Notas iniciais
Esse foi um dos capítulos mais fofos que já escrevi :3 espero que gostem!

Surpreso, Mihawk não conseguiu dizer nada com aquele pedido. A garota parecia prestes a lhe contar uma coisa importante sobre sua vida e mudou de assunto drasticamente. Era notável que Wyvia se sentia ainda insegura sobre sua vida... era natural não querer contar nada... mas ser uma espadachim?

Então ela ainda não está pronta para me contar a verdade, pensou ele. Só depois se deu conta do pedido da moça, e aquilo lhe deixou mais distraído que nunca.

— Te ensinar a ser espadachim? –ele perguntou com um tom de voz sério. Os olhos dourados penetraram os olhos dela em busca de alguma nota de dúvida... mas ela parecia determinada. — Não.

Com a resposta, Wyvia ficou ruborizada. O falcão desviou os olhos dela e fitou sua enorme espada, que jazia encostada na parede. A espada era maior que Wyvia, quase do tamanho do próprio Mihawk e tinha a lâmina negra. Lembrava a morte. Se a jovem treinasse com ele, levaria muitos ferimentos daquela lâmina, e talvez ela não suportasse.

— Por que?! -perguntou ela olhando-o com os olhos pidões, porém ainda pensativa sobre seu próprio pedido. Queria ser como ele, forte e independente... mas será que realmente deveria?

— Você é pequena e frágil. Não serve para ser espadachim.

Olhando para os próprios braços, Wyvia confirmou o que Mihawk disse. Ela era magra, com pouca musculatura. Seu tamanho era praticamente a metade de um Mihawk. Ela só tinha uma coisa a seu favor: o fator de cura rápido.

— Mas eu posso me curar mais rapidamente que qualquer pessoa! Eu consigo!

Desta vez Mihawk franziu as sobrancelhas ao olhar pra ela. Notando o quanto ela insistiria, ele teria que ser duro com ela para desistir daquela ideia absurda de ser espadachim. Mihawk sabia que ela não resistiria muito tempo ao treinamento pesado para se tornar espadachim, e além disso ele não queria ter que ser o responsável por causar nela ferimentos talvez permanentes.

— Não, Wyvia. Você não aguentaria um treinamento como o meu. Não tem força nem pra segurar uma espada. –e após dizer isso, ele tentou ignorar o olhar pidão da moça. Ela parecia inconformada com a resposta. — E não insista nisso.

Dito isso, Mihawk se levantou de seu trono e começou a se retirar da sala. Não queria passar nem mais um minuto negando aquilo a moça. Se recusava a dizer que não gostaria de machucá-la.

Sozinha novamente, Wyvia suspirou. Queria ser como Mihawk, forte e poderosa para se defender sozinha, caso um dia Arthur viesse até a ilha procura-la. Aquilo poderia causar grandes problemas para os moradores do castelo, e a garota não queria aquilo para as pessoas que a receberam tão bem... principalmente a Mihawk, que era tão incrível e sério. Ele talvez ficaria furioso por ela trazer problemas a ilha... e além disso, a moça não se sentia pronta para contar a ele sobre os problemas. Estava tão perto de se sentir totalmente confiante, tão perto... mas tudo aquilo pareceu cego ao seu olhar devido a vontade de ser forte.

A jovem olhou fixamente para a espada enorme de Mihawk que ainda estava na sala. A jovem lembrou dos movimentos tão rápidos e astutos de Mihawk manuseando a espada como se fosse parte do corpo dele, tão necessária quanto o ferrão de uma vespa. Se ela tivesse pelo menos um décimo da força de Mihawk, ela poderia se defender sozinha de Arthur. Ela tinha certeza absoluta que ele iria atrás dela e aquilo não demoraria.

Um dos motivos para não contar a Mihawk o que estava acontecendo. A jovem tinha fé que conseguiria se livrar daquela situação sozinha, sem ter que envolver o espadachim ou Perona. Eles eram pessoas boas e não mereciam enfrentar a fúria e ódio do povo de Jaman... ainda mais por culpa dela.

Determinada a ser forte, a moça caminhou devagar até a espada. A perna ferida pouco tocava o chão e até doía um pouco, mas não como no início. Ela estava quase totalmente curada, e precisava ser forte. Por uns minutos pensou se deveria ou não tentar treinar com aquela espada, que de perto era duas vezes o tamanho dela. Ela tinha que tentar.

Primeiramente, Wyvia não alcançava o cabo da espada, que estava quase um metro acima de sua cabeça. A lâmina negra a atraía para a morte, mas ela simplesmente estava adorando aquela sensação. Se sentia poderosa. Seus dedos finos e delicados foram chamados pela lâmina. Ao tocar, ela sentiu o quanto a espada era fria, tanto quanto gelo. O metal negro, tão mórbido, parecia conter o sangue de milhares de inimigos e o peso das mortes deles, lembrando que seu detentor realmente merecia o título de melhor espadachim do mundo. Correndo o dedo pela parte dura da lâmina, que não era cortante, Wyvia foi tomada pela vontade de empunhá-la. Sua outra mão agarrou a parte da lâmina, com cuidado para não cortar os dedos, e então ela fez força para puxar a espada para frente, para assim abaixá-la para segurar, porém não conseguiu mover nem um centímetro.

Puxando a espada de pé, ela fez uma força para empurrá-la para o lado, sem ciência de que caso a lâmina escorregasse, ela não conseguiria segurar e causaria um enorme acidente. Ela ainda era uma jovem que sequer pensava em consequências.

Foi o que aconteceu. A espada começou a deslizar pela parede para a direita, onde a lâmina cortante estava prestes a se chocar contra o chão. Wyvia quase entrou em desespero, mas no meio do susto, ela acabou segurando a lâmina com a mão nua. Quase não sentiu dor, mas sentiu o gelo da espada se fixando a sua carne a matando por dentro. Já era tarde demais. A moça caiu no chão, com a perna ferida debaixo da lâmina. Se a espada tivesse caído com um pouco mais de força, sua perna seria decepada pela poderosa espada, mas a força pequena de sua mão foi suficiente para apartar um pouco da queda, além da quantidade de faixas e esparadrapos que Perona colocou na perna, porém nada aquilo foi suficiente para deixa-la sem um arranhão sequer.

O choque da espada contra o chão fez um som estridente e barulhento no castelo vazio. Gemendo, Wyvia viu o estrago que a lâmina fez. A palma de sua mão estava com um enorme corte diagonal, corte tão vermelho quanto vinho, com sangue fresco e quente escorrendo pelos braço nus e empapando o vestido.

Droga! Mihawk-san vai me matar! Pensou ela tentando se levantar, porém a espada prendia sua perna no chão. E para piorar sua situação, viu que as faixas da perna estavam vermelhas. O choque não a permitiu sentir tanta dor, mas agora vendo o estrago, ela sentiu tudo o que deveria sentir. Gemendo, afastou a perna totalmente dolorida debaixo da espada, fazendo com que a lâmina agora tocasse totalmente o chão.

O som da espada trouxe consigo passos agitados no salão. Quando Wyvia se deu conta de que Mihawk já estava alí, correndo até ela, a moça se desesperou e ficou corada, tremendo. Odiaria levar uma bronca dele. Será que ficaria com tanta raiva por mexer nas suas coisas sem permissão?

— Mihawk-san... –tremeu a menina quando o viu correr até ela. O olhar dele parecia petrificado.

— O que você FEZ? –ele perguntou com o tom de voz irado e alto. Ele pegou a espada com apenas uma mão e a tirou de perto de Wyvia, jogando-a para o lado como se não fosse nada e como se pesasse menos que 1 grama. A espada se chocou contra o chão do outro lado da sala e fez um barulho estridente e cortante.

Sangrando, a menina estava ardendo em vergonha por ter tomado a decisão de mexer naquela espada. Ela fechou o punho cortado e o pressionou no peito com a falsa esperança de que Mihawk não notasse, mas com aquela quantidade de sangue, era impossível não ver.

O espadachim se ajoelhou diante dela e tocou em sua perna ferida. O choque da lâmina fez um corte nas ataduras e na pele, mas não parecia ter atingido o osso novamente. Com o olhar dourado perfurante e com uma raiva indescritível, Mihawk a olhou com incredulidade. Era uma expressão que o espadachim parecia nunca usar com ninguém, nem mesmo com um inimigo.

— Você acha que isso é um brinquedo?! –ele perguntou com o tom de voz de quem realmente brigava. Os olhos dourados fuzilavam os olhos da menina, mas ao mesmo tempo havia uma nota de preocupação. — Essa espada tem um poder inimaginável! Poderia ter decepado sua perna! Você não tem experiência com armas, garota, podia ter se matado!

Com as palavras, a menina se sentiu mais nervosa e constrangida ainda. O sangue quente escorria até o cotovelo e pingava na barra do vestido. Isso chamou a atenção de Mihawk, que tomou a mão dela com força e analisou o corte.

— Não foi nada demais... –ela tentou se justificar, deixando o tom de voz baixo e submisso. Sua mão ardia enquanto recebia o olhar clínico de Mihawk. — Eu só achei muito intrigante e queria tentar manusear... e você tem razão quanto a minha falta de experiência, mas talvez pudesse me ensinar algo!

Nervoso com aquela situação, mas ainda sério, Mihawk continuava implacável, como se nenhum acontecimento fosse suficiente para tirar sua calma da face. Seus olhos pareciam ter realmente experiência com tudo. Precisaria levar anos para construir aquela armadura de implacabilidade e seriedade, e ele realmente teve muito tempo para isso. Já com seus 42 anos, Mihawk tinha uma experiência vasta do mundo inteiro, mas mesmo assim quase que sua armadura se destruiu ao ver o que sua espada fez a aquela menina sem que ele a manuseasse. Com uma expressão séria, ele a ajudou a se levantar, para que pudesse avaliar se havia algum outro ferimento visível, mas não havia, portanto ele fitou os olhos dela com a mesma expressão.

— Suas mãos não foram feitas para a batalha e nem para sujar de sangue... são muito delicadas pra isso. –disse ele segurando as costas da mão dela como se fosse de vidro e sentindo o sangue morno chegando a sua própria mão. Com o outro braço, Mihawk a ajudava a se equilibrar, segurando no cotovelo do outro braço dela. — Você não nasceu para proteger e sim para ser protegida.

Com aquelas palavras ditas da forma mais direta possível e mais séria, Wyvia corou. As bochechas queimaram tanto quanto seus ferimentos sangrentos. Mihawk por outro lado dissera aquilo como se fosse a mais pura verdade, sem qualquer traço de vergonha ou constrangimento. Dizer aquilo era o mesmo que dizer a Wyvia que não queria que ela fosse embora daquela ilha. De fato aquela semana na presença dela trouxe um pouco de alegria no dia a dia do espadachim, que passara a cozinhar todas as refeições para alimentá-la e o fato de que tentava ao máximo evitar se encantar pelos olhos dela, tão parecidos com os seus, mas agora aquilo era difícil. Mihawk odiava pensar no quanto sentia vontade de proteger Wyvia e evitar que qualquer mal lhe acontecesse, mas agora que realmente aconteceu, ele deixou tudo ser liberto da forma mais séria e adulta possível. Ele não entendia aquela vontade que tinha de cuidar dela, mas se deixou sentir... e não era algo ruim, muito pelo contrário, aquilo trazia a alma dele um pouco de calor. Mihawk agora se sentia aquecido.

— Mas... –tremeu Wyvia. Ela sabia que tremia, pois sentiu que Mihawk segurou com mais força em seu braço para que não caísse. — Não há ninguém que faça isso por mim... é por isso que quero lutar! Quero acabar com o homem que tanto me fez mal! Eu não tenho ninguém no mundo que interceda por mim!

Deixando aquela frase para ouvir o que mais a garota tinha a dizer –pois sabia que agora ela realmente falaria –Mihawk a tomou nos braços assim como o fez quando ela chegou na ilha. Passou gentilmente o braço direito por debaixo dos joelhos e a amparou pelas costas, a erguendo até seu colo. O crucifixo dourado cutucava as costelas da menina, mas ela não se importou pois estava de volta nos braços dele.

— Eu posso fazer isso por você. –disse Mihawk seriamente, com as sobrancelhas quase unidas. Dizer aquilo foi um choque para ele mesmo, que evitou esboçar qualquer outra feição.

E nos braços de Mihawk, a garota se sentia segura novamente, principalmente após aquelas palavras. E então ela se pôs a chorar no ombro dele, enquanto era carregada para o quarto.

Notas finais
Aceito opiniões, ok? hahaha preciso saber o que estão achando dessa fic maravilhosamente fofa