A Agonia que é Viver

33 Quando você decidiu morrer.


A morte me abraçou de novo

Em entrelinhas fiquei mais um pouco

Em paz, ouvindo o mar

Em paz, cheiro de chuva

A morte foi a mais gentil de todas

E com um sopro fez descansar a minha alma

É só ela, a tal, que me acalma

Mas no fundo eu sabia, que um dia

Ela iria me soltar, me abandonaria

Me disse que eu precisava voltar para a vida

Ela culpou o destino, contou sobre a minha história

Disse que a minha vida, já havia sido escrita

Ela não podia fazer nada

Estava além de seu alcance

Eu a olhei de relance

Sua figura calma, mãos mornas

Me segurando em um aperto, como se soubesse

Que eu não queria voltar

Tão confortável em seus braços

De alívio eu estava a chorar

Alívio que iria acabar

A morte já viu tudo, tudo de ruim

Todo mal, toda a maldade, imundices sem fim

Mas mantinha-se tão calma, com um amor materno

A morte, sem dúvida era um anjo

Eterno.

Notas finais
— to me — and to you.