sobre o seu pescoço, sentindo a maciez ímpar de sua pele.
- Gerard? – Afastei-me imediatamente ao ouvir a voz de Ray, vindo da porta do quarto – Que porra você tá fazendo?
- Nada – Levantei-me, embasbacado. Pisquei algumas vezes, tentando clarear meus pensamentos – Não ouvi você chegar.
- Frank me trouxe pra casa ontem – Disse ele, embora continuasse a me fitar desconfiadamente – Acabei apagando no teu quarto.
- Tudo bem – Acenei com a cabeça, completamente consciente de uma ereção recém formada dentro das minhas calças.
- Onde você dormiu? – Perguntou ele, enquanto eu saía rapidamente do quarto do meu irmão e seguia para o meu – Estava com alguém?
- Sim – Respondi, arrancando minhas roupas à medida que adentrava o quarto – Tessie era o nome dela.
- Tessie? Que Tessie? – Ray parecia muitíssimo interessado na garota. Arqueei as sobrancelhas, aliviado por ele não falar no que acabara de presenciar.
- Não sei, não perguntei o sobrenome dela.
- Onde você acordou? – Franzi a testa para a pergunta estranha, e joguei-me sem delongas na minha cama.
- Na casa do Jared.
De repente Ray riu escandalosamente alto, tão alto que eu pensei que pudesse acordar Frank, que ainda dormia no outro cômodo.
- Caramba Gee, eu não acredito que tu transou com a irmã do Jared!
Antes que eu pudesse expressar minha surpresa em palavras por ter ouvido aquilo, já que eu não fazia ideia de que Jared tinha uma irmã, meu coração acelerou drasticamente ao ver Frank parado na soleira da porta, com os olhos ligeiramente arregalados.
- Você o quê? – Perguntou ele, com a voz fraca.
- Eu... – Comecei, sem saber o que responder, por que ele parecia perturbado com a informação, como se fosse absurda demais para ele acreditar – Bem, sim.
Suas belas orbes amendoadas brilharam de um jeito estranho e Frank levou uma das mãos ao rosto, jogando os cabelos para o lado distraidamente.
- Você tem sorte – Disse ele duramente – Ela é muito bonita.
Então Frank se afastou, murmurando algo sobre ir arrumar nosso café da manhã. Seus ombros pareciam ligeiramente tensos, e os cabelos dele me impediam de ver sua expressão.
- É impressão minha ou ele pareceu incomodado com isso? – Ray falou, fazendo-me olhá-lo surpreso. Tinha me esquecido que ele também estava no quarto.
- Também achei.
- Deixa pra lá – A palmeira jogou-se na minha cama, agora sorrindo animado – Como ela é?
- Quem? – Indaguei, momentaneamente confuso. Ainda pensando na reação de Frank. Será que isso significava o que eu achava que significava?
- Tessie! – Vociferou ele, irritado – Como ela é na cama?
- Não lembro – Respondi, sincero. Ray arregalou os olhos, depois bufou.
- Você tá mesmo caidinho pelo Frank cara – Disse ele – Só isso explica você ter transado com uma das garotas mais gostosas da cidade e não se lembrar depois – Ray balançou a cabeça de um lado para o outro, lamentando – E, pelo jeito que ele agiu, acho que ele também tá na tua.
- Sério? – Perguntei, sentindo a ridícula esperança acentuada em meu tom de voz.
- Se ele não tivesse, não teria ficado com ciúmes né? – Ray riu e bateu de leve na minha nuca, jogando-se ao meu lado em seguida – Agora eu vou dormir mais um pouquinho. A propósito, Michael está na casa da Alicia, ele finalmente conseguiu ficar com ela.
- Que bom – Balbuciei, sem realmente me importar. Meu cérebro parecia paralisado. Seria verdade então? Mesmo? Eu estava apaixonado pelo Frank? Suponho que essa seja a única alternativa para meu coração querer sair pela boca à mera menção de seu nome. Mas e ele? Será que ele também gostava de mim? Se não gostasse, por que teria agido daquele jeito quando ouviu o que Ray dissera sobre eu ter dormido com Tessie?
Se havia uma coisa que eu odiava nesse mundo, era ficar confuso daquele jeito. Minha cabeça girava e tudo o que eu queria era dormir. Apoie-me no meu travesseiro e suspirei. As palavras de Bob viajaram pela minha cabeça sinistramente “Faça ele se apaixonar por você, e ai, quando ele tiver no papo, bem, você sabe o que fazer. Mas é só uma noite, no dia seguinte, já pode acabar com todo o circo e deixar aquele anão nojento” E se eu não quisesse deixar aquele “anão nojento”? O que eu faria? O que me restaria fazer?
Eu estava apaixonado por ele. Podia enfim admitir isso, independente de ser correspondido ou não. Eu o queria ao meu lado. Eu precisava dele. Mas ao mesmo tempo, ficava nauseado apenas de pensar em quantas coisas horríveis Bob poderia fazer se eu não cumprisse a porcaria de aposta.
E então eu estava decidido. Eu iria, sim, fazer o que Bob queria. E eu faria de tudo para manter o meu anão à salvo.
Notas finais
Agora, um super, hiper, mega obrigada pra Hana Ferdinand, que fez primeiríssima recomendação da fanfic! Obrigada mesmo, mesmo, mesmo!
Até o próximo.
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