A Águia de Zeus
4 Nossa carona surge do chão
– Argh.. Já arrumei minhas coisas, Ethan. E agora? – disse assim que me sentei no sofá, e coloquei a mochila com minhas coisas em meu colo.
– E agora? Bom.. – meu irmão fora interrompido por um enorme estrondo que invadira toda a sala de nossa casa, enquanto a porta se desfazia em pedaços, se espalhando por todo o local.
Ethan virou-se para o que restara da mesma, e ficou a espera. Logo após alguns segundos, o responsável pelo estrago apareceu.
– E aí, Raiozinhos do Sr.Tomadinha. Com todo o respeito. Ou não. – e então um menino com muletas entrou rindo pelo buraco que antes ficava a nossa porta. Ele vestia uma camiseta laranja, que dizia “Keep Calp and Confie nos Sátiros”, além de estar com uma calça e um par de sapatos que pareciam ser o dobro de seu tamanho. Seus cabelos eram bem cacheados, e com bastante volume, onde daria para esconder algo ali dentro.
Eu nunca tinha visto o intruso na minha vida, mas Ethan pareceu reconhecê-lo, pois o cumprimentou assim que colocou os pés dentro de casa.
– Fala Theo! – meu irmão se aproximou do intruso e o abraçou, como se ele fosse a sua ultima salvação.
– Prontos para partir? – perguntou o tal Theo, enquanto olhava para todas as paredes da sala. – Acho que alguém já passou por aqui. Demorei muito?
– Sim, já deixaram uma marca, mas nada com que eu não pudesse eliminar. Haha. – Ethan deu uma batida nas costas do Theo, que quase foi de cara ao chão, se não fosse a ajuda das muletas.
– Ah.. — foi o que o Theo disse antes da sua quase queda. Com esse feito, pudemos perceber que atrás dele havia um menino, com uma expressão bastante assustada.
– Hey, como se chama, meu chapa? – perguntou meu irmão, enquanto se aproximava do menino, e apoiava uma de suas mãos no ombro do mesmo.
– Érm.. M-me chamo Hervy. Hervy Marvel. – disse o menino com um pouco de vergonha. Ou medo. Ou os dois juntos.
– Hm.. Hervy. E és filho de? – Ethan continuou o diálogo, a fim de fazer o menino se soltar um pouco.
– Meu pai é Robert Marvel, mas minha mãe partiu antes que eu pudesse conhecer. – disse Hervy.
– Ah sim.. – respondeu meu irmão de volta. – Tem uma ideia de quem seja, Theo? – disse ele agora, virando-se para o menino de muletas.
– Algumas suposições.. Conto-lhe no caminho. Agora temos de ir. Se não será tarde demais.
– Sim.. Ta certo. Vamos Ally? – Ethan agora vinha em minha direção, e pegou a minha mochila, colocando-a nas costas, enquanto me ajudava a levantar.
Theo e Hervy já haviam saído pelo buraco da porta, e agora eu e meu irmão seguíamos o mesmo caminho deles.
– Ethan.. – sussurrei para meu irmão enquanto virávamos a esquina.
– Fale. – ele sussurrou de volta.
– Onde estamos indo, exatamente?
– Eu disse que lhe provaria que nós somos semideuses, certo?
– Infelizmente, sim.
– Então.
– Ah. E.. Fica muito longe daqui?
– Nem tanto. Fica em Long Island. E você conhece o local.
– E se eu disser que estou quase desmaiando de sono?
– E se eu disser que nós estamos indo pegar uma carona?
– Eu vou ficar eternamente grata.
Ethan abriu a boca para responder de volta, mas a voz que saiu não foi dali.
– Então fique. – disse a voz, e então percebi que Theo estava prestando atenção em nossa conversa o tempo todo. Meu irmão demonstrou um gesto com a cabeça como se dissesse “Deixa para lá”.
Continuamos a nossa caminhada até uma pequena floresta, e então paramos lado a lado, onde nós quatro ficamos em silêncio por um pequeno período. Logo, o silencio foi interrompido por Theo que se virou para Ethan e perguntou:
– Hey, cara. Você tem algum dracma por aí?
– Acho que eu tenho um por aqui. – meu irmão começou a vasculhar seus bolsos da calça, até que achou uma moeda dourada, que eu nunca tinha visto antes.
– É o que eu espero. De verdade.
– Aqui, achei. Eu chamo, ou você?
– Tanto faz, cara. Se te faz feliz, sinta-se a vontade.
– Vou chamar então. – disse meu irmão confiante, enquanto jogou a moeda no chão. — “Stêthi ‘Ô hárma diabolês”.
–Ethan.. O que é isso!? – fiquei um pouco desesperada, e então olhei para Hervy, que também olhou para mim, e percebi que não era só eu que estava assim. Rapidamente voltei a encarar meu irmão, para ver o que aconteceria após ele disser tais palavras, que pelo meu pouco conhecimento, parecia ser em grego.
Não havia demorado alguns segundos, e um táxi surgiu de um enorme buraco que surgira no chão onde meu irmão jogara a tal moeda.
– Isso.. — foi o que Ethan disse enquanto virou-se para mim, com um sorriso nos lábios. – .. é a nossa carona até o acampamento.
– Um táxi? – disse Henry, ao mesmo tempo em que eu abrira a boca para fazer a mesma pergunta.
– Sim, mas não é um táxi normal. — o menino de muletas aproximou-se do carro, que estava parado a nossa frente. Então o carro abriu a porta traseira sozinho, o que me assustou um pouco, e fez com que Theo recuasse um passo, antes que a porta o atingisse.
– Mas.. Ethan. Se for mesmo um táxi, só cabem três pessoas. E.. Nós somos quatro.
– Relaxa aí, maninha. Vamos entrar que você vai me entender.
Nós quatro caminhamos até a porta aberta, e então Theo, Hervy, eu e meu irmão entramos, na respectiva ordem. Ficamos um pouco apertados, mas coubemos no banco de trás.
Olhei para frente, e me deparei com três mulheres, bem estranhas no caso, que disseram quase juntas, completando a frase uma da outra.
– Diga.
– O seu.
– Destino.
Corri os olhos até o meu irmão, por estar espantada, e então ele apenas sorriu como antigamente e disse para as mulheres:
– Acampamento Meio-Sangue. Estrada da Fazenda 3.141, Colina Meio-Sangue, Long Island.
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