A Aposta

32 Dias de Melancolia


Notas iniciais
Oláa Lindos Leitores !
Desculpem a demora.Rynui me enviou o cap já faz alguns dias só que só pude ler agorinha.
Está muito legal !
No final mostra o olhar e um pouco dos pensamentos de Snape, o que torna tudo MUITO interessante !
Enfim eu queria agradecer a K_Witch pela LINDA recomendação !
Obrigada flor.Não se preocupe , comente quando quiser e puder.
Então...
Até lá em baixo !

A escola estava um caos. Se olhasse para os rostos dos alunos, professores e quaisquer outros habitantes de Hogwarts, veria os vários olhos inchados, olheiras, expressões abatidas. A melancolia era palpável, a escola antes esbanjava esplendor, agora era como se uma penumbra negra tivesse descido sobre todos.

Os quadros, antes barulhentos e vivazes, agora se mostravam sérios e taciturnos. O corujal estava travado, nenhuma das corujas fazia nada além de olhar para o vazio.

Mesmo os céus estavam cinzentos, isso já tinha três dias. Três dias desde a morte do grande bruxo. Grande não, o maior. Dizer que Alvo Dumbledore era o maior bruxo do século era ser sublime! Alvo Dumbledore era um dos maiores bruxos da existência, no nível de Morgana e Merlin.

O burburinho fúnebre cobria os corredores, até mesmo os arrogantes sonserinos mantinham um silêncio respeitoso e coberto de melancolia. Todo o sarcasmo deles havia desaparecido. Os professores andavam cabisbaixos.

E com a corvinal sempre alegre e saltitante não era diferente, até mesmo Luna Lovegood estava presa naquele sentimento de dor, perda e mágoa.

O brilho dos olhos da menina se tornara opaco, grandes e profundas olheiras, completavam a expressão depressiva da garota, assim como os cabelos loiros totalmente emaranhados. Nesses últimos dias, o mundo de Luna parecia ter desabado.

Andava suspirando pelos majestosos corredores fúnebres do castelo. Toda a vida deles havia se esvaído, aquele ar agradável e amistoso havia desaparecido dos corredores. Ao virar para o corredor seguinte, ela avistou Blaise.

Lindo como sempre, sua beleza rude – como ela costumava pensar. Desde aquela noite a loira o vinha evitando, não conseguia olhar nos olhos do garoto, não mais, ela não se sentia bem com aquilo.

E tinha mais, como ela poderia pô-lo contra sua família? Seus amigos? Aquilo era ridículo! Impensável e inimaginável para a cabecinha da corvinal.

Era mentira que não tinha visto quem era. Ela tinha relanceado os olhos na marca pálida na base do pescoço daquele homem, ela pudera ver com perfeição a pequena espiral azul. Ela reconhecia aquele símbolo como o da família do namorado, ou pelo menos os que os empregados utilizavam.

Suspirou. O que poderia fazer? Ela jamais diria aquilo. Era mais do que óbvio que a família Zabine não a considerava bem-vinda entre os seus, qual era a novidade? Seu pai era um dos que mais criticava o Lord das Trevas.

-Puf. – ela bufou.

Rapidamente desviou de Zabine, como se não o tivesse visto e esgueirou-se pela multidão que se dirigia ao refeitório.

Discretamente olhou-o com o rabo de olho. Ele a encarava como se seu olhar pudesse atravessá-la. Ela fingiu não vê-lo e conseguiu ver Cho no meio da multidão, elas não eram muito amigas, mas valendo o fato dela estar sozinha e conhecerem-se.

-Cho! – e foi até a morena.

Qualquer desculpa para não ter de ver os olhos de Blaise, qualquer desculpa para não ter que passar aquela humilhação, serviria e bastaria.

Com o coração doendo, ela seguiu com a outra corvinal até a mesa de sua casa.

.X.x.X.

Por mais que soubesse de tudo o que acontecia, a castanha não conseguia simplesmente deixar aquilo de lado. Dor. Perda. Mágoa. Aquilo queimava em seu peito, pesava em sua alma.

Ele sabia de tudo! Então, por quê? Por que o maior bruxo de toda a história se deixou matar tão facilmente? Ela não entendia como tal mente se passava, era algo tão engenhosamente perfeito!

Olhou para seu café da manhã meio comido. A mesa dos grifinórios era a mais silenciosa de todas, os burburinhos das demais mesas eram carregados de tristeza, mas o da mesa do leão eram quase inexistentes.

Rony tinha manchas roxas embaixo dos olhos, a menina observou, seu apetite tinha diminuído, apesar de ainda ser voraz se comparado ao dos demais. Harry estava em um estado ainda mais lastimável, os cabelos negros estavam descuidadamente bagunçados, profundas olheiras marcavam seu rosto, os olhos verdes estavam vermelhos, estava mais magro. Ela podia ver o quanto seu rosto afinara.

A castanha relampejou os olhos na mesa dos sonserinos, onde viu Draco conversando com Blaise e... Pansy. Trincou os dentes, mas forçou-se a relaxar a expressão, não adiantava ter ciúmes, ele não era mais dela.

“Mas seria tão bom se fosse...” – ela se pegou pensando. – “Menina idiota.” – pensou ela com certa repulsa de si mesma. Hermione se recusava a ser fraca, tudo estava perdoado, mas esquecido, é outra história.

Fechou os olhos, e tomou um longo gole de suco de abóbora. “Tudo pode passado, mas as cicatrizes ficam.” Engoliu o líquido como se forçasse uma bola de golfe descer por sua garganta. Ela abriu os olhos e viu a ruiva vindo em direção a eles.

Gina Weasley sempre fora linda, desde menina tivera longos e sedosos cabelos cor de cobre, e grandes olhos azuis, pele branca e impecável, tirando as charmosas sardas no topo das maçãs do rosto. Nesse dia, ela estava tão acabada quanto os demais.

Profundos sulcos de cansaço marcavam seu rosto, olheiras, cabelos desgrenhados. Aquela menina não se parecia em nada com a enérgica ruiva que a castanha sempre conhecera.

Desviou o olhar da amiga para seu café, e por sobre sua respiração murmurou:

-Sala precisa, horário do almoço.

Então se levantou e arrumou uma postura cabisbaixa. Saiu do salão apressada. Ela tinha 100% de certeza que Draco levaria a Parkinson e o Zabine, afinal, os dois viviam atrás do loiro e tinham certos ideais próprios.

Respirou profundamente. Tudo, a qualquer custo. Agora era a hora de arriscar, um passo em falso, e estariam perdidos. Ela sentiu sua marca formigar, mas a sensação não era desagradável como sempre, era só diferente. Incomoda, mas não dolorida. O que aquilo significava? Depois perguntaria à Draco.

Andou levemente pelos corredores que a levariam à aula de poções, hoje conheceriam um novo professor, já que Snape tinha assumido. O professor obscuro de poções tinha se tornado o novo diretor de Hogwarts, mas isso só aconteceu, porque Minerva tinha recusado o cargo, sabe-se lá por que.

Respirou fundo e entrou na sala, ela já tinha ouvido passos agitados de um lado para o outro, supunha que o professor já estivesse lá dentro, mas quando entrou, surpreendeu ao encontrar Snape andando de um lado para o outro e espalmando as mãos nos tubos de ensaios e outras provetas.

-Professor? – chamou surpresa.

O moreno se virou, sua expressão estava abatida e cansada, ainda se via uma pitada de saudade em sua face.

-Senhorita Granger. – a cumprimentou.

Com um aceno de cabeça saiu da sala, mas não sem antes lhe lançar um olhar significativo. Aquilo era estranho, muito estranho. Sem piadas? Sem comentários cortantes? Sem olhares de nojo e ódio? Apenas aquele olhar estranho... Ele estava tão mal assim? Era o que ela gostaria de saber.

“A morte de Dumbledore deve tê-lo afetado mesmo...” – pensou com tristeza, que por pior que fosse seu professor, a castanha reconhecia aquela melancolia em todos do castelo, mas envolta de Snape era diferente, era como se o professor já soubesse de tudo.

“E aquele olhar...” – pensou ela, aquilo a tinha perturbado, os olhos negros como breu estavam brilhantes, e tinha algo neles, algo como... Como... Piedade. Era um tanto quanto irritante, mas ela sabia que ele também era humano, e como passou muitos e muitos anos em Hogwarts, provavelmente também estava muito apegado ao diretor...

“Mesmo sendo um comensal?...” – uma vozinha irritante pairou em sua mente. “Sim.”- ela pensou com teimosia, Dumbledore era o melhor de todos, qualquer um que estivesse são o admiraria.

Suspirou pesadamente e dirigiu-se para uma das carteiras na frente da sala, do lado direito, como de costume. Deixou-se cair na carteira e arrumou os livros em cima da mesa, fechou os olhos e quando o sino badalou pela terceira vez, ela começou a ouvir passos e burburinhos entrando no recinto.

Após alguns segundos, ela abriu os olhos e viu que havia uma pessoa ao seu lado. Encarou os olhos de Harry, e sorriu com pesar, um frio cumprimento.

-Hey.

-Hey... – ele respondeu.

-Como será esse novo professor? – ela cochichou.

-Também queria saber... – pausou por alguns segundos e continuou, mas em um volume que só a castanha poderia ouvir: — Ouvi dizer que ele deu aulas para Você-Sabe-Quem...

Hermione arregalou os olhos, e ficou pensativa, se este novo professor tinha dado aulas ao Lorde, com certeza poderia extrair algumas informações importantes dele, ou bem, olhou com o canto dos olhos para Harry, poderia fazer com que alguém descobrisse.

-Bom dia classe! – uma voz masculina, envelhecida, mas ainda sim animada interrompeu os murmúrios das duas casas.

Todos se voltaram para a porta, onde estava um senhor de cabelos brancos e ralos – quase inexistentes, trajando roupas comuns num tom de marrom escuro e verde musgo, uma camisa social branca por baixo das roupas escuras, que continha uma proeminente barriga, em baixo do queixo barbeado, havia uma papada. Ele entrou sorrindo para todos e balançando a cabeça suavemente.

A garota franziu o cenho para aquele estranho, ele não parecia pertencer à Hogwarts, não com aquela atmosfera alienada à fúnebre sombra que pairava sobre todos os alunos e habitantes da escola.

Ele andou até o tablado em frente à lousa, onde estavam todo o material de poções, substâncias e um pequeno quadro negro. Virou-se pelo lugar, a nostalgia correu nos olhos do velho senhor. Ele levou a mão esquerda à cabeça e ajeitou os fios ralos.

Depois de se admirar com o lugar, o senhor se virou para a classe, sorriu com dentes levemente amarelados e disse:

-É um prazer conhecê-los, mesmo que a hora não seja propícia para isso. Sou o novo professor de poções, Horácio Slughorn ao seu dispor. – seu tom era majestoso, como se todos devessem estar honrados com aquilo.

Ele olhou atentamente a todos, como se esperasse palmas e assovios. Franziu os lábios por ter sido recebido com silencio, mas ainda sim, pigarreou e continuou a falar:

— Sei que estamos todos muito abalados com o falecimento de meu caríssimo amigo, Alvo Dumbledore, mas o mundo gira, e nós devemos também fazê-lo. Então levantem essas cabeças que eu agora irei me apresentar e dir-lhes-ei algumas coisas sobre meus trabalhos.

Então todos os alunos se forçaram a prestar um pouco mais de atenção naquele velho senhor pomposo que não parava de amaciar seu próprio ego dizendo o quão importantes tinham se tornado seus alunos de destaque.

-Sabem, eu já fui o diretor da casa de Sonserina, assim como professor de poções. – ele pausou por alguns instantes, e a dor relampejou em sua face. – Mas agora que reassumi o cargo, vamos às matérias!

Animadamente, Slughorn explicava teorias e teorias de algumas poções, e então virou-se para a classe e anunciou:

— Agora faremos algumas poções, estejam à vontade para escolher duas do quadro, só tomem cuidado para não se atrapalharem com as receitas. – sorriu. – Ou podem explodir toda a torre, boa sorte! E quem acabar estará liberado.

Revirou os olhos e se virou para Harry, com um aceno de cabeças, cada um passou a fazer uma poção diferente. Esse era o lado bom de ficar de duplas com o moreno, ele entendia que nada de gracinhas, trabalho e mais trabalho, assim seria mais fácil.

Mais fácil ainda, pois não precisaria falar, e era o que menos tinha vontade de fazer. Suspirou.

“É como dizem, lábios quietos, mente cheia.” – ela pensou...

O loiro estava ocupado fazendo a poção, sequer se dava o trabalho de prestar atenção nos resmungos da loira sobre hipóteses de o que fariam quanto à morte de Dumbledore, claro que ela tinha consciência de tudo, Blaise lhe contara, mas mesmo assim era irritante.

-Quieta. – ele sibilou. – Isso não é assunto que se discuta aqui. – rosnou por entre dentes.

A loura arregalou os olhos e mordeu o lábio inferior, às vezes ela que eles eram exceções dentre os sonserinos, às vezes ela se esquecia que tinha entrado para a resistência à Voldemort. Suspirou e assentiu, Draco estava com a cabeça cheia, era melhor respeitar aquilo.

Blaise era o único que tinha ouvido a conversa, sorriu e balançou a cabeça, o clima entre eles estava bem melhor ultimamente, sem Pansy nojenta agarrando o Draco, ou aquela idiotice toda de adolescente com hormônios a flor da pele.

Draco estava leve e pesado ao mesmo tempo. Sentia a dor e a culpa corroendo sua alma aos poucos, apodrecendo sua essência e castigando sua consciência, enquanto isso, seu coração estava mais leve, e tudo isso graças a duas mulheres. Hermione e Pansy.

Primeiro a castanha, que aos poucos voltava a perdoá-lo, e a sonserina, pois há alguns dias ela casualmente lhe revelara que não sentia nada por ele além de desejo, que ele era um canalha filho de uma puta e nunca o perdoaria se ele a usasse de novo, depois disso ela simplesmente sorriu e começou a conversar com ele com se fossem simples amigos.

Ele olhou de esguelha para a menina, seu coração se agitou quando viu o parceiro dela, mas simplesmente cerrou os lábios com força e fez-se concentrar em realizar a poção. O garoto sentia os olhos intensos do novo professor sobre si, quase que lhe perfurando a alma.

Trincou os dentes com força, aquele homem vivia em cima do muro, sempre viveu assim. Aproximava-se dos poderosos apenas para obter segurança. Um verdadeiro interesseiro.

Draco não podia divagar, ele tinha de prestar atenção na poção, só a morte de Dumbledore já lhe era suficientemente pesada para que se concentrasse noutras coisas, não precisava de amarguras passadas.

Ele já tinha se machucado demais, já tinha ferido demais, tudo isso sempre foi feito seguindo o principio trouxa de que os fins justificavam os meios, mas será que isso era realmente válido?

A pergunta que ele mais queria a resposta, era a que mais lhe fugia...

.X.x.X.

Severo Snape andava de um lado para o outro, aquele era seu horário livre, não tinha que dar aulas a nenhuma classe. Por um lado era bom que nenhum daqueles pestes o visse neste estado tão... Deplorável. Mas sua mente não lhe dava sossego, trazia à tona as entranhas de seus arrependimentos, de seus medos, suas amarguras.

Olhou pela janela do escritório do diretor. Quantas lembranças! Quantos sonhos! Cada um deles marcado por profundas e dolorosas cicatrizes e arrependimentos que ele sequer podia se dar ao luxo de desfrutá-los.

Sobre a mesa, um enorme retrato de Dumbledore guardava o gabinete. Os livros encantados, os animais exóticos, as tintas e papéis, tudo ali lembrava o grandioso defunto. Suspirou pesadamente e correu a mão pelas prateleiras de madeira, onde descansavam os milhares e milhares de livros.

Alvo Dumbledore, o melhor bruxos de todos, estava morto. Lilian Potter, o amor de sua vida, tampouco respirava. As duas únicas motivações para que ele fosse bom tinha partido, mas ele se recusava a se deixar vencer com tanta facilidade.

A guerra batia a porta, e não seria ele a ignorá-la. O antigo senhor da casa de Sonserina, o Príncipe Mestiço, o gênio das poções, agora sim ele tomava um rumo. Ajudaria os dois agentes-duplos, guiaria o filho de Lilian e protegeria a todos.

Essa fora sua promessa à Dumbledore, e jamais decepcionaria o homem que lhe salvara a alma. Jamais...

Notas finais
E ai ? Gostaram ? *-*
Enfim gente , quem quiser seguir o exemplo da K_Witch, pode nos enviar uma recomendação que nós vamos amar.E pra quem for leitor fantasma mande também.As indicações só nos deixam ainda mais felizes !
Enfim...
Beijos de Chocolate e até o próximo !