Notas iniciais
Olá Caros Leitores, Desde já peço desculpas pelo atraso absurdo da postagem deste capítulo final. Eu tive um grande bloqueio em relação a esse capítulo , e este é o principal motivo da demora. Tive outro fatos que contribuíram com o atraso ,como a escola que tem me tomado muito tempo, provas, cursos extras , pressão alheia e vestibulares , mas apesar de tudo eu sempre quis continuar escrevendo e não foi de minha intensão demorar tanto. Várias Leitoras e Leitores muito queridos me perguntaram se eu terminaria a fic preocupados e eu me sentia muito mal por demorar tanto e por preocupar muita gente. Eu poderia ter postado esse capítulo final rapidamente se quisesse ,mas o capítulo sairia curto e ruim e me deixaria extremamente desapontada comigo mesma, então optei por demorar e escrever algo decente que era o que de fato todos os meus Leitores mereciam ler. Então , esse capítulo final é dedicado a você Leitor ou Leitora , que não me abandonou nessa minha crise de "falta de inspiração" e continuou acompanhando a fic mesmo após a demora. Obrigada a todos pelos comentários e mp's eu fico grata com todo carinho a atenção ! Tagarelo mais nas notas finais, mas aqui está o capítulo e espero que gostem !

O cheiro impregnado no ar era um só.

Os passos da morte se aproximavam lentamente em sua direção.Ela quase podia sentir seu hálito podre e sua capa negra chicoteava o chão como uma valsa fúnebre.

As batidas do coração não eram mais ouvidas. Sua alma doce e pura fora sugada para outra dimensão. E por mais que os braços longos da megera mortífera quisessem capturá-la a qualquer custo seus dedos longos mal se encostavam a sua pele intacta.

Pois havia algo mágico que a protegeria aquela noite. Não seria um feitiço.Era mais complexo.

No mundo bruxo dois lados se destacavam em meio aquela imensidão de avadas. Mas seria unicamente um lado que seria capaz de proteger uns aos outros com aquela magia.

O amor.

Isso atravessaria a morte quantas vezes fossem necessárias.

De novo, de novo e de novo.

–--------------------------------------------------

Algo queimava sua pele. Não eram seus músculos repuxados e pulsantes que causavam a ardência. Era o ódio que estava em seu sangue dominando suas veias e artérias e todo seu subconsciente.Seu corpo trêmulo dominado pelo pavor, a angústia entalada em sua garganta como um grito mudo.

O corpo de Hermione caído ao chão, e o de seu pai jogado no campo de guerra a alguns metros atrás. Por delirantes segundos,Draco optou pelo mais fácil. Ele desejou o mais fácil.

Fazer a sensação suja e de dor sair de si,seria relativamente fácil. Ele ainda tinha um canivete no bolso, mas a lâmina não era das melhores...

–Draco! Draco!

Uma voz chamava seu nome berrando enlouquecida,a mesma entrava em ecos em sua mente.

Seus dedos pegaram o canivete sem pudor algum, mas ele não teve um sentimento de suicídio.Era pior.Era muito mais complexo.

Ele jamais seria capaz de deixar aquele mundo sem vingança.

–Draco! Draco!

O sangue fervendo em seu cérebro, a faca afiada nos dedos e o sorriso podre de Voldemort ao contemplar a desgraça atiçavam todos os seus desejos de vingança.

A guerra parou. Todos o observavam. Não havia nada mais interessante que aquilo.

Draco queria matá-lo com suas mãos. Cortar-lhe o coração com aquela lâmina exatamente como seu coração fora estraçalhado, segundos antes.

–Draco! – berrou mais uma vez a voz.

Ele sentiu algo segurar o seu braço com força lhe tirando no estado de demência. Ele teria reagido de forma agressiva ao toque se não tivesse reconhecido a voz no momento certo.

–Você. – Sussurrou Draco assustado.

Ele estava a sua frente lhe tocando a pele. Fazia semanas que eles não se viam.Mas o sorriso era o mesmo que Draco se lembrava. E Draco pensou e repensou, desejando saber arduamente como aquele garoto era capaz de sorrir.Para ele era impossível.

As sardas se destacavam nas bochechas salientes e osolhos de azuis intensos com os cabelos vermelhos e bagunçados. Rony Weasley estava ao seu lado, estendo-lhe a mão eDraco não fazia ideia do que aquilo significava.

Do outro lado da batalha os comensais arfavam em puro pavor. Fitar Rony Weasley a sua frente era o mesmo que fitar um fantasma assombrado.Todos aqueles comensais tinham observado Rony Weasley ser morto há muito tempo, então, como seria possível?

–Eu já deveria saber. – A voz amarga de Voldemort profere com rancor.

Mas os olhos vermelhos não fitavam Rony.Ele ainda olhava Hermione ao chão e seus olhos transmitiam um sentimento indescritível.Talvez até desconhecido.Ela não era só mais um cadáver sem utilidade para ele. Ela era um desperdício por simplesmente estar morta.

A menina fora genial o suficiente por enganá-lo e fazê-lo acreditar que matara Rony Weasley,mas na verdade quem ele estava matando era seu próprio comensal, Rabicho, transformado em RonyWeasley pela poção polissuco.

–Era de se imaginar que ela seria fraca. – Disse Voldemort com desprezo ainda olhando o corpo morto de Hermione aos pés de Draco. – Eu deveria saber que ela era boa o bastante para não matar alguém de quem gostasse e inteligente o bastante para me fazer acreditar que o fez.

Você não viu nada. – Uma voz cheia de chacota profere atrás de Voldemort com sarcasmo acompanhada de risos travessos.

O som do riso dele ainda era o mesmo. E Voldemort não precisava se virar para ter certeza de quem se tratava.

Os olhares de pavor de todos ao redor eram um brinde prazeroso. Não existia nada mais chocante do que ele.

Ele estava ao lado de Harry.Alto e magro, com suas vestes espalhafatosas de outro mundo e com a barba branca quase tão comprida quanto os cabelos. Ele se destacava de qualquer multidão. Alvo Dumbledore estava ali, vivo e saudável e segurava firmemente entre os dedos longos e finos um dos maiores artefatos bruxos já existentes.A lenda mais real de todas, a varinha das varinhas.

A melhor das varinhas nas mãos do melhor bruxo.

–Vire-se para mim e lute como homem. – Disparou Alvo Dumbledoreenquanto Voldemort sorria.

Ele ainda estava de costas para Dumbledore, fitando Hermione com intensidade.O que essa garota fora capaz de fazer, ela também o fizera acreditar que matara Dumbledore, mas na verdade ele estava apenas escondido...

–Sempre gentil,Dumbledore. – Avaliou Voldemort – Estou a sua mercê e sua honestidade não te deixa me atacar pelas costas.

Ele sorriu exibindo os dentes podres. Draco observava tudo abobalhado e imóvel.O pavor lhe tomando o corpo, não por Dumbledore, mas por Voldemort. Onde estava a fúria? O rancor? A raiva? Por que todos estavam ali, jogando surpresas e verdade ao vento daquela forma? Onde estava a forma agressiva pela qual tudo deveria estar sendo resolvida? Por que merda, Dumbledore não matou Voldemort naquele instante poupando Draco de ter que fazer isso? Por que não existia o ódio e a urgência de matá-lo? Por que todos estavam calmos?

–Relaxa. – Sussurrou Rony só para ele ouvir.

Relaxar? Aquela palavra de conforto embriagava sua mente, entortando seus sentidos.

Draco nunca relaxaria. O desejo de vingança ainda pendia nele, mais ardente do que nunca.

Voldemort se virou para olhar Dumbledore, ficando de costas para Draco e Rony. E consequentemente, ficando de costas para os dois cadáveres atrás deles:Hermione e Lúcio.

–Nossa! –Disse Voldemort – Que roupas horríveis! Eu havia me esquecido de como seu estilo era peculiar, Alvo.

Dumbledore sorriu.

–E eu havia me esquecido que você não tinha um nariz.Seu rosto assusta, sabia?

Voldemort rosnou.

A atmosfera voltou a ficar tensa. Mas para Draco, não havia tempo para piadas.

Se atingir um bruxo pelas costas era covardia,então ele seria covarde.

Não existia nada que ele pudesse odiar mais do que ele.

Era sua chance!

Se desvencilhando de Rony,que o prendia, ele correu avançando bravamente em seu oponente.

–Lorde! Atrás de você! – Berrou um dos comensais.

Mas a velocidade de Voldemort não era boa o bastante para aquilo.

O canivete de Draco fora cravado nas costas de Voldemort e o seu berro de dor machucou os tímpanos de todos.

Sangue vermelho azulado transbordou do buraco e Draco que ainda tinha a mão no canivete o empurrou com ainda mais pressão fazendo um corte ainda maior nas costas de Voldemort.O sangue podre de Voldemort lhe sujava os dedos e parte da camisa branca, mas ao todo não foi ruim. Foi bom.

Sentir o cheiro enferrujado do sangue dele era bom... Era delicioso.

O sangue do assassino que destruiu o pouco de humanidade que ainda restava nele.

Mas Voldemort era Voldemort.

Sempre seria.

A dor era instantânea. Mas não seria um canivete que iria matá-lo.

Depois de seu berro agonizante veio a risada maléfica.A voz sibilante infestou o ambiente poluindo e arrepiando tudo. Draco ainda se encontrava atrás dele, com as mãos inundadas de sangue pressionando com toda força que tinha, tentando a todo custo alargar aquele corte e lhe causar outra ação de dor.

–Garoto tolo, – Disse Voldemort entre os arquejos –Não aprendeu que isso nunca irá me matar?

–Você vai morrer. – Disse Draco com os dentes trincados.

E a risada sarcástica mais uma vez foi ouvida. O sangue de Voldemort respingava em Draco que pouco se importava.

–Vingança pela namorada e pelo Papai? Culpe a si mesmo, ambos morreram por sua causa.

–Já basta! – Disse Dumbledore que apontou a varinha poderosa para Voldemort – Seu reinado acaba agora.

Voldemort esticou a cabeça para o lado em um sorriso bobo acompanhado por sua risada gutural.Seus olhos cheios de demência, seu sangue escorrendo pelo chão,sua boca buscando palavras que seu cérebro não sabia como transmitir. Sem dúvidao corte feito pelo canivete de Draco nas costas dele o enfraquecia de alguma forma.

Um doente selvagem.

–Eu nunca vou morrer. –Ele disse com um sorriso bobo olhando para sua plateia – Eu sempre estarei aqui, enquanto existir inveja,medo ou ganância você olhará para qualquer um desses rostos e se lembrará de mim! Pois eu os ensinei! Eu criei tudo isso...

–Você é doente! — Berrou Draco apertando o canivete ainda com mais pressão.

–E você meu pequeno Draco...Sempre rejeitado...Nós somos mais parecidos do que imagina.

As lágrimas já saiam dos olhos do garoto loiro antes que ele pudesse evitar. Suas mãos ensanguentadas deslizavam no canivete, seus dedos doíam pela pressão mais ele continuava lá quase sem força para estar.

–Ambos fomos rejeitados pelos nossos pais...

–NÃO ME COMPARE A VOCÊ! – Berrou Draco ainda com os dentes trincados.

Seus olhos vermelhos ainda fitavam sua pequena plateia.

–Me jogaram no orfanato como se eu fosse um pedaço de merda e seu pai te jogou aqui.Nós dois não sabemos ser algo que eles sintam falta...

–Feche os olhos. – Ordenou Dumbledore- A falta de sangue está afetando o seu cérebro.Feche os olhos.

–Sua gentileza ainda vai te matar algum dia, Alvo.

–Então que assim seja. Morrerei sendo eu mesmo.

–E eu? Morrerei sendo o que? – Seus olhos esbugalhados exalavam incerteza e medo.

O silencio infestou o ar. O único som escutado era o das gotas de sangue que saiam da ferida que pingavam no chão e em Draco.

–Você será um idiota que morreu por um canivete sem ponta alguma. –Rangeu Draco deliciado-Sua queda será pequena e insignificante. Assim como você.

–Draco, pare com isso! – Berrou Alvo.

–ELE MATOU TUDO QUE EU MAIS AMAVA! – Berrou Draco inconsolável finalmente tirando o canivete das costas dele e enfiando em um novo lugar.

– Você poderá viver mil vidas e nunca vai merecer aquela garota. Assim como eu. – Disse Voldemort – Somos dois fracassados.

Ele finalmente fechou os olhos,aceitando com clemência a desgraça que lhe acatava de boa fé.

Dumbledore fez o que tinha que fazer.

–AvadaKedavra!

O feitiço funcionou instantaneamente.O corpo de Voldemort caiu ao chão aos pés de Draco e o som metálico do canivete caindo foi ouvido.

Mas a ultima frase de Voldemort ainda ecoava em sua mente, como um castigo.

Fracassado.

Hermione morreu para salvá-lo.Foi quando ele entendeu tudo que ela sempre disse.

Hermione seria tudo que ele precisasse.Naquele momento,ele precisou de um escudo e ela virou um.

E ele nunca poderia retribuir o gesto gentil.

–-------------------------------------------------------------

Ao longe os outros comensais tentaram escapar às pressas,alguns foram detidos outros conseguiram fugir.

Mas ali, exatamente onde o corpo de Voldemort caíra ainda se encontravam parados Draco, Harry e Dumbledore, mais atrás perto dos cadáveres de Hermione e Lúcio, encontrava-se Rony.

Imediatamente,Pansy correu para abraçar Harry e Cho fez o mesmo com o Rony.Luna e Cedrico correram para Dumbledore, enquanto Blaise corria para acudirDraco.

O loiro ainda permanecia imóvel e inconsolável.

–Vai ficar tudo bem cara, vai ficar tudo bem...– Disse Zabine tentando consolar Draco.

O menino vivo com os olhos da morte. Não existia vida nele. Não existia humanidade nele.Tudo fora destruído naquela guerra.O vazio instalado em seu peito e o constante sentimento que o perseguia lhe assombrando como um castigo.Como se ele nunca mais pudesse ser feliz de novo.Como se sua alma tivesse sido tirada de seu corpo.

Harry sorriu para Pansy e beijou-lhe os lábios sem se importar com o choque que aquele gesto pudesse provocar em todos. Cho tentou beijar Rony, mas o ruivo se esquivou.

–Não escovo os dentes há semanas. – Disse Rony envergonhado referindo-se ao tempo que ficou com Dumbledore na casa dos gritos.

Draco se desvencilhou de Zabine e caminhou até Hermione.

O rosto agora pálido, a roupa suja e rasgada, os cabelosbagunçados...

–Sabe de uma coisa? – Sussurrou ele cheio de lágrimas enquanto seus dedos acariciavam o cabelo sujo e armado da menina – Mesmo morta você continua mais linda do que eu.Mais linda do que qualquer menina que já conheci...

As lágrimas do garoto pingavam no rosto da menina, os dedos dele agora lhe acariciavam o rosto frio.

–O que vou fazer com todos os seus livros? Eu sei que você odiaria que eu os jogasse fora.- Ele sussurrou – E com as suas roupas que ainda devem ter o seu cheiro? Devo me desfazer delas? Me diga o que fazer...Naquele dormitório que era só nosso vai ficar tudo tão sujo e vazio...E eu até posso ver o seu descontentamento agora em imaginar como sou desorganizado e como vou deixar tudo bagunçado. – Ele beijou o topo da testa sentindo nos lábios a pele fria dela.

–Draco. – Disse Harry se ajoelhando ao lado de Draco.

– Nós perdemos a nossa Ratinha de Livros,Potter. – Ele não conseguia tirar os olhos dela – E você não sabe como eu lamento por isso.

Harry inesperadamente esticou os braços e cutucou a lateral da cocha da menina,apalpando-lhe os bolsos.Foi aí que ele soltou todo o ar que estava prendendo.

–Não lamente. – Disse Harry visivelmente aliviado.

Seu rosto se virou para Draco estonteante. O loiro nem sequer notou.Seus olhos só tinham um único alvo.

E foi como mágica sendo feita por fadas. Como se luzes coloridas fossem jogadas aos céus naquele ritual incrível e sagrado.

Dois segundos depois como um golpe do destino, os olhos de Hermione se abrem e sua boca se abre exageradamente em busca de ar para seus pulmões.A cor lentamente voltava a seu rosto e como um milagre lindo e inacreditável ela estava ali, viva e corada.

Ainda sem ar a menina arfava em busca de oxigênio quando inesperadamente algo lhe apertou com força dificultando a respiração.Era Draco.Seu corpo se fixou ao dela.Como se nunca mais pudesse soltá-la.

O que seria aquilo? Magia Negra? Ou apenas Deus dando a Draco a chance de viver novamente?

–D-ra-co – Gemeu ela com dificuldade –Não...Consigo...

Zabine deu um tapa na cabeça de Draco, tentando afastar o garoto de Hermione a todo custo.

–Tapado,você não consegue ver está apertando ela demais?

–Solte-a,Draco. – Disse Harry – Ela não consegue respirar!

Dumbledore ajudou Zabine a afastá-lo de Hermione para assim deixar a menina recuperar o ar.Os olhos de tempestade estavam incrédulos.

E enquanto Hermione ainda perdia o fôlego seus olhos olhavam em volta sem entender completamente nada.

–Qual é a última coisa que você lembra? –Perguntou Pansy curiosa quando Hermione dava vestígios de estar com a respiração em um ritmo normal.

Ela mirou seus olhos mogno para Draco que ainda era segurado a força por Dumbledore e Zabine.

–Só me lembro de entrar na frente de Draco. –Disse ela – E de repente tudo ficou preto.

–Mas como ela sobreviveu? – Perguntou Luna incrédula.

–Ela não sobreviveu. – Disse Harry – Ela morreu e voltou.

–Mas como? – Sussurrou Hermione dessa vez olhando para Harry.

Ele apalpou os bolsos dela novamente e tirou algo de dentro de um deles.

Ao abrir o retalho de tecido,não havia dúvidas:

Aquela era a pedra da ressurreição.

–Isso é impossível – Sussurrou Hermione novamente arfante – Eu entreguei a pedra a você! Como você... Mas por que...?

–Você deveria saber que eu a protegeria. –Disse Harry fazendo Hermione se lembrar da ultima vez que se viram antes da guerra começar.

“–Cho foi buscar Dumbledore e Rony. Eles ainda são o nosso elemento surpresa.A Varinha das Varinhas ficará com Dumbledore. – Disse Hermione.

Ele sabia como ela estava se esforçando para não chorar na frente dele.

–Talvez ainda reste esperança.

–Talvez – Ela sorriu suspirando.

Foi quando ele a abraçou,contornando seu braço direito pela lateral do corpo dela, apertando-a com uma força desnecessária.

O aquele abraço significava? Uma nova vida?”

Ligando os pontos completamente, foi quando Hermione percebeu a verdade:

–Quando você me abraçou...- Concluiu ela quase sem ar.

–Exatamente. – Sorriu Harry – Eu coloquei a pedra no seu bolso. Foi Draco quem conquistou essa pedrae eu tinha certeza que era de direito dele escolher com quem ela deveria ficar.Eu sabia que ele escolheria salvar você em qualquer lugar.

–Me soltem! Me soltem! – Berrou Draco enfurecido enquanto Dumbledore e Zabine ainda o seguravam.

Seus olhos azuis não queriam acreditar. Sua imagem doce e viva, suas bochechas salientes e coradas,seu corpo magro ali sentado sob o chão sujo de sangue e morte...Morte pela qual ela estava minutos antes...

Aquilo era inacreditável, não era possível...

Harry tocou o rosto de Hermione que ainda estava incrédula.

–A guerra acabou. Nós vencemos. Você está aqui comigo e está viva.

–Harry. –Ela abraçou o moreno apertando-o com as poucas forças que lentamente voltavam para seu corpo fraco e quebradiço.

–Se não me soltarem agora, eu iniciarei outra guerra agora mesmo! – Berrou Draco fora de si com a face completamente vermelha totalmente em chamas.

–Não a machuque, por favor. – Disse Rony – Ela acabou de voltar dos mortos, você não vai querer matá-la novamente com seu abraço de urso, vai?

–Não seja ridículo! – Rosnou ele enquanto Dumbledore e Zabine o soltaram.

–Draco. – Ela sorriu para ele enquanto ele a observava ainda incrédulo.

Se apoiando no chão com suas mãos e joelhos a menina fez esforço físico para se levantar.Suas articulações doíam, sua cabeça latejava ardendo.Era como se ela estivesse de ressaca.

Cambaleando ela o abraçou o envolvendo com seus braços suaves.

–Não se esforce. –Pediu ele –Não sinta dor...

Antes de perceber seus olhos já o cegavam.As gotas salgadas escorriam de seu rosto deslizando pela bochecha até o queixo.

–Eu me sinto bem. – Ela se afastou dele sorrindo – Estou feliz em estar aqui.

–Eu também estou. –Confessou ele quase sem ar.

–---------------------------------------------------

–Suponho que queira dormir ou comer alguma coisa agora – Disse Draco enquanto despejava Hermione com cuidado no sofá de seu salão comunal- Eu serei seu escravo a partir de agora.É só dizer senhorita que eu busco o que você quiser comer.

Agora aquele lugar parecia mais aconchegante do que nunca, uma vez que eles quase o perderam. Se Voldemort ganhasse aquela guerra, talvez o castelo estaria em chamas naquele exato instante.

–Eu estou encantada. –Ela disse com ironia – Mas acho que vou apenas dormir.

–Se quiser um escravo sexual,também estarei às ordens.

A garota gargalhou,sem conseguir disfarçar o sangue que ardeu forte nas bochechas. Seu rosto vermelho em puro rubor.

– Acho que prefiro um pote de sorvete, mas obrigada.

–Como preferir. – Disse ele se afastando –Vou buscar agora mesmo.

–Hey, Draco! – Chamou ela quando ele chegou até a porta.

–Sim?

–Quais foram as nossas perdas? O que aconteceu? Quantos dos nossos morreram? Quem matou Voldemort? Como ele morreu?

–Não se preocupe com isso agora donzela faminta. Precisa comer e se hidratar antes que morra de novo.

–Eu preciso saber...

–Quando eu voltar cheio de guloseimas pra você, eu te contarei tudo.Agora descanse. –Ele disse saindo pelo buraco do retrato sumindo completamente da visão dela.

–----------------------------------------

–Eu estou feliz em ver que você está viva – Disse Zabine ao vislumbrar Luna completamente intacta –Nenhum arranhão, hein?

–Você viu só? – Ela se gabou sorrindo lindamente – Sou mais forte do que pareço.

–Eu concordo com isso. –Ele disse rodeando a cintura fina dela com seus braços protetores.

Ela passou os dedos nos cabelos sujos do rapaz totalmente encantada.Aquilo era como estar em um sonho.Pois essa é a verdadeira arte da guerra.Uma vez que você passa por ela, corre o risco de perder tudo o que você já amou; você passa a valorizar com muito mais intensidade tudo que você conquistou.

Zabineera dela agora e Luna estava encantada com isso.Com seus cabelos macios, com seus olhos vivos e abertos,com a pele dele que tocava na suae com os lábios dele que massageavam os seus.Naquela guerra maluca entre o bem e o mal essa era a única beleza que se poderia existir.A magia que envolvia esses sobreviventes era única.

E não seria rompida.

–------------------------------------------------

Ao longe Pansy e Harry conversavam,sem pudor algum. Suas mentes mesclavam-se uma na outra.

Era simplesmente quase impossível de se acreditar.

O ser desprezível, que desejara sua morte desde quando Harry era um bebê, estava morto e não o iria incomodar nunca mais.

–Não está preocupado com o que os outros irão dizer Harry? – Alfinetou Pansy maldosa – Todos estão olhando que estamos juntos agora, isso não te incomoda?

–Deixa. – Ele deu de ombros não resistindo ao sorriso sarcástico dela – Eu mando todos eles se fuderem.

–Que palavreado feio. – Ela alfinetou mais uma vez – Você não parece o herói que todos comentam falando palavras assim.

–Você não resiste a provocações novas, não é mesmo? –Ele disse sorrindo.

–Eu não resisto a você. – Disse ela sussurrando – E eu estou simplesmente em estado de graça por você não ter desistido de nós dois.

–Você é da sonserina e isso sempre me incomodou. Mas eu estava sendo hipócrita comigo mesmo. Era para eu estar na sonserina também, se eu não tivesse pedido o contrário para o chapéu seletor, então, eu não deveria me incomodar com nada disso.Eu sou orgulhoso demais para admitir.

–Admitir?

–Admitir que eu amo você.E sempre vou amar. Não importa o quão diferente somos,se é verde ou vermelho, leão ou serpente...Para mim somos só rei e rainha.

–Tem algo que eu preciso te dizer...

–Não estrague o momento. – Disse ele se aproximando perigosamente dela.

–Mas eu preciso! –Disse a menina com um pesar – Eu não posso deixar o meu rei sem um herdeiro.

–Hã? Como assim?

–Não se lembra? Da nossa primeira noite juntos? No dia seguinte eu te disse que era infértil.

A lembrança veio com velocidade.

“–Bem, er... – engoliu a própria saliva. – Existe alguma chance de você ter engravidado? – suas maçãs do rosto queimavam.

...

–Harry Potter! – ela exclamou. – Eu sou infértil, não poderia ter filhos mesmo que quisesse. – disse suavemente, aquilo era um tanto quanto dolorido, uma vez que a loira sempre amara crianças. – Meu maior sonho é adotar uma criancinha.

–Hmm, entendi... – ele disse na falta do que responder a tal confissão.”

–Não posso te privar de ter uma família. – Disse Pansy – Você não merece isso...

–Não vamos nos preocupar com isso. – Ele pegou na mão dela e apertou forte – Existem tantos tratamentos para isso. E se não der certo, nós podemos adotar.

–Eu sei que você quer um filho, sangue do seu sangue.

–Eu quero você.

A sinceridade objetiva.Ali, solta no ar sem pudor algum. Ele cansara de refrear seus sentimentos. Nada iria detê-los agora, nem mesmo uma infertilidade.

–O que tiver de ser, será. Já ouvi falar de feitiços que curam isso. A medicina bruxa tem estado avançada e qualquer coisa nós podemos apelar pelos métodos trouxas. Mas por favor, não arrume outra desculpa para eu perder você.

Os lábios dela voaram para os dele com toda pressa do mundo.

E ali ficaram até o ar se esgotar de seus pulmões.

Naquele mundo perfeito e feliz.Um mundo só deles.

–----------------------------------------------------------

Ao longe Gina Weasley assistia a cena infeliz. Seu grande amor estava ali, beijando outra.

Pegando a mão dela com força, tocando sua pele na dela...

Seu coração de partiu à medida que entendeu tudo.

Harry nunca fora seu de verdade. Eles namoravam, mas sua mente estivera em Pansy o tempo inteiro.Isso explica tudo. A frieza, os diálogos que pareciam monólogos e todo cenário em questão.

Por quê? Ela não era interessante o bastante? O que fizera Harry Potter desistir de tudo para estar com aquela garota sonserina? A odiada Pansy Parkinson? Ele trocara Gina por ela e isso doía mais do que se podia imaginar.O sentimento de rejeição estava lá.Queimando-a por dentro lhe fazendo em pedaços.

–Eu sinto muito que esteja triste. – Uma voz masculina a assusta ao aparecer abruptamente.

Ela olhou para o lado assustada.Ao perceber que estava chorando limpou as lágrimas desesperadamente. O garoto sorriu cheio de doçura,os dentes perfeitos se destacavam na boca carnuda.

–Não sinta vergonha por chorar, Gina. – Ele disse.

–O que pensa que está fazendo aqui,garoto? – Disse Gina rude.

–Seu cabelo é quente como o fogo, mas sua voz é fria como o gelo. – Analisou ele – Não deveria falar assim comigo.

–Me desculpe,Cedrico. – Disse Gina abaixando a cabeça –É que você me pegou de surpresa.

–Tudo bem. Eu sei pelo o que você está passando.

–Como pode saber? Ao visto, você nunca foi trocado.

Afinal o conhecido e galante Cedrico poderia conseguir a garota que quisesse a hora que quisesse. Menos uma, que era a qual ela mais desejava. Não existia nada que Cedrico mais amasse do que Luna. Talvez sua família merecesse o primeiro lugar em sua tabela de consideração,mas Luna estava junto deles no topo sendo amada pelo lindo moreno de olhos verdes.O garoto sensível e doce que fazia ela rir com uma facilidade enorme.

Mas Luna e Zabine estavam juntos. E nada poderia mudar isso.

–Você não deveria dizer coisas que não sabe.

Ela arregalou os olhos, completamente incrédula.

–Deveríamos escrever um livro. — Disse Gina tristonha – Sobre nosso belo histórico de desapontamento e decepções.

–Dois livros. – Corrigiu Cedrico – Não caberiam em um só.

Gina não resistiu. Sua boca se abriu e uma risada saiu dela. Rápida e eficaz. Sua mente ficou sã naqueles segundos de prazer.Pois quando se está no meio do nada e alguém a fazer rir, é realmente algo.

– Poderíamos fazer uma trilogia. – Disse ela correspondendo a brincadeira – Se fizesse sucesso talvez se torne um filme muito famoso.

–E nós seríamos famosos e ricos morando em uma mansão cara e cheia de empregados. – Ele gargalhou se corrigindo depois – Na verdade eu preferiria uma casa na praia.

–Eu gosto de praia.Talvez eu compre uma para mim também.

–Nós poderíamos morar na mesma. – Disse ele galante mirando seus olhos verdes e letais para ela.

– Calminha aí. – Ela sorriu – Eu estava chorando há uns segundos atrás. Não deveria esperar pelo menos dois dias para me dar uma cantada?

–Você não está mais chorando. E dizem que se pode curar um amor achando outro.

–Eu gosto das suas palavras.

–E eu gosto de ruivas.

–Mentiroso! – Ela bateu nele de brincadeira enquanto ele ria escandaloso – Loiras platinadas são suas favoritas.

–Não são mais. – Ele sorriu triste.

A lembrança da loira ainda fazia sua mente delirar.

–Na verdade eu quero que ela seja feliz. – Disse Cedrico com sinceridade –Mas eu vou seguir com a minha vida o melhor que posso. E se for com uma ruiva, melhor ainda.

–Suas palavras galantes não me convencem. – Disse Gina alfinetando.

–Eu não tenho só palavras.

–Me mostre mais um dia desses então. – Disse Gina se afastando – Err... Você me procura depois?

–Pode ter certeza que sim!

Ela sorriu como há muito tempo não fazia.

–Leve uma caneta e bastante papel. Nosso livro será longo!

E assim ela se afastou.Com seu coração batendo em um ritmo muito mais saudável.Em um ritmo muito mais feliz.

–-------------------------------------------------------------

Depois do que parecia ter sido uma eternidade, Draco contou todos os detalhes da guerra para uma Hermione agora já alimentada, porém fraca e cheia de sono.

Ela tentou disfarçar um bocejo colocando a mão na boca.

–Estou falando demais não é? – Disse Draco.

–Não está não. – Ela sorriu desajeitada –Eu gosto de saber das coisas. Quanto tempo eu fiquei apagada?

Ele se encolheu. Não gostava de pensar naqueles minutos delirantes o qual ele,de fato,pensava que ela estaria morta para sempre.O termo “apagada” era eufemismo comparado a realidade melancólica.

–Não sei. – Ele disse com sinceridade – Minha mente não estava sã o suficiente para ter alguma noção de quanto tempo se passou.

Foi quando ele se lembrou. Do motivo dela ter morrido.Quando Voldemort lançou um feitiço mortal pelas costas de Draco ela se jogou na frente dele. Como um escudo, ela protegeu ele, como uma capa que cobre alguém no frio do inverno mortal.

–Por que você fez aquilo? Por que se jogou na minha frente daquele jeito? –A voz dele era rude e feroz.

–Na verdade foi automático. – Ela admitiu abaixando a cabeça – Eu vi Voldemort apontando a varinha nas suas costas. E quando dei por mim, eu já estava...

–Como ousa a por sua vida em risco dessa forma? Por Merlin, Hermione!

–Eu faria de novo. – Ela disse levantando a cabeça – E de novo. E de novo. E quantas vezes fossem necessárias.

Ele se levantou do sofá o qual ela estava deitada,completamente revoltado.

–Você é insana! Não percebe que assim você acaba comigo!

–Mas...

–HOJE EU MORRI NO MESMO INSTANTE QUE SEU CORAÇÃO PAROU DE BATER! –Berrou ele completamente louco.

–Eu te protegeria em qualquer lugar. Você não pode me negar isso.

–Se proteger é a melhor forma de me deixar vivo. Eu iria para onde você fosse...- Disse ele com a voz baixa.

–O que você disse?

–Para não ousar a por sua vida em risco novamente! O que estava pensando?

–Não estava pensando! Eu já disse que foi automático!

–Argh! Por favor, eu não quero brigar...

–Você quem começou!

–Tudo bem! Tudo bem! – Disse Draco respirando fundo, seus sentidos aguçados e sua mente girando ao pensar na possibilidade de vê-la morta de novo.

O silencio se infestou no ar.O corpo pequenino e cansado de Hermione ainda estava deitado no sofá daquele salão comunal e Draco permanecia em pé pensativo.Seus músculos rígidos de preocupação.

–Por favor, nunca mais se atreva a colocar sua vida em perigo novamente!

–Você se importa?

–É obvio que eu me importo. – Disse ele ríspido –Quando eu te vi naquele estado,eu quase...Eu não...Eu ...

–Draco?- Disse ela assustada ao ver que o loiro estava à beira de um colapso nervoso.

–Você é uma fraqueza que eu não gosto de ter! – Ele soltou as palavras que estava se enroscando para dizer – E viver nesse mundo sem você não seria bom o bastante. Não era o bonito o bastante.

–Draco eu...

–E eu quase cometi suicídio, Hermione, pois eu sempre fui forte, mas esse é o poder que você tem sobre mim.

Sua boca paralisada.Seus músculos rígidos. A descoberta feita, a verdade revelada.

Ele colocou a mão no peito.Os dedos agarravam o tecido da camisa como se pudesse encostar em seu próprio coração que pulsava enlouquecido. Sua pele em chamas, seus olhos só olhavam para ela enquanto sua alma era costurada novamente,pedacinho por pedacinho.

–Ver meu pai morto daquela forma. – Narrou ele enquanto os olhos de tempestade ficavam encharcados – Eu corri tão rápido para que ele não...

–Draco eu sinto muito pelo seu pai.Ele era nosso inimigo, mas eu nunca desejei mal a ele e fiquei longe dele no campo de batalha.

–Eu estava em pedaços. – Ele admitiu assim que ela parou de dar os pêsames – E eu me senti tão miserável, tão infeliz! Pois eu sempre me senti forte e destemido e naquele momento eu era só um garoto chorão.

Hermione mordeu a boca. Ela queria falar, queria soltar argumentos que o fizesse se sentir melhor.Mas ela se segurou e permaneceu lá,sendo a boa ouvinte que ele precisava que ela fosse.

–Mas eu não podia evitar.Ele estava ali na minha frente e estava morto. E chorar era uma estupidez, mas eu não pude deixar de fazer.E de repente quando eu penso que nada poderia piorar eu escuto a sua voz,chamando meu nome e cara...-Seus olhos derramaram as lágrimas acumuladas.

Hermione já chorava.

–Você sabe o que eu senti? Um vazio, uma ânsia, uma vontade infinita de berrar... Eu sentia dor, mas meu corpo estava perfeito.Eu não sangrava, não tinha cortes...

–Eu não queria que você tivesse passado por isso.

Ele sorriu debilmente. O rosto melado pelas lágrimas, as mãos trêmulas pelas lembranças...

–Mas eu estou triste agora. Pois se você se jogou na minha frente daquela forma, obviamente você não faz ideia do quanto sua vida significa para mim.

Ela ainda o olhou, sem simplesmente saber o que dizer.Os lábios paralisados e mudos.

–Eu preferiria que Voldemort tivesse me acertado a ele atingir você.- Draco admitiu.

–E agora sou eu quem deveria ficar triste.

–Por quê?

Ela o olhou, completamente cínica, os olhos recheados com pura ironia.

–Pois se você se deixaria ser morto assim tão facilmente por nosso inimigo, você certamente não faz ideia do quando sua vida significa pra mim. E se você é lerdo ou burro demais para entender eu explico agora com todas as palavras possíveis: Draco Lucius Malfoy, eu Hermione Jean Granger levei um avada por você, porque sua vida é valiosa o bastante para eu o proteger com a minha.Eu amo você o bastante para ser o que você precisasse eu seja.

Os olhos dele choravam, sua mente girava, ele estava completamente tonto e desnorteado.Voltou a se sentar no sofá sujando Hermione com suas lágrimas que se mesclavam as dela.

–Minha ratinha de livros... –Sussurrou ele aos prantos beijando com os lábios molhados pela água salgada a testa da menina –Eu amo você.

–E eu precisei morrer para ouvir isso de você. – Ironizou ela – Até que valeu a pena.

Ele a pegou pelo queixo fazendo-a olhar em seus olhos.Os dedos firmes e gentis, os olhos sérios e chocantes.

–E agora eu digo isso com todas as minhas palavras possíveis: Eu DracoLucius Malfoy, depois da vida insana que tive nunca conheci ninguém que na morte me faça sentir mais vivo.E no abismo que sempre me instalei você era a luz mais intensa e bonita de todas. E eu me sinto um homem de merda perto de você, pois apesar de toda a minha arrogância eu admito sem vergonha alguma que você é a melhor pessoa que já conheci. Eu amo você mais do que posso descrever.

–Tente – Implorou Hermione em meio as lágrimas que não paravam de sair.

–Eu sempre te odiei. – Ele admitiu com os dentes trincados – E neste ano louco ao qual eu virei monitor não podia ter sido diferente. Mas em um dia idiota, conversando com um amigo mais idiota ainda uma aposta foi feita...

–Draco... – Hermione interrompeu se encolhendo com tudo aquilo que não gostava de lembrar.

Pensar na aposta era doloroso.No dia em que descobriu que todo romance que pensava ser honesto e real não passava de uma farsa.

–Eu era um conquistador. – Ele sorriu demente –E você era o maior dos desafios. Mas eu me enrosquei em você e apreciei o perigo mais do que deveria. E meu pai descobriu e Voldemort ordenou que eu te humilhasse por isso eu fui tão horrível com você tantas vezes, mas foi só para te proteger, ele ameaçou matar você...

–Não precisa me dizer isso. – Sussurrou Hermione tocando o rosto do Sonserino em uma tentativa de consolá-lo –Já passou. Estamos aqui agora...

–Eu quero terminar. – Disse ele ainda acompanhado de lágrimas pegando o rosto dela com as duas mãos – Eu...Eu não gosto de gostar de você. Isso me torna um homem bom, um homem que meu pai sempre odiou que eu fosse. E, às vezes, eu passo um dia inteiro pensando se você está bem ou precisando de alguma coisa.Eu fico zanzando por aí como um homem morto sentindo a merda de uma saudade que eu nunca precisei antes. E isso é uma fraqueza, é uma distração que eu odeio possuir, mas eu mal posso evitar. Você é meu ponto fraco! E eu provavelmente estou passando vergonha porque eu sei que eu me atrapalho falando.

A menina se aproximou rápida domando os lábios masculinos. A língua pedindo passagem, os sentimentos se mesclando enlouquecidos naquele beijo. A mão do Sonserino bagunçando os cabelos rebeldes da garota e seu coração já enroscado no dele.

Porém em um rompante tudo muda.

Draco se separa de Hermione, perturbado,jogando seu próprio corpo cambaleante para trás.

–Eu acabo de dizer que você é a minha maior fraqueza e você me beija? – Ele parecia revoltado.

– Qual é o problema? Nós dois sempre ignoramos tudo que sentimos e eu estou cansada disso Draco!

–Não se trata disso! Você me conhece muito bem! – Rosnou ele perturbado andando de um lado para o outro – Eu não presto.Não pra você.

–Não... Espera... Você é idiota?! – Berrou a menina furiosa – Nós acabamos de abrir o coração um para o outro.Você me fez acreditar que tudo pode dar certo e depois diz que não presta pra mim? Qual é o seu problema?

–Não tenho problemas! Só estou dizendo que eu não quero que se machuque por simplesmente estar comigo.As pessoas vão julgar você por estar com alguém sujo como eu.

–Se vou me machucar estando com você, então que seja! E se me amar é a sua maior fraqueza, então vamos ser fracos juntos!

Os olhos mogno vibrantes de atitude.A vida brilhava nela mais lindamente do que nunca.

Forte como um ácido, seu coração se dilacerou.O medo ardia dentro dela com receio que nunca mais pudesse tê-lo junto de si.

–Quando eu percebi que estava morta eu lamentei demais. – Ela se levantou para parar o corpo dele que andava enlouquecido de um lado para o outro –Lamentei que minha vida foiinterrompida e eu quase não fiz nada pra aproveitá-la! Quase não te dei beijos, quase não passei meus dedos no seu cabelo, quase não te abracei forte...E se você teme que eu me machuque por estar com você, saiba que a única maneira de me machucar é se afastando de mim.

–Só faria se você pedisse. – Ele disse perturbado – Não posso mais ficar longe de você.Mas eu sou louco e estúpido! Livre e dissimulado!Eu não quero machucar você... Eu sempre fui o vilão e Potter o Herói de todos.

–Você sempre foi o meu Herói.

–Estou dizendo que você é a melhor pessoa que conheci. E seria egoísmo meu estar com você sendo que eu não a mereço.Você poderia arrumar um Herói de verdade, alguém que irá te tratar bem sempre, sem problemas ou complicações.

Não era mentira. A personalidade forte do Sonserino era marcante e foram incontáveis às vezes que o garoto quase quebrou uma parede do quarto dos monitores ao imaginar Hermione com Harry ou com qualquer outro garoto.Seus ciúmes eram infelizes, sua personalidade era insana.O ódio conseguia dominá-lo em momentos inoportunos destruindo tudo que tocasse, incluindo Hermione,o deixando cego e cheio de ganancia. Ele era um digno Sonserino.

–Cale a boca. –Ela jogou seus braços ao redor do pescoço dele o imobilizando de vez – Gostaria de me ver com outro homem? –Provocou ela aproximando seus lábios perigosamente dos dele – Imagine minha boca beijando a dele todos os dias, minha pele roçando na dele a noite, a boca dele em mim em lugares que só a sua esteve antes...

–Pare...-Ele pediu perturbado.

A idéia de vê-la assim, entregue a outro homem ocupou seus sentidos o levando à loucura. Seu ciúme ardeu, suas mãos se fecharam em punhos.Ele era louco, ele era insano,completamente descontrolado,mas era exatamente assim que ela queria que ele estivesse.

–Não quero ninguém que não seja você.- Sussurrou ela roçando seus dedos no cabelo dele – Eu amo a sua insanidade.

Você é incapaz de ficar longe de problemas. – Ele traduziu.

–Então você é o problema que eu mais gosto de ter.

–Eu amo você.- Sussurrou ele se rendendo a menina e a beijando com intensidade.

E era disso que o amor deles se tratava. Honesto e feliz, insano e inexoravelmente louco.Como duas chamas que se encontram e se mesclam virando uma só lambendo e atingindo a todos.O ardor de sua paixão atravessava muralhas, queimava e destruía tudo no caminho,intenso como o fluxo da rocha derretida abaixo da superfície da terra, vasto como a água de uma chuva torrencial.

Forte o bastante para romper qualquer padrão pré-existente, eles se encaixavam sendo peças exóticas de quebra cabeças diferentes, sendo leão e serpente.

E esse tipo de magia os protegeriam para sempre. Atravessaria às trevas quantas vezes fossem necessárias.

De novo, de novo e de novo.

Notas finais
Tudo que começa um dia tem que acabar... Confesso que é duro para mim dar adeus a essa fic tão amada, e saiba que foi um verdadeiro prazer escrevê-la. Agradeço a Rynui por ter aceitado a ingressar nessa aventura comigo , e que mesmo que ela não tenha continuado escrevendo ela nunca me abandonou por completo, sempre me dando dicas e sendo minha beta fiel. Um agradecimento sem tamanho a hina_hyuuga por ser uma amiga/leitora incomparável e por aturar minhas maluquices diárias. Obrigada a cada leitor que me mandaram mp's e comentários eu fico feliz demais. Até por plágio essa fic já passou , mas isso nunca me abalou e eu continuei escrevendo até o final e isso me deixa muito feliz. Os números até hoje me impressionam , temos 1130 comentários,33 recomendações e saibam que eu sou grata a cada um de vocês por me proporcionar tamanha felicidade. Espero que tenham gostado desse capítulo e quem quiser vir conversar comigo por MP sinta-se a vontade , eu não mordo viu ? kkk Aguardo os comentários ansiosa e foi um prazer escrever para vocês ! "Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma." George R. R Martin
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!