A Agonia que é Viver
49 Amada.
Minhas mãos trêmulas me dizem
O que tanto evito aceitar
As observo presa em uma casa cheia de dores
Uma casa cheia de poucos amores
A inveja existe onde a falta reside
E aqui há tanta falta que nasci pela metade
Meus desejos sempre se voltam aqueles que vivem à vontade
Em casulos de amor
De aconchego
De honestidade
Mas tudo que tenho é a verdade bruta
E todas as noites fico vigilante
Evitando viver, evitando levar meus erros adiante
Eu calei meu coração falante
O deixei dormente
Silenciei a criaturazinha exigente
Minhas mãos trêmulas me dizem
Coisas que não gosto de ouvir
Calei meu coração
Para não sentir
Ele pulsa, cheio de exigências
E meu corpo já não é capaz de suportar
Eu chorei tanto, que me afoguei em meu próprio mar
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