A Amaldiçoada
27 Capítulo 27 Borboleta
Notas iniciais
Maresia
Eu não conseguia compreender os meus sentimentos, eu não sabia se eu estava feliz, ou triste. É verdade que o fato de Nico ter perdido as memórias de Joseph havia me magoado, mas agora era diferente, ele é diferente, o beijo dele na frente de todos do acampamento havia me provado isso, ele mudou, mudou completamente, e... e eu continuo o amando. Eu só não conseguia compreender, é estranho pensar que eu já tenha amado no passado, que tenha sentido esses mesmos sentimentos e que continue me fazendo as mesmas perguntas e temer as mesmas coisas. Eu pensei que nunca sentiria algo assim novamente. O amor é lindo, mas perigoso. Eu sei disso, mas o amor também é encorajador. Existe coragem sem medo? Claro que não existe, e é isso que o amor nos dá, coragem... coragem para enfrentar os perigos que tentam nos destruir.Eu amo o Nico, e não importa o que Percy diga, não importa o quanto ele o odeie, eu irei permanecer com ele.
–Maresia!- Nico me chamou, me virei para vê-lo correndo ofegante em minha direção.- Eu... eu...
–Eu sei!- eu ri da expressão de surpresa dele, eu o abracei no mesmo instante sem me importar que ele estivesse suado.
–E eu também amo você,... obrigada, por ter feito com que Ártemis não me aceitasse.- Nico respondeu ao meu abraço e me apertou contra ele.
–Eu é que agradeço.- ouvimos o barulho de galhos se quebrando e nos levantamos em alerta.
–Ha desculpem, eu estou atrapalhando.- arregalei os olhos e fiquei estática ao reparar na pessoa que nos encarava.
–Percy!- arfei.- Nós...
–Tudo bem, Maresia!- fiquei boquiaberta, mas o que? Ele...?
–Depois daquela nossa... "briguinha", eu compreendi, eu não estaria fazendo você feliz te obrigando a virar caçadora.- sorri.
–Espera, você que está por trás disso?- Nico fuzilava Percy quase que soltando fumaça pelas ventas.
–Bem...
–Eu vou te matar, Perseu!
–Não vai não!- o segurei pelo braço no instante em que ele iria se dirigir a Percy.
–Mas Maresia ele...
–Eu sei, mas ele mudou de ideia, que é o que realmente importa.- Nico não pareceu satisfeito, mas ele assentiu e desviou o olhar.
–Acho que devo te perdoar também! Não vale apena ficar guardando isso... por mais que você mereça.- Nico o olhou e sorriu.
–Acho que de uma forma muito estranha estamos quites.- disse Nico sorrindo.
–Ótimo os dois são amigos de novo... agora... os jogos de guerra começaram, não iremos participar?- os dois me olharam agora mais destemidos.
–Você é quem manda!-eu ri.
–Então vamos.
Os meninos foram na minha frente, eu sorria olhando para os dois caminhando. Eu estava prestes a dar o primeiro passo quando uma névoa azul brilhante apareceu diante de mim, ela foi ganhando forma até se transformar em uma garotinha de cabelos castanhos.
"Maresia!" uma voz que me era muito familiar chamava.
"Já estou indo mamãe!" a garotinha respondeu, meu coração se acelerou ao perceber que eu era a garotinha, logo o vulto de minha mãe apareceu dentre as árvores, e foi em direção a menina.
"Olhe mamãe, uma borboleta, posso ficar com ela?"
"Claro que não meu amor!"
"Mas eu a amo" minha mãe riu.
"É exatamente porque tu a amas que precisa deixá-la voar."
"Mas eu quero ficar com ela"
"Se ela precisar de você, virá te procurar!" o vulto delas se dissipou e uma borboleta azul começou a voar diante de meus olhos, a borboleta voou em direção as árvores e após desaparecer, a voz de minha mãe veio como o sopro de uma brisa até mim.
–Voe!
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