A Agonia que é Viver

45 Meia-noite em outro planeta.


Cultivei uma flor

Com mágoas, no frio

De alguma forma ela cresceu

Acordou chorando, em um planeta vazio

Precisei sentar

E suas pétalas observar

Me perguntando, cheio de dúvidas

Como ela havia sobrevivido

Ela chorava, machucando o meu ouvido

E tocando o meu coração

Mas neguei

E como neguei

A tampei com um vidro

Para seus lamentos não escutar

Como ela foi crescer?

Eu sempre esqueci de regar

Caminhei pelo meu mundo

Tão vazio, tão profundo

E era a paz daquele planeta

Que me tornava alguém tão soturno

Quando finalmente deixei meus devaneios

Lembrei de minha flor

Havia parado de chorar

Já não sentia dor

Levantei a cápsula de vidro

Liberando-a da prisão

“E agora, minha linda,

Já não irá fazer confusão?”

Ela me respondeu com um olhar de fúria

A reguei pois eu sabia

Que aquilo não passava de birra,

Balbúrdia

Ela pareceu não aguentar

Tanta água, era como o mar

Fingiu se afogar

Só para a minha atenção chamar

“Por favor, não exagere,

Há quem não tenha água pra tomar”

Ela tremeu de frio

Encharcada e triste

Naquele grande planeta vazio

(…)

Notas finais
mais de uma década traumatizada pelas fitas do pequeno príncipe…… parte 2?