Quem sou eu

Quem é a sombra

A que carrega os meus erros

A que nos outros desconta

Quem é a sombra

Que me persegue

Sinto atrás da minha nuca

Uma sensação fúnebre

Ela se alimenta daquilo que a criou

Aos poucos mudando

De forma, de cor

Com dois passos para trás

Ela volta a origem

Impossível negar

Essa terrível vertigem

Presa no passado

A sombra ficou

Se alimentando dos invernos

Se mantendo fria

Distante dos outros

De si

Repletamente vazia

Ela tenta fugir

E de mim se desprende

Quer ter autonomia

Ela não compreende

E tudo o que resta

É a ela me juntar

É a única forma

De fazê-la parar

Quem sou eu

Quem é a sombra

Quem somos nós

Nós?