A Última Uchiha
8 Incêndio na Floresta
Notas iniciais
– Ah, é verdade. Enfim... Agora sabem. – Meropan deu de ombros – Vocês passarão uma noite na floresta. Quem for reprovado volta pra academia.
– Quê? – as crianças falaram em coro.
– Ué... Por que a surpresa? – a mais velha deu um sorriso debochado.
– Voltar pra academia? Nunca! – Tairon resmungou alto – Passei por muitas dificuldades pra conseguir me graduar e eu não vou voltar atrás.
– Esse é o espírito, Tairon. – Meropan sorriu – Agora vamos. Vocês precisam montar o acampamento antes que escureça.
– Incêndio na Floresta –
Depois de um longo dia de caminhada o time Delta achou um bom local para o acampamento: uma pequena clareira perto de um riacho.
Noi deixou seu corpo ser levado pela gravidade e caiu de costas no chão. Sua mochila gigante amorteceu a queda.
– Estou EXAUSTA! – a loira estava caída no chão com os braços abertos – Por que nós não ficamos na vila e tivemos nosso teste de sobrevivência por lá mesmo?!
– Assim não teria graça. – Meropan falou indiferente – Melhor montarem o abrigo. O Sol vai se por logo.
– A senhora não vai nos ajudar? – Tairon perguntou ao ver a mais velha encostando-se a um tronco de uma árvore.
– O teste é de vocês, não meu. – a Senju sorriu, então abriu seu livro, voltando à leitura.
As crianças suspiraram.
– Tudo bem então. – Ringo colocou sua mochila apoiada numa árvore – Sarutobi-kun, você pode montar a barraca. Noi, você pode subir o rio e procurar a nascente dele para encher os cantis e ao mesmo tempo explora o local. Eu vou procurar lenha para a fogueira.
O ruivo e a loira encararam a morena, surpresos.
– O que? – Ringo retribuiu os olhares dos colegas de time – Falei algo errado.
– Não, é que... – Tairon sorriu sem graça.
– Você não parece o tipo de garota que toma a iniciativa. Que lidera. – Noi falou diretamente.
– Se eu fosse esperar alguém falar alguma coisa já estaria de noite. – Ringo cruzou os braços – Vocês têm objeções contra as tarefas? Se quiserem podemos mudar e...
– Não estamos reclamando, Inu. – Noi riu – Só ficamos surpresos.
– Ringo. Meu nome é Ringo.
– Ringo, Inu... É tudo a mesma coisa. – a loira deu de ombros.
A morena suspirou. Depois foi atrás de madeira para alimentar a fogueira.
~*~
O Sol se punha. Ringo voltava com os braços cheios de galhos secos, ótimos para montar uma fogueira. Ela havia percorrido uma boa área da floresta enquanto pegava os galhos. Nada de perigo, assim pensou. Viu alguns animais silvestres inofensivos passeando entre as plantas. Talvez tivessem alguns problemas com lobos quando anoitecesse, mas fora isso, nada de alarmante.
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– Você acha que... Eu... Sou sua irmã? – a morena encarou o garoto, surpresa e assustada ao mesmo tempo.
Sasuke se levantou e limpou os joelhos.
– Podemos não ser, mas você não pode negar que somos muito parecidos.
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As palavras do Uchiha voltaram a sua mente. O garoto tinha razão: eles eram incrivelmente parecidos. Mas, se eles fossem realmente irmãos, então... Quem havia entregado ela aos pais do Naruto? Será que o responsável pelo massacre do clã Uchiha sabia da sua existência?
A morena sentiu um arrepio descer pela sua espinha.
Não, definitivamente ela não era uma Uchiha. Sua semelhança com o Sasuke não passa de uma mera coincidência. Não queria ter nada haver com o clã massacrado.
A garota ouviu o som de galho se partindo, como se alguém tivesse pisado nele. Ela se virou automaticamente para trás, tentando descobrir a origem do som. Ringo só viu árvores e mais árvores. Nenhum sinal de vida.
Mas por que então sentia que estava sendo observada?
A morena ajeitou os galhos que carregava em seus braços e apressou o passo para que pudesse chegar ao acampamento logo.
Mesmo que estivesse se afastando da floresta fechada, seus cabelos da nuca estavam eriçados. Algo não estava certo, disso ela tinha certeza.
Assim que chegou a clareira onde seu time montava acampamento Ringo viu Noi terminando de montar a terceira barraca. Os cantis perto de um círculo de pedras – o lugar que a fogueira seria acesa.
Mas nenhum sinal do ruivo.
– Onde está o Sarutobi-kun?
– O ruivo safado, afagador, pegador de velhas? Ali, se agarrando com a sensei! – a loira inclinou a cabeça para um lado, apontando para a direção em que o garoto estava deitado no colo da mais velha e a mesma afagando-lhe a cabeça, como se o menino fosse um gato.
Ringo ficou com a veia saltando ao ver a cena. Largou os galhos que havia recolhido no chão e foi na direção do colega e da sensei.
– Ah, oi, Rin-chan! – Tairon sentou rápido e lançou um sorriso sem graça para a morena – Olha, eu posso explicar...
– O que? Que você deixou todo o trabalho pra Natsumi? – Ringo cruzou os braços, irritada.
– Não fale assim com o garoto. – Meropan encarou a morena, séria – Eu que mandei a Natsuki montar as barracas para que o Tairon ficasse de vigia comigo.
– NOI-SAMA! – berrou a loira ao longe.
– Vigia?! VIGIA?! – Ringo falou alterada – Tá parecendo mais uma chefe da máfia afagando seu bichinho de estimação fofo!
– Chefe da máfia? – o ruivo sorriu sem graça e logo em seguida foi puxado pela orelha – Ai, ai. Isso dói, Ringo!
– Você vai acender a fogueira agora, ruivo preguiçoso!
Meropan viu Ringo levar sua mascote para longe. Então suspirou.
– Crianças.
~*~
A noite havia chegado e por sorte Tairon conseguiu ascender a fogueira a tempo..
– Tudo pronto. – Noi falou sorrindo, enxugando o suor da testa com as costas da mão.
– Que demora. – Meropan fechou o livro e se levantou – Poderiam ter sido mais rápidos.
– Seríamos se a senhora não TIVESSE PEGADO O TAIRON E O FEITO DE MASCOTE! – Noi berrou, irritada. Cruzou os braços.
O ruivo, que estava com as mãos sujas de terra, sorriu sem graça.
– Besteira. – a mais velha abanou a mão, sinalizando para que o time esquecesse o ocorrido – Já passou. Agora se me dão licença...
– Ué, pra onde a senhora vai? – Ringo perguntou enquanto via a mais velha se dirigir para uma das saídas da clareira.
– Vou fazer um reconhecimento de campo. Só por segurança. – Meropan sorriu – Eu volto logo.
Então a mais velha desapareceu no meio das árvores.
– Só espero que ela não demore. – a loira suspirou – Ou que nos deixe aqui sozinhos.
– Ela não faria isso. – Ringo falou rindo, mas seu sorriso sumiu – Faria?
– Creio que não. – Tairon falou pegando um saco de marshmalows da mochila – Mas, mesmo se o fizesse, nós saberíamos nos cuidar, não?
– Mas... Ainda somos genins.
– Exato. Genins. Graduados pela academia de ninjas de Konoha. – Noi falou desenhando na terra com um galho – Mesmo que sejamos do baixo escalão, ainda somos capacitados para sobrevivermos pelo menos a uma noite sem um adulto.
– Talvez você tenha razão. – Ringo sentou-se próximo a fogueira.
O ruivo se sentou ao lado da morena e lhe entregou um galho com alguns marshmalows espetados no mesmo. Ela aceitou de bom grado e ambos colocaram suas guloseimas no fogo para derreter. Noi pegou um mangá da mochila e começou a ler.
E assim ficaram por um longo tempo.
– Err... Pessoal. Vocês não acham que a Meropan está demorando muito? – Ringo falou depois que comeu o último marshmalow de seu galho – Acho que já faz mais de meia hora que ela saiu daqui.
– Verdade. – Tairon concordou com a morena – Devíamos ir atrás dela então? O que você acha Noi?
A loira estava encostada no tronco de uma árvore, o mangá aberto sobre o seu rosto. De baixo da revista um ronco foi emitido.
– Eu não acredito que ela conseguiu dormir em tão pouco tempo! – o ruivo bateu a mão na testa.
– Bem, ela trabalhou MUITO mais que VOCÊ! – Ringo enfatizou, olhando torto para o colega.
– Ainda está zangada por isso?! – o garoto sorriu sem jeito – Eu já pedi desculpas.
Ringo bufou, irritada.
Foi então que a floresta ficou estranhamente silenciosa. Os ruídos dos animais, das folhas ao vento, tudo ficou mudo. Os cabelos da nuca de Ringo se arrepiaram novamente.
Com certeza tinha algo de errado.
– Ficou... Tudo quieto de repente. – Tairon falou baixo, os olhar atento, a expressão séria.
Ringo confirmou com a cabeça.
– Vamos procurar a Meropan-sensei. – Ringo sussurrou para o ruivo. Não sabia explicar, mas se falasse mais alto ela e seus colegas ficariam em risco.
– Mas precisamos acordar a Noi.
Ambos encararam a loira que roncava em seu sono tranquilo.
– Só ela mesmo pra conseguir dormir num lugar desses. – o ruivo suspirou e guardou o necessário na mochila. Em seguida a colocou nas costas.
Ringo fez o mesmo. Depois disso foi até Noi para acordá-la.
– Oye, Kohaku-san. – Ringo balançou o braço da loira – Acorde.
Outro ronco, dessa vez, mais alto.
Um barulho de movimento vindo da floresta foi ouvido. Ringo e Tairon olharam na direção em que o som tinha vindo, ambos alertas.
– M-Meropan-sensei?! – o ruivo arriscou.
Silêncio.
– Noi! – Ringo balançou a loira mais forte.
– Uh, o que? – a garota tinha a voz de sono – É dia de treino noturno, mamãe?
A morena encarou a colega, confusa com que a mesma tinha acabado de dizer.
– O que?
– Ah, é você Ringo. – Noi esticou os braços – O que foi? Você parece assustada.
– E você deveria ficar mais alerta. – Ringo jogou a mochila no colo da colega – Vamos abandonar o acampamento e procurar a sensei. Tem alguma coisa errada.
– Jura? – Noi colocou a mochila nas costas e olhou ao redor – Não vejo nada demais. Só uma floresta no escuro e estranhamente silenciosa.
A morena encara a loira como se dissesse “e isso já não é o suficiente?!”.
– Meninas... – Tairon falou, a voz nervosa.
As garotas encararam o ruivo, que apontava para a floresta. Duas sombras grandes se aproximavam da clareira.
– S-são lobos. – Ringo falou assustada – Lobos gigantes!
Os dois cães selvagens entraram na clareira. Um deles era negro, o outro, cinza. Ambos com cicatrizes no rosto. Seus olhos eram de um amarelo vivo.
Os animais rosnaram para as crianças.
– Acho que essa é uma boa hora pra correr! – Noi se virou para sair dali o mais depressa o possível.
A morena segurou a colega pela gola da camisa.
– Não faça isso! Ele vai pensar que você é a presa dele.
– E eu já não sou?!
– Não são lobos normais, Ringo. – Tairon falou andando devagar para trás – Se fossem eles não seriam desse tamanho.
– Mas não podemos correr. – a morena falou nervosa – Se o fizermos viraremos comida de lobo, com certeza.
– E se ficarmos aqui vai dar na mesma! – a loira berrou.
Foi então que uma flecha acertou o solo entre os pés da loira. Esta deu um pulo para trás devido ao susto.
– De onde veio iss.. – Noi começou a falar, surpresa.
Os lobos uivaram. Então começaram a se aproximar das crianças. A flecha que tinha acertado o solo estava em chamas, e agora começava a queimar a grama, dando início a um incêndio.
– Essa é uma boa hora para correr, não acha Ringo?! – Tairon falou com um sorriso nervoso no rosto.
– Mas o fogo...
Os lobos estavam perigosamente perto deles. E só havia uma saída para sobrevivência naquele momento: correr.
O time delta saltou para as árvores e começaram a saltar de um galho para o outro, fugindo tanto do fogo como dos lobos.
– Estamos muito longe da vila. Não vamos chegar a tempo de avisar sobre o incêndio antes que ele se torne enorme. – Ringo falou nervosa.
– Nós precisamos é de um abrigo! – Noi resmungou.
– Onde, Noi?! Em cima das árvores?! Porque não estamos perto de nenhuma caverna ou algo do tipo! – o ruivo falou desesperado.
– Isso não teria acontecido se a Meropan estivesse conosco. – a loira falou, irritada – a culpa é dela!
– Ei, Noi. Não é pra tanto. – o Tairon falou sem graça – Ela foi fazer um reconhecimento da área...
– E agora essa área está prestes a ficar em chamas e ela não deu nenhum sinal de vida. – Natsumi reclamou.
– Noi! Cuida... – Ringo alertou a morena. Mas foi tarde.
No pescoço da loira estava agora um dardo com plumas azuis. A garota parou de mover depois que foi acertada, então caiu da árvore.
– NATSUMI! – Tairon foi atrás da loira, antes que a mesma se chocasse contra o solo.
Ringo foi atrás do colega.
O ruivo conseguiu evitar que a loira se chocasse contra o solo, segurando a mesma no colo no último instante.
– Tairon!
O garoto foi derrubado junto com a loira por sua colega que time. Ele e Ringo olham para o lugar onde estavam em pé antes: cravados no tronco da árvore estavam uma fileira de dardos iguais ao que estava no pescoço da loira.
– Precisamos sair daqui! Agora. – a morena falou desesperada, ajudando o ruivo com a Noi desacordada. Ela tira o dardo que estava no pescoço da loira.
Ouviram o trotar dos lobos. Era questão de tempo até que eles achassem as crianças.
Não andaram nem duzentos metros quando se depararam com três sombras humanoides. A do lado direito parecia carregar uma foice, a do meio um cajado e a do lado esquerdo uma katana.
Foi então que uma voz grave e bastante ameaçadora veio da direção daquelas três sombras.
– Onde pensam que vão?
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