A Única
16 The meaning of my life is She
Notas iniciais
Eu me dirigia ao carro no estacionamento do cemitério, quando meu celular vibrou no bolso. Era uma mensagem.
"Quando você estiver chegando me avise. Bjos s2"
Abri um sorriso. Era incrível o dom que ela tinha de me fazer sorrir com coisas tão pequenas. Respondi que estaria chegando em cerca de quinze 15 minutos.
O sol já estava se pondo, quando cheguei na frente de casa e dei de cara com Rachel sentada na varanda a minha espera, ela correu e se jogou nos meus braços:
– Eu já estava com saudades! — Ela disse com aquele sorriso que fazia meu mundo girar mais devagar, meu coração acelerar e minhas pernas bambearem.
– Eu também... Mas então, eu posso entrar em casa?
– Claro que pode- Eu comecei a andar e ela me parou — Não tão rápido Fabray, você vai entrar e vai direto pro quarto de hóspedes! Okey?
– Sim senhora — Eu brinquei batendo continência.
Ela me acompanhou até o quarto, pra onde tinha transferido tudo que eu precisaria para me arrumar.
– Por que esse vestido?- Era um vestido curto, verde escuro.
– Eu acho que você fica linda nele e... — Ela disse erguendo as sobrancelhas como se esperasse que eu terminasse a frase.
– Eu usava ele no nosso primeiro beijo, no nosso primeiro encontro...
– Você acaba de ganhar mais um ponto comigo. Lembrar de detalhes é muito importante pra manter um relacionamento funcionando.
Eu revirei os olhos para a forma sistemática dela encarar as coisas.
– Rach, o que você vai usar? Nada mais justo que eu escolher sua roupa não é?
Ela levou a mão ao queixo e fingiu pensar.
– Certo! O que você quer senhorita Fabray?
– Você ainda tem a roupa da Olivia Newton?
– Quinn!
– Brincadeirinha! — Eu ergui as mãos em rendição — Na verdade eu pensava naquele vestido preto simples que você usou nessa mesma noite.
– Mas ele é tão.. Simples!
E abracei sua cintura e dei um beijo na sua bochecha.
– Sim, mas foi nele que você estava quando me beijou pela primeira vez e...
– Foi você quem me beijou! — Ela interrompeu.
– O que? De forma alguma! Eu sou inocente! Lembro dos seus lábios vindo na minha direção.
– Você me encurralou contra a piá! Q.
– Você adorou e me beijou!
– Você me perverteu!
– Você me seduziu, Rach!
– Fabray! Você não pode perder um discussão nunca?
– Assim como você também não gosta de perder. E eu ganhei essa.
– Claro que não! Eu só te beijei por que você me obrigou a isso.
– Por que? Eu te abracei e te encurralei? — Eu perguntei enquanto a empurrava até deixa-la encostada na porta — Desse jeito? E você fez o que?
– Eu.. — Ela sorriu e jogou seu braços ao redor do meu pescoço. — Eu fiz isso...
Ela juntou nossos lábios em um beijo apaixonado que pareceu levar horas...
– Rach...- Eu suspirei quando paramos para tomar fôlego — Se você continuar pegando na minha bunda desse jeito, a surpresa de natal vai ficar pra amanhã...
Ela me deu um leve tapa no braço enquanto corava. Mas logo se aproximou mais e sussurrou no meu ouvido:
– Você sabe o quanto eu adoro sua bunda, Fabray. Pedir pra eu não colocar as mãos nela, é como tirar doce de criança.
Eu sorri de forma marota e arquei as sobrancelhas.
– Garanto que depois do nosso jantarl você vai se sentir como uma criança na fantástica fabrica de chocolates.
Ela fitou o chão e sorriu envergonhada.
– Aposto que vou.
Nessa hora eu congelei. Quer dizer, aqueles sinais que ela estava enviando significavam...?
– Rach, você...
Ela colocou um dedo sobre meus lábios, fazendo-me calar.
– Quinn, tome seu banho, se troque, se arrume, venho te buscar daqui uma hora.
– Você vai pra casa se arrumar?
– Não. Estranhamente eu trouxe exatamente a roupa que você pediu. — Ela sorria cantando vitória — Estarei no seu quarto.
Rachel me deu um leve beijo antes de sair pela porta. Retornando segundos depois para completar:
– E não ouse descer, ou tentar espiar, okey? Tudo o que você precisa esta aqui. — Ela consultou o relógio — Te pego as 7, gata, esteja pronta.
Ela piscou um olho e saiu fechando a porta. Fiquei alguns minutos com cara de boba olhando na direção que ela estava. Eu realmente, estava completamente apaixonada por aquela menina.
Tomei um banho demorado, ainda com aquele sorriso idiota no rosto. Imaginando o tamanho da minha sorte por ter Rachel ao meu lado, a quem eu amava de todo o meu coração, e tinha certeza que meu sentimento era recíproco.
Coloquei o vestido do seu desejo, e fiz o possível para arrumar cabelo e maquiagem do mesmo jeito do nosso primeiro encontro. Terminei de dar os ultimo retoques quando ouvi batidas na porta. A abri devagar e não consegui manter a boca fechada quando a vi ali de pé, exatamente como há alguns meses atrás, desde o cabelo, a roupa, até o sorriso encantador nos lábios e aquele brilho nos olhos.
– Pronta para nosso encontro, Lady? — Ela disse com um sorriso torto.
– Sim, senhorita.
Estendi minha mão e ela entrelaçou nossos dedos. Eu olhei nossas mãos unidas e lembrei de quando fiz a mesma coisa, naquela fatídica noite. De quando perdi o fôlego com aquele pequeno gesto, de como tudo fez sentido quando senti seu toque suave.
– Quinn, onde você está?
Ela me despertou dos meus devaneios.
– Estava naquela noite, Rach... Sabia que um simples toque você faz todo meu mundo valer a pena? Eu sinto uma paz indescritível só de sentir você perto de mim.
Ela colocou um mão no meu rosto, mantendo a outra entrelaçada com a minha.
– Então não vou soltar nunca mais — Ela beijou meus lábios — Vamos, antes que o jantar esfrie... — Ela concluiu me puxando em direção as escadas.
– Deixe eu adivinhar...
– Exato! Acho bom você não se lambuzar muito hoje.
Chegamos até o térreo, que estava com todas as luzes apagadas. Apenas a sala de estar e a sala de jantar estavam iluminadas, haviam velas colocadas em lugares estratégicos.
– Rach... — Eu não conseguia falar nada.
– Você não gostou? — Ela perguntou insegura.
– Eu... Amei...- Me virei pra ela — Você é perfeita! Eu me pergunto todos os dias o que eu fiz pra te merecer.
– Você é simplesmente você. Você merece tudo isso.
Jantamos em um silêncio confortável. Interrompido apenas, por alguns risos por conta de uma ou outra mancha de molho. Mas durante todo o jantar não tiramos os olhos uma da outra. Eram olhares de admiração, contemplação.. Adoração.
Ao fim, ela me puxou até a sala, onde nos sentamos com duas taças de vinho. Namoramos, rimos, relembramos histórias felizes, história tristes. Até que ela tirou a taça da minha mão.
– Okey, chega disso. Não queremos ficar bêbadas nessa noite especial, não é?
– De jeito nenhum! — Eu sorri.
Ela se levantou e foi até o aparelho de som, depois me estendeu a mão, e com as sobrancelhas arqueadas e com um sorriso maroto disse:
– Me concede o prazer dessa dança?
– Claro.
A segurei pela cintura, enquanto ela abraçava meu pescoço. Nos movíamos lentamente, no ritmo da música, enquanto cantarolávamos a letra nos olhando nos olhos.
She
May be the face I can't forget.
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay.
She may be the song that summer sings.
May be the chill that autumn brings.
May be a hundred different things
Within the measure of a day.
She
May be the beauty or the beast.
May be the famine or the feast.
May turn each day into a heaven or a hell.
She may be the mirror of my dreams.
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell
– Rach...
– Hum?
– Eu amo você...
– Eu também te amo... Demais... Demais — Ela sussurrou contra me pescoço.
She who always seems so happy in a crowd.
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry.
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past.
That I'll remember till the day I die
Ela fitou meu rosto, e pude perceber que ela chorava. Então eu sequei suas lágrimas, e recitei o último verso da canção em voz alta, enquanto a musica rolava ao fundo.
– Ela...
Talvez a razão pela qual eu vivo
O porquê e pelo que eu estou vivendo
Aquela que eu cuidarei nos tempos e nas horas mais difíceis
Eu pegarei as risadas e as lágrimas dela
E farei delas todas as minhas lembranças
Para onde ela for, eu tenho que estar lá
O sentido da minha vida é ela...
She, she, she
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