Notas iniciais
Não demorei né? Então, espero que gostem. Boa leitura — Bruna Karla - Nunca mais vou dizer mamãe

Dia seguinte.

Momentos antes.

Boston.

Bianca estava, ainda dormindo, ao lado de Henrique que já despertara a algum tempo. Henrique lembrava de momentos ruins de sua vida, a qual tanto lhe esforçava em esquecer. Seu celular tocou lhe arrancando de seus pensamentos.

— Alô

— Filho

— Ah, oi pai. Tudo bem?

— Filho... Preciso te dar uma noticia.

— De que se trata?

— É... Sua sogra

— Dona Rosa?! O que houve?!

— Ta perto da Bianca?

— Tô sentado na cama, ela ta dormindo.

— Se afasta um pouco.

— Espera...- foi a varanda do quarto e fechou a porta. — Pode falar.

— Aconteceu uma fatalidade... A vizinha que cuida dela, foi no quarto dela hoje pra dar um remédio e

— E?!

— E ela não respirava.

Aquilo foi uma bomba em Henrique, ele era genro a algumas semanas, mas já tinha um grande carinho a sogra.

— Ela...

— Morreu. E você falar com Bianca, vocês precisam voltar hoje.

— Eu? Não posso. Eu senti essa dor, eu era pequeno mais senti. Sei como é, dilacera a alma.

— Eu sei e é por mais isso que é melhor ser você a falar, você já esteve do outro lado.

— Pai

— Você é o namorado dela, mas também é o amigo, o consolo. O único pra proteger ela, ela esta sozinha agora. Vou desligar.

— Pai!

— Até meu filho. Lhe desejo meus sentimentos.

Henrique ao ouvir o toque do findar da ligação, sentiu as lagrimas quentes e salgadas sendo em fim, derramadas.

Henrique entrou no quarto, parou de frente a cama, parou e observou. Bianca dormia tão calma e serena. Segurou as lagrimas, tinha que ser forte por ela, só por ela.

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Cemitério.

Havia pouco mais de dez pessoas, todas de preto. Bianca de frente ao caixão da mãe, chorava abraçada a Henrique e ao seu lado estava Eric e Hernan, Samanta não havia ido. Bianca de óculos escuros, com uma calça jens escura e uma regata preta, não usava maquiagem. Bianca enquanto olhava o caixão revivia todos os momentos com a mãe, até que chegou ao pior e mais doloroso.

Lembrança, momentos antes.

Henrique se aproximou e sentou na ponta da cama, a olhava com lagrimas nos olhos, mas manteve-se firme. Sentou se ao seu lado, passou delicadamente a mão pelo contorno de seu rosto, ela se mexeu e logo abriu os olhos, seguido de um sorriso.

— Bom dia. — sorriu

— Bom dia. — serio

— O que houve amor?

— Bianca... Amor... Precisamos voltar hoje.

— Mas porque? E o congresso?

— Não dá pra irmos

— Mais porque? Fiz algo errado?

— Amor. — segurou as mãos dela e levou aos lábios, depositando um leve beijo. — A vida... A vida as vezes nos é injusta... Eu já me perguntei tantas vezes, "porque não eu? Porque ela?", há perguntas não há respostas, mas quero que saiba que estarei aqui sempre. — a beijou na testa, ela o olhava confusa.

— Não estou entendendo nada amor.

— Amor... Essa madrugada

— Foi mágica. — sorriu com ternura

— Mas o dia clareou, o que pra nós era só nós, findou. Nosso mundo, voltou e se situou nesse mundo. Amor, o que eu quero te dizer é que... Deus... Deus escolheu uma nova flor pra seu jardim e a levou. — Bianca em fim, pareceu entender.

Bianca se levantou depressa, Henrique a seguiu, a segurou mas ela o empurrou ríspida.

— Você esta mentindo! Minha mãe... Minha mãe ta me esperando em Nova Iorque!

— Não, não ta. E você tem que entender.

— Não... — caiu de joelhos no chão, havia desabado. Henrique se agachou e a abraçou. — Porque?

— Não há respostas para perguntas de regras da vida. — foi a última coisa dita ali, só ficaram abraçados, Henrique a consolou.

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Bianca chorando, se aproximou da cova, olhou ali, o caixão de sua mãe, fechado. Ali seria a última vez a vê-la. Jogou a rosa branca, junto com suas dolorosas lagrimas. E disse alto para todos ouvirem

— O pior de tudo é saber que nunca mais vou dizer mamãe e ela me responderá "sim filha"

Em sua mente veio a imagem de sua mãe lhe dando a benção no dia anterior, quando estava a viajar com Henrique, depois a imagem dela lhe ligando ainda na estrada e pedindo a ela não tirasse o escapulário de seu pescoço, porque a iria a proteger. Lembrou das vezes que a mãe lhe falava que Deus não lhe deixaria se abater com as coisas do mundo e que a protegeria.

Bianca andou para trás rápido, se virou, olhou Henrique, todos ali a olhava com pena, ela sugou as lagrimas, olhou novamente o caixão, se viu olhando o caixão do pai, se virou e correu.

— Bianca! — Henrique correu

— Não! — o segurou — Deixa ela.

— Mas pai!

— Além de sua mulher, ela é filha.

Bianca corria e corria sem parar. O cemitério era grande, ela já havia praticamente chegado no outro lado, quando em fim parou, se encostou na árvore e caiu de joelhos chorando, mas não de dor, seu choro era de raiva. Se levantou, segurava no pescoço um "escapulário"(um cordão com a imagem de Cristo, cordão católico), o arrancou com ódio e jogou no chão. olhando o céu profetizou.

— Você não existe! Deus... Me poupe, esse nome... Não é nada, não tem significado e nem origem de fato. Você não existe! Tirou meus pais! Você é cruel! É mau... Te odeio! Te odeio! Te odeio! Minha mãe morreu acreditando em você! Confiando a você a nossa segurança... Te odeio! — jogou os vasos de flores em cima dos caixões no chão, empurrou a lata de lixo, estava tento um surto. Até que sentiu uma forte tontura e viu tudo escurecer, desmaiou.

Horas depois.

Mansão.

Bianca estava dormindo num quarto preparado por uma das empregadas mandada por Eric. Com um curativo na testa e já, depois de haver tomado um calmante, dormia tranquilamente.

As primeiras três semanas foram assim, um completo silêncio da parte de Bianca. Ela não chorava, não derramava uma sequer lagrima, não falava, não comia, havia criado seu próprio mundo e esquecido da realidade. Até mesmo Samanta já começava a sentir preocupação. Havia emagrecido, esquecido do trabalho, só ficava no seu quarto na mansão. Já havia se mudado para mansão. Nem sequer entrou na casa desde a morte da mãe. Henrique tentava ficar o máximo de tempo permitido por ela, com ela.

Henrique bateu na porta, mesmo sem ouvir um "pode entrar", ele entrou. Ela estava sentada perto da janela, o céu estava lindo, o dia também. Ela estava com uma calça moletom rosa e uma blusa branca regata, olhava atenta o céu, ele se aproximou e deu lhe um selinho nos lábios, não foi correspondido. Ele sentou se perto dela, no chão, pegou suas mãos, ela parecia paralitica.

— Bom dia. — sorriu leve a ela

Ela nem mesmo se mexeu.

— Até quando? Já passaram três semanas Bianca. — ela nada fez — Meu amor, por favor!

— Sai. — foi a única coisa que disse

— Sair.... É a única coisa que me pede. — se levantou e a olhou.

Henrique desceu, pegou as chaves do carro e saiu. Henrique no bar, já havia ficado bastante bêbado, estava acompanhado de uma bela mulher. Loira, cabelos ondulados e dos olhos claros. Tayane(Michelle Vieth). A mulher usava um vestido azul, colado ao corpo, os cabelos presos em um rabo de cavalo. Sentada no colo de Henrique ela o beijava no pescoço e nos lábios. Ele a correspondia com intensidade e desejo. Por fim da noite, dormiram no motel.

Dia seguinte.

Henrique chegou em casa as 6:30 a.m e ainda de ressaca. Entrou em casa dando de cara com o pai o esperando.

— Bom dia.

— Tava onde?!

— Sai

— Isso eu sei! Quero saber onde estava.

— Fui no bar.

— Dormiu no bar?

— Não.

— A onde?...

— Não vai querer saber.

— Se estou perguntando é porque quero saber.

— Dormi num quarto de motel.

— O que?! Traiu a Bianca? Como pode Henrique?! Achei que tivesse amadurecido como homem. Mas me enganei, me decepcionou Henrique. Pela primeira vez na sua vida, você me decepcionou!

— Por favor pai! Você acha que eu ia ficar aqui, esperando Bianca voltar pro mundo normal? Não pai! Não vou ficar aqui sofrendo por uma pessoa que nem mesmo me quer perto dela.

— Se toca Henrique, ela perdeu a mãe!

Os dois discutiam, sem mesmo perceber que de longe, de cima das escadas, escondida, Bianca os observava com lagrimas nos olhos, mas com o olhar frio direcionado a Henrique.

— Mas pai! Ela também tem que se tocar, que ela vai perde o namorado se continuar assim. E além do mais, parece que Tayane se importa mais comigo do que a própria Bianca. Ela me ama mais... Não sei nem mesmo se Bianca é capaz de amar alguém.

Aquilo foi a gota d'água pra Bianca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.