Minhas mãos trêmulas me dizem

O que tanto evito aceitar

As observo presa em uma casa cheia de dores

Uma casa cheia de poucos amores

A inveja existe onde a falta reside

E aqui há tanta falta que nasci pela metade

Meus desejos sempre se voltam aqueles que vivem à vontade

Em casulos de amor

De aconchego

De honestidade

Mas tudo que tenho é a verdade bruta

E todas as noites fico vigilante

Evitando viver, evitando levar meus erros adiante

Eu calei meu coração falante

O deixei dormente

Silenciei a criaturazinha exigente

Minhas mãos trêmulas me dizem

Coisas que não gosto de ouvir

Calei meu coração

Para não sentir

Ele pulsa, cheio de exigências

E meu corpo já não é capaz de suportar

Eu chorei tanto, que me afoguei em meu próprio mar