A Última Uchiha
24 O Retorno de Nobuko
Notas iniciais
Noi ouviu um barulho nas árvores e olhou para trás. Ela podia jurar que tinha visto dois vultos se escondendo no meio das folhas.
— ... – a loira se afastou um pouco da equipe pra conferir se não havia realmente inimigos.
— Noi, vamos! – chamou Ringo.
A loira suspirou, depois voltou a seguir seu time.
Mas Noi estava certa. Tinham realmente pessoas escondidas.
— O Retorno de Nobuko –
— Tempo! Tempo! – Noi berrou fazendo o formato de “T” com as mãos. Ela havia parado em um dos galhos das árvores para tomar um pouco de ar.
Ringo e Tairon pararam de avançar por dentro da floresta. Estavam distantes da colega cinco metros, mais ou menos.
— Nossa Noi, só andamos algumas horas. – o ruivo encostou-se à árvore, os braços cruzados.
— Hoje! Ontem e anteontem não contam não? E também não estávamos andando, e sim imitando macacos! – a loira resmungou ofegante – E vocês estão rápidos demais.
— Não estamos rápidos, você é quem está mais lenta do que o costume, não é Rin... Ringo? – o ruivo olhou ao redor procurando a morena – Onde será que ela se meteu?
— Eu? – a de cabelos negros presos por dois rabos de cavalos apareceu de cabeça pra baixo na frente do ruivo, fazendo este tomar um susto e quase cair do galho onde estava.
Noi caiu na gargalhada.
— Nossa. Adorei essa, Ringo! Muito boa! – a loira falou com dificuldade entre risos.
Tairon respirou fundo, tentando se recuperar do susto.
— Tinha outro jeito de aparecer não? – o ruivo reclamou.
— Desculpa. – Ringo prendeu o riso.
Tairon encara a morena mais atentamente. A garota se encontrava de cabeça pra baixo, os pés fixos no galho acima deles.
— Como você... – o ruivo começou a falar.
— Estou de cabeça pra baixo?! – completou Ringo, seu sorriso ia de orelha a orelha – Estou concentrando meu chakra nos pés. Isso é que me faz ficar de cabeça pra baixo. Foi o Naruto que me ensinou. É uma técnica bem simples, pra falar a verdade.
— Legal. Mas por que você assim, parecendo um morcego? – a loira perguntou se sentando no galho da árvore onde estava.
— Só fiquei assim quando me chamaram. – a morena soltou os pés do galho, dando uma cambalhota no ar, ficando de pé ao lado do ruivo logo em seguida – Estava dando uma vista geral do local.
— Vista geral? – Tairon perguntou.
— Da floresta. Sobre as copas das árvores. – a de cabelos escuros continuou – Ela tem algumas clareiras pequenas. E também não estamos tão longe da torre.
— Mas não podemos chegar lá sem o pergaminho da Terra. – a loira suspirou.
— E ainda temos que avisar os outros sobre Orochimaru. Mas não podemos ficar parados aqui para sermos atacados. – Tairon olhou mais além – Mas se quisermos passar os dias aqui, precisaremos de suprimentos... E água.
— Verdade. – a morena concordou com o garoto – Mas antes de qualquer coisa, vocês não acham melhor criarmos um código?
— Código? Pra quê exatamente? – a loira bocejou.
— Caso alguém tente se passar por nós. É uma boa ideia, Ringo. – o ruivo falou.
— Eles podem muito bem usar o Henge no Jutsu pra tentar se passar por um de nós. É uma técnica básica para enganar seu oponente. – a morena falou pensativa.
— E qual seria esse código então? – Noi encarou os colegas de equipe.
— Algo que apenas nós conseguiríamos falar. – o ruivo comentou.
— Já sei. – a loira bateu a mão em punho na outra que estava aberta – Tenho um código que ninguém, a não sermos nós, conseguiria falar.
— E qual seria? – Ringo encarou a companheira de equipe.
— Neko no ko koneko, shishi no ko kojishi*. – falou bem rápido a loirinha.
Ringo e Tairon encararam a loira, ambos perplexos.
— Err... Pode repetir? – a morena sorriu sem jeito.
— Neko no ko koneko, shishi no ko kojishi. – Noi repetiu como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo – ora, não me digam que vocês não conhecem a lenda do poeta que criou esse trava língua. – ela cruzou os braços.
— E ainda tem lenda? – Tairon ficou um pouco surpreso – Eu não sabia dessa, e você Rin...
— Neko no koneneko... – Ringo fazia careta enquanto tentava repetir o trava língua.
Noi prendeu a risada, mas logo ficou séria.
— Neko no ko koneko, shishi no koshi... Arg! Isso é difícil, Noi! – Tairon resmungou.
— Vocês não deveriam baixar a guarda desse jeito numa floresta cheia de ninjas atrás de vocês.
O time, surpreso, encarou o local de onde vinha a voz. Sobre um dos galhos de uma árvore a mais ou menos 6 metros de distância um homem de cabelos verdes estava sentado, enquanto brincava com o pergaminho que tinha em mãos. Sobre um de seus olhos platinados havia um tapa-olho, fazendo ele lembrar vagamente um pirata.
O homem era familiar para os três.
Eles se colocaram em posição de ataque.
O mais velho sorriu, então desceu da árvore.
— Surpresos? – o homem brincava com o pergaminho, jogando-o no ar e o pegando de volta com uma das mãos – Pois saibam que sua sensei não é tão forte assim a ponto de me matar.
— Espera... Você... Você é aquele velho do dia do incêndio! Nobuko! – Ringo falou, surpresa – M-mas como... Como pode estar...
— Jovem? Ah, isso é um segredinho meu. – Nobuko riu.
— Mas... Como conseguiu entrar aqui? Pensei que os fiscais... – Tairon falou surpreso.
— Do mesmo jeito que Orochimaru conseguiu. – o de cabelos verdes sorriu.
— Orochimaru?! – a morena engoliu em seco. As imagens do seu pesadelo voltaram a tona.
— É, Ringo. Parece que seu sonho era verdade mesmo. – Noi falou, ficando séria.
“Orochimaru. Meu kamissama! Se ele está mesmo atrás do Sasuke, o Naruto também está em apuros!” Ringo pensou desesperada.
— Ora, ora. Então vocês conhecem aquela cobra? – Teruko apareceu do lado de Nobuko, cruzando os braços logo em seguida.
— Vem cá. Isso aqui é a festa dos mortos vivos por acaso? – a loira encarou os homens que deveriam estar mortos.
— Pode até ser. – Teruko falou indiferente.
— Só que os mortos serão vocês agora. – Nobuko sorriu de modo sádico.
Teruko sacou suas espadas, ninja-to, enquanto o mais velho tirou uma kunai especial de sua bolsa – uma kunai em forma de tridente, seus dentes em ziguezague.
E juntos atacaram o time Delta.
Os garotos viram os dois adultos indo em sua direção em alta velocidade. Nobuko na direção da loira, Teruko em direção a Ringo e Tairon.
A morena conseguiu evitar que a espada do mais velho a cortasse no meio com sua kunai. O ruivo imitou a garota. Ambos conseguiram afastar as lâminas prateadas de si.
Ringo, aproveitando que Teruko ainda estava sobre o efeito da defesa dela e do garoto, lançou várias shurikens na direção do mesmo. O moreno conseguiu desviar de algumas, fazendo ele se afastar dos seus alvos, mas as outras conseguiram fazer alguns arranhões nas roupas e no corpo do mesmo.
Ao ver as shurikens fixas na terra, fez vários selos com as mãos e segurou um fio transparente com a boca e com os dedos indicadores e médios de ambas as mãos, esticando-o.
— Ryuuka no jutsu!* — Ringo sentiu parte de seu chakra se concentrar no interior de sua boca, inflando suas bochechas e deixando o interior delas em brasa.
Assim que Teruko encarou a garota, a mesma cuspiu fogo pelo fio, fazendo-o se incendiar e vir em direção a ele. O moreno quando tentou desviar, sentiu um fio bloqueando seu caminho. Então, o fogo que só vinha em uma única direção, começou a vir de várias, seguindo a trajetória das shurikens que foram jogadas antes.
O fogo criou fumaça no local. Ringo puxou as shurikens que estavam presas ao fio de volta e as guardou. Ela correu pra atacar Teruko novamente com uma kunai na mão.
Mas ele não estava mais lá.
Ela ouviu o som de metal cortando o ar e se virou. Era Teruko, que já descia as lâminas de suas espadas sobre a morena.
Se Tairon não tivesse amparado o golpe com sua própria estada, Ringo agora estaria em fatias. O mais velho, devido à força de reação da defesa da espada do ruivo, foi afastado alguns metros das duas crianças.
— Essa foi por pouco, heim? – Tairon sorriu pra Ringo.
Antes que a garota pudesse falar eles ouviram som de golpes. Noi havia amparado a kunai em forma de tridente de Nobuko com sua kunai tradicional. O mais velho voltou a se afastar e atacou a loira mais uma vez, que desviou do golpe no último instante com um salto e, durante o impulso do pulo, tirou três bombinhas de um dos compartimentos do cinto que usava e lançou na direção de Nobuko.
Assim que a loira pousou em um dos galhos de uma das árvores, as bombas explodiram, espalhando fumaça pelo local. Aproveitando a deixa da colega, Tairon e Ringo se esconderam nas árvores.
— Fica difícil enxergar com essa fumaça. – o ruivo resmungou baixo pra si mesmo.
A morena estreitou os olhos e tentou olhar através da névoa. Havia uma sombra humanoide em pé no meio da fumaça. A mesma soltou uma risada.
— Acha mesmo que bombas iriam me afetar? – o mais velho falou, seu tom de voz zombeteiro.
A fumaça se dissipou, mostrando um Nobuko com rosto e parte das mangas da roupa que ele usava queimados.
— Tem certeza di... – Noi começou a falar, no mesmo tom que o de cabelos verdes, mas logo se calou ao ver a pele queimada do mesmo voltar a sua cor normal – Ah! Fala sério! Que tipo de animal é você, afinal?!
— Um que muita gente detesta. – o mais velho riu.
Nobuko tocou no buraco na roupa que uma das bombinhas provocou. Com uma das mãos, segurou o buraco e rasgou a manga fora da roupa, deixando a mostra um braço cheio de cicatrizes pálido. Perto do ombro uma tatuagem negra: duas vírgulas, uma para cima, outra para baixo, com uma linha na horizontal, cortando-as.
— Aquilo... Se parece com... – Ringo falava pra si mesma, surpresa. A marca no braço do homem era parecida com a que havia no pescoço de Sasuke Uchiha em seu sonho.
“Talvez isso não seja mera coincidência, Amaterasu” a voz do homem cobra ressoou em sua mente.
A morena gritou, apavorada.
Sasuke havia sido pego.
Era tarde demais agora.
— Saia da minha cabeça, agora! – a garota berrou, levando as mãos a cabeça.
— Ringo, você está bem?! – perguntou Tairon, assustado.
“Por que sairia, agora que descobri que vocês conseguem trocar pensamentos?” o homem cobra falou, seu tom de voz demonstrando divertimento.
— SAIA! AGORA! – os joelhos da morena cederam, fazendo-a se ajoelhar no galho da árvore. As mãos na cabeça, o rosto tomado pelo pavor.
— Ringo! Sai dessa! – o ruivo tentou ajudar a garota, mas alguém o golpeou, desequilibrando-o e fazendo-o cair da árvore.
Caído no chão, Tairon tentou se levantar, quando viu a ponta de uma espada em seu rosto. O dono dela sorriu. Teruko.
— Seu adversário sou eu. Orochimaru-san cuidará da garota.
— Orochi... – foi quando ele ouviu outro grito da morena – Ringo! – o ruivo usou uma de suas kunais para levantar a lâmina da espada e sair de seu alcance. Mas assim que saltou para ajudar a garota, o mais velho apareceu em sua frente e chutou seu rosto, fazendo o mesmo cair no chão.
Nobuko olhava a cena, a expressão do rosto demonstrando satisfação. Então encarou a loira que estava parada em uma árvore, encarando-o fixamente como se tivesse visto um fantasma.
— Por que você não me ataca, pirralha? – o de cabelos verdes levantou uma de suas sobrancelhas – Você não é aprendiz da Mero-chan? Da última vez que nos vimos você parecia bem mais forte do que hoje.
— Você... – Noi falou, o rosto assustado – Não pode ser.
— O que não pode ser? – Nobuko pula pro galho onde a loira estava, dando um susto na mesma e fazendo-a se encostar no tronco da árvore.
A mente da garota ficou em branco. Por um breve momento, enquanto encarava aquela marca no ombro do mais velho, ela havia se esquecido de que ela era uma shinobi em treinamento, voltando a ser a menininha de três anos que seus pais haviam abandonado. Pais que tinham a mesma marca que o de cabelos verdes tinha no braço.
Foi o grito da Ringo e a trouxe de volta a realidade, percebendo que se deixou ser pega muito facilmente.
— Droga! – a loira resmungou, pronta pra fugir do mais velho, mas este segurou seu pulso, impedindo de que ela se fosse. Noi, que ainda estava com a kunai na mão, segurou a mesma mais forte e atacou o braço no Nobuko. O golpe foi interrompido pela mesma antes que se finalizasse quando o mais velho levantou a manga da camiseta da loira, do braço que ele segurava.
Tatuado no braço da garota havia o mesmo símbolo que tinha no braço de Nobuko.
O rosto do mais velho passou de questionador para surpreso. Então encarou a loira.
— Você... é uma das crianças malditas do clã Kohaku. – falou ele em um sussurro.
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