A Última Uchiha

11 Lembranças do Onii-san


Notas iniciais
Capítulo editado o/

– Ela não está acampando com o time dela?

– Eu sei disso. Mas ouve um incêndio na floresta. E a Ringo não estava lá. – Naruto falou, preocupado.

O rosto de Sakura muda de raiva para surpresa.

– A Ringo... sumiu?

– Lembranças do Onii-san –

Ringo chorava. Durante uma brincadeira com o Naruto, ela acabou escorregando no chão molhado do quintal de onde eles moravam e acabou machucando o joelho.

– Rin-chan! – Naruto foi ao seu socorro.

Um rapaz foi ao encontro das crianças.

– O que houve? – o mais velho perguntou preocupado.

– A gente tava brincando de pega-pega, e a Rin-chan caiu, dattebayo. – o loirinho falou, agitado.

Ringo ainda chorava. O mais velho suspirou, mas logo sorriu. Ele afagou os cabelos da menina.

– Está tudo bem, Ringo. Aiko nii-san está aqui pra cuidar de você.

A morena abriu os olhos e encarou o maior: seus cabelos castanhos claro balançavam com a brisa, os olhos verdes com um olhar carinhoso, como o de um pai.

Ela enxugou os olhos.

– Tá doendo, Onii-san. – a voz da menina era chorosa.

– Acredito que sim. – Aiko sorriu, então colocou a menina no colo – Naruto, pegue o kit de primeiros socorros. Vamos cuidar da nossa desastrada.

O loirinho confirmou com a cabeça e foi junto com o mais velho para dentro de casa.

Assim que entraram na casa, Ringo já não estava mais no colo do mais velho, e sim espiando por detrás da coluna. Aiko conversava com um homem mais velho.

– Tem certeza de que ninguém sabe sobre a localização das crianças? – o senhor perguntou.

– Absoluta, senhor Hokage. Apenas eu, o senhor e a Ambu sabe sobre a localização delas. – o moreno estava sério.

– É importante que esta informação esteja em completo sigilo, afinal, ele ainda deve estar atrás do garoto.

– Estou ciente de minha obrigação, senhor.

O mais velho colocou a mão no ombro do rapaz.

– Sei que deve ser difícil pra você. Estar em uma missão com sua esposa naquelas condições...

– Somos ninjas, Hokage. Temos que fazer sacrifícios. – o moreno sorriu, triste – Como... Ela está?

– Os Inuzuka estão cuidando dela e da criança. – o mais velho disse – Uma menina.

– Kirara. – Aiko sorriu – Espero vê-la logo.

Então tudo escureceu.

Ringo corria no meio da escuridão, procurando alguma luz pra guiá-la. Foi então que ela sentiu a chuva em sua pele. Ela estava no quintal. Naruto desmaiado no chão perto da horta que eles cuidavam. Aiko lutando contra uma pessoa mascarada e capa escura.

– Naruto! Onii-san! – a morena gritou, desesperada.

O moreno olhou pra garota, surpreso.

– Ringo?!

Foi então que as correntes da pessoa mascarada acertaram o peito do mais velho em cheio, derrubando o mesmo no chão.

– Ora, ora, ora. O que temos aqui. – o mascarado se voltou para Ringo – Uma menininha intrometida.

As correntes pegaram o pulso de Ringo e a arrastaram para o mascarado. O mesmo pegou a garota pelo pescoço e a suspendeu.

– Não gosto de crianças xeretas, sabia?

– Me larga! — Ringo se debatia, tentando fugir do aperto que o maior fazia em seu pescoço com uma única mão.

– Acho que não, pirralha. – o mascarado sorriu – Espera um pouco...

Ele aproximou o rosto da menina ao seu. Ringo pôde ver, pelo buraco da máscara do agressor, seu olho vermelho com três virgulas que pareciam estar girando, formando um círculo.

O Sharingan.

– Você... – a voz do homem parecia surpresa, mas logo se tornou com ar de riso – Não acredito. Depois de sete anos escondida você se entrega assim? De lambuja?

Foi então que uma corrente elétrica atravessou o corpo do mascarado, fazendo ele soltar a morena. Ringo caiu no chão enlamaçado.

O mascarado encarou o rapaz que tinha os olhos amarelos e estranhas marcas em forma de raio saindo de seu rosto. O mascarado avança pra atacar o moreno novamente, mas hesitou.

Ele riu.

– Chamou reforços, Senju?! – o mascarado falou sarcástico – Tudo bem. Vou dar uma trégua.

Então ele sumiu.

Ringo correu na direção do mais velho.

– Onii-san... – A voz da morena era chorosa.

Várias pessoas mascaradas surgiram das árvores e começaram a examinar o perímetro. Uma delas – um rapaz com máscara de raposa branca e cabelos loiros – foi em direção a Ringo e Aiko.

– Aiko-san! – o rapaz falou desesperado – Você precisa urgentemente de cuidados médicos!

O moreno tossiu sangue.

– Levem... O Naruto. – Aiko falou – Eu... Estou bem.

– Mas Aiko...

– O mascarado deu uma droga para ele dormir, mas se não derem o antídoto logo ele pode morrer... E libertar... a Kyuubi. – o moreno falava com dificuldade – Levem ele logo.

Duas pessoas mascaradas pegaram o loirinho desacordado e o levaram para a vila.

O loiro mascarado tirou a máscara, revelando um rapaz nos seus 22 anos aproximadamente e olhos castanhos. O rosto preocupado.

– Você precisa ir pro hospital com urgência, Aiko. – o loiro falou – Esses ferimentos estão muito profundos.

Aiko tentou sentar. O loiro ajudou o mais velho a se encostar numa cerejeira que tinha por ali.

– É inútil, Hitsuji. – o moreno sorriu triste – Mesmo com todos os tratamentos médicos.

– Como você pode saber?! – o loiro falou alto, indignado.

Aiko deu de ombros, o sorriso triste em seus lábios.

– Eu apenas sei.

O moreno tirou o emblema da vila que tinha em seu braço pra garota, que observava a conversa dos mais velhos com os olhos marejados.

– Meu trabalho aqui terminou antes do previsto... – Aiko sorriu sem graça, de sua boca escorria sangue – Espero que Minato-sempai e Kushina-sempai me perdoem.

Ringo pegou o emblema das mãos do moreno. Lágrimas desciam pelo rosto da menina.

– Onii-san... Você vai morrer?!

O moreno enxugou uma das lágrimas da garota.

– Vou finalmente me juntar a Hana e aos deuses.

O loiro enxugou os olhos.

– Não me diga que está chorando também, Hitsuji?! – Aiko riu.

Ringo começou a soluçar.

– Você... Não pode morrer, onii-san! – a morena chorava – Você... é o nosso onii-san!

Ele afagou o rosto da garota que chorava freneticamente.

– Ma, ma... Não chore, Rin-chan. Você e o Naruto-kun ainda têm muita coisa a enfrentar durante suas vidas de shinobi. E ele vai precisar muito de você. – o moreno falava devagar — Por isso, cuide bem dele. Sei que o ele também cuidará de você. Afinal, são irmãos.

– Onii-san! – a pequena chorava.

O moreno enxugou as lágrimas da garota.

– Mesmo que não sejam irmãos de sangue, o que importa é o amor que sentem um pelo outro. Assim como o meu foi por vocês.

Aiko gemeu de dor. Em seguida sorriu sem jeito.

– Acho que isso é um adeus, Rin-chan. – ele afagou os cabelos da garota – Seja forte.

O rapaz levantou uma das mãos. Esta fechada em punho.

– Nunca desistir.

A garota fungou. Em seguida deu um soco de leve no punho do mais velho.

– Nunca desistir. – falou menina com a voz chorosa.

O moreno encarou o rapaz loiro que estava do lado da garota.

– Você agora é o mais velho. – Aiko falou – cuidem bem de nossos irmãos... E da minha filha.

O rapaz fungou.

– Certo, onii-san.

O moreno sorriu serenamente. Ele se acomodou melhor na árvore onde estava encostado. Então seus olhos perderam o brilho.

Aiko estava morto.

O loiro fechou os olhos do mais velho.

Ringo apertou o emblema do mais velho que tinha em mãos, as lágrimas descendo pelo seu rosto.

– Nii-san... – a garota soluçava – Nii-san...

Ela se jogou no colo do mais velho, chorando histericamente. Ela sentiu seus olhos arderem. A íris negra de seus olhos se tornou rubra, com uma vírgula negra em ambos os olhos.

– ONII-SAN!!!

–--

Ringo se sentou de repente na cama. Estava de madrugada e a morena estava hospedada na casa da sua sensei, mais precisamente no quarto de um dos irmãos dela.

Aquele sonho... Não havia sido fruto de sua imaginação. Aquele sonho eram lembranças.

Lembranças do Onii-san.

A morena começou a soluçar. Fazia muito tempo que não tinha um sonho daqueles com seu irmão. Tão vívido.

Tão real.

Ringo escondeu o rosto nas mãos e começou a chorar, tentando abafar o máximo o possível o seu choro para que ninguém da casa escutasse.

Onii-san... Morto brutalmente.

E ela não pôde fazer nada.

– Ringo? – Hitsuji apareceu na porta. Os cabelos loiros assanhados e o rosto sonolento. Estava sem óculos e de pijama listrado branco e azul.

A garota enxugou os olhos com o cobertor.

– Tá tudo bem sim, Hitsuji-san. – a voz da morena ainda estava chorosa.

O loiro ficou com uma expressão pensativa. Então entrou no quarto e sentou na cama onde a morena estava.

– Você... Teve algum pesadelo?

Ringo soluçou.

– Não foi bem... Um pesadelo. – a garota se acalmava aos poucos.

– Uma lembrança ruim então? – o mais velho havia pegado um cubo mágico que seu irmão tinha sobre a cômoda e começou a montar ele.

– Algo assim... – Ringo apertou os lençóis – Você... Estava nele.

Hitsuji encarou a mais nova, surpreso.

– Eu?!

A morena confirmou com a cabeça.

– Você... Era o menino mascarado... Que queria ajudar o onii-san.

O loiro arregalou os olhos, surpreso com o que a garota havia dito. Depois ele sorriu triste, e colocou o cubo mágico de volta no lugar.

– Você... Se lembra então? – Hitsuji falou tristemente – Do dia da morte do Aiko?

Ringo hesita por um momento, mas confirma com a cabeça. Ela ainda não havia se acostumado a chamar Aiko pelo nome.

– Pensei que o jutsu do Hokage para ocultar memórias havia funcionado, mas pelo visto você conseguiu sair dele. – o mais velho falou.

– Jutsu para ocultar memórias?

– Longa história. – o loiro sorriu sem graça, então encarou a morena – Agora que você se lembra do que aconteceu, eu quero que me prometa que não vai contar sobre isso pra ninguém.

– Por quê? O Naruto tem o direito de saber disso. – Ringo falou indignada – Ele sente tanta a falta do onii-san quanto eu.

– Era uma missão sigilosa. Mesmo que tenha sido encerrada bruscamente, ela deve permanecer sigilosa. – Hitsuji estava sério.

A morena ficou em silêncio, absorvendo o que o mais velho tinha acabado de dizer.

– O onii-san... Era o irmão de vocês, não era? – a garota finalmente falou, encarando o mais velho.

Hitsuji sorriu tristemente.

– Era. Nosso irmão mais velho. Eu sou o único da família que sabe sobre a missão dele.

– Então quer de dizer que a sensei não sabe como ele morreu?

– Só disseram a nossa família que Aiko morreu em combate durante uma missão, nada mais que isso. – o loiro suspirou.

– Mas... Isso é injusto!

– Nem tudo é justo nessa vida. – Hitsuji sorriu sem graça.

O loiro olhou para a janela e viu o céu ficando mais claro.

– Bem... É melhor eu descer e fingir que estou dormindo. – o mais velho se levantou da cama, depois encarou a morena – Me prometa Ringo, que não vai falar sobre seu sonho pra ninguém.

A garota suspirou.

– Prometo. – Ringo disse a contragosto.

~*~

– Olha só quem acordou. – Mitsuo falou com um sorriso de deboche – Bom dia, tampinha.

“Tampinha?” pensou Ringo, ficando irritada com o novo apelido.

Ringo havia ido a cozinha, atraída pelo cheiro do café da manhã. No recinto, Mitsuo ajudava Meropan com a comida, enquanto Sokka colocava a mesa. Hitsuji estava sentado em uma das cadeiras da mesa, lendo um jornal.

– Você bem que podia ser mais educado com nossa convidada, Mimi-kun. – Sokka fez uma careta enquanto terminava de por os talheres na mesa.

– Mitsuo, Sokka. Mitsuo. – o mais velho suspirou.

Ringo sorriu sem graça.

Kirara desceu as escadas alegremente.

– Bom dia, pessoal. – a menina cumprimentou com um sorriso. Ela foi em direção a um porta-retratos que tinha sobre um armário baixo e beijou o mesmo – Bom dia, pai.

Então foi ajudar os irmãos com o café da manha.

Ringo foi na direção onde estava o porta retratos e encarou a fotografia: a família Senju reunida. Aiko estava abraçado a uma mulher de cabelos castanhos compridos e marcas triangulares abaixo dos olhos, que eram amarelos. A mesma segurava um bebê que estava envolto por um pano rosa. Eles pareciam felizes na foto.

– Além de tampinha, xereta. – Mitsuo apareceu atrás da morena, que havia levado um susto quando ouviu o mais velho falar.

Ele riu.

– Não sou xereta. – Ringo resmungou colocando a foto no lugar onde estava – Quem é o casal com o bebê?

– Os pais da Kirara, Aiko e Hana. – Meropan falou enquanto colocava a comida na mesa.

– Puxei essa marquinha da minha mãe, olha. – Kirara sorria enquanto mostrava o triângulo invertido cor de vinho que tinha abaixo de seu olho amarelo.

– O Aiko morreu durante uma missão e a Hana morreu doente. – Mitsuo falou enquanto falava as mãos.

– Você fala de um jeito como se não se importasse com a morte deles. – Sokka suspirou.

– Você quer que eu chore o tempo todo com isso?

– Tá! Chega de falar de coisa triste. – Meropan bufou – O café da manhã está pronto.

Todos do recinto se sentaram a mesa para desfrutar do desejum preparado por Mitsuo e Meropan.

– Uau. Vocês cozinham muito bem. – Ringo falou surpresa assim que comeu boa parte da comida servida.

– Uma das habilidades do Senju. – Mitsuo sorriu, se gabando do seu trabalho – Ah, sim, Meropan. Eu tentei ligar pro tal Naruto mas ele não atendeu.

– Mesmo? – a mais velha encarou o irmão — Tentou ligar de novo?

– Tentei, mas só dava em caixa postal...

A porta de entrada da casa foi aberta bruscamente e um furacão loiro entrou pela cozinha e pulou em cima de Ringo, derrubando a mesma no chão.

– RINGO! – Naruto berrou enquanto sacudia a morena – QUER ME MATAR DO CORAÇÃO, DESGRAÇADA?! SABE O QUANTO DE LUGAR EU FUI PROCURANDO POR VOCÊ, DATTEBAYO?!

Os Senju assistiam a cena um tanto surpresos.

Ringo deu um cascudo no loiro.

– Quer se acalmar, idiota?! – era visível a raiva da garota naquele instante.

– Então esse é o Naruto?- Sokka encarou o loiro que estava acariciando o novo galo – o Jinchuuriki?

– Ele mesmo. – Meropan suspirou.

– Não parece lá grande coisa. – Mitsuo bocejou e voltou a tomar seu café da manhã.

Kirara ajudou a morena a se levantar.

– Foi uma queda e tanto. – a mais nova sorriu sem graça.

– Naruto-kun. – Hitsuji ajudou o loiro a se levantar – Sou Senju Hitsuji e estes são meus irmãos e sobrinha Kirara. Por favor, queira tomar café da manhã conosco enquanto explicamos o que aconteceu para que a Ringo dormisse aqui em casa.

Naruto aceita a ajuda e ouve o mais velho contar sobre o ocorrido. Ringo suspirou, então voltou a tomar seu café da manhã. Uma pequena folha verde veio pela janela e caiu na tigela de arroz da morena. A garota pegou a folha e olhou pela janela. O céu estava sem nuvens. Uma bela manhã de sábado.

Ela voltou a encarar a folha que tinha em mãos. A cor da folha lembrava muito a cor dos olhos do Aiko.

“Nunca desistir.” Ringo lembrou da voz do onii-san. Ela sorriu e guardou a folha consigo.

Nunca desistir.

Do lado de fora da casa, um corvo assistia a cena pela janela da residência dos Senju. Meropan havia percebido a presença do corvo e o encarou, estranhando sua presença. A ave logo alcançou vôo para longe dali.

A sensei ficou séria.

– Itachi. – ela falou tão baixo que os outros que estavam na cozinha não conseguiram ouvir.

Notas finais
Yeah! 11 capítulos editados /o/ Estou chegando lá, pessoal :D