A Última Uchiha
23 A Floresta da Morte
Notas iniciais
— Certo, foi bom enquanto durou, mas acho que ouvi minha mãe me chamar... – Noi falou enquanto saía de fininho, mas o ruivo a impediu, levantando e segurando a colega de equipe pela gola da camisa.
— Bem, agora irei explicar como será a segunda fase. – Anko falou.
— A Floresta da Morte –
— Este será um teste de sobrevivência – Anko abriu um mapa do local da avaliação – as cercas possuem 44 portões de acesso à floresta. Esta é cortada por dois rios e possui uma torre no centro, que está a 10km de cada portão. O objetivo de vocês é de chegarem a torre com estes dois pergaminhos.
Anko mostrou então os pergaminhos: Um branco e um azul.
— São os pergaminhos do céu e da terra – continuou – Como passaram 28 times, metade deles ficará com o pergaminho do céu, a outra metade com o da terra.
“Ou seja, metade das equipes que chegaram até aqui irão fracassar.” Ringo pensou.
— E vocês só poderão abrir o pergaminho quando chegarem à torre. – Anko prosseguiu com as instruções – Vocês terão 120 horas para terminar esta etapa, ou seja, cinco dias.
— Mas e a comida?! – Chouji perguntou assustado.
— Esse é um teste de sobrevivência. Vocês acharão comida lá. – a mais velha rolou os olhos – Agora as condições de eliminação: Se o time trouxer os pergaminhos sem todos da equipe será eliminado, e se perder um companheiro ou simular o mesmo também falhará. Ah, e mais uma coisa: NÃO MORRAM. Assim que terminarem de preencher os formulários, troquem eles pelos pergaminhos. É só, por enquanto.
Noi se aproximou da equipe que havia se afastado da multidão, sentados num banco.
— Ei, o que houve?
— N-não é nada. – Ringo falou sem graça.
— Claro que é alguma coisa. Você não é de ficar assustada por nada. – Tairon falou, sério.
— Assustada? – perguntou a loira – Assustada com o que?
A morena fitou o ser que a colega de equipe havia chamado de andrógeno mais cedo. Noi seguiu o olhar da garota.
— Bem. Eu te entendo. Até eu teria medo de alguém assim. – a loira fez uma careta.
— Natsumi, é sério.
— E eu estou falando sério. Olha como aquela criatura tem cara de estuprador da pracinha. – Noi falou se abraçando, como se de repente tivesse passado uma corrente fria.
Ringo deu um sorriso desanimado.
— Desculpa por preocupar vocês, pessoal. – a morena encarava as sandálias ninjas. Então suspirou – É só que... Eu acho que vai acontecer alguma coisa ruim aqui.
— Bem... O nome da floresta é floresta da morte, então análogamente... – começou a loira.
— Eu to falando sério, Noi. – Ringo parecia um pouco apavorada – Eu tenho um pressentimento ruim sobre esse lugar. Sobre essa etapa do exame.
Silêncio.
— Bem... Teremos que tomar o dobro de atenção então. – Tairon se levantou – Não se preocupe, Ringo, vamos sair ilesos dessa.
— Mas e o Naruto? Sasuke?
— Eles são ninjas excelentes, Ringo. Vão se sair bem também.
~*~
Ringo e seu time entregaram o formulário ao ninja que estava sentado na mesa dos pergaminhos. Este, assim que pegou o formulário, entregou ao time Delta o pergaminho do céu. Ringo recolheu o pergaminho, então entregou o mesmo ao Tairon.
— Ele vai ficar comigo? – o ruivo pegou o rolo branco com os kanjis de céu em preto e fitou a morena um pouco surpreso – Mas por quê?
— A Noi pode perder ele.
— Ei! – resmungou a loira.
— Mas então por que você não leva? – o ruivo perguntou, confuso.
— Não tenho onde esconder. – Ringo abriu os braços, mostrando a roupa – camisa vermelha sem mangas de zíper fechado (como um colete), saia cinza, legging cinza escuro e sandálias ninjas pretas (além da bandana da vila da folha em sua cintura exercendo função de cinto) – que não tinha bolsos.
— Ah, claro. Então tudo bem. – Tairon sorriu sem graça.
— Quem já pegou o pergaminho, sigam o líder do seu time até o portão em 30 minutos. – Anko avisou em voz alta.
— Portão 13. Isso não é um bom sinal. – a loira falou encarando os números vermelhos do portão que estavam presos à grade.
— Vai dar tudo certo. – Tairon tentou levantar o animo do grupo.
Passado os trinta minutos, os portões foram abertos. O fiscal desejou boa sorte para o time. Ringo inspirou fundo, logo em seguida atravessou o portão. Então se virou para o time.
— O que estão esperando?! Vamos terminar logo com isso! – a morena sorriu, tentando encorajar seu time.
Tairon e Noi sorriram junto com a colega e a seguiram, entrando na floresta.
— Vamos lá! Time Delta! – Ringo levantou o punho, levando os colegas de equipe fazerem o mesmo. Então saltaram para a copa das árvores, seguindo para a torre central da floresta.
~*~
Estava tudo escuro. O silêncio era predominante. Não havia nada a sua frente.
O sibilar baixo de uma cobra começou a soar no local, aumentando gradativamente.
Se havia um bicho que a Ringo mais detestava era uma cobra.
A garota olhou para os lados, tentando ver onde o animal se encontrava, mas tudo estava escuro. Sem escolhas, ela começou a correr.
O sibilar aumentava. Uma risada de um homem começou a acompanhar o som da cobra. A morena acelerou o passo, mas parecia que não conseguia sair do lugar.
De repente uma luz acendeu do nada. Ringo teve que colocar a mão sobre o rosto, pois sua visão estava acostumada com o escuro. Assim que seus olhos se adaptaram a luz, ela viu que havia apenas um feixe considerável de luz sobre uma pessoa, colocando-a em foco. A pessoa estava de costas. As sandálias de ninja eram azuis, a bermuda larga branca. Usava uma camisa azul com o símbolo do clã Uchiha nas costas. Seus cabelos eram negros e espetados, a pele clara como a da Ringo.
— Sasuke? – a garota falou se aproximando do garoto que ainda estava parado e de costas para ela.
À medida que se aproximava, Ringo pode perceber tinha algo errado com o moreno. Em seu pescoço havia uma estranha marca, parecida com três vírgulas grandes e negras. Várias ondas negras começavam a sair a partir da marca e tatuar o corpo do garoto.
— Sa-Sasuke?! – a morena falou assustada. Ela deu um passo pra trás, mas acabou esbarrando em algo.
A mão delgada da garota tocou o que havia atrás de si, e não gostou nem um pouco do que sentiu. A textura escamosa em que havia tocado só poderia significar uma coisa: tinha encontrado a cobra.
O sibilo ficou bem mais alto. Ringo se virou e confirmou o que seu tato lhe denunciara: uma enorme cobra estava atrás dela. A mesma cobra que havia encontrado no sonho anterior.
A morena ficou mais pálida do que já era.
Foi então que sentiu uma mão pesando em seu ombro. A garota virou a cabeça e encontrou Sasuke. O moreno mantinha a cabeça abaixada. Seu braço e mão tinham as ondas negras que vieram da marca.
— Sasuke? – Ringo perguntou prestes a correr.
O moreno levantou a cabeça. O sharingan nível três ativado.
— Junte-se a mim. – Sasuke estava sério – Vinguemos nosso clã.
— O quê?!
— Junte-se a mim. – o moreno repetiu – Vinguemos nosso clã.
Ringo tentou se soltar do moreno, mas parecia que havia chumbo em seus pés.
— Junte-se a mim. Vinguemos nosso clã.
A cobra sibilou mais uma vez, aproximando-se deles. Ela abriu a boca e de lá, um homem magro de longos cabelos negros e pálido saiu, sujo da saliva do réptil.
O mesmo homem que controlava o Sasuke como titereiro.
Ringo tentou correr mais uma vez, sem sucesso.
— Socorro!!!!
— Junte-se a mim. Vinguemos nosso clã. – Sasuke repetia como um mantra.
O homem que saiu da cobra se aproximou da morena, levantando sua cabeça para examiná-la melhor. Seus olhos amarelos eram iguais aos da cobra. Ao encarar a garota, um sorriso diabólico surgiu nos lábios do homem cobra.
— Então era mesmo verdade. Mais uma Uchiha. Que ligação interessante que vocês dois possuem, não? – o adulto comentou observando a menina – Uma peça interessante para o jogo.
Então lambeu o rosto da garota.
— Não toque em mim! – Ringo empurrou a mão do homem pra longe de seu rosto – Eu quero acordar! Eu sei que isso é mais um daqueles pesadelos!
O moreno encarou a garota e logo começou a rir.
— Pesadelo?! Ah, minha cara. Se você soubesse o quanto isso é real. Mas já que você não acredita, eu, Orochimaru, deixarei um lembrete em você para que saiba que isso tudo é a realidade.
Orochimaru.
Itachi e Okami haviam avisado.
O adulto lançou de uma de suas mãos uma cobra pequena na direção da garota, que se enrolou em seu pulso e a mordeu no antebraço.
Ringo berrou de dor. Depois da mordida, sua visão começou a ficar turva. O homem apenas sorria.
— Uma revolução irá começar. Escolha de que lado vai estar, Uchiha.
—--
A morena acordou berrando, acordando junto o Tairon, que estava dormindo, e a Noi, que deveria estar de guarda, mas estava cochilando.
— Eu to acordada! Eu to acordada! Onde é a batalha?! – a loira se pôs em posição de ataque, virando de um lado para o outro.
Ringo ofegava. Seu rosto branco como cera.
— Ringo, você está bem? – o ruivo perguntou se aproximando da morena – Nossa! Você está gelada!
— Um... Pesadelo. – a morena falou com os olhos assustados. Então ela se lembrou da mordida. Virou o pulso para ver se aquilo mesmo tinha acontecido.
E lá estava: a marca avermelhada onde as escamas da pequena cobra haviam pressionado o pulso da morena e dois furos mais acima do antebraço, estes mais escuros.
— Ai, meu kamissama! – Ringo berrou.
— Grita mais alto que a vila oculta da areia ainda não ouviu. – Noi resmungou.
— A-Aquilo foi real? Mas o Sasuke não está aqui, está? E a cobra gigante, Orochimaru... – a morena falou rápido demais.
— Cobra? Que cobra? – Tairon falou preocupado – Você deve ter ficado impressionada com as cobras que topamos hoje, não? Elas eram realmente grandes.
— Orochimaru... – Noi de repente ficou séria.
Ringo encarou a loira que estava sentada sobre seu saco de dormir. Sua expressão de séria foi pra preocupada.
— Noi?!
A loira encarou a Uchiha.
— Ringo, com o que exatamente você sonhou?!
Então Ringo abrio o jogo. Contou sobre os sonhos que tinha visto Orochimaru, mas não mencionou Itachi e Okami. Sem saber o porquê, ela achou melhor manter o conhecimento deles só para si por enquanto.
— Uma visão... Orochimaru como titereiro do Sasuke... – Noi falou, pensativa.
— Mandando você escolher um lado... – Tairon comentou, pensativo e preocupado – Seus sonhos foram muito detalhados para ser apenas fruto da imaginação. Precisamos avisar aos outros.
— Eles não vão acreditar na gente. – Noi suspirou.
Ringo encarou o pulso novamente, verificando se as marcas da mordida e das escamas estavam lá.
Mas elas haviam sumido. Como se nunca tivessem existido.
— Natsumi. É uma ameaça real. Se realmente o Orochimaru, um dos três sannins, estiver aqui atrás do Sasuke e da Ringo...
O ruivo não completou a frase. Era horrível demais pensar que estavam atrás de crianças para serem usadas como armas.
Tairon encarou o céu.
— Bem, o céu já está clareando. – o garoto se levantou – Vamos poder procurar os outros e avisar a eles sobre Orochimaru. Vamos continuar acompanhando o rio. É mais seguro do que tomarmos alguma trilha.
— Quem aqui te elegeu o líder? – Noi reclamou enquanto batia a poeira da roupa.
— Sou o único homem da equipe. E a Ringo ainda está um pouco assustada devido ao sonho.
— Não estou não. – a garota reclamou quando se pôs de pé.
— Enquanto a mim? Por que não posso ser a líder?! – a loira falou se fingindo ofendida.
— Porque você é a Noi, ué. – Tairon sorriu pra colega – Agora vamos antes que achem a gente.
Noi ouviu um barulho nas árvores e olhou para trás. Ela podia jurar que tinha visto dois vultos se escondendo no meio das folhas.
— ... – a loira se afastou um pouco da equipe pra conferir se não havia realmente inimigos.
— Noi, vamos! – chamou Ringo.
A loira suspirou, depois voltou a seguir seu time.
Mas Noi estava certa. Tinham realmente pessoas escondidas.
— Nobuko-san. Eles estão se movendo. – um rapaz de cabelos castanhos e repicados falou para o ninja mais velho e de cabelos verdes ao seu lado.
— Eu percebi, Teruko. – o outro suspirou.
— Não vamos fazer nada em relação a eles? Orochimaru-san não é muito paciente, caso não esteja lembrado.
— Eu sei. – o de cabelos verdes resmungou – Só que não consigo fazer nada direito nesse estado.
— Nesse esta... Ah. Você vai fazer aquilo de novo, não é? – o rapaz suspirou.
— Melhor você descer da árvore, Teruko, antes eu faça isso em você. Caso não se lembre, essência humana dura muito mais que a de plantas. – Nobuko sorriu.
— Tsc. – O moreno pulou pro galho de uma árvore próxima e observou o velho ficar em pé no galho e encostar a mão magra e enrugada no tronco da planta.
Uma aura cinzenta começou a emanar do corpo do de cabelos verdes e, aos poucos, as folhas da arvore começaram a cair. Após um tempo o que era uma arvore jovem e saudável se transformou em um tronco escuro com galhos retorcidos.
A aura sobre Nobuko desapareceu assim que matou a árvore. O mesmo se virou para o moreno que estava na árvore vizinha, assistindo o mais velho.
— Então? – o de cabelos verdes sorriu, sua voz menos profunda e arranhada que antes.
— Ainda acho esse jutsu bizarro. – Teruko suspirou enquanto Nobuko, outrora velho, agora jovem, se posicionou ao lado do moreno.
— Mas ele tem um preço a ser pago. – o mais velho sorriu – Se não fosse esse jutsu falho meu não estaríamos dependendo do Orochimaru agora.
— Claro, claro. Vamos pegar esses pirralhos logo. – o moreno resmungou, saindo na frente do mais velho, seguindo o time Delta.
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