A Aposta
21 Vamos Ver Um Filme?
Notas iniciais
Damon
Amizade colorida.
Bufei alto. Óbvio que o que eu queria não era apenas uma “amizade colorida”. Mas como dizer algo assim para Elena sem afugentá-la? Além disso, alguma parte de mim — uma parte bem grande — realmente desejava que essa ideia maluca fizesse com que a atração que Elena admitiu sentir por mim se transformasse em um sentimento bem próximo ao que eu sentia por ela.
Eu queria uma chance de conquistá-la e essa foi uma das formas que encontrei. Se futuramente ela ainda não começasse a gostar de mim da maneira que eu queria, eu iria apenas deixá-la ir. Porém eu tinha que pensar em uma forma de fazer isso sem arruinar nossa amizade, por que, mesmo que ela não me amasse, eu poderia sobreviver, contanto que ela estivesse em minha vida.
– DAMON!
Dei um salto, sobressaltado. O balde de pipoca que Elena havia me dado para segurar voando pelos ares.
– Céus — a morena irritadiça resmungou, se agachando no chão e juntando a sujeira que eu fiz. — Qual é o seu problema? Faz meia hora que estou te chamando e você não me responde.
Fiz uma careta, me juntando a ela no chão.
– Desculpe, hermosa — falei, — estava pensando em qual filme poderíamos ver — mentira pura. Mas ela não precisava saber. — Porque me chamou? — perguntei, mudando o assunto antes que ela dissesse alguma coisa.
– Já banhei e troquei de roupa — Elena disse, sinalizando para o que ela estava usando — Estava te chamando pra ir pro quarto, mas você é surdo.
Peguei o balde com a pipoca que havia sobrevivido e o coloquei no balcão.
– Desculpe — repeti. — Cadê seu pijama de ursinhos? — perguntei brincando enquanto analisava sua roupa.
Elena terminou de limpar o chão de pipoca e se levantou, parecendo um pouco envergonhada.
– Está sujo — disse, mas eu podia jurar que ela estava mentindo.
Arqueei uma sobrancelha, olhando para todos os detalhes de sua roupa, e ela se envergonhou mais. Elena ficava tão linda corada.
Ela estava usando um conjunto baby doll preto que eu nunca tinha visto, a parte de baixo era um short tão curto que parecia uma cueca feminina, porém a parte de cima era maior e caia como um vestidinho por cima do short. Isso somado ao fato de que a parte de cima era quase transparente fez com que eu tivesse dificuldade para manter minhas mãos longe dela.
– Gostei desse — fui obrigado a admitir. — Você está linda nele.
Mas ficaria melhor sem...
Sacudi levemente a cabeça, afastando os pensamentos impróprios que eu insistia em ter.
Elena sorriu, e apesar de ainda estar envergonhada, parecia satisfeita.
– Pega a pipoca que sobreviveu e vem logo pro quarto antes que eu me arrependa de ter te convidado pra cá — ela disse, me dando as costas e saindo da cozinha, onde eu estava.
Eu ri. Sempre mandona.
Peguei a pipoca e fui atrás dela, tentando sempre manter meus olhos longe da parte traseira de seu corpo.
Suspirei e desisti. Olhar nunca arrancou pedaço mesmo.
Chegamos ao quarto e ela se jogou em sua cama, pegando o controle do DVD.
– Já escolheu o filme? — perguntei. — Qual é?
– Surpresa! — anunciou, dando batidinhas ao seu lado na cama, para que eu me deitasse ao seu lado.
Fiz o que ela queria, me jogando ao seu lado na cama estreita.
– É Star Wars — falei, oferecendo a ela o balde de pipoca. — Se não for, é Senhor dos Anéis ou Star Trek.
Ela fez uma careta, mas esticou a mão para pegar a pipoca.
– Não sou tão nerd assim. — murmurou. — E de qualquer forma, não é nenhum desses.
– É um filme com o Johnny Depp — falei, jogando pipoca na boca e mastigando.
Elena me deu um tapa forte no braço.
– Não seja estraga prazeres — reclamou.
Eu ri, sabendo que tinha acertado.
– Qual é dessa vez? Edward Mãos de Tesoura? — chutei.
– A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça — ela murmurou a contragosto.
Esqueci totalmente a pipoca, encarando ela.
– Sério? — perguntei — Mas você disse que não queria ver esse filme porque achou que iria se assustar.
A careta dela se aprofundou. Elena odiava o fato de ser tão fraca pra filmes de terror.
– Agora eu quero ver — disse com convicção. — E cale a boca porque vou apertar play.
Fui mais rápido que ela, retirando o controle de suas mãos.
– Pode escolher outro filme, hermosa — falei. — Sei que só escolheu esse porque eu queria ver antes.
Elena me encarou por um tempo, então se aproximou e pressionou os lábios nos meus, me desconcertando por alguns segundos... O suficiente para pegar o controle de mim.
– Se eu ficar com medo eu me agarro em você — ela disse com um sorriso malicioso, virando para a tela e iniciando o filme.
Eu não voltei a discutir com ela, mas, antecipando o “agarramento”, me aproximei dela e rodeei seu pequeno corpo com meu braço, trazendo ela para meu peito. Elena relaxou, levantando uma mão e a repousando próxima ao meu abdômen.
Assistimos ao início do filme calmamente, mas no primeiro sinal de que haveria um susto, Elena se agarrou firmemente em mim, colando o rosto em meu pescoço. Eu ri, passando a acariciar de leve a pele exposta de seu braço.
– Se você sempre me abraçar assim, acho que verei filmes de terror mais vezes — ela comentou, tirando abrindo os olhos e olhando nos meus olhos.
Eu não comentei o fato de que ela sequer estava vendo o filme, e apenas a encarei de volta.
Não sei quanto tempo ficamos assim, nos olhando, mas foi tempo suficiente para que eu voltasse a roubar o controle e pausasse o filme.
Elena me olhou interrogativamente, mas eu permaneci calado, afastando o balde de pipoca e o colocando no chão, em seguida voltei minha atenção para a morena maravilhosa em meus braços.
Acariciei seu rosto delicadamente, passando meus dedos por seus lábios e então por seu pescoço. Eu queria aproveitar cada segundo com ela e a tocar em todos os lugares. Pena que esse segundo eu não podia.
Voltei meus dedos para sua boca e Elena fechou os olhos com um suspiro, entreabrindo os lábios.
– Você faz ideia do quanto é bonita, hermosa? — murmurei, abaixando-me para mordiscar seu lábio inferior.
Ela riu, parecendo ficar envergonhada novamente.
– Eu? — repetiu sem acreditar — Não fui eu quem fez a cabeça de 80% das garotas da nossa escola.
Dei de ombros, sorrindo maliciosamente enquanto lhe roubava outro curto beijo.
– Confesso que sou ótimo — falei, — mas você é maravilhosa.
Elena levantou o corpo, passando a perna ao meu redor e se sentando em meu abdômen. Fiquei tão surpreso que me calei.
– Pare de me elogiar assim — disse, abaixando até seu rosto ficar a centímetros do meu. — Sou eu, lembra? Elena Gilbert. Sua melhor amiga. Então não precisa tentar me conquistar como faz com as outras garotas. Me chame de Mandona Irritadiça e eu ainda vou falar com você amanhã.
Segurei as coxas dela e girei, trocando nossa posição, ficando por cima agora.
– Não estou tentando te conquistar ao te elogiar — expliquei, querendo que isso ficasse claro. — Eu te elogio porque realmente quero que você saiba a forma como te vejo. Linda, gostosa, forte, determinada... Mandona Irritadiça.
Ela riu, estendendo os braços e rodeando meu pescoço.
– Me acha gostosa? — quis saber.
Abaixei mais meu corpo, fazendo com que o meu se encaixasse com o dela.
– Demais — respondi. — Até hoje não sei quando, em todos esses anos que te conheço, seu corpo ficou tão bonito. Cheio das melhores curvas. Sua bunda então...
Senti um tapa forte em minhas costas.
– Você perguntou! — me defendi, bem humorado.
Ela abriu a boca para dizer algo, mas eu interrompi, abaixando meu rosto e lhe roubando os lábios com os meus.
Elena rapidamente retribuiu o beijo e começamos a nos beijar com uma intensidade que só poderia fazer mal ao meu psicológico. Suas mãos se infiltraram em meu cabelo e eu me afastei de seus lábios apenas o suficiente para roçar os dentes e a língua na pele sensível de seu pescoço. Elena estremeceu em meus braços, o que só serviu para diminuir meu pouco autocontrole.
Voltei para sua boca, lambendo calmamente seu lábio inferior e o colocando entre meus dentes para então deslizar minha língua entre seus lábios e iniciar o beijo afogueado que eu realmente queria.
Ela retribuiu com fervor, deslizando suas mãos pelas minhas costas até a barra de minha camiseta, então infiltrou seus dedos por debaixo da mesma, roçando a pele nua de meu abdômen e tórax com suas unhas. E gemeu.
Lá se foi meu autocontrole. Retirei minha mão de onde estava — inofensiva ao lado de sua cintura — e a deslizei pela pele macia de sua coxa, subindo-a por seu quadril e a infiltrando por debaixo da parte de cima de seu baby doll, espalmei a mão em seu plano estômago e acariciei sua barriga, subi lentamente os dedos, então os desci novamente. O corpo de Elena estremeceu em outro arrepio. Voltei a mordiscar seu lábio inferior, desbravando a pele nua de sua barriga com as pontas dos dedos.
Elena se inclinou para mais perto, ela mesma mordendo o meu lábio inferior. Suas pernas rodearam meu quadril, o que fez com que eu me chocasse com o corpo dela da maneira mais deliciosa.
Minha mão, quase que por vontade própria, desceu pela lateral de seu corpo até chegar naquela bunda que eu encarava mais cedo. Segurei suas nádegas firmemente e apertei o seu quadril contra mim. Elena e eu gememos em uníssono. Diminui o aperto apenas para aumentar novamente, gerando um movimento inebriante entre nossos corpos. Era quase como uma versão mais fraca do próprio sexo.
Eu congelei. Minha mente clareando.
Sexo.
– Jesus — murmurei, me afastando de Elena.
Ela me encarou, um pouco atordoada.
– O que foi? — perguntou, sua voz saindo em um tom quase obsceno de rouquidão.
Eu havia acabado de me esfregar em Elena como um animal no cio?
Fechei os olhos com força, envergonhado de mim mesmo.
– Damon? — ela chamou — O que foi?
Sacudi a cabeça em silêncio. Céus, eu era um imbecil.
– Fiz algo errado? — ela perguntou, parecendo um pouco incerta.
Abri os olhos e encarei aquela mulher maravilhosa do qual eu cheguei extremamente perto de abusar.
Não acredito que ela estava se culpando.
Neguei com a cabeça, respondendo a pergunta dela.
– Sinto muito — sussurrei envergonhado. — Eu supostamente deveria estar respeitando certos limites com você.
– Limites? — repetiu sem entender. — Mas eu não impus nenhum limite, Damon.
Encarei ela.
– Mas eu sim — retruquei. — Quero te respeitar, não te tratar como um caso de uma noite. Você merece mais que isso.
Ela retribuiu meu olhar e sorriu.
– Não me sinto como um caso de uma noite — disse. — De verdade. Não precisa se conter tanto, Damon. Se eu achar que passamos do limite, eu vou dizer.
– Eu estava em cima de você como um animal no cio — relembrei.
Ela corou tanto que até seu pescoço ficou vermelho.
– Não foi ruim — sussurrou.
Encarei ela.
– Ah, hermosa — suspirei, um sorriso divertido tomando conta de meus lábios, — você ainda vai me matar.
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